The cat under my bed
O Sorriso sob o Estrado
A escuridão no quarto de Sally Sheldon não era apenas a ausência de luz; era uma presença física, densa e vibrante que emanava debaixo de sua cama. Desde que Caramel decidira fazer dali sua toca, o ar cheirava a borracha queimada, mirtilo e algo metálico que lembrava sangue fresco. Sally estava deitada, o coração martelando contra as costelas, sentindo o peso do silêncio da casa. Seus pais dormiam no quarto ao lado, separados apenas por uma parede fina e pela total ignorância do monstro que habitava sob os pés da filha.
De repente, uma mão enluvada, branca e desproporcionalmente grande, deslizou para fora da escuridão. Os dedos longos e maleáveis envolveram o tornozelo pardo de Sally com uma firmeza possessiva. Ela soltou um suspiro entrecortado quando foi puxada para baixo, seu corpo deslizando pelo lençol até que suas pernas ficassem penduradas na borda do colchão.
O Cartoon Cat emergiu, sua anatomia distorcida se desenrolando como uma fita de vídeo estragada. Os olhos imensos e circulares brilhavam com uma luxúria inumana, e o sorriso de piano parecia brilhar no breu. Ele se posicionou entre as pernas dela, seus membros longos se esticando para mantê-lo suspenso sobre ela.
— Sentiu minha falta, bonequinha? — A voz dele era um sussurro rouco, uma amálgama de frequências de rádio e gritos abafados. — Eu ouvi você escrevendo sobre mim o dia todo. Senti o cheiro da sua excitação daqui de baixo.
— Você sabe que eu sinto... — Sally arqueou as costas, sentindo o frio do couro das luvas dele subindo por suas coxas. — Eu não consigo pensar em mais nada, Caramel.
O monstro não perdeu tempo. Com uma agilidade sobrenatural, ele puxou a barra do vestido preto dela, revelando a pele macia que contrastava com a textura grotesca de seu corpo de borracha. Ele mergulhou o rosto entre as pernas dela, a língua negra e áspera serpenteando para fora. Sally sufocou um gemido, cravando as unhas no lençol.
— Grita para mim, Sally — ele sibilou contra a carne dela, o hálito quente e fétido causando arrepios nela. — Quero ouvir se você geme tão bem quanto escreve. Quero que seus pais ouçam o som da sua perdição, mas não saibam o que é.
Ele começou a lambê-la com uma voracidade selvagem, a língua explorando cada dobra com uma precisão maníaca. Ao mesmo tempo, ele inseriu dois dedos longos e flexíveis dentro dela, movendo-os em um ritmo frenético que desafiava a biologia humana. Sally jogou a cabeça para trás, o cabelo preto-azulada espalhando-se como uma mancha de tinta pelo travesseiro.
— Ah, sim... você é tão apertada, tão doce — murmurou Caramel, sua voz vibrando dentro dela. — Você é um brinquedinho delicioso. Sabia que eu podia te partir ao meio agora mesmo? Eu podia te devorar de dentro para fora.
— Então faz... — Sally ofegou, a voz embargada pelo prazer. — Me usa, me rasga... eu sou sua, Caramel. Eu odeio tudo o que é normal. Eu quero o seu lixo, eu quero a sua sujeira.
O gato soltou uma risada distorcida e subiu o corpo, suas luvas agora apertando os seios dela com força, os polegares esmagando os mamilos através do tecido fino. Ele começou a morder e sugar a pele do pescoço dela, deixando marcas escuras que pareciam queimaduras de borracha. Seus beijos eram "franceses", mas de uma forma monstruosa; a língua dele era longa demais, invadindo a boca de Sally e explorando sua garganta até fazê-la engasgar de prazer.
— Você gosta disso, não gosta? — Ele se afastou apenas alguns milímetros, a saliva negra conectando seus lábios. — Gosta de ser possuída por algo que deveria te matar. Você é tão depravada quanto eu, sua vadiazinha das sombras.
Ele mudou sua anatomia, fazendo surgir de seu corpo uma extensão rígida e obscena, moldada pela própria vontade distorcida da criatura. Com um movimento brusco, ele a penetrou. Sally soltou um grito abafado contra a palma da mão dele, que cobriu sua boca instantaneamente.
— Silêncio... ou não — ele zombou, os dentes roçando a orelha dela. — Talvez devêssemos deixar seu pai entrar aqui e ver o que o "gatinho" está fazendo com a filhinha querida dele. Ele ia adorar ver como você abre as pernas para um pesadelo.
Ele começou a estocar, seus movimentos eram rápidos e erráticos, como um desenho animado em alta velocidade. A cama rangia violentamente, e cada impacto fazia o corpo de Sally chacoalhar. Ela sentia que estava sendo preenchida por algo que não pertencia a este mundo, uma sensação de plenitude que beirava a agonia.
— Cavalga em mim — ordenou ele, sua voz subitamente autoritária e carregada de malícia. — Quero ver você se esforçar. Quero ver esses seus cabelos longos balançando enquanto você se acaba no meu colo.
Ele se sentou na beirada da cama, mantendo-se dentro dela enquanto a puxava para cima de si. Sally, trêmula e suada, sentou-se sobre o colo do monstro, as mãos pequenas apoiadas nos ombros largos e pretos dele. Ela começou a se mover, subindo e descendo com uma urgência desesperada, enquanto Caramel a observava com aqueles olhos fixos, sem pálpebras, que pareciam ler sua alma.
— Isso... olha para mim, Sally — ele comandou, as mãos enluvadas apertando a cintura dela com tanta força que deixaria hematomas. — Você é tão linda quando está sendo corrompida. Geme mais alto. Quero que o som do seu prazer seja a trilha sonora da minha fome.
— Caramel... você é... tão grande... — ela gemia, a franja cobrindo o olho enquanto ela revirava o outro em êxtase. — Eu te amo... meu monstro... meu pesadelo... continua, não para!
— Eu nunca paro — ele respondeu, aumentando o ritmo, a anatomia dele se moldando para preencher cada espaço vazio dentro dela. — Eu vou te foder até você esquecer que é humana. Você vai ser apenas um receptáculo para a minha escuridão. Você é minha pequena escritora de pornografia, e eu sou o seu protagonista sangrento.
O diálogo entre eles tornou-se uma sucessão de obscenidades e confissões sombrias. Ele descrevia em detalhes o que faria com o cadáver dela se decidisse matá-la após o ato, e ela respondia com descrições de como queria ser digerida por ele. Era uma dança macabra de eros e tânatos, acontecendo a poucos metros de uma vida suburbana comum.
Quando o ápice chegou, foi como uma explosão de estática. Sally desabou contra o peito frio de borracha do Cartoon Cat, o corpo tremendo em espasmos violentos. Ele a segurou, soltando um ronronar que vibrava como um motor quebrado, sua própria liberação sendo uma mistura de fluidos negros e energia cinética que parecia queimar por dentro.
Lentamente, ele começou a diminuir de tamanho, seus membros se contraindo para que pudesse voltar para o seu refúgio. Ele depositou Sally de volta nos lençóis bagunçados, que agora cheiravam a mirtilo e pecado.
— Durma agora, bonequinha — sussurrou ele, deslizando de volta para debaixo da cama. — Amanhã quero um poema novo. Quero que você descreva exatamente como foi sentir cada centímetro de mim dentro de você. Se o texto for bom o suficiente... talvez eu deixe você me ver devorar o vizinho amanhã à noite.
Sally sorriu na penumbra, limpando o suor da testa com a mão trêmula. Ela ouviu o som suave do monstro se acomodando sob o estrado, o leve ranger da madeira que agora era a música de ninar mais doce que ela já conhecera. Ela fechou os olhos, sentindo o latejar entre suas pernas, e adormeceu com o gosto de borracha e mirtilo ainda em seus lábios. No quarto ao lado, seus pais continuavam dormindo, sem saber que o inferno era, para Sally, o paraíso.