The cat under my bed
O Banquete de Sangue e a Língua de Piche
A noite estava carregada, o ar dentro do quarto de Sally Sheldon parecia ter a consistência de melaço. O silêncio da casa era absoluto, interrompido apenas pelo tique-taque rítmico do relógio de parede e pelo som da respiração pesada da garota. Ela estava sentada na beirada da cama, sentindo um desconforto familiar no baixo ventre. O ciclo havia chegado, e com ele, aquela sensação úmida e metálica que a maioria das garotas detestava. Mas Sally não era como as outras. Para ela, aquele sangue era um sacrifício, uma oferenda carmesim para o deus de borracha que habitava o escuro sob seu estrado.
Ela não precisou chamar. O cheiro de ferro e hormônios era como um farol para os sentidos sobrenaturais de Caramel. Lentamente, uma luva branca e encardida emergiu da escuridão, seguida por um braço que se esticou de forma impossível, contornando a panturrilha de Sally com uma carícia gélida.
— Eu sinto o cheiro, Sally... — a voz dele surgiu como uma interferência de rádio antiga, distorcida e carregada de uma fome que não era apenas por carne. — Você está vertendo vida. Está vazando o seu néctar mais proibido para mim.
Sally sentiu um arrepio violento percorrer sua espinha. Ela afastou a franja longa, revelando o olho brilhante de antecipação.
— Eu não usei nada para estancar, Caramel — sussurrou ela, a voz falhando. — Eu queria que você sentisse. Eu queria que você fosse o meu único remédio.
O Cartoon Cat deslizou para fora debaixo da cama como uma poça de piche vivo. Sua anatomia se contorceu, os ossos inexistentes estalando enquanto ele se posicionava entre as pernas dela, sentado no chão, mas com o tronco alongado para ficar cara a cara com a garota. O sorriso de dentes afiados parecia brilhar na penumbra.
— Você é uma vadiazinha tão mórbida — Caramel ronronou, um som gutural que fez o colchão vibrar. — Outras garotas teriam nojo. Outras garotas se esconderiam. Mas você... você abre as pernas e me oferece o seu desperdício como se fosse ouro.
— Porque para você, é ouro, não é? — Sally desafiou, as mãos pequenas agarrando as orelhas pontudas do gato. — Você adora o gosto do que é humano, especialmente o que os humanos tentam esconder.
Sem dizer mais nada, Caramel agarrou as coxas dela com suas mãos enluvadas, apertando a pele parda com uma força que deixaria marcas. Ele não teve delicadeza. Com um movimento brusco, ele puxou o vestido dela para cima e mergulhou o rosto entre suas pernas.
O choque inicial da língua de Caramel foi como ser atingida por um raio de gelo e fogo. A língua dele não era humana; era longa, áspera como lixa em alguns pontos e lisa como seda em outros, capaz de se mover em direções que desafiavam a física. Ele começou a lamber o sangue carmesim com uma voracidade maníaca, limpando cada gota que escorria com uma precisão cirúrgica.
— Puta merda, Sally... — ele murmurou entre as lambidas, a voz abafada pela carne dela. — Tem gosto de metal, mirtilo e pecado. É quente... tão quente que queima a minha língua de borracha.
Sally jogou a cabeça para trás, soltando um gemido longo e agudo que ela teve que abafar com a mão para não acordar os pais no quarto ao lado.
— Bebe tudo, Caramel! — ela implorou, as unhas cravando-se nos ombros de piche do monstro. — Não deixa sobrar nada. Eu não quero absorventes, eu não quero nada que não seja a sua boca me limpando.
O gato soltou uma risada abafada e intensificou o ritmo. Ele não estava apenas limpando; ele estava realizando um boquete tão profundo e técnico que Sally sentiu que sua alma estava sendo sugada para fora. Ele usava a sucção de sua mandíbula de desenho animado para criar um vácuo, enquanto a língua trabalhava freneticamente no seu clitóris, vibrando em uma frequência que fazia a visão da garota escurecer.
— Você gosta disso, não gosta? — Caramel parou por um segundo, o rosto coberto pelo sangue dela, parecendo uma pintura de guerra macabra. — Gosta de saber que o seu monstro está se banqueteando na sua sujeira. Você é a minha pequena fonte de sangue, Sally. Minha cadelinha sangrenta.
— Eu sou... — ela ofegou, o corpo tremendo em espasmos. — Eu sou a sua devota. Me fode com essa língua, Caramel! Me faz esquecer que eu sou humana!
Ele obedeceu. Caramel inseriu a língua longa dentro dela, explorando o canal vaginal com uma profundidade impossível, buscando a origem daquele fluxo. Ele parecia querer beber diretamente da fonte, sugando o colo do útero de Sally com uma força que a fazia ver estrelas. O prazer era tão intenso que beirava a agonia.
— Você é tão apertada e tão cheia de vida — ele sibilou, os olhos circulares dilatados de luxúria inumana. — Eu sinto o seu coração batendo aqui embaixo. Eu podia simplesmente fechar os dentes e acabar com tudo, levar o seu útero como um troféu.
— Então faz... — Sally desafiou, o rosto transfigurado pelo êxtase. — Me consome por dentro. Me deixa oca, Caramel. Só deixa o que for seu.
O monstro soltou um rosnado de aprovação e voltou ao ataque. Ele alternava entre sucções violentas e lambidas rápidas e rítmicas. Sally sentiu o primeiro orgasmo explodir em seu ventre, uma descarga elétrica que a fez perder o ar. Mas Caramel não parou. Ele continuou bebendo, limpando o excesso que o orgasmo trouxera, tratando o sangue dela como o mais fino dos vinhos.
— Olha para você... — ele disse, afastando-se para admirar o estrago, a saliva negra e o sangue vermelho escorrendo de seu queixo. — Você está um lixo, Sally. Toda suada, tremendo, manchada de sangue e piche. Você é a coisa mais linda que eu já vi.
— E você é o meu demônio — ela respondeu, esticando a mão para limpar uma mancha de sangue do rosto dele e levando o dedo à própria boca. — O gosto é melhor quando vem de você.
Caramel se levantou, sua forma se alongando até que sua cabeça tocasse o teto do quarto. Ele a puxou para cima, forçando-a a ficar de pé enquanto ele a abraçava por trás, suas mãos enluvadas subindo para esmagar os seios dela.
— Agora, cavalga na minha mão — ordenou ele. — Quero sentir o resto desse sangue nas minhas luvas enquanto eu te uso.
Ele inseriu três dedos longos e flexíveis nela, movendo-os com uma violência rítmica que fazia Sally soluçar. Ele a forçava a se mover contra sua mão, enquanto ele mordiscava sua orelha e sussurrava obscenidades sobre o que faria com os heróis da cidade se eles soubessem o que estava acontecendo naquele quarto.
— Eles acham que protegem garotas como você — Caramel zombou, a voz vibrando nas costas de Sally. — Eles não sabem que você prefere o monstro. Que você abre as pernas para o pesadelo e pede por mais.
— Eles são patéticos — Sally concordou, o corpo chacoalhando com as estocadas dos dedos dele. — Eles não têm a sua fome. Eles não têm a sua escuridão. Eles são vazios... você é tudo.
O diálogo entre eles tornava-se cada vez mais vulgar à medida que o ato se intensificava. Caramel descrevia em detalhes o que o cheiro do sangue dela fazia com seus instintos, como ele queria rasgá-la e costurá-la de volta apenas para poder possuí-la novamente. Sally respondia com descrições de como queria que ele a usasse como um objeto, um receptáculo para sua malícia de borracha.
— Eu vou te deixar tão marcada hoje que você vai ter que usar esse vestido preto por uma semana para esconder — sibilou o gato. — Vou deixar o meu cheiro em cada poro do seu corpo.
— Deixa... — ela implorou. — Eu quero cheirar a você. Eu quero que o mundo sinta o cheiro da minha perdição.
Quando o segundo e o terceiro orgasmos vieram, Sally sentiu que suas pernas iam ceder. Caramel a segurou com seus braços longos, mantendo-a suspensa enquanto terminava o serviço. Ele voltou a se abaixar, terminando de limpar cada vestígio de sangue com sua língua incansável. Ao final, Sally estava impecável, sem uma gota de sangue sequer, como se o ciclo nunca tivesse existido. Caramel fora seu absorvente, seu amante e seu carrasco, tudo em uma única noite.
— Pronto, bonequinha — disse ele, limpando a boca com as costas da luva, que agora estava tingida de um rosa escuro. — Limpinha para os seus pais amanhã de manhã. Eles nunca vão saber que o "gatinho" dela é tão eficiente.
Sally desabou na cama, o corpo exausto, mas a mente em chamas. Ela olhou para o Cartoon Cat, que agora voltava à sua forma mais compacta, preparando-se para retornar ao seu esconderijo sob o estrado.
— Você vai voltar amanhã? — perguntou ela, a voz sumindo no sono.
Caramel parou na beirada da escuridão, seus olhos grandes brilhando um último adeus antes de desaparecer.
— Enquanto você tiver sangue nas veias e ódio pelos heróis no coração, eu estarei aqui, Sally. Agora durma. Amanhã eu quero ler um poema sobre o gosto do meu piche misturado com o seu carmesim. Se for bom o suficiente... talvez eu te deixe ver o que eu fiz com aquele vigilante que tentou me seguir.
Sally sorriu, fechando os olhos enquanto sentia o peso do monstro se acomodando sob ela. O quarto cheirava a borracha, mirtilo e uma satisfação sombria que nenhuma garota "normal" jamais entenderia. Ela estava em paz no seu inferno particular.