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The cat under my bed

O Banquete Carmesim e a Fome de Borracha

O beco atrás da antiga fábrica de processamento de carne estava mergulhado em uma névoa espessa, com cheiro de ferro e abandono. Sally Sheldon observava, com os olhos pretos brilhando por trás da franja longa, enquanto a silhueta esguia e impossível de Caramel se movia com uma graça letal. Ele não estava apenas matando; ele estava desconstruindo o homem à sua frente. Era um desses "heróis" locais, um vigilante de quinta categoria que achava que podia limpar as ruas.

O Cartoon Cat emitiu um som que lembrava um disco de vinil sendo arranhado em alta velocidade. Com um movimento elástico, ele envolveu o pescoço do homem com o braço direito, que se esticou como uma mangueira de jardim, enquanto a outra mão enluvada perfurava o peito do infeliz com a facilidade de quem rasga papel. Sally disparou sua Polaroid. O flash iluminou o sangue jorrando em arcos geométricos, pintando as luvas brancas do gato de um vermelho vivo e quente.

— Isso... — sussurrou Sally, sentindo um calafrio percorrer sua espinha. — Acaba com ele, Caramel. Mostra o que acontece com quem tenta ser bom.

O monstro soltou uma risada gutural, um coro de vozes distorcidas de suas vítimas passadas, e arrancou a mandíbula do homem com um puxão seco. Ele descartou o corpo como se fosse um brinquedo quebrado e virou-se para Sally. Seus olhos imensos e circulares fixaram-se nela, mas algo mudou em sua expressão estática. O nariz preto e triangular do gato farejou o ar com uma urgência maníaca.

— Sally... — a voz dele saiu como um sussurro de rádio antigo. — Que cheiro é esse? É doce... mas é diferente do sangue desse lixo humano no chão. É um cheiro mais profundo. Mais... visceral.

Sally sentiu o rosto esquentar. Ela sabia exatamente o que era. Seu ciclo havia começado naquela tarde, e o aroma metálico e hormonal parecia ter despertado algo ainda mais primitivo no Cartoon Cat.

— É o meu sangue, Caramel — disse ela, a voz tremendo de uma excitação sombria. — O sangue que só as mulheres têm.

O monstro se aproximou dela em um segundo, seus membros se contraindo para que ele ficasse na altura dela. Ele a prensou contra a parede de tijolos úmidos, as luvas ensanguentadas sujando o vestido preto de Sally.

— Eu quero — sibilou ele, o sorriso de piano colado ao ouvido dela. — Eu quero provar a sua essência, Sally. Quero saber se o seu interior tem o mesmo gosto de mirtilo e perdição que a sua pele.

Sem qualquer cerimônia, ele a levantou, as pernas dela envolvendo a cintura de borracha dele. Caramel a carregou para dentro da fábrica abandonada, encontrando um escritório em ruínas com um sofá de couro rasgado. Ele a jogou ali, rasgando a calcinha de Sally com um único movimento de seus dedos longos.

— Você está sangrando para mim, não está? — ele perguntou, a voz carregada de uma luxúria inumana. — Um sacrifício mensal para o seu deus de borracha.

— Sou toda sua... — Sally ofegou, abrindo as pernas e revelando a intimidade manchada pelo carmesim natural. — Bebe tudo, Caramel. Não deixa sobrar nada.

O Cartoon Cat não esperou. Ele mergulhou o rosto entre as coxas dela. A língua negra, comprida e áspera como uma lixa, começou a lamber o sangue com uma voracidade que deixou Sally sem fôlego. O contraste do frio da língua dele com o calor do corpo dela era uma tortura deliciosa.

— Puta merda... — Caramel rosnou entre as lambidas, a voz abafada pela carne dela. — Tem gosto de metal e vida. É viciante. Eu nunca mais vou querer o sangue de um homem depois disso. Você é uma fonte, Sally. Uma fonte de pecado.

Ele começou a usar a boca de forma maníaca. Não era apenas lamber; ele abocanhava, sugava e usava a língua para explorar cada centímetro interno dela, buscando o fluxo na origem. Sally sentiu a primeira onda de prazer atingi-la como um raio. O corpo dela entrou em convulsão, as unhas cravando-se nos braços elásticos do gato.

— Ah! — ela gritou, a voz ecoando pelo galpão vazio. — Caramel, mais! Não para!

— Esse é só o primeiro, bonequinha — disse ele, afastando-se apenas um milímetro para mostrar os dentes sujos de vermelho. — Eu vou te deixar tão louca que você vai implorar para que eu te devore viva.

Ele voltou ao ataque com uma ferocidade renovada. Ele usava a sucção de sua boca de desenho animado para criar um vácuo que parecia puxar a própria alma de Sally para fora. O segundo orgasmo veio em menos de dois minutos, mais forte que o primeiro, fazendo a visão dela escurecer.

— Dois — contou Caramel, a voz vibrando dentro dela. — Você é tão fácil de quebrar, Sally. Tão deliciosa quando está vulnerável.

Ele não deu descanso. Enquanto a boca trabalhava lá embaixo, ele esticou um de seus braços para cima, as mãos enluvadas apertando e torcendo os seios de Sally, os mamilos sendo esmagados com uma força que beirava a dor. O terceiro orgasmo foi longo e silencioso, uma descarga elétrica que a deixou trêmula.

— Três — sibilou o gato. — Você quer mais, não quer? Quer que eu use a minha língua para te rasgar por dentro?

— Por favor... — Sally choramingava, a franja grudada no rosto suado. — Continua... me destrói... eu odeio o mundo, Caramel... eu só quero você!

— O mundo é um desenho sem graça, Sally — disse ele, a voz tornando-se vulgar e cruel. — E você é a cor que eu precisava. Eu vou te foder com a minha boca até você não conseguir nem dizer o próprio nome. Vou lamber cada gota desse seu sangue sujo até você ficar seca.

O quarto e o quinto orgasmos vieram em sequência, uma sobreposição de prazer que fez Sally perder a noção de onde seu corpo terminava e o de Caramel começava. Ela sentia que estava se fundindo à borracha dele, tornando-se parte daquela anomalia anatômica.

— Cinco — Caramel riu, um som de hiena distorcida. — Você está quase lá. O seu coração está batendo tão rápido... parece um passarinho preso em uma gaiola. Eu devia esmagar essa gaiola agora.

Ele intensificou o ritmo. A língua dele agora se movia como uma broca, vibrando em uma frequência que nenhum humano poderia imitar. Sally sentia que estava pegando fogo. O sexto orgasmo foi violento, fazendo-a morder o próprio lábio até sangrar, misturando o sangue da boca com o de baixo.

— Seis — disse o monstro, parando por um segundo para olhar para ela. — Você está pronta para o último? O que vai te fazer ver o inferno e pedir para morar lá?

— Me dá... — ela implorou, os olhos revirados. — Me dá tudo, Caramel!

Ele abocanhou a vulva dela por inteiro, criando uma pressão imensa enquanto sua língua fazia movimentos circulares frenéticos. Sally sentiu o mundo explodir. Foi um orgasmo que pareceu durar uma eternidade, um grito que rasgou sua garganta e ecoou pela fábrica até sumir no silêncio da noite.

— Sete — sussurrou o Cartoon Cat, finalmente se afastando.

Ele estava coberto de sangue, o rosto preto manchado de um vermelho brilhante que contrastava com seus olhos brancos. Ele parecia uma pintura de pesadelo. Sally estava jogada no sofá, o corpo mole, a respiração vindo em golfadas curtas.

— Você é... um monstro — ela murmurou, um sorriso de pura satisfação nos lábios.

— E você é a minha maior fã — respondeu Caramel, lambendo os beiços. — Escreve sobre isso amanhã, Sally. Escreve cada detalhe de como o seu sangue teve o gosto da minha obsessão. E se o poema for bom... talvez eu te leve para ver o que sobrou daquele herói lá fora.

Ele deslizou para o chão, sua forma se achatando até que ele pudesse se esconder nas sombras sob o sofá, esperando o momento de voltar para debaixo da cama dela. Sally fechou os olhos, sentindo o latejar constante e o cheiro de ferro e borracha que agora definia sua existência. Ela odiava heróis, mas amava o seu demônio de luvas brancas.