The new ghostface
O Blecaute dos Condenados
O piso de linóleo branco da Santa Casa de Misericórdia refletia as luzes fluorescentes em um zumbido elétrico intermitente, manchado de imediato pelo rastro escuro de lama e sangue que a maca de Victor deixava para trás.
— Parada cardiorrespiratória revertida no pré-hospitalar! — gritava o socorrista do SAMU, empurrando as portas duplas da sala de emergência com os quadris. — Perfuração torácica por arma branca, dreno torácico improvisado por punção, choque hipovolêmico classe quatro! Pressão arterial inaudível!
Kael entrou junto, colado à lateral da maca, com as mãos duras cravadas no corrimão de metal. Ele se recusava a soltar. Seus dedos estavam engastados no ferro frio como se aquele contato fosse a única âncora que impedia a alma de Victor de evaporar na névoa tóxica da serra.
— Rapaz, você não pode entrar aqui! — berrou uma enfermeira de cabelos grisalhos, tentando bloquear a passagem de Kael com as duas mãos espalmadas contra o peito ensanguentado dele.
— Eu não vou sair! — rugiu Kael, os olhos vermelhos e desvairados, cuspindo as palavras na cara da mulher. — Ele acabou de voltar! Se vocês deixarem ele parar de novo, eu quebro esse hospital inteiro!
— Doutor! — chamou a enfermeira, recuando diante da ferocidade selvagem estampada no semblante de Kael.
Dois seguranças do hospital correram pelo corredor para conter Kael, mas antes que pudessem tocar nos ombros dele, passos pesados e decididos ecoaram no saguão de entrada.
— Não toquem nele — a voz ecoou, gélida, cortante, impregnada daquele timbre aristocrático que a cidade inteira aprendera a temer ou obedecer.
Felipe Viana atravessou as portas automáticas. Mesmo com a camisa social rasgada na gola, encharcada pela tempestade e manchada pela lama dos trilhos, a postura do herdeiro mais velho dos Viana parecia erguer uma muralha invisível ao redor de si. Ao seu lado, Henrique mantinha o semblante fechado, com as mãos nos bolsos da jaqueta molhada, os olhos atentos a cada movimento no corredor.
Os dois seguranças estancaram no mesmo instante, baixando os braços em uma reverência quase involuntária.
— Senhor Viana... — balbuciou um deles, engolindo em seco.
— Preparem a sala de cirurgia principal e chamem o chefe da cirurgia torácica agora — ordenou Felipe, sem sequer olhar para os homens. — Se o meu irmão não estiver em uma mesa cirúrgica em menos de cinco minutos, nenhum de vocês terá um emprego amanhã. E a fundação fechará as contas deste hospital antes do meio-dia.
A enfermeira engoliu o protesto que tinha na garganta, fez um sinal aflito para a equipe médica e puxou a maca de Victor para dentro da sala de estabilização.
Kael foi empurrado para trás pelo fechamento das portas pantográficas, que bateram com um estalo metálico seco. Ele caiu de costas contra a parede de azulejos frios, escorregando até o chão, as pernas finalmente cedendo à exaustão e à queimação dos cortes e queimaduras que cobriam sua pele. Ele afundou o rosto entre os joelhos, puxando o ar em soluços mudos e espasmódicos.
— Kael... — Henrique deu um passo à frente, abaixando-se em um joelho só ao lado do garoto, estendendo a mão para tocar seu ombro com cautela. — Respira. Eles estão com ele agora.
— Ele parou duas vezes, Henrique — sussurrou Kael, a voz soando como cinzas raspando em uma chapa quente. — Ele morreu na linha do trem. Eu senti o peito dele parar de bater.
Antes que Henrique pudesse responder, o rangido de solas de borracha pesadas no piso molhado anunciou uma nova presença no corredor.
O delegado Souza entrou no saguão, tirando o chapéu de feltro empapado pela chuva. O sobretudo escuro pingava no chão limpo. Atrás dele vinham dois investigadores armados, trazendo Sophia, Noah e Josh sob custódia visual. Sophia mantinha o queixo erguido, os olhos cravados na nuca do delegado com um desprezo palpável; Josh mancava, segurando o antebraço quebrado contra a barriga com lágrimas silenciosas; e Noah tentava limpar a fuligem dos óculos trincados, mantendo-se protetoramente ao lado de Josh.
Souza ajustou a gola da camisa, pigarreou e tentou assumir a costumeira postura de xerife do interior, mas bastou seu olhar cruzar com o de Felipe para que sua espinha se curvasse sutilmente.
O delegado temia aquela família. Sabia exatamente quem financiava sua campanha a cada quatro anos, quem pagara pela cirurgia de sua esposa em São Paulo e quem detinha as gravações de seus esquemas de propina arquivados nos cofres da fazenda dos Viana. Enfrentar um Viana, mesmo em ruínas, era assinar a própria demissão em praça pública.
— Felipe... — começou Souza, a voz descendo a um tom conciliador, quase suplicante, bem distante da arrogância que costumava destilar na delegacia. — Nós recebemos os alertas do incêndio na ferrovia. A situação toda... o que aconteceu com a Letícia, os carros destruídos... nós precisamos formalizar isso. Seus amigos precisam ir para a central prestar esclarecimentos.
Felipe virou-se devagar. O olhar que lançou a Souza faria o sangue de qualquer homem congelar.
— Você não vai tocar em ninguém aqui, Souza — disse Felipe, a voz baixa, controlada, vibrando com uma ameaça visceral.
— Felipe, morreram pessoas... — tentou o delegado, dando um passo involuntário para trás sob a mira dos olhos escuros do jovem. — Há procedimentos legais que eu não posso ignorar sem que a corregedoria...
— Foda-se a corregedoria — cortou Felipe, aproximando-se a ponto de o delegado sentir o calor da respiração pesada do rapaz em seu rosto lívido. — O meu irmão está com uma caneta enfiada no pulmão naquela sala. A sua polícia inútil não foi capaz de prender o homem que assassinou a Letícia e perseguiu meu carro pela serra. Você sabia exatamente o que estava enterrado naquela estação velha, não sabia, Souza?
O rosto do delegado empalideceu. Ele desviou o olhar para o chão por uma fração de segundo, as mãos trêmulas apertando a aba do chapéu molhado.
— Felipe, isso não é conversa para se ter no meio do corredor... — murmurou o homem da lei, o suor frio misturando-se à chuva em sua testa enrugada.
— É a única conversa que você vai ter — sibilou Felipe, cravando o dedo indicador no peito do sobretudo do delegado com força humilhante. — Se você der mais um pio sobre levar qualquer um desses garotos daqui antes que eu saiba se o Victor vai sobreviver, eu ligo para o meu pai. E eu juro pela sepultura da minha mãe que eu entrego os livros-caixa da fazenda para o Ministério Público Federal antes que o sol nasça. Você vai apodrecer numa cela comum em Tremembé. Ficou claro?
Souza engoliu em seco. A garganta do delegado emitiu um clique seco de saliva descendo em falso. Ele olhou para os próprios subordinados, que fingiam encarar o teto para não testemunhar a desmoralização de seu comandante, e assentiu com a cabeça em um movimento rígido e curvado.
— Nós... vamos aguardar lá fora — gaguejou o delegado. — Vou isolar o perímetro do hospital. Para a segurança de vocês.
— Some da minha frente — respondeu Felipe, virando-lhe as costas com repulsa.
Souza recuou como um cão açoitado, gesticulando para que os investigadores ficassem guardando as portas da frente, longe do alcance dos olhares da família.
Sophia aproximou-se de Kael e Henrique, soltando um suspiro longo que pareceu esvaziar toda a tensão de suas costelas machucadas.
— Ele não sabe da fita — sussurrou ela, inclinando-se para perto de Noah e Kael. — Ele ainda acha que o controle está nas mãos dos velhos.
— Não importa a fita agora — rebateu Kael, erguendo o rosto sujo para encará-la. Os olhos dele eram poços de dor crua. — Nada disso importa se o Victor não sair daquela porra de sala.
Lá fora, a fúria da tempestade atingiu um ápice aterrador. Um trovão estrondoso fez o chão do hospital vibrar com a força de um terremoto. As vidraças da entrada rangeram em protesto contra as rajadas de vento que fustigavam as palmeiras imperiais da fachada.
E então, o primeiro estalo ecoou nas paredes.
*Tzzz... crack...*
As lâmpadas tubulares do teto piscaram três vezes em um ritmo asmático antes de morrerem completamente.
A escuridão tomou conta dos corredores da Santa Casa, acompanhada apenas pelo pânico imediato de enfermeiras gritando na triagem e pelo choro assustado de pacientes internados nas alas vizinhas.
— O que houve? — gritou Josh, escorando-se na parede na penumbra total. — A luz caiu?!
Três segundos depois, um zumbido grave, fraco e engasgado começou a subir das profundezas do subsolo. As lâmpadas de emergência acenderam-se, mas não com a claridade branca de costume; emitiam um brilho amarelado e anêmico, piscando com uma frequência doentia que mal iluminava um metro à frente.
— O gerador entrou — disse Henrique, olhando para as lâmpadas fracas com o cenho franzido. — Mas tá fraco demais. Tá oscilando.
— O gerador da Santa Casa é da década de setenta — disse Noah, a voz carregada de um pressentimento fúnebre enquanto ele olhava para o painel de força no final do corredor, onde ponteiros analógicos batiam desesperadamente no vermelho. — A fundação... a sua fundação, Felipe... cortou a verba da manutenção elétrica no orçamento do ano passado para pagar as indenizações da fábrica de defensivos agrícolas.
Felipe olhou para Noah com os olhos arregalados, a culpa batendo-lhe no peito como uma estaca pontiaguda.
— Não... — murmurou Felipe. — Não pode ser...
De dentro da sala de estabilização, um bipe contínuo, estridente e agônico começou a ressoar.
Era o alarme de falha mecânica de um ventilador pulmonar.
A porta pantográfica abriu-se com violência e o médico de plantão surgiu no vão, sem máscara cirúrgica, o rosto banhado em suor frio.
— Onde está o encarregado da manutenção?! — gritou o médico para o corredor. — A tensão da rede caiu para menos de cem volts! Os respiradores microprocessados não estão armando! A bateria interna do ventilador da sala de trauma já estava viciada!
Kael levantou-se em um salto que desafiou a gravidade de seus músculos dilacerados.
— O Victor! — berrou Kael, avançando contra o médico. — O que tá acontecendo com o Victor?!
— O pulmão dele não expande sozinho! — respondeu o médico, desesperado, sem tempo para formalidades ou medo da família Viana. — A caneta aliviou a pressão, mas ele tem uma contusão pulmonar maciça e sangue nos brônquios! Sem o respirador mecânico com pressão positiva e a bomba de sucção elétrica, o pulmão dele vai inundar de novo em dois minutos! A gente tá usando o ambu manual, mas a resistência das vias aéreas dele tá muito alta!
— Usa o gerador auxiliar! — ordenou Felipe, avançando pelo corredor com os olhos injetados de terror. — Tem que ter uma fonte de reserva no subsolo!
— Não tem diesel suficiente, senhor Viana! — rebateu o médico com uma amargura cruel na voz. — Foi feito um corte de suprimentos na semana passada! Se a energia principal não voltar agora, esse garoto não vai aguentar a entubação!
Kael não esperou mais uma palavra. Ele empurrou o médico para o lado com o ombro e invadiu a sala de estabilização.
O cenário lá dentro parecia uma pintura de pesadelo banhada pela luz avermelhada e mortiça da lâmpada de emergência que falhava a cada instante.
Victor estava estirado sobre a mesa cirúrgica de inox. O tórax esguio do garoto já não era mais branco; estava coberto de equimoses arroxeadas, com o pequeno tubo de metal ainda sustentado por curativos ensanguentados. Uma enfermeira apertava furiosamente uma bolsa plástica de ventilação manual conectada ao tubo traqueal na boca de Victor, mas o peito dele mal subia.
O sangue subia pelo tubo de plástico transparente em borbulhas escuras, sem que a máquina de aspiração — desligada pela falta de corrente elétrica — pudesse drená-lo.
O monitor cardíaco portátil, alimentado por uma bateria que piscava em vermelho no canto da tela, emitia um som caótico:
*Bip... bip......... bip............... bip............................*
A linha verde dos batimentos oscilava, caindo de quarenta para trinta batimentos por minuto. As ondas começavam a se achatar em curvas lentas e bizarras de ritmo idioventricular agônico.
— Victor... — Kael caiu de joelhos ao lado da cabeceira da mesa cirúrgica, estendendo a mão para segurar o rosto do amigo.
A pele de Victor estava gélida. Não era a frieza da chuva; era o frio definitivo, o mármore impiedoso do choque irreversível. Os lábios do rapaz estavam azul-escuros, quase negros.
No entanto, ao toque áspero dos dedos ensanguentados de Kael, as pálpebras pesadas de Victor tremeram.
Ele lutou. Com o último vestígio de consciência biológica que ainda restava em seu cérebro sufocado, Victor abriu os olhos minimamente. As pupilas não conseguiam focar, mas suas íris castanhas encontraram a silhueta curvada de Kael sob a luz fraca de emergência.
— Eu tô aqui — Kael soluçava abertamente, encostando a bochecha contra os cabelos molhados de Victor, ignorando o sangue que escorria pela maca. — Fica comigo, por favor. O respirador vai ligar. Eles vão ligar a força, Victor. Aguenta só mais um pouco...
Victor tentou mover a mão direita. Os dedos fracos arranharam o lençol cirúrgico impermeável, procurando algo onde se agarrar, até encontrarem a manga da camisa de Kael. Ele apertou o tecido. Não com força, mas com uma insistência desesperada de quem está caindo em um abismo sem fundo.
A enfermeira apertou o balão de ar com mais força, mas o ar não entrava; os pulmões estavam inundados por hemorragia interna.
— A pressão zerou — sussurrou ela, lágrimas de impotência caindo sobre a máscara descartável. — Ele entrou em dissociação eletromecânica...
Felipe entrou na sala, parando ao pé da mesa. As pernas do herdeiro travaram. A arrogância que sustentara diante do delegado Souza desmoronou em uma fração de segundo, transformando-o em um menino apavorado diante do próprio reflexo da morte.
— Victor... — chamou Felipe, a voz quebrando em um ganido doloroso. — Irmãozinho... olha pra mim...
Victor não olhou para Felipe. Seus olhos permaneceram fixos em Kael.
Os lábios do garoto ferido moveram-se sob o tubo plástico, sem som, expelindo apenas um último fiapo de vapor quente contra o ar condicionado falho da sala. Não havia ódio em seus olhos; havia apenas um cansaço imensurável, uma rendição doce e terrível que parecia finalmente desarmar o veneno aristocrático que ele carregara a vida inteira como armadura.
A mão de Victor que segurava a manga de Kael perdeu a tensão.
Os dedos afrouxaram devagar, um a um, escorregando pelo tecido até caírem inertes sobre a chapa de metal da mesa cirúrgica, pendendo para o lado com a palma voltada para o teto.
No monitor, o bipe espaçado emitiu um gemido final:
*Bip..................................................................................*
Uma linha reta, verde e implacável cruzou o visor fosco.
— Não! — berrou Kael, atirando-se sobre o peito de Victor, agarrando os ombros inertes do rapaz e sacudindo-o com desespero louco. — NÃO! VICTOR! VOLTA! RESPIRA NESSA PORRA! NOAH, AJUDA ELE! FAZ A MASSAGEM DE NOVO!
Noah entrou na sala, mas estacou a dois passos da mesa. Ele olhou para o monitor, depois para a pupila completamente dilatada e fixa de Victor sob a luz de emergência. As lágrimas escorreram por trás das lentes rachadas de Noah enquanto ele balançava a cabeça em uma negação muda e devastadora.
— Kael... — a voz de Noah era um sopro quebrado. — Parou. Não tem mais o que contrair. Acabou.
— NÃO ACABOU! — urrou Kael, sua voz rasgando os limites da garganta em um uivo tão agudo e gutural que fez as enfermeiras recuarem contra os armários de remédios. — ELE TAVA VIVO! ELE TAVA FALANDO COMIGO NA CAMINHADA! ELE TAVA VIVO!
Felipe caiu de joelhos no chão da sala, enterrando as mãos nos cabelos enquanto um choro descontrolado e violento sacudia todo o seu tronco. Henrique entrou logo atrás, abaixando-se para abraçar o namorado contra o próprio peito, fechando os olhos com força para conter a própria dor diante do corpo inerte daquele que fora como um irmão mais novo.
Kael não chorava com lágrimas limpas. Ele soluçava uma mistura espessa de ranho, sangue e cinzas, colando a testa contra o peito imóvel de Victor.
— Me perdoa... — murmurava ele, a voz descendo a um sussurro infantil e estilhaçado contra a pele sem vida do garoto. — Me perdoa por não ter corrido mais rápido... Me perdoa...
Lá fora, a luz amarelada de emergência oscilou mais uma vez.
*BZZZZ.*
Um estalo violento ecoou no transformador do final do corredor da emergência. A lâmpada fraca sobre a porta da sala de cirurgia estourou em uma chuva minúscula de faíscas incandescentes.
A escuridão total engoliu a Santa Casa de Misericórdia.
O silêncio que se seguiu à morte de Victor foi brutal, interrompido apenas pelo tamborilar implacável da tempestade contra as janelas da enfermaria.
Até que, no fundo do corredor escuro que dava para a doca de carga e para o necrotério subterrâneo, o som ecoou.
*Chlep... chlep... chlep...*
Passos pesados. Arrastados.
O som de solado de borracha dura misturado à lama gélida e ao cheiro inconfundível de carne queimada, lona chamuscada e solvente industrial.
Sophia, que permanecia parada na porta do corredor segurando a lanterna apagada, congelou. Ela sentiu o ar daquele corredor ficar repentinamente gélido, impregnado de um fedor pútrido que ela reconheceria em qualquer pesadelo.
Ela ergueu a lanterna de metal com as mãos trêmulas e apertou o botão.
O facho amarelado rasgou a escuridão absoluta do corredor da Santa Casa.
A trinta metros de distância, parado sob o arco que dava acesso às escadas de serviço, o vulto estava de pé.
O fogo não o matara. As roupas de lona estavam carbonizadas, coladas à pele em feridas vivas e enegrecidas. A máscara de gesso derretera em quase toda a sua totalidade, fundindo-se de forma grotesca aos ossos da face esquerda do homem, deixando à mostra apenas um olho vermelho, injetado, que ardia com a promessa de uma carnificina que nem a morte de Victor fora capaz de saciar.
Em sua mão direita, ele não segurava mais o facão quebrado na estação.
Ele segurava um machado de incêndio de lâmina larga e pesada, arrancado da caixa de emergência do próprio hospital, cuja lâmina de ferro pingava a água da chuva acumulada em seu corpo calcinado.
O monstro deu um passo à frente, e o metal do machado arranhou o linóleo do chão com um chiado agudo que ecoou por toda a ala vazia.
Victor estava morto sobre a mesa de cirurgia.
Mas o acerto de contas com os que ainda respiravam estava apenas começando.