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The Queen

O Rugido do Aço e o Gosto do Sangue

O asfalto da metrópole de Pride Lands ainda exalava o calor acumulado do dia, criando uma miragem trêmula sob as luzes de neon que anunciavam a soberania da Corporação Simba. Ray acelerava sua motocicleta, sentindo o vento açoitar sua pele nua. O coldre de couro em seu peito era uma âncora familiar, o peso da arma e das facas equilibrando a adrenalina que ainda corria em suas veias após a sessão no escritório real. Ela não se importava com os olhares dos motoristas nos carros de luxo ao lado; para ela, eles eram apenas gado em caixas de metal.

Ela entrou em um setor da cidade conhecido como "O Cemitério", uma zona industrial onde o vidro dos arranha-céus dava lugar ao ferro enferrujado e ao concreto pichado. Era ali que os negócios que Simba não queria assinar com sua caneta de ouro eram resolvidos com dentes e lâminas. Ray parou diante de um galpão aparentemente abandonado, o motor da moto morrendo com um suspiro mecânico.

— Você está atrasada, Ray. Achei que Simba tivesse finalmente decidido te transformar em um tapete decorativo — uma voz arrastada e sarcástica veio das sombras.

Ray desceu da moto, o movimento fazendo o couro de sua calça tática ranger de forma provocante. Ela não se deu ao trabalho de olhar para a origem da voz.

— Ele tentou — respondeu Ray, soltando um riso seco enquanto passava a mão pelo pescoço, onde uma marca de dentes de Nala ainda estava vívida. — Mas ele se distraiu com a própria incompetência. O que você tem para mim, Banzai?

O homem saiu da penumbra. Ele era magro, com olhos inquietos e um sorriso que mostrava dentes amarelados demais para os padrões estéticos da cidade alta. Ele vestia um colete de couro sujo, e sua nudez parcial não tinha a elegância de Ray; parecia apenas desleixo.

— Scar está movendo peças no tabuleiro que Simba nem sabe que existem — disse Banzai, aproximando-se e deixando o olhar vagar descaradamente pelo torso nu de Ray. — Ele está desviando carga do desfiladeiro comercial. Dizem que é para financiar uma milícia de hienas nas bordas do setor sul.

Ray deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal de Banzai. Ela era mais alta e infinitamente mais perigosa. Ela agarrou o colarinho do colete dele, trazendo-o para perto o suficiente para que ele pudesse ver o gelo em seus olhos.

— Se você estiver mentindo para conseguir atenção, eu vou arrancar sua língua e usá-la como chaveiro — sussurrou ela, a voz carregada de um sadismo que fez o homem estremecer.

— Eu não mentiria para você, Ray — gaguejou ele, embora uma centelha de excitação brilhasse em seus olhos. — Você sabe que eu gosto quando você fica brava. É... estimulante.

Ray soltou-o com um empurrão desdenhoso.

— Você é patético. Onde está o carregamento?

— No cais 14. Mas não espere encontrar apenas caixotes. Scar colocou alguns dos "meninos" dele para vigiar. Eles não são educados como os guardas do palácio.

Ray sorriu. Era o tipo de sorriso que precedia um massacre.

— Ótimo. Eu estava precisando de um exercício que não envolvesse os dramas matrimoniais do Rei.

Ela montou na moto e partiu, deixando Banzai para trás com seus pensamentos lúbricos e o cheiro de borracha queimada.

O cais 14 era um labirinto de containers metálicos. O cheiro de maresia misturava-se ao de óleo diesel. Ray estacionou a moto a três blocos de distância e seguiu a pé, movendo-se com a fluidez de uma sombra. Ela não usava botas pesadas para missões furtivas; seus pés descalços tocavam o metal frio com uma precisão cirúrgica.

Ela avistou o grupo. Eram cinco homens, todos exibindo a marca da cicatriz no ombro — o símbolo de lealdade a Scar. Eles estavam rindo, bebendo algo barato e ostentando sua nudez de forma agressiva, como se a falta de roupas fosse uma armadura contra a lei.

— Sabe o que eu faria se pegasse aquela guarda do Simba? — um deles dizia, gesticulando com uma faca de caça. — Eu mostraria para ela que uma fêmea sem coleira precisa de um dono.

Ray surgiu da escuridão logo atrás dele, sua presença tão súbita que o ar pareceu esfriar.

— Uma oferta generosa — disse ela, a voz suave como veludo sobre navalhas. — Mas eu prefiro colecionar os dentes de quem tenta me domar.

O homem virou-se, mas antes que pudesse reagir, Ray desferiu um chute circular que o atingiu na têmpora. O som do crânio atingindo o container foi como um sino de igreja anunciando um funeral. Ele desabou, inconsciente ou morto.

Os outros quatro saltaram, sacando armas brancas. Ray não sacou sua pistola; ela preferia o contato da pele. Ela desviou de uma estocada lateral, agarrando o pulso do agressor e quebrando-o com um movimento seco e indiferente. O grito de dor dele foi música para os ouvidos dela.

— Só quatro? — Ray provocou, limpando um respingo de sangue alheio que havia caído em seu abdômen. — Simba me deu mais trabalho hoje cedo, e ele é um burocrata sentimental.

— Vadia! — um dos mercenários avançou com um porrete de metal.

Ray deslizou por baixo do ataque, atingindo o homem na virilha com o joelho e, em seguida, cravando os dedos na garganta dele, pressionando a traqueia até que ele ficasse roxo. Ela o soltou apenas para chutar o terceiro adversário no peito, lançando-o contra uma pilha de pneus.

O último homem hesitou. Ele olhou para Ray — seminua, coberta de suor e sangue, com um sorriso sádico que não atingia os olhos — e viu a morte.

— Por favor... — ele começou a dizer.

— Eu odeio essa palavra — interrompeu Ray. — Ela tira todo o prazer da caçada.

Ela avançou com uma velocidade inumana. Em segundos, o homem estava no chão, e Ray estava montada sobre o peito dele, suas mãos apertando o pescoço dele enquanto ela observava a luz sumir de seus olhos. Havia uma intimidade perversa no ato; a nudez de ambos tornava a violência algo quase erótico, uma dança de dominação absoluta.

Quando o silêncio retornou ao cais, Ray levantou-se. Ela estava ofegante, o peito subindo e descendo, os mamilos endurecidos pelo frio da noite e pela excitação da luta. Ela caminhou até o container principal e rompeu o lacre com a coronha de sua faca.

Lá dentro, não havia armas ou drogas. Havia tecnologia de ponta: chips de processamento neural que a Corporação Simba usava para controlar a infraestrutura da cidade. Scar não estava apenas roubando lucro; ele estava roubando o cérebro de Pride Lands.

Ray pegou seu rádio.

— Majestade — disse ela, a voz ainda rouca pela luta.

— Ray? — a voz de Simba soou do outro lado, parecendo cansada. — Onde você está? Nala estava perguntando se você voltaria para o jantar.

— Diga a ela que o jantar terá que esperar. Seu tio está tentando lobotomizar a cidade. Estou no cais 14. Traga a equipe de limpeza e, Simba...

— O quê?

— Traga uma garrafa de vinho. O melhor que você tiver. Eu tive uma noite produtiva e estou com um humor... duvidoso.

Ela desligou sem esperar resposta. Sentou-se sobre um caixote, observando o horizonte onde o prédio da Corporação brilhava como uma joia roubada. Ela passou a mão pelo próprio corpo, sentindo a ardência de um pequeno corte no ombro. Levou os dedos aos lábios, provando o próprio sangue misturado ao suor.

— Vida longa ao rei — debochou ela para o nada, rindo sozinha enquanto esperava.

Cerca de vinte minutos depois, o rugido de motores potentes anunciou a chegada da comitiva real. Simba desceu de seu SUV blindado, ainda vestindo apenas uma calça de linho, o peito largo exposto, exibindo as marcas que Ray havia deixado horas antes. Nala estava ao lado dele, usando um vestido de seda preta que deixava muito pouco para a imaginação, aberto até o umbigo.

Nala caminhou até Ray, ignorando os corpos caídos ao redor. Ela tocou o rosto da guarda, limpando uma mancha de graxa com o polegar.

— Você está uma bagunça, Ray — comentou Nala, seus olhos brilhando com uma mistura de luxúria e admiração.

— É uma bagunça necessária, Rainha — respondeu Ray, inclinando a cabeça para o toque. — Scar está ficando desesperado. Isso o torna descuidado.

Simba aproximou-se, olhando para o container aberto. Ele parecia furioso, mas quando seus olhos encontraram os de Ray, a raiva política transformou-se em desejo primitivo.

— Você fez bem — disse Simba, sua voz vibrando. — Mas desobedeceu ordens. Eu disse para você descansar após o nosso... encontro.

— Eu não recebo ordens de descanso, Simba. Eu decido quando meus músculos param — Ray levantou-se, ficando frente a frente com o Rei. — E agora, eu decido que quero meu prêmio.

Nala riu, uma nota melodiosa que contrastava com o ambiente industrial sombrio.

— Ela tem razão, querido. Ela salvou o sistema nervoso da nossa empresa. Acho que devemos a ela uma celebração à altura.

Simba olhou para os guardas de nível inferior que começavam a isolar a área.

— Saiam todos — ordenou ele, sua voz de comando ecoando pelo cais. — Deixem o container. Voltaremos para buscar a carga pela manhã. Agora, este lugar é território privado.

Os guardas obedeceram prontamente, sabendo que questionar os apetites da tríade real era um caminho rápido para o desemprego ou algo pior.

Quando estavam sozinhos, cercados pelo metal frio e pelo cheiro de sangue e mar, Simba abriu a garrafa de vinho que trouxera. Ele não usou taças; bebeu um longo gole e passou a garrafa para Ray.

— À vitória — disse ele.

Ray bebeu, deixando o líquido vermelho escorrer pelo canto da boca, descendo pelo pescoço e sumindo entre seus seios.

— À dor — corrigiu ela, devolvendo a garrafa.

Nala aproximou-se por trás de Ray, desfazendo o coldre de couro que ela usava. A peça caiu no chão com um baque surdo. Agora, Ray estava completamente nua da cintura para cima, sob a luz pálida da lua e dos refletores distantes.

— Você é tão tensa — sussurrou Nala, beijando os ombros de Ray. — Precisa relaxar antes de voltarmos para o palácio.

— Eu relaxo do meu jeito — respondeu Ray, agarrando Simba pela nuca e puxando-o para um beijo violento, que tinha gosto de vinho e ferro.

O Rei rugiu baixo, suas mãos percorrendo as curvas firmes da guarda. Ali, entre containers e mercenários derrotados, a hierarquia de Pride Lands se dissolvia. Não havia reis, rainhas ou guardas. Havia apenas predadores, celebrando a sobrevivência e a conquista da forma mais básica e crua possível.

O humor de Ray, geralmente gélido, aqueceu-se com a violência do momento. Ela empurrou Simba contra o container frio, sentindo o contraste da pele quente dele com o metal gelado. Nala juntou-se a eles, suas mãos explorando Ray com uma curiosidade insaciável.

— Sabe, Simba — arfou Ray entre beijos —, se Scar soubesse que o roubo dele resultaria nisso, ele provavelmente teria enviado mais homens. Só para poder assistir.

Simba riu, um som gutural de puro prazer.

— Scar nunca entendeu que o verdadeiro poder não está nos chips ou no ouro. Está na capacidade de possuir o que se deseja, sem pedir desculpas.

A noite continuou, longa e implacável. No coração do setor industrial, longe dos olhos do público e das câmeras de segurança, a verdadeira natureza dos governantes de Pride Lands se revelava. Eles eram belos, eram divinos, mas, acima de tudo, eram animais.

E Ray, com seu sadismo silencioso e seu corpo marcado pela batalha, era a alma daquela savana de concreto. Ela sabia que, pela manhã, teria que vestir sua máscara de frieza novamente, escoltando o Rei e a Rainha em reuniões chatas sobre impostos e infraestrutura. Mas, por enquanto, sob o céu tingido pela poluição e pelas estrelas, ela era apenas a caçadora que havia conquistado seu banquete.

Quando o vinho acabou e os corpos começaram a sentir o peso da exaustão, eles se separaram, mas apenas fisicamente. O vínculo de sangue e desejo estava mais forte do que nunca.

— Vamos para casa — disse Nala, ajeitando o vestido desalinhado. — Temos uma inauguração amanhã, e eu quero que você esteja ao meu lado, Ray. Com o coldre, claro. Mas talvez sem a calça, se o protocolo permitir.

Ray deu um sorriso raro, genuíno em sua malícia.

— O protocolo é o que eu decido que ele seja, Nala.

Eles caminharam de volta para os carros, deixando para trás os destroços de uma conspiração e o cheiro de uma noite de excessos. Pride Lands continuava a pulsar lá fora, uma metrópole que nunca dormia, sem saber que seu destino era decidido não em urnas ou tribunais, mas na pele nua e nas garras escondidas de quem realmente detinha o poder.

Ray montou em sua moto, o motor rugindo mais uma vez, um eco de autoridade que cortava o silêncio do Cais 14. Ela acelerou para a escuridão, pronta para o que quer que o amanhecer trouxesse, contanto que houvesse alguém para punir e algo para possuir.