The Queen
O Domínio da Matriarca e o Despertar do Príncipe
A luz do luar de Pride Lands, filtrada pela poluição eletromagnética da metrópole, banhava a suíte privada de Kion com um tom azulado e doentio. O filho de Simba, herdeiro de um império que ele mal conseguia compreender, estava encolhido em sua cama de lençóis de seda negra. O ar condicionado estava no máximo, mas ele suava. O cheiro dele — algo doce, como jasmim e mel sob o calor do sol — preenchia o quarto, denunciando sua condição.
Kion era um Ômega, uma raridade na linhagem direta de Simba, e seu primeiro cio real havia chegado com a força de uma tempestade na savana.
A porta blindada do quarto deslizou sem ruído. Ray entrou. Ela não usava nada além de sua calça tática, descalça, o torso nu exibindo as cicatrizes de batalhas recentes e as marcas de dentes que Simba e Nala haviam deixado nela na noite anterior. Como uma Alfa de linhagem pura e temperamento sádico, o cheiro de Kion a atingiu como um soco físico.
— Você está exalando fraqueza, pequeno príncipe — disse Ray, sua voz rouca vibrando com uma autoridade que fez os pelos da nuca de Kion se arrepiarem.
Kion levantou a cabeça, os olhos nublados pelo desejo e pela febre biológica. Ele tentou manter a dignidade, mas um gemido baixo escapou de sua garganta.
— Ray... meu pai... ele mandou você? — perguntou ele, a voz falhando.
Ray caminhou lentamente até a cama, cada passo calculado, os músculos de seu abdômen contraindo-se sob a luz fraca. Ela subiu no colchão, movendo-se como uma leoa prestes a finalizar uma presa ferida.
— Seu pai está ocupado demais tentando ser um rei — respondeu ela, sentando-se sobre os calcanhares, a poucos centímetros do rosto de Kion. — Ele sabe que eu sou a única Alfa na guarda privada capaz de "domar" o que você está sentindo sem quebrar você por completo. Ou talvez ele queira que eu quebre.
Ela esticou a mão e agarrou o queixo de Kion com força, forçando-o a olhar para ela. O contraste era absoluto: a frieza sádica de Ray contra a vulnerabilidade ardente do príncipe.
— Você cheira a submissão, Kion. É quase ofensivo — provocou ela, um sorriso cruel brincando em seus lábios.
— Eu não escolhi ser assim — sussurrou Kion, as mãos agarrando os lençóis. — Por favor... dói.
Ray soltou uma risada curta e seca. Ela adorava quando eles imploravam. O sofrimento dele era o tempero que tornava o instinto Alfa dela ainda mais agressivo.
— A dor é apenas o seu corpo percebendo que ele não pertence a você — disse Ray, deslizando a mão pelo peito de Kion, sentindo o coração dele disparado. — Ele pertence a quem tiver a força para tomá-lo. E hoje, pequeno Ômega, eu sou a dona da sua dor.
Ela se inclinou, roçando o nariz no pescoço de Kion, onde a glândula de odor pulsava. O cheiro dele era inebriante, uma mistura de pureza e desespero que fazia o sangue de Ray ferver. Ela não o beijou; em vez disso, cravou os dentes na junção do pescoço com o ombro, não fundo o suficiente para marcar permanentemente, mas o bastante para tirar sangue.
Kion arqueou as costas, um grito de dor e prazer ecoando pelo quarto luxuoso.
— Isso — sussurrou Ray contra a pele dele, saboreando o gosto metálico. — Grite para mim. Mostre para a cidade inteira o quão baixo o herdeiro de Simba pode cair.
— Ray... por favor... eu preciso... — Kion não conseguia terminar a frase. O calor em seu ventre era insuportável, uma necessidade primitiva de ser preenchido, de ser dominado por uma força superior.
Ray afastou-se apenas o suficiente para olhar nos olhos dele. Ela desabotoou o fecho de sua calça tática, deixando-a cair. Sua nudez era imponente, uma declaração de guerra. Ela se posicionou sobre ele, sentindo o calor que emanava do corpo do príncipe.
— Você quer que eu acabe com isso? — perguntou ela, sua voz agora um comando absoluto. — Diga. Diga que você é meu. Diga que o Príncipe de Pride Lands não passa de um brinquedo para a guarda de seu pai.
Kion soluçou, o suor escorrendo por seu rosto. A vontade de resistir havia sido incinerada pelo cio.
— Eu sou seu... — arfou ele, as mãos subindo para os ombros definidos de Ray. — Por favor, Ray... me use. Eu sou seu brinquedo.
Ray sorriu de forma predatória. Ela não foi gentil. A natureza de uma Alfa sádica não permitia ternura. Ela o dominou com uma ferocidade que fez Kion ver estrelas, cada movimento dela era uma afirmação de posse. O quarto, antes um santuário de luxo, tornou-se um covil de instintos básicos.
— Sabe, Kion — disse Ray, enquanto o forçava a se virar, prendendo os pulsos dele atrás das costas com uma única mão —, seu pai ficaria desapontado se visse como você se entrega fácil. Ou talvez ele ficasse com inveja.
— Eu não me importo com ele — gemeu Kion, o rosto enterrado no travesseiro. — Só sinto você... só quero você.
Ray mordeu a base da coluna dele, sentindo os tremores que percorriam o corpo do Ômega. Ela usava a vulnerabilidade dele como um instrumento, tocando-o com uma precisão cruel que levava Kion ao limite da sanidade. O humor dela, sempre ácido, manifestava-se em comentários depreciativos sobre a linhagem dele, sobre como os "leões" da cidade haviam se tornado fracos, enquanto ela o levava a sucessivos ápices que o deixavam sem fôlego.
— Olhe para você — debochou ela, puxando o cabelo dele para trás para que ele visse o próprio reflexo no espelho do teto. — O futuro rei, tremendo sob as mãos de uma mercenária. Você é patético, Kion. E é por isso que você é perfeito.
As horas passaram em um borrão de carne, suor e o cheiro pesado do acasalamento Alfa-Ômega. Ray não parava. O cio de Kion exigia tudo, e o sadismo de Ray estava disposto a dar ainda mais. Ela se deleitava na forma como ele se moldava ao seu corpo, na forma como o corpo dele reagia a cada toque agressivo, a cada comando rosnado em seu ouvido.
— Você vai lembrar deste cheiro pelo resto da vida — afirmou Ray, sua voz vibrando contra a pele úmida de Kion. — Cada vez que você se sentar naquele trono, cada vez que olhar para o seu pai, você vai sentir a marca invisível que eu estou deixando na sua alma.
Kion já não conseguia formular palavras. Ele era apenas sensação, um receptor para a vontade de Ray. Quando o clímax final finalmente os atingiu, foi como uma explosão de estática no ar. Kion desabou nos lençóis, o corpo exausto, a mente finalmente em paz após a tempestade do cio.
Ray, no entanto, levantou-se quase imediatamente. Ela não tinha o hábito de "confortar" após o ato. Ela caminhou até o banheiro de mármore, lavando o suor e o sangue de seu corpo com uma indiferença glacial. Quando voltou para o quarto, Kion estava meio acordado, observando-a com uma devoção que beirava o doentio — o efeito colateral inevitável de um Ômega marcado por um Alfa dominante.
— Ray... fique — pediu ele, a voz fraca.
Ela parou ao pé da cama, vestindo sua calça tática com movimentos fluidos. Pegou o coldre de couro e o ajustou sobre o peito nu, as tiras cruzando suas cicatrizes.
— O sol está nascendo, Kion — disse ela, sem olhar para ele. — E eu tenho um império para proteger de pessoas muito mais perigosas do que você.
— Quando você volta? — insistiu o príncipe.
Ray virou-se, lançando-lhe um olhar que era uma mistura de desprezo e diversão.
— Quando eu sentir vontade de ouvir você implorar novamente. Ou quando seu pai decidir que você precisa de outra "lição".
Ela caminhou até a porta, mas parou antes de sair.
— E limpe esse quarto. O cheiro de derrota está me dando dor de cabeça.
A porta se fechou com um clique metálico. Ray caminhou pelos corredores silenciosos do palácio corporativo. Os seguranças que faziam a ronda matinal baixaram a cabeça quando ela passou. Eles sentiam o cheiro de Kion nela — o cheiro do príncipe herdeiro impregnado na Alfa mais perigosa da guarda.
Ray entrou no elevador e apertou o botão para o andar da cobertura, onde Simba e Nala provavelmente já estavam acordados, discutindo os lucros do dia anterior. Ela sentiu uma pontada de satisfação sádica. Ela não apenas protegia a linhagem real; ela a possuía, de dentro para fora.
Ao chegar à cobertura, encontrou Simba observando a cidade através da parede de vidro. Ele estava nu, como de costume, uma xícara de café preto na mão.
— Como ele está? — perguntou Simba, sem se virar.
Ray caminhou até ele, parando ao seu lado. Ela exalava o cheiro do filho dele, e ambos sabiam disso.
— Ele sobreviveu — respondeu Ray, com um sorriso de lado. — Mas acho que o seu herdeiro agora entende que o trono não é o lugar mais alto do palácio. O lugar mais alto é onde eu decido que ele seja.
Simba virou-se para ela, seus olhos percorrendo o corpo de Ray, parando nas marcas de suor que ainda brilhavam em sua pele.
— Você é uma criatura perigosa, Ray — comentou o Rei, sua voz carregada de uma mistura de respeito e desejo reprimido.
— É por isso que você me mantém por perto, Simba — ela se aproximou, sussurrando perto do ouvido dele. — Porque no fundo, você também quer saber como é ser caçado por mim.
Nala apareceu na porta do quarto, usando apenas um lençol de seda enrolado no corpo. Ela olhou para Ray e depois para Simba, um sorriso cúmplice surgindo em seu rosto.
— Parece que a noite foi produtiva para todos — disse a Rainha. — Ray, venha. Você precisa de um banho de verdade, e Simba e eu temos muito o que discutir sobre a nova estrutura da guarda... e sobre como recompensar sua dedicação à família.
Ray riu, o som ecoando pelo luxuoso apartamento. O humor dela estava finalmente melhorando. Em Pride Lands, a política era um jogo de sombras, mas o poder era um jogo de pele. E ela estava ganhando em ambos.
— Espero que a recompensa envolva menos conversa e mais ação — disse Ray, seguindo Nala. — Afinal, eu acabei de lidar com um príncipe. Acho que agora estou pronta para lidar com os reis.
O sol finalmente rompeu o horizonte, iluminando os arranha-céus de vidro e aço. Lá embaixo, milhões de pessoas começavam o dia, sem imaginar que, no topo da pirâmide, a guarda pessoal da família real acabara de redefinir o significado de lealdade. Para Ray, a vida era simples: carne, sangue e a frieza necessária para nunca se deixar domar.
Ela era a Alfa. Ela era a lâmina. E em Pride Lands, todos, do herdeiro ao rei, aprenderiam a se curvar diante de seus dentes.