Todos loucos, incluindo eu
O Labirinto da Liberdade e o Êxtase da Punição
A manhã seguinte ao nosso primeiro encontro carnal nasceu envolta em um silêncio denso e adocicado. Kageyama Tobio já não estava mais na cama quando despertei, mas sua presença ainda impregnava cada centímetro do quarto luxuoso. O cheiro dele — aquele sândalo metálico e frio — estava misturado ao meu próprio aroma, criando uma fragrância nova, a fragrância de algo quebrado que se uniu à força.
Ele saíra para a Academia Royale com um sorriso que eu raramente vira em seu rosto. Não era o sorriso predatório de um sequestrador, mas o sorriso de um homem que finalmente possuía o que desejava. Eu, por outro lado, sentia o corpo pesar. Minhas costas doíam levemente pelo esforço da noite anterior, e cada músculo parecia protestar contra o movimento. No entanto, havia um calor estranho no meu peito, uma satisfação que eu me esforçava para rotular como "síndrome de Estocolmo" apenas para manter minha sanidade.
Levantei-me e fui direto para o banho. Usei os sais de banho que ele havia deixado para mim, uma fragrância intensa de marshmallow e baunilha. Enquanto a água quente escorria pelo meu corpo, eu me sentia mais cheirosa do que nunca, a pele macia e o espírito estranhamente leve.
— Misericórdia, Izabelle... — murmurei para o espelho, vendo as marcas leves que os dedos dele haviam deixado em meu quadril. — Você está adorando isso. Você é tão louca quanto ele.
Ao sair do quarto, percebi algo estranho. A porta principal, aquela que ele sempre trancava com mil travas antes de sair, estava encostada. Apenas um centímetro de abertura, mas o suficiente para deixar a luz do corredor externo entrar. Meu coração disparou. Seria um erro? Tobio, o gênio da esgrima e da estratégia, teria esquecido de trancar a porta da minha gaiola?
Ou seria um teste?
A curiosidade, meu maior pecado, falou mais alto. Caminhei até a porta e a empurrei. Ela cedeu sem resistência. Saí para o corredor, depois para o jardim da propriedade isolada. O ar fresco da manhã atingiu meu rosto, e por um segundo, a liberdade pareceu a coisa mais doce do mundo. Eu comecei a correr. Meus pés descalços sentiam a grama úmida, e eu corri até o limite da propriedade, onde a floresta começava a fechar o caminho.
Eu parei ali, ofegante. Olhei para trás, para a casa que se tornara minha prisão e meu santuário. Eu poderia continuar. Poderia gritar, procurar uma estrada, voltar para a Academia e denunciar Tobio. Mas, enquanto o oxigênio inundava meus pulmões, uma percepção sombria me atingiu. Eu não queria ir. Eu estava viciada naquela intensidade, naquela possessividade que me fazia sentir como se eu fosse a única pessoa viva na Terra. Eu era obcecada por ele tanto quanto ele por mim, mas eu guardava esse segredo como minha última arma de defesa.
— Que se dane a liberdade — sussurrei para o vento.
Voltei para a casa. Entrei, fechei a porta com cuidado e voltei para o quarto, sentando-me na cama como se nada tivesse acontecido. Eu não sabia, no entanto, que Tobio não precisava estar lá para me ver.
Horas depois, ouvi o som do carro dele. O barulho da porta da frente batendo foi diferente desta vez. Não era o som de alguém que chegava feliz. Era o som de um trovão antes da tempestade. Quando a porta do quarto se abriu, Kageyama estava parado ali, ainda com o uniforme de esgrima, mas sua aura era de puro ódio.
Ele segurava o celular na mão esquerda, a tela brilhando com as imagens da câmera de segurança que eu nem sabia que existia.
— Você tentou fugir — disse ele, a voz tão fria que parecia capaz de congelar o ar no quarto.
— Tobio, calma... — eu disse, levantando-me, tentando manter minha postura simpática e delicada, mas firme. — Eu não fugi. Eu só fui até o jardim. Veja bem, eu voltei por vontade própria. Eu fechei a porta!
— Você foi até o limite da propriedade, Izabelle! — Ele gritou, avançando para dentro do quarto. — Você pensou nisso. Você testou a distância. Você cogitou me deixar depois de tudo o que aconteceu ontem à noite!
— Foi só uma ideia besta, Tobio! — Tentei inverter a situação, aproximando-me dele com as mãos estendidas. — Eu voltei porque eu quis ficar. Por que você está tão estressado? Se eu quisesse fugir, eu não estaria aqui agora, estaria?
Kageyama jogou o celular na poltrona e me prensou contra a parede com uma violência que me fez soltar um ganido de surpresa. Seus olhos azuis estavam dilatados, a pupila quase engolindo a íris.
— Você mentiu para mim — sibilou ele, o rosto a milímetros do meu. — Você disse que era minha. Mas o seu instinto ainda é fugir. Você precisa aprender, Iza. Precisa aprender que não existe "fora" para você.
— Tobio, você está me machucando... — eu disse, mas a verdade é que o medo estava misturado com uma excitação proibida.
— Você quer ser tratada como uma rainha, mas age como uma prisioneira rebelde — ele disse, pegando uma corda de seda preta que eu nem tinha visto que ele carregava. — Se você não consegue controlar seus pés, eu farei isso por você.
— O que você está fazendo? Para com isso! — Eu tentei lutar, mas ele era um atleta, um mestre em controle físico.
Em questão de segundos, ele puxou meus braços para trás e amarrou meus pulsos com uma técnica precisa, prendendo-os à cabeceira de madeira da cama. Eu estava de joelhos, vulnerável, com o coração martelando contra as costelas.
— Agora você vai ser punida — ele declarou, a voz carregada de uma intenção sombria. — Você vai aprender o que acontece com quem brinca com a minha lealdade.
— Tobio, isso é loucura! — Eu gritei, mas ele já estava rasgando minha blusa, expondo meu corpo ao ar frio do quarto e ao seu olhar ardente.
Desta vez, não houve a carícia lenta ou o romance da noite anterior. Kageyama estava possuído por uma fúria dark, um desejo de marcar sua propriedade de forma definitiva. Ele me beijou com uma brutalidade que me deixou sem fôlego, suas mãos explorando meu corpo com uma agressividade que me fazia tremer.
— Você é minha — ele repetia entre as estocadas de sua língua e os beijos que mais pareciam mordidas em meu pescoço e ombros. — Diga! Diga que você não vai a lugar nenhum!
— Eu sou... sua... — eu arfava, sentindo as lágrimas de excitação e exaustão começarem a cair.
Ele me possuiu ali mesmo, na beirada da cama, com uma força que me fez ver estrelas. Cada movimento dele era um lembrete do seu poder sobre mim. Quando eu achava que ele ia parar, que seu corpo não aguentaria mais, ele recomeçava com uma energia renovada, como se estivesse tentando fundir nossas almas através da dor e do prazer.
— De novo, Iza — ele sussurrava em meu ouvido, o suor dele pingando em minhas costas. — Para você nunca esquecer o gosto de ficar.
Foram seis vezes. Seis vezes que ele me levou ao limite da consciência. Eu estava esgotada, meus pulsos ardiam onde a seda os prendia, e minhas pernas pareciam feitas de gelatina. Eu passei mal, não de dor, mas de uma felicidade tão intensa e distorcida que meu corpo mal conseguia processar. Era um êxtase que beirava o colapso.
Quando ele finalmente me desamarrou, eu desabei em seus braços. Kageyama me segurou com uma força protetora, beijando o topo da minha cabeça, o ódio de antes dissipado e substituído por uma exaustão satisfeita.
— Nunca mais — ele murmurou, a voz falhando. — Nunca mais chegue perto daquela porta, Iza.
Eu estava exausta, quase sem forças para falar, mas passei meus braços trêmulos pelo pescoço dele, colando meu corpo suado ao dele. O cheiro de marshmallow do meu banho agora estava misturado ao cheiro de sexo e esforço.
— Eu não vou — eu sussurrei, escondendo o rosto em seu peito. — Eu voltei, Tobio. Eu sempre vou voltar.
Eu amava cada segundo daquela loucura. Enquanto ele me carregava para o banheiro para nos limpar, eu sabia que nossa relação era um abismo sem fundo. Mas eu não me importava em cair, desde que fosse ele quem estivesse me segurando durante a queda. Eu precisava de um psicólogo, com certeza, mas, por enquanto, a "punição" de Kageyama Tobio era tudo o que eu precisava para me sentir viva.