Voltar ao resumo

tudo por voce

Azul Infinito e Silêncios Interrompidos

O sol de Mônaco parecia brilhar com uma intensidade renovada naquela manhã, como se o próprio clima estivesse celebrando o aniversário de quatro anos de casamento de Oscar e Lily. A cobertura, geralmente um reduto de silêncio e eficiência, estava preenchida pelo som suave de malas sendo fechadas e as instruções finais de Agatha aos funcionários que cuidariam da manutenção dos cinco andares durante a ausência do casal.

Lily estava parada diante do espelho de corpo inteiro em seu closet, ajustando um conjunto de linho branco que exalava uma elegância descontraída, perfeita para a Riviera. Seus olhos ainda estavam um pouco inchados da madrugada difícil, mas a maquiagem leve e a habilidade de sua equipe de beleza haviam feito milagres. Ela se sentia protegida, envolta na aura de segurança que Oscar sempre proporcionava.

— A senhora está deslumbrante, Sra. Piastri — comentou Agatha, entregando-lhe uma bolsa de palha da Hermès, personalizada com suas iniciais. — O carro já está aguardando no subsolo. O Sr. Piastri está terminando uma chamada no escritório, mas disse para descermos na frente.

Lily forçou um sorriso, embora uma pontada de irritação tenha surgido em seu peito.

— Outra chamada, Agatha? — perguntou ela, a voz um pouco mais aguda do que o normal. — Nós estamos saindo para o aeroporto.

— O mercado asiático abriu com alguma instabilidade, senhora. O Sr. Piastri só queria garantir que tudo estivesse sob controle antes de desligar os sistemas.

Lily suspirou e assentiu. Ela sabia que ser a esposa de um dos CEOs mais jovens e bem-sucedidos do mundo exigia paciência, mas, naquele dia específico, sua paciência parecia um fio de seda prestes a romper. O desconforto da TPM, somado ao peso emocional da ligação de sua mãe na noite anterior, a deixava sensível a cada pequeno detalhe.

Ao descerem pelo elevador privativo, o luxo silencioso do prédio era um lembrete do mundo em que viviam. No subsolo, o Rolls-Royce preto brilhava sob as luzes fluorescentes. Oscar já estava lá, encostado na porta traseira. Ele estava magnífico em um terno casual de linho azul-marinho, sem gravata, com os primeiros botões da camisa abertos. O rosto sério suavizou-se instantaneamente ao ver a esposa.

— Você está perfeita — disse ele, aproximando-se para beijar sua testa. — Pronta para Ibiza?

— Estou pronta para ficar sozinha com você, Oscar — respondeu ela, enfatizando o "sozinha".

Ele sorriu, mas o celular em seu bolso vibrou novamente. Oscar nem olhou para a tela, apenas colocou a mão sobre a de Lily enquanto entravam no carro.

— Eu prometo que, assim que cruzarmos o espaço aéreo, o mundo lá fora deixa de existir.

O trajeto até o aeroporto foi rápido. O jato particular da família Piastri já os esperava na pista, com a tripulação alinhada em sinal de respeito. O interior da aeronave era uma extensão da casa deles: poltronas de couro creme, acabamentos em madeira nobre e o champanhe favorito de Lily já resfriado.

Assim que decolaram, Lily se acomodou na poltrona larga, observando a costa de Mônaco se tornar pequena lá embaixo. Ela sentiu a mão de Oscar encontrar a sua. Ele estava atento, cuidando para que ela tivesse tudo o que precisava — desde a manta de cashmere mais macia até a seleção de frutas frescas que ela adorava.

— Quer que eu peça para o chef preparar algo específico para o almoço em Ibiza? — perguntou ele, a voz baixa e carinhosa. — Reservei aquela vila privativa com vista para Es Vedrà. Ninguém vai nos incomodar.

— Parece um sonho, Oscar — disse ela, recostando a cabeça no ombro dele. — Eu só quero paz. E você.

— Você terá os dois.

Tudo parecia estar seguindo o plano perfeito até que, cerca de trinta minutos depois, o telefone via satélite do jato começou a tocar na mesa de apoio de Oscar. Ele hesitou, olhando para Lily, que fechou os olhos e soltou um suspiro pesado.

— Oscar, não.

— É o Marcus, Lily. Ele só liga se for algo que a diretoria não consegue resolver — explicou ele, a expressão voltando àquela seriedade profissional que ela tanto conhecia. — Eu preciso atender. Só um minuto.

Ele se levantou e caminhou para a parte traseira do jato para ter privacidade. Lily ficou ali, sentada, sentindo uma onda de irritação subir por seu pescoço. Ela sabia que era irracional — o império dele não parava porque ela queria férias —, mas a cólica que começava a dar sinais em seu ventre e a lembrança da conversa com a mãe a deixavam à beira das lágrimas.

Quando chegaram a Ibiza, o cenário era de tirar o fôlego. A vila era uma obra-prima da arquitetura mediterrânea, com paredes brancas, piscinas infinitas que se fundiam com o mar e jardins de lavanda e alecrim que perfumavam o ar.

— Meu Deus, Oscar... é lindo — murmurou Lily, momentaneamente esquecendo seu mau humor enquanto caminhava pelo terraço.

— Eu sabia que você ia gostar — disse ele, vindo por trás dela e abraçando sua cintura. — Quatro anos, Lily. Os melhores quatro anos da minha vida.

Ele a virou para si, segurando seu rosto com a ternura de quem guarda um tesouro. Por um momento, o mundo parou. O beijo foi lento, profundo, cheio da devoção que Oscar sempre demonstrou. Ele a tratava como se ela fosse a única mulher na Terra, protegendo-a até de seus próprios pensamentos tristes.

— Vou pedir para servirem o almoço no pátio — disse ele, afastando-se relutante. — Vá se trocar, coloque algo confortável.

Lily subiu para a suíte principal, maravilhada com o luxo discreto do lugar. Suas malas já haviam sido desfeitas por funcionários da vila, e suas roupas de banho de grife estavam organizadas por cor. Ela escolheu um biquíni de crochê feito à mão e uma saída de praia transparente.

Ao descer, no entanto, a cena que encontrou não era a de um almoço romântico. Oscar estava em pé perto da piscina, com o celular no ouvido, gesticulando enquanto falava em um tom de voz baixo e firme.

— — Não, eu deixei claro que a aquisição só ocorreria se os termos de sustentabilidade fossem mantidos — dizia ele, sem notar a presença dela. — Marcus, eu não me importo com o que os acionistas pensam agora. Eu estou em férias. Resolva ou adie a reunião para segunda-feira.

Lily parou no topo da escada. A comida estava posta à mesa — lagosta, saladas frescas e vinhos caros —, mas Oscar estava a quilômetros de distância dali, mentalmente preso em uma sala de reuniões.

Ela desceu os últimos degraus com passos pesados. Oscar percebeu sua presença e fez um sinal com a mão, pedindo "cinco minutos".

Lily não esperou. Ela se sentou à mesa, pegou um pedaço de pão e começou a comer em silêncio, o rosto fechado. A irritação da TPM agora estava em seu auge. Cada palavra técnica que saía da boca de Oscar parecia um insulto ao esforço que ela fizera para organizar aquela viagem.

Finalmente, Oscar desligou o aparelho e o colocou sobre a mesa, sentando-se à frente dela.

— Desculpe, meu amor. A fusão com a empresa de Singapura está tendo um contratempo burocrático.

— Engraçado — disse Lily, sem olhar para ele. — Pensei que o "contratempo" fosse o fato de estarmos comemorando nosso aniversário de casamento.

Oscar suspirou, esticando a mão para tocar a dela, mas Lily a recolheu, fingindo limpar o canto da boca com o guardanapo de linho.

— Lily, você sabe que eu tento ao máximo...

— Eu sei o que você faz, Oscar. Você é o grande Oscar Piastri. O CEO infalível. Mas eu estou cansada de competir com o seu celular. Primeiro foi a secretária que me tratou como lixo porque você estava "muito envolvido", depois minha mãe me ligando para pedir dinheiro para aquele homem... e agora nem aqui eu tenho você por inteiro.

Os olhos dela se encheram de lágrimas. Ela odiava se sentir assim, tão vulnerável e irritadiça, mas não conseguia controlar.

Oscar ficou em silêncio por um longo momento. Ele não ficou bravo. Ele nunca ficava bravo com ela. Em vez disso, ele se levantou, contornou a mesa e ajoelhou-se ao lado da cadeira dela, forçando-a a olhar para ele.

— Você tem razão — disse ele, a voz suave, mas carregada de uma sinceridade absoluta. — Eu falhei hoje. Eu prometi que o mundo lá fora não existiria, e eu o trouxe para dentro da nossa mesa.

— Eu só queria que fosse especial — soluçou ela, deixando uma lágrima cair. — Eu me sinto tão... instável hoje.

— Eu sei, querida. Eu sei que não tem sido fácil para você — ele acariciou a bochecha dela, o polegar limpando a lágrima. — E eu sei que o seu corpo e sua mente estão exaustos. Deixe-me cuidar de você.

Oscar levantou-se e, com uma facilidade que sempre a impressionava, pegou-a no colo. Lily instintivamente entrelaçou os braços em volta do pescoço dele, escondendo o rosto naquela curva entre o ombro e a orelha onde o cheiro dele era mais forte.

Ele a levou para dentro, para uma sala de estar fresca e sombreada. Colocou-a no sofá imenso e macio e saiu por um momento, voltando com uma bolsa de água quente e um copo de água com os remédios que ela costumava tomar para as cólicas.

— Como você sabia? — perguntou ela, surpresa.

— Eu conheço você, Lily. Conheço seu ciclo, conheço seus silêncios e conheço o jeito que você franze a testa quando está com dor — ele se sentou ao lado dela, puxando a cabeça dela para o seu colo. — Eu mandei Marcus desligar o meu acesso ao servidor da empresa. Pelas próximas quarenta e oito horas, meu celular só vai servir para tirar fotos suas.

Lily sentiu a tensão deixar seu corpo. O calor da bolsa de água quente e o carinho rítmico de Oscar em seu cabelo começaram a fazer efeito.

— Desculpe por ser tão... rabugenta — murmurou ela.

— Você nunca é rabugenta para mim. Você é apenas a minha Lily. E se você precisar gritar ou chorar, eu vou estar aqui para ouvir.

Eles ficaram ali por horas, enquanto o sol de Ibiza começava a baixar no horizonte, pintando o céu de rosa e violeta. Oscar não atendeu mais nenhuma ligação. Ele leu para ela, trouxe-lhe chá e, quando ela finalmente se sentiu melhor, ele a levou para um banho de banheira com pétalas de gardênia, sua flor favorita.

À noite, deitados na cama imensa sob o dossel de seda, Lily se sentia renovada. A sombra da ligação de sua mãe ainda estava lá, em algum lugar no fundo de sua mente, mas a presença sólida de Oscar a tornava suportável.

— Oscar? — chamou ela no escuro.

— Sim, meu amor?

— Obrigada. Por não desistir de mim quando eu fico assim.

Ele a apertou mais forte contra seu peito atlético, beijando o topo de sua cabeça.

— Eu nunca vou desistir de você, Lily. Você é a única coisa no meu mundo que realmente importa. O resto... o resto é apenas ruído.

Lily sorriu, fechando os olhos. Ela sabia que, enquanto estivesse nos braços dele, as tempestades do passado e as pressões do presente não poderiam alcançá-la. O mar de Ibiza batia suavemente nas rochas lá embaixo, um ritmo constante que prometia que os próximos dias seriam exatamente como ela havia sonhado: perfeitos, luxuosos e, acima de tudo, apenas deles.

Entrar com Telegram

Confirme o login no bot.