Um pouco diferente
O Doce Silêncio do Aposento
Os dias de guerra, conspirações e o peso sufocante de proteger Yokohama haviam ficado para trás, perdidos em uma névoa de memórias que agora pareciam pertencer a outra vida. O apartamento, antes um local de passagem estratégica, transformara-se em um verdadeiro lar. As janelas amplas permitiam que a luz do entardecer banhasse a sala em tons de âmbar, refletindo-se nas taças de vinho que Chuuya insistia em manter impecáveis, embora agora raramente tivesse pressa para terminá-las.
Chuuya estava sentado no sofá de veludo, vestindo apenas uma camisa de seda aberta e calças confortáveis. Ele não precisava mais de chapéus, luvas ou o peso da responsabilidade da Máfia do Porto sobre seus ombros. Aposentados precocemente por circunstâncias que apenas o caos de suas vidas poderia explicar, ele e Dazai viviam agora em uma bolha de domesticidade que, para qualquer observador externo, seria impensável.
O ruivo sentiu um peso familiar em seu colo. Dazai, com seus cabelos castanhos agora mais compridos e desgrenhados, acomodou a cabeça nas coxas de Chuuya, olhando para cima com aqueles olhos castanhos que haviam perdido o brilho gélido do calculismo e ganhado uma suavidade preguiçosa.
— Chuuya... — Dazai murmurou, a voz arrastada, uma mão subindo para traçar os contornos das costelas do ômega. — Eu estou com fome.
Chuuya revirou os olhos, mas não havia irritação real no gesto. Seus dedos mergulharam nos fios macios de Dazai, massageando o couro cabeludo do alfa.
— Você acabou de almoçar, seu desperdício de espaço.
— Não é desse tipo de comida que eu estou falando, e você sabe disso — Dazai sorriu, um sorriso que não era predatório, mas sim manhoso, quase infantil. — Meu peito está começando a formigar só de sentir o seu cheiro. Você está... transbordando, não está?
Chuuya sentiu o calor subir pelo pescoço. A condição hormonal, que antes era uma fonte de vergonha e choque, tornara-se parte da rotina deles. Sem o estresse das batalhas, seu corpo parecia ter se estabilizado em um estado de nutrição constante, uma resposta biológica ao cuidado possessivo e à presença constante de seu alfa. A vergonha fora substituída por uma aceitação confortável. Ele sabia que Dazai precisava daquilo tanto quanto ele precisava do alívio.
— Está um pouco pesado — admitiu Chuuya em voz baixa, abrindo mais a camisa e revelando a pele pálida e os mamilos sensíveis, já úmidos com pequenas gotas de leite.
Sem precisar de mais nenhum convite, Dazai se elevou, ficando de joelhos entre as pernas de Chuuya. Ele não foi direto ao ponto. Gostava de brincar, de apreciar a visão do seu ômega entregue. Ele inclinou a cabeça, lambendo uma gota que escorria lentamente pelo peitoral definido do ruivo.
— Tão doce — Dazai sussurrou contra a pele dele. — Chuuya é como um pequeno pote de mel.
— Menos conversa e mais ação, Dazai — Chuuya rosnou, embora suas mãos estivessem guiando a cabeça do alfa para o seu peito. — Você sabe que eu odeio quando você enrola.
Dazai riu baixinho e finalmente selou os lábios em torno da aréola de Chuuya. O ruivo soltou um suspiro longo, jogando a cabeça para trás no encosto do sofá. A sucção de Dazai era experiente, alternando entre puxões firmes e toques suaves com a língua que faziam os dedos dos pés de Chuuya se curvarem.
Não era mais apenas sobre o alívio físico da galactorreia. Havia uma conexão profunda ali. Chuuya observava Dazai, os olhos semicerrados, vendo como o homem que uma vez fora o "Demônio Prodigio" se perdia naquele ato de vulnerabilidade. Dazai bebia com vontade, as mãos grandes apertando levemente a carne macia do peito de Chuuya para estimular o fluxo, enquanto emitia sons baixos de satisfação.
— Está vindo bastante hoje — comentou Dazai, afastando-se por um segundo apenas para lamber os lábios sujos de branco. — Você tem se alimentado bem, meu pequeno Chuuya.
— Eu não sou pequeno, e pare de falar como se estivesse avaliando a qualidade de um vinho — rebateu Chuuya, embora seu tom fosse suave. Ele puxou Dazai para o outro lado. — Termine logo. Eu quero ir para a cama.
Dazai obedeceu, mas não sem antes dar uma mordidinha lúdica na lateral do peito de Chuuya, o que lhe rendeu um tapa leve no ombro.
— Ai! Chuuya é tão violento com seu provedor de alívio.
— Provedor de alívio? Você é um parasita, isso sim — Chuuya sorriu, sentindo a leveza retornar ao seu peito conforme a pressão diminuía.
Quando terminaram na sala, a noite já havia caído completamente sobre a cidade. O silêncio do apartamento era quebrado apenas pelo som distante do tráfego. Eles se moveram para o quarto, um santuário de lençóis de seda e o aroma misturado de cedro e gengibre.
Chuuya deitou-se de lado, sentindo o corpo relaxado e a mente vazia de preocupações. Logo, sentiu o colchão afundar atrás de si. Dazai o abraçou por trás, passando a perna por cima das coxas de Chuuya e enterrando o rosto na curva do seu pescoço.
— Chuuya... — a voz de Dazai era apenas um sopro agora.
— O que foi agora? — Chuuya perguntou, já fechando os olhos.
— Eu ainda não terminei.
Chuuya suspirou, mas se virou de frente para o alfa. Dazai estava com a expressão serena, os olhos pesados de sono, parecendo muito mais jovem do que realmente era. Naquele momento, não havia o estrategista, não havia o homem que tentara tirar a própria vida inúmeras vezes. Havia apenas o alfa de Chuuya, buscando conforto.
Dazai se aninhou contra o peito de Chuuya, buscando o mamilo novamente. Desta vez, não havia a urgência ou a fome de antes. Era uma sucção lenta, rítmica, quase instintiva. Chuuya o abraçou, protegendo-o com seus braços, deixando que Dazai mamasse como um bebê antes de dormir. O som da deglutição lenta de Dazai era como um metrônomo para o sono de Chuuya.
— Você é um bebê tão grande — sussurrou Chuuya, beijando o topo da cabeça de Dazai.
— O seu bebê — Dazai murmurou entre um gole e outro, a voz abafada contra a pele do ômega.
Chuuya sentiu uma onda de afeto tão forte que quase o sufocou. Ele se lembrava de quando sentia nojo dessa necessidade, de quando achava que isso o tornava fraco. Mas agora, vendo Dazai adormecer em seu peito, saciado e seguro, ele entendia que aquela era a sua maior força. Ele era o único que podia dar a Dazai o que ele realmente precisava: paz.
O ruivo continuou a acariciar os cabelos de Dazai até que a respiração do alfa se tornasse profunda e regular. O peito de Chuuya ainda vazava um pouco, manchando o lençol, mas ele não se importava. Ele fechou os olhos, sentindo o peso reconfortante de Dazai sobre si, a gravidade finalmente agindo a seu favor, mantendo-os ancorados um ao outro, longe do resto do mundo que nunca entenderia a doçura daquele fardo.
Na quietude do quarto, o único som era o pulsar de dois corações que, contra todas as probabilidades, haviam encontrado um ritmo comum. E enquanto a lua subia no céu de Yokohama, Chuuya adormeceu com a certeza de que, na manhã seguinte, e em todas as manhãs depois daquela, Dazai estaria lá, pronto para beber de sua vida, e ele estaria mais do que pronto para se entregar.