Um pouco diferente
O Porto de Abrigo nas Sombras
A luz da manhã em Yokohama costumava ser um lembrete cruel do dever, mas agora, para Chuuya Nakahara, era apenas um brilho suave que atravessava as cortinas de linho e iluminava a bagunça pacífica de sua nova vida. Ele não precisava mais acordar com o som de explosões ou relatórios de inteligência. O único som que preenchia o quarto era a respiração pesada e rítmica de Dazai Osamu, que ainda dormia profundamente, agarrado à sua cintura como se Chuuya fosse o único ponto fixo em um universo em constante expansão.
Chuuya tentou se mexer, mas o peso do braço de Dazai e a dormência em suas pernas o impediram. Ele olhou para baixo e viu o alfa aninhado contra seu peito, o rosto relaxado de uma forma que poucas pessoas no mundo haviam tido o privilégio de ver. A camisa de Chuuya estava aberta e úmida; a sessão de "amamentação" da madrugada havia deixado rastros esbranquiçados na pele e no tecido, mas a sensação de queimação e pressão que costumava atormentá-lo havia desaparecido completamente.
— Acorda, seu preguiçoso — sussurrou Chuuya, passando os dedos pelos fios castanhos que sempre pareciam desafiar a gravidade, mesmo sem o uso de sua habilidade.
Dazai resmungou algo ininteligível, apertando mais o abraço. Ele esfregou o nariz contra o peito de Chuuya, buscando instintivamente o calor e o aroma adocicado que emanava dos poros do ômega.
— Só mais cinco minutos, Chuuya... — a voz de Dazai saiu rouca, carregada de sono. — O travesseiro está tão macio hoje... e tem gosto de leite.
Chuuya sentiu o rosto esquentar, mas não se afastou. A vergonha que sentia nos primeiros meses após o diagnóstico de galactorreia havia se transformado em um tipo de intimidade que ele não trocaria por nada.
— Eu não sou um travesseiro, idiota. E você já bebeu o suficiente por uma noite.
Dazai finalmente abriu um dos olhos, brilhando com aquela malícia preguiçosa que Chuuya conhecia tão bem. Ele se apoiou no cotovelo, olhando para o ruivo com uma adoração que beirava o devocional.
— Nunca é o suficiente quando se trata de você — Dazai estendeu a mão e tocou a ponta do dedo em uma gota solitária que brilhava no mamilo de Chuuya. — Veja só... você ainda está produzindo. É um desperdício deixar isso secar na camisa.
— É apenas o resto, Dazai. Deixe de ser guloso — Chuuya tentou puxar a camisa para se cobrir, mas Dazai foi mais rápido, segurando seus pulsos com delicadeza.
— Chuuya sabe que eu odeio desperdício — Dazai inclinou a cabeça, lambendo a gota com uma lentidão deliberada que fez um calafrio percorrer a espinha do ruivo. — Além disso, é o meu café da manhã favorito.
Chuuya soltou um suspiro trêmulo, fechando os olhos enquanto sentia a língua quente de Dazai trabalhar em sua pele. Não havia mais a barreira da negação. Ele se sentia completo quando Dazai o buscava dessa forma. Era como se, através daquele ato, todas as feridas que a Máfia e a Agência haviam deixado neles fossem lentamente cicatrizadas.
— Você é impossível... — murmurou Chuuya, soltando os pulsos das mãos de Dazai apenas para envolver o pescoço do alfa, puxando-o para mais perto.
Dazai não precisou de mais incentivo. Ele se acomodou entre as pernas de Chuuya, tratando o momento não com a luxúria desenfreada de um alfa comum, mas com a reverência de quem protege um tesouro. Ele brincava com os lábios, massageando a aréola com os dedos enquanto sugava suavemente, ouvindo os pequenos sons de aprovação que escapavam da garganta de Chuuya.
— Sabe — disse Dazai, afastando-se brevemente para olhar nos olhos azuis profundos do parceiro —, às vezes eu acho que o médico da Máfia era um gênio disfarçado. Esse "desequilíbrio" é a melhor coisa que já aconteceu conosco.
— Você só diz isso porque é o beneficiário — Chuuya deu um tapinha leve na bochecha de Dazai. — Você tem ideia do quanto isso dói quando você não está por perto para... "ajudar"?
— É por isso que eu nunca vou a lugar nenhum — Dazai sorriu, e desta vez o sorriso chegou aos seus olhos. — Eu sou o seu remédio pessoal, Chuuya. E você é o meu sustento. Literalmente.
Eles passaram o resto da manhã assim, entre carícias lentas e momentos de silêncio confortável. Não havia pressa para levantar, não havia missões esperando por eles. A aposentadoria forçada — ou melhor, a escolha mútua de abandonar o campo de batalha — dera a eles o luxo do tempo.
Mais tarde, enquanto Chuuya preparava um café forte na cozinha, vestindo apenas um roupão de seda que mal escondia as marcas de posse de Dazai, ele sentiu os braços do alfa envolverem sua cintura por trás.
— O cheiro do café está bom, mas o seu cheiro ainda é melhor — Dazai murmurou, beijando o ombro de Chuuya.
— Você vai acabar ficando viciado nisso, se é que já não está — Chuuya virou-se no abraço, segurando a caneca de café entre eles.
— Eu sou viciado em você desde os quinze anos, Chuuya. O leite é apenas um bônus delicioso que a vida me deu por ter sobrevivido a tantas tentativas de suicídio fracassadas.
Chuuya revirou os olhos, mas encostou a testa na de Dazai.
— Se você tentar se matar de novo, eu juro que te trago de volta só para te deixar passar fome. Entendeu?
Dazai riu, um som claro e genuíno que preenchia o apartamento.
— Eu não teria coragem de abandonar minha fonte de nutrição favorita. Além disso... quem cuidaria de você quando seus peitos ficassem pesados demais?
— Eu daria um jeito — Chuuya sorriu desafiador. — Mas admito que prefiro o seu método.
— Eu sabia! — Dazai exclamou, vitorioso. — Chuuya finalmente admitiu que gosta de ser minha mamãe secreta.
— Cala a boca, Dazai! — Chuuya sentiu o rosto arder e deu um gole no café para disfarçar. — Eu não disse nada disso. Eu disse que prefiro o método de extração, porque é menos trabalhoso do que usar uma bomba manual.
— Ah, sim, claro. É puramente técnico — Dazai zombou, apertando a bunda de Chuuya, o que lhe rendeu um chute na canela. — Ai! A violência de manhã cedo... você é tão previsível.
A tarde caiu lentamente sobre Yokohama. Eles passaram as horas lendo no sofá — ou melhor, Chuuya tentava ler enquanto Dazai usava o colo dele como travesseiro e, ocasionalmente, enfiava a mão por baixo da camisa do ruivo para "conferir a temperatura". Chuuya já não reclamava mais. Ele deixava Dazai brincar, sentindo a conexão de seus feromônios se entrelaçando. O cheiro de alfa de Dazai, que antes era como uma tempestade iminente, agora era como uma brisa quente de verão, acalmando o sistema nervoso de Chuuya.
— Chuuya — chamou Dazai, sua voz subitamente séria.
— O quê?
— Você se arrepende? De ter deixado tudo para trás? A Máfia, o poder... a gravidade?
Chuuya fechou o livro e olhou para a janela, onde o sol começava a se pôr, pintando o céu de rosa e laranja. Ele pensou em todas as pessoas que matou, em todas as vezes que quase perdeu a sanidade para o *Arahabaki*. Depois, olhou para baixo, para o homem em seu colo, que parecia finalmente ter encontrado um motivo para não querer morrer.
— Às vezes eu sinto falta da adrenalina — admitiu Chuuya honestamente. — Mas então eu olho para você, ou sinto essa paz idiota que temos aqui... e percebo que eu nunca tive uma casa de verdade até agora. A Máfia era um dever. Isso aqui... isso é vida.
Dazai ficou em silêncio por um longo tempo, processando as palavras. Ele pegou a mão de Chuuya e beijou cada um dos nós dos dedos.
— Eu sinto o mesmo. É estranho não ter um plano para destruir o mundo ou salvar a cidade. É estranho apenas... ser.
— É — concordou Chuuya. — Mas não é ruim.
— Não — Dazai sorriu, puxando Chuuya para baixo para um beijo calmo. — Não é nada ruim. Especialmente quando eu tenho um ômega que me alimenta tão bem.
— Se você estragar o momento com piadinhas de novo, eu vou te jogar da varanda — Chuuya ameaçou, embora estivesse sorrindo.
Quando a noite chegou, o ritual se repetiu. Chuuya tomou um banho quente, sentindo a pele sensível sob a água. Ele sabia que a pressão estava aumentando novamente; era um ciclo constante que parecia se intensificar com a proximidade de Dazai. Ao sair do banheiro, encontrou Dazai já deitado, esperando por ele com os olhos brilhantes na penumbra do quarto.
Chuuya deitou-se ao lado dele, e antes que pudesse dizer qualquer coisa, Dazai já estava se movendo.
— Deixe-me cuidar disso para você — sussurrou o alfa.
Chuuya apenas assentiu, puxando a coberta sobre os dois. Naquela noite, Dazai foi especialmente cuidadoso. Ele massageou os seios de Chuuya com as palmas das mãos, aquecendo a pele antes de começar a mamar. O som ambiente era apenas o da noite lá fora e o da intimidade entre eles. Chuuya sentia-se flutuar, não pela sua habilidade, mas pelo puro relaxamento de ser cuidado.
Dazai parava ocasionalmente para olhar para Chuuya, garantindo que ele não estava sentindo dor. Ele beijava a ponta do nariz do ruivo, as bochechas, os lábios, antes de retornar ao seu "trabalho". Chuuya, por sua vez, acariciava as costas de Dazai, sentindo as cicatrizes das bandagens que agora eram cada vez menos necessárias. Eles não precisavam mais se esconder do mundo, nem um do outro.
— Pronto — murmurou Dazai algum tempo depois, limpando o rosto no ombro de Chuuya. — Você parece muito mais relaxado agora.
— Eu estou — Chuuya bocejou, sentindo o sono pesado chegar. — Obrigado, Osamu.
Dazai estancou por um momento. Chuuya raramente usava seu nome de batismo, a menos que estivesse sendo extremamente sincero ou vulnerável. O alfa sorriu, um gesto cheio de uma ternura que ele nunca permitira que ninguém visse antes de Chuuya.
— De nada, meu pequeno ruivo.
Dazai se aninhou novamente, mas desta vez não para mamar, e sim para dormir. Ele buscou o peito de Chuuya apenas como um ponto de conforto, a respiração de ambos se sincronizando rapidamente. Naquele pequeno apartamento em Yokohama, dois dos homens mais perigosos que o mundo já conheceu dormiam como crianças, protegidos pelo silêncio, pela rotina e pelo doce fardo de um amor que se manifestava nas formas mais peculiares e profundas.
Chuuya fechou os olhos, sentindo o calor de Dazai contra si. Ele sabia que, enquanto estivessem juntos, a gravidade nunca seria um problema. Eles estavam exatamente onde deveriam estar: um nos braços do outro, saciados e, pela primeira vez em suas vidas, verdadeiramente em paz.