Um pouco diferente
O Transbordar de um Desejo Insaciável
A luz do entardecer em Yokohama entrava pelas frestas das cortinas de veludo, banhando o quarto em tons de âmbar e carmesim. Chuuya estava sentado na poltrona de couro, mas sua postura não era a de um guerreiro pronto para a batalha. Ele estava arqueado para trás, com a cabeça pendida e os olhos semicerrados, soltando suspiros curtos que denunciavam um desconforto crescente.
Sua condição, que antes era uma oscilação hormonal passageira, parecia ter atingido um novo ápice naquela semana. O peito de Chuuya estava visivelmente maior, mais pesado e firme, a pele esticada a ponto de brilhar sob a luz suave. A camisa de linho que ele usava estava aberta, revelando como a gravidade — ironicamente a sua própria habilidade — parecia puni-lo agora, tornando cada movimento um fardo doloroso.
— Chuuya... — A voz de Dazai veio de algum lugar perto de seus pés, arrastada e carregada de uma antecipação quase febril. — Você está cheirando tão doce hoje que eu consigo sentir o gosto do ar daqui.
O ruivo abriu um dos olhos, encontrando Dazai ajoelhado no tapete entre suas pernas. O alfa parecia um predador que acabara de encontrar uma fonte eterna de sustento. Seus olhos castanhos estavam escuros, fixos no volume opressor do peito de Chuuya, que subia e descia com sua respiração pesada.
— Cala a boca, Dazai — resmungou Chuuya, embora sua voz não tivesse força. — Eu sinto que vou explodir. Essa porcaria não para de aumentar. Eu tentei usar as bandagens para comprimir, mas dói demais.
Dazai soltou uma risada baixa, um som que vibrou nas coxas de Chuuya. Ele estendeu as mãos, cujos dedos estavam trêmulos de ansiedade, e envolveu a base do peito do ômega. O contraste entre a palidez das mãos de Dazai e a pele quente e levemente avermelhada de Chuuya era gritante.
— Comprimir? Que desperdício criminoso, Chuuya — disse Dazai, apertando levemente para sentir a resistência do tecido glandular. — Você está tão cheio... parece que cada fibra do seu corpo decidiu se dedicar exclusivamente a me alimentar.
Dazai não esperou por uma resposta. Ele se inclinou para frente, capturando um dos mamilos entre os lábios. O alívio imediato fez Chuuya soltar um gemido alto, suas mãos agarrando os cabelos castanhos de Dazai por puro instinto. O fluxo foi instantâneo e abundante, mas, desta vez, havia algo diferente. Dazai não estava apenas sugando com a calma rítmica de outrora; ele estava faminto, quase desesperado.
— Devagar, porra! — Chuuya exclamou, sentindo a pressão dos dentes de Dazai. — Você está me machucando!
Dazai se afastou por um segundo, os lábios brilhando com o líquido branco e os olhos fixos nos de Chuuya. Havia uma intensidade selvagem ali, algo que transcendia a simples necessidade médica.
— Eu não consigo evitar — confessou Dazai, a voz rouca. — Você está maior, Chuuya. Mais sensível. Eu quero cada gota, mas também quero sentir você. Quero marcar você como o que você é: meu.
Antes que Chuuya pudesse protestar contra a possessividade barata do alfa, Dazai voltou ao ataque. Desta vez, ele não apenas sugou; ele mordeu. Não foi uma mordida para tirar sangue, mas uma pressão firme dos dentes na aréola sensível enquanto ele puxava o leite para fora.
— Ah! — Chuuya arqueou as costas, os dedos enterrando-se no couro da poltrona. — Dazai, seu desgraçado... isso dói... e ao mesmo tempo...
— Ao mesmo tempo é bom, não é? — Dazai murmurou contra a pele úmida, sem soltar o mamilo. — Eu sinto seu coração acelerar. Eu sinto como o seu corpo reage quando eu sou agressivo.
Dazai mudou para o outro lado, que estava ainda mais teso. Ele usou as duas mãos para espremer o peito de Chuuya, direcionando o fluxo com uma força que fazia o ruivo ver estrelas. As mordidas continuaram, pequenas marcas vermelhas começando a pontilhar a pele pálida, contrastando com o branco do leite que escorria pelo abdômen de Chuuya.
— Você está sendo... um animal — ofegou Chuuya, sentindo uma onda de calor percorrer sua espinha. A dor das mordidas misturava-se ao prazer do esvaziamento, criando um curto-circuito em seus sentidos.
— Eu sou o seu animal — corrigiu Dazai, intensificando a sucção. — E você é o meu banquete. Olhe para você, Chuuya. Olhe como você está transbordando para mim.
Chuuya olhou para baixo, a visão nublada. Ele viu Dazai sendo absolutamente dominado por sua própria necessidade, as mãos do alfa apertando sua carne com uma força que deixaria hematomas, a boca ávida nunca perdendo o ritmo. O peito de Chuuya, antes uma fonte de vergonha, agora era o altar onde Dazai prestava seu culto mais sincero.
— Mais... — sussurrou Chuuya, perdendo a batalha contra o próprio orgulho. — Tira tudo, Dazai. Está pesado demais.
Dazai obedeceu com um entusiasmo maníaco. Ele alternava entre longas sucções que faziam Chuuya tremer e mordidas curtas e incisivas que arrancavam gemidos ruidosos do ruivo. O quarto estava impregnado com o cheiro de feromônios — o cedro amargo de Dazai e o aroma doce, quase enjoativo, de baunilha e leite de Chuuya.
Depois de um tempo que pareceu uma eternidade de sensações puras, a pressão finalmente começou a ceder. O peito de Chuuya, embora ainda maior do que o normal, não estava mais como pedra. Dazai, no entanto, não parou. Ele continuou a lamber e morder a pele agora sensível, como se quisesse garantir que nenhuma gota fosse desperdiçada, ou talvez apenas para prolongar o contato.
— Chega... — Chuuya murmurou, a voz fraca de exaustão. — Você já esvaziou tudo, seu parasita.
Dazai se afastou lentamente, limpando o rosto com as costas da mão. Ele olhou para o trabalho que havia feito: o peito de Chuuya estava coberto de marcas de dentes, saliva e restos de leite, uma imagem de completa profanação e cuidado ao mesmo tempo.
— Você está magnífico assim — disse Dazai, subindo no colo de Chuuya e envolvendo o pescoço do ruivo com seus braços longos. — Marcado e saciado.
— Você é um maníaco — Chuuya respondeu, mas encostou a testa no ombro de Dazai, fechando os olhos. — Por que você tem que morder tanto? Minha pele vai ficar horrível amanhã.
— É para você se lembrar de quem cuidou de você — Dazai sussurrou no ouvido dele, a voz suavizando para aquele tom que ele usava apenas quando estavam sozinhos. — Para você se lembrar que, por mais que você controle a gravidade, é o meu desejo que te mantém no chão.
Chuuya soltou um suspiro cansado, mas seus braços envolveram as costas de Dazai, apertando-o contra si. O alfa era um fardo, um irritante e um maníaco, mas era o único que conhecia a extensão de sua vulnerabilidade e a acolhia com uma fome que o fazia se sentir vivo.
— Vamos para a cama — disse Chuuya, tentando se levantar com Dazai ainda pendurado nele. — Eu estou exausto e você provavelmente vai querer mamar de novo daqui a três horas.
— Duas horas — corrigiu Dazai, sorrindo contra o pescoço de Chuuya. — Com esse tamanho todo, você vai produzir mais rápido do que eu consigo beber.
— Nem nos seus sonhos, idiota.
Eles se arrastaram para a cama grande, o movimento agora mais fácil para Chuuya sem o peso opressor em seu peito. Como já era rotina, Dazai se aninhou contra ele, a cabeça descansando exatamente sobre o coração do ruivo.
— Chuuya? — chamou Dazai, já com a voz pesada de sono.
— O que é agora?
— Obrigado por ser tão... farto.
Chuuya sentiu o rosto esquentar novamente, mas apenas puxou o cobertor sobre ambos e começou a acariciar os cabelos de Dazai.
— Durma logo antes que eu mude de ideia e use o "Buraco Negro" em você.
O silêncio caiu sobre o quarto, mas não durou muito. Como Chuuya previra, no meio da noite, ele sentiu o movimento familiar. Dazai, ainda meio adormecido, buscava o mamilo do ruivo por puro instinto, como um filhote buscando conforto na escuridão.
Chuuya não o impediu. Ele apenas se moveu para facilitar o acesso de Dazai, sentindo a sucção preguiçosa e as mordidas leves que o alfa dava enquanto sonhava. Era uma dinâmica estranha, talvez doentia para olhos externos, mas para eles, era a única forma de paz que conheciam.
Naquela noite, Chuuya sonhou com um mar de leite e sombras, onde ele e Dazai flutuavam sem peso, longe da máfia, longe das feridas e longe de tudo que não fosse aquela necessidade mútua e avassaladora. E quando ele acordou brevemente para sentir Dazai mordendo seu peito com uma força renovada, ele apenas sorriu na escuridão, sabendo que, enquanto houvesse aquele desejo, eles nunca estariam sozinhos.