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Um pouco diferente

O Espelho da Inversão

A tarde em Yokohama caía com uma preguiça dourada, filtrando-se pelas janelas amplas do apartamento que Chuuya agora chamava de lar. O silêncio era interrompido apenas pelo som rítmico da respiração de Dazai, que estava, como de costume, ocupado em sua atividade favorita. O alfa estava com o rosto enterrado no peito de Chuuya, as mãos grandes circulando a cintura do ruivo com uma possessividade que já não causava mais estranhamento, apenas um calor familiar.

Chuuya estava recostado no sofá, uma mão perdida nos cabelos castanhos de Dazai, enquanto a outra segurava um livro que ele mal conseguia ler. A sensação da sucção constante e cuidadosa de Dazai enviava ondas de relaxamento por seu corpo, drenando a pressão que se acumulava em seu peito devido à lactação persistente.

— Você está muito quieto hoje, Dazai — comentou Chuuya, sentindo a língua do alfa traçar um círculo lento em sua pele antes de retomar o ritmo.

Dazai se afastou apenas um centímetro, o suficiente para que sua voz saísse abafada contra a pele quente do ômega.

— Estou ocupado apreciando o meu banquete, Chuuya. Falar gasta energia que eu prefiro usar para... degustar.

Chuuya revirou os olhos, mas não conseguiu conter o sorriso de canto. Ele observou o topo da cabeça de Dazai e, por um momento, sua mente divagou. Ele pensou na dinâmica deles, em como tudo havia mudado desde os dias de brigas sangrentas na Máfia do Porto. Agora, havia essa dependência mútua, essa vulnerabilidade compartilhada que se manifestava de forma tão física.

Uma ideia súbita e absurda brotou na mente de Chuuya, fazendo-o soltar uma risadinha baixa.

— Do que você está rindo, meu pequeno ruivo? — perguntou Dazai, soltando o mamilo de Chuuya com um estalo úmido e olhando para cima com curiosidade.

— Estava apenas pensando... — Chuuya inclinou a cabeça, olhando para o peitoral enfaixado de Dazai, que agora estava visível sob a camisa aberta. — E se as coisas fossem invertidas?

Dazai arqueou uma sobrancelha, limpando um rastro de leite do canto da boca com o polegar.

— Invertidas? Você quer dizer, você tentando me morder? Chuuya, eu sempre soube que você tinha tendências caninas, mas...

— Não, seu idiota! — Chuuya o interrompeu, dando um tapa leve na testa do alfa. — Quero dizer... e se fosse você? E se você tivesse essa mesma condição médica? E se o seu corpo reagisse ao estresse produzindo leite como o meu?

Dazai piscou, processando a imagem mental. O silêncio se estendeu por alguns segundos, o que era raro para o homem que sempre tinha uma resposta pronta para tudo.

— Eu? Produzindo leite? — Dazai soltou uma gargalhada genuína, jogando a cabeça para trás. — Chuuya, que imaginação fértil você tem! Acho que o excesso de ocitocina está derretendo o seu cérebro.

— Estou falando sério, Dazai! — Chuuya sentou-se mais ereto, empurrando levemente os ombros do alfa para ter uma visão melhor dele. — Imagine só. Você, o grande Demônio Prodígio, acordando com a camisa molhada, sentindo essa pressão incômoda no peito, precisando de alguém para... bem, você sabe.

Dazai parou de rir, seus olhos castanhos brilhando com uma centelha de malícia que Chuuya conhecia bem. Ele se inclinou para frente, invadindo o espaço pessoal do ruivo com aquela confiança irritante.

— E você, Chuuya? — Dazai perguntou em um sussurro provocante. — O que você faria? Você me ajudaria com a mesma... dedicação que eu tenho por você?

Chuuya sentiu o rosto queimar. Ele tentou desviar o olhar, mas Dazai segurou seu queixo, forçando-o a encarar a pergunta.

— Eu... eu não sei. Seria estranho — admitiu Chuuya, a voz falhando levemente. — Mas eu não deixaria você sofrer com a dor, eu acho. Eu cuidaria de você. Do meu jeito.

Dazai soltou um som baixo, quase um ronronar, e deitou a cabeça novamente no colo de Chuuya, mas desta vez olhando para cima, para o teto.

— Seria uma visão e tanto — disse Dazai, o tom de voz subitamente mais suave. — Eu, vulnerável desse jeito, dependendo de você para me aliviar. Você me segurando contra o peito, reclamando do meu peso, mas sugando cada gota de dor para longe de mim.

Chuuya sentiu seu coração acelerar. A imagem de um Dazai fragilizado, buscando conforto nele da mesma forma que ele buscava em Dazai, era estranhamente poderosa.

— Você deixaria? — perguntou Chuuya, quase num sussurro. — Você deixaria eu fazer isso? Você não tem vergonha de nada, mas... isso é diferente. É uma entrega total.

Dazai fechou os olhos por um momento, parecendo considerar a profundidade da pergunta.

— Chuuya — começou ele, pegando a mão do ruivo e levando-a aos lábios —, eu já entreguei minha vida a você tantas vezes que perdi a conta. Se meu corpo decidisse me trair dessa forma, não haveria outra pessoa no mundo a quem eu confiaria minha dor.

O ruivo sentiu um nó na garganta. Era raro Dazai ser tão direto sem envolver suas palavras em camadas de ironia ou sarcasmo.

— Mas você provavelmente faria piadas o tempo todo — continuou Dazai, recuperando o tom brincalhão. — Diria que eu sou uma "vaca leiteira inútil" ou que o meu leite tem gosto de bandagens e tentativas de suicídio fracassadas.

Chuuya soltou uma risada curta, a tensão se dissipando.

— Com certeza. Eu nunca deixaria você esquecer o quão ridículo você ficaria. Eu te chamaria de "Mãe da Máfia" pelo resto da vida.

— Viu só? — Dazai sorriu, voltando a se aninhar contra o peito de Chuuya. — É por isso que é melhor que você continue sendo o provedor, Chuuya. Você fica muito mais bonito nesse papel do que eu jamais ficaria.

Chuuya suspirou, voltando a acariciar os cabelos de Dazai. Ele sentia o alfa relaxar novamente, o peso de sua cabeça tornando-se mais presente conforme ele se preparava para retomar sua "refeição".

— Mas falando sério, Dazai... — Chuuya murmurou, olhando para a janela onde o sol agora se punha — ...eu acho que eu gostaria. De cuidar de você assim. De sentir que eu sou o único que pode te dar o que você precisa.

Dazai parou seus movimentos por um segundo, um reconhecimento silencioso das palavras de Chuuya. Ele não respondeu verbalmente, mas a forma como ele apertou o abraço em torno da cintura do ruivo foi o suficiente.

— Agora, chega de papo furado — disse Chuuya, tentando recuperar sua postura de durão. — Você ainda tem trabalho a fazer aqui. Meu peito ainda está pesado.

— Seus desejos são ordens, meu pequeno reservatório — Dazai brincou, voltando a se acoplar ao peito de Chuuya com uma fome renovada.

O silêncio voltou a reinar no apartamento, mas era um silêncio diferente. Estava preenchido pela compreensão mútua de que, independentemente de quem estivesse provendo ou recebendo, eles eram os dois lados de uma mesma moeda. A ideia de Dazai na mesma condição de Chuuya não era apenas uma fantasia engraçada; era um lembrete de que a força deles residia na capacidade de serem fracos um com o outro.

Conforme a noite avançava, Dazai parecia entrar em um transe de satisfação. Ele não apenas mamava; ele brincava com a aréola de Chuuya usando os dedos, massageava os tecidos com uma delicadeza que contrastava com sua natureza destrutiva e, ocasionalmente, soltava pequenos sons de aprovação que faziam o coração de Chuuya falhar uma batida.

— Você está quase dormindo, não está? — perguntou Chuuya, sentindo o corpo de Dazai ficar cada vez mais pesado contra o seu.

— É culpa sua... — murmurou Dazai, a voz arrastada. — O seu leite é o melhor sedativo que existe. Eu me sinto... em paz.

Chuuya sentiu uma onda de orgulho. Ele, que sempre se vira como uma arma de destruição em massa, agora era a fonte de paz para o homem mais inquieto do mundo.

— Então durma, Dazai. Eu não vou a lugar nenhum.

Dazai deu um último gole profundo, esvaziando o que restava da pressão, e então simplesmente deixou a cabeça cair no ombro de Chuuya, a boca ainda levemente aberta e úmida. Ele adormeceu instantaneamente, um bebê gigante em um corpo de gênio do crime.

Chuuya ficou ali por um longo tempo, observando o alfa. Ele pensou novamente na inversão de papéis. Imaginou-se segurando Dazai, sentindo o alfa buscar seu conforto da mesma forma. A conclusão era sempre a mesma: não importava a forma, o que importava era o vínculo.

Ele ajeitou Dazai no sofá, puxando uma manta sobre os dois. O ruivo sentia-se leve, não apenas fisicamente, mas emocionalmente. A galactorreia, que antes parecia uma maldição, agora era o fio de seda que os mantinha unidos em uma vida de calma que nenhum deles jamais acreditou ser possível.

— Se você algum dia começar a produzir leite, Dazai — sussurrou Chuuya no ouvido do alfa adormecido —, eu prometo que não vou rir tanto assim. Só um pouquinho.

Dazai, mesmo dormindo, pareceu esboçar um pequeno sorriso, como se estivesse ouvindo a promessa.

A noite em Yokohama continuou seu curso, mas dentro daquele santuário, a única lei que importava era a da entrega mútua. Chuuya fechou os olhos, sentindo o calor de Dazai e a satisfação de ser o porto seguro de alguém. Ele não precisava mais da gravidade para se sentir ancorado; ele tinha tudo o que precisava bem ali, em seus braços, saciado e em paz.