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Um romance entre livros e óculos

Pétalas, Promessas e o Ritmo Perfeito

O dia seguinte ao primeiro beijo no jardim da lanchonete parecia ter sido pintado com cores mais vibrantes. Júlia acordou com a sensação de que o ar do East High estava mais leve, e até as fórmulas de física no seu caderno pareciam dançar em um ritmo mais alegre. No entanto, o nervosismo ainda habitava um cantinho do seu peito. Como seria vê-lo na escola depois de tudo? Eles agora eram um casal? Ou teria sido apenas um momento mágico que ficaria guardado no roteiro de ontem?

Ao chegar ao corredor principal, Júlia ajeitou os óculos e apertou a alça da mochila. Ela viu Igor de longe, perto do bebedouro. Ele usava uma camisa polo azul que destacava seu tom de pele moreno e, como sempre, os óculos estavam levemente inclinados. Quando seus olhos se cruzaram, o sorriso de Igor se abriu de uma forma que Júlia nunca tinha visto antes — não era apenas o sorriso de quem ia contar uma piada, era o sorriso de quem tinha encontrado um tesouro.

Ele caminhou em direção a ela, ignorando os empurrões casuais dos jogadores de basquete que passavam. Quando chegou perto, ele não apenas disse "oi". Ele parou na frente dela, pegou sua mão direita e depositou um beijo cavalheiro nos nós dos seus dedos.

— Bom dia, minha Juli — disse ele, a voz baixa e aveludada, ignorando completamente o burburinho ao redor. — Espero que seu café da manhã tenha sido tão doce quanto o nosso final de tarde ontem.

Júlia sentiu o rosto queimar, mas não desviou o olhar.

— Foi... foi maravilhoso, Igor. Eu quase achei que tinha sonhado.

— Se foi um sonho, eu ainda não acordei — ele piscou, voltando ao seu tom divertido, mas sem soltar a mão dela. — Mas hoje eu tenho um plano. Um plano que envolve zero livros de química e cem por cento de nós dois. Você está livre depois da última aula?

— Para você? Sempre — ela respondeu, sentindo o coração dar piruetas dignas de um número musical da Sharpay.

— Ótimo. Me encontre no auditório às quatro horas. Não se atrase, ou eu vou ter que começar a cantar um solo dramático no meio do palco para te atrair.

A tarde passou como um borrão. Júlia mal conseguia se concentrar nas aulas de história. Sua mente voava para Igor, para o jeito que ele a tratava e para a forma como ele conseguia ser o equilíbrio perfeito entre o nerd inteligente e o príncipe encantado. Quando o sinal finalmente tocou, ela correu para o banheiro, retocou o brilho labial, limpou as lentes dos óculos e respirou fundo, tentando acalmar o ritmo frenético do seu coração.

Ao abrir as portas pesadas do auditório do East High, o silêncio a recebeu. As luzes estavam apagadas, exceto por um único refletor focado no centro do palco. Júlia caminhou lentamente pelo corredor central, seus passos ecoando no chão de madeira. No centro do palco, havia uma mesa pequena coberta com uma toalha de renda branca, e sobre ela, algo que fez seus olhos brilharem: um buquê imenso de rosas vermelhas, tão vibrantes que pareciam irreais sob a luz dourada.

Igor apareceu por trás das cortinas de veludo vermelho. Ele não estava com a mochila; estava usando um colete por cima da camisa e carregava um pequeno rádio antigo.

— Você veio — ele disse, subindo os degraus e pegando o buquê.

Ele desceu do palco e caminhou até ela, estendendo as flores. O perfume das rosas inundou os sentidos de Júlia.

— Igor... são lindas! Eu não sei o que dizer.

— Não diga nada agora — ele pediu, sorrindo com aquela timidez fofa que só ele tinha. — Eu queria que nosso primeiro "encontro oficial" fosse em um lugar que faz parte da nossa história. Onde a gente se esconde para estudar, onde a gente assiste aos ensaios e onde eu percebi, há muito tempo, que não queria estar em nenhum outro lugar se você não estivesse por perto.

Ele colocou o buquê cuidadosamente em uma das poltronas da primeira fila e ligou o rádio. Uma melodia suave, um instrumental de piano romântico e lento, começou a preencher o auditório vazio.

— Júlia — ele começou, dando um passo para mais perto dela, ficando a uma distância onde ela podia ver o reflexo dos seus próprios olhos nas lentes dos óculos dele —, eu sei que eu sou o cara das piadas. Eu sei que eu sou o nerd que tira notas na média e que às vezes se esconde atrás de um comentário engraçado porque tem medo de ser sério demais. Mas com você, eu não quero me esconder.

Júlia sentiu um nó na garganta, de pura felicidade. Ela deu um passo à frente, diminuindo ainda mais o espaço entre eles.

— Você não precisa se esconder, Igor. Eu amo o cara das piadas, mas eu amo ainda mais o cara que está aqui agora, sendo sincero comigo.

Igor sorriu e, com uma delicadeza extrema, colocou as mãos na cintura de Júlia. O toque foi firme, mas carregado de um carinho profundo. Ele a puxou para mais perto, fazendo com que seus corpos se ajustassem perfeitamente. Júlia, instintivamente, descansou as mãos nos ombros dele, sentindo o tecido da camisa e a firmeza dos seus braços.

— Eu quero ser seu príncipe, Juli — ele sussurrou, aproximando o rosto do dela. — Não um príncipe de um livro antigo, mas o seu príncipe aqui no East High. Aquele que vai te levar para comer torta de maçã, que vai te defender dos valentões e que vai te olhar todos os dias como se você fosse a pessoa mais inteligente e incrível do universo. Porque, para mim, você é.

— Eu já sou sua princesa, Igor — ela respondeu, a voz quase sumindo. — Desde o momento em que você me fez rir naquela aula de biologia, eu soube que ninguém mais teria o meu coração.

Eles começaram a se balançar lentamente no ritmo da música. Era um baile particular, sob a luz de um único refletor, no palco onde tantos sonhos eram encenados, mas o que eles viviam era a mais pura realidade. Igor deslizou uma das mãos da cintura para as costas dela, segurando-a com mais segurança, enquanto a outra mão subiu para acariciar o rosto de Júlia, tirando uma mecha de cabelo moreno que caía sobre seus óculos.

— Posso te beijar de novo? — ele perguntou, os olhos brilhando de expectativa. — Prometo que desta vez não vamos bater os óculos.

Júlia soltou uma risadinha doce.

— Pode tentar, senhor cavaleiro.

Igor inclinou a cabeça para o lado oposto ao dela, com um cuidado milimétrico. Quando seus lábios se tocaram, o tempo pareceu parar. Não foi apenas um beijo; foi uma declaração silenciosa. Foi um beijo profundo, ultra-romântico, onde o mundo exterior — com suas provas, dramas de escola e expectativas — deixou de existir. Júlia sentiu-se flutuar enquanto as mãos de Igor a seguravam pela cintura, puxando-a para mais perto, como se ele quisesse guardar aquele momento para sempre dentro de si.

O beijo era doce, com gosto de promessas e de um futuro que eles escreveriam juntos. Júlia sentia o calor do corpo dele, o perfume suave que ele usava e a batida acelerada do coração dele contra o seu peito. Era fofo, era intenso e era exatamente como ela havia imaginado em seus contos de fada mais secretos.

Quando eles finalmente se separaram, apenas o suficiente para respirar, Igor manteve a testa encostada na dela. Seus óculos estavam levemente embaçados pelo calor do momento, o que fez os dois rirem baixinho.

— Viu? — Igor brincou, a voz rouca. — Técnica perfeita. Sem colisões de armações.

— Nota dez para o seu desempenho, Igor — Júlia respondeu, acariciando a nuca dele.

— Sabe, Juli... minha mãe já está planejando o próximo jantar lá em casa. Ela disse que se eu não te pedisse em namoro logo, ela mesma faria o pedido por mim, porque não quer perder a nora inteligente dela.

Júlia riu, sentindo uma onda de calor e pertencimento.

— E o que você disse para a Vanessa?

Igor se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dela com toda a seriedade e amor que possuía. Ele se ajoelhou no chão de madeira do auditório, ainda segurando uma das mãos dela.

— Eu disse a ela que eu faria do meu jeito. Júlia, você quer ser minha namorada? Quer ser a pessoa que vai me ajudar nos estudos, mas que também vai ser a dona de todos os meus pensamentos e de todas as minhas melhores piadas?

Lágrimas de alegria brilharam nos olhos de Júlia. Ela não precisou de roteiro, nem de ensaio.

— Sim, Igor! Mil vezes sim!

Ele se levantou rapidamente e a girou no ar, o que fez Júlia soltar um grito de surpresa e alegria que ecoou por todo o auditório vazio. Quando ele a colocou no chão, ele a abraçou apertado, escondendo o rosto no pescoço dela.

— Eu vou te fazer a garota mais feliz do East High — ele prometeu.

— Você já faz, Igor. Você já faz.

Eles ficaram ali por mais algum tempo, dançando sem música, apenas aproveitando a presença um do outro. Depois, Igor pegou o buquê de rosas e entregou a ela novamente.

— Agora, vamos. Eu prometi para a Vanessa que te levaria para casa em segurança, mas antes, eu conheço um lugar que vende o melhor chocolate quente da cidade. E eu quero que todo mundo veja que eu estou com a garota mais incrível da escola.

Eles saíram do auditório de mãos dadas, as rosas vermelhas nos braços de Júlia contrastando lindamente com seu sorriso radiante. O corredor, que antes parecia um labirinto de armários e pressões, agora era apenas o caminho para o início de sua grande aventura.

Enquanto caminhavam em direção ao estacionamento, Igor parou por um segundo, ajeitou os óculos dela e depois os dele.

— Ei, Juli? — ele chamou.

— Sim, Igor?

— Acho que o nosso "felizes para sempre" começou hoje. E quer saber? É muito melhor do que qualquer filme da Disney.

Júlia sorriu, encostou a cabeça no ombro dele e suspirou, sabendo que, com Igor ao seu lado, cada dia no East High seria uma música nova, e cada nota seria perfeita. Eles entraram no carro, onde Vanessa os esperava com um olhar de "eu já sabia", e partiram para o primeiro de muitos encontros fofos que a vida ainda lhes reservava. O roteiro deles estava apenas começando, e era o mais bonito de todos.