Uma diplomata no mundo sobrenatural
O Despertar da Lua de Prata
O inverno suíço havia atingido seu ápice, cobrindo as montanhas com um manto branco impiedoso, mas dentro da nova residência de Hades e Malu — uma mansão minimalista e tecnológica incrustada nos Alpes — o clima era de fogo puro. Fazia meses que haviam se mudado, após Hades insistir que sua companheira precisava de um santuário próprio, longe da agitação diplomática da capital e da vigilância constante de seu pai.
Malu estava no auge. Sua carreira como diplomata decolara após ela mediar um conflito territorial complexo usando sua intuição de fada e a firmeza de uma loba. Hades, por sua vez, consolidara a economia europeia sob seu punho de ferro, mas agora, ambos enfrentavam um desafio que nenhum tratado ou fusão poderia resolver: a Lua da Fertilidade.
Para uma híbrida de fada e ômega, essa lua não era apenas um ciclo; era um chamado biológico devastador. Malu sentiu o primeiro impacto na manhã de terça-feira. O ar parecia faltar, e sua pele queimava com uma sensibilidade que tornava o toque do tecido de sua blusa de seda insuportável.
— Hades… — ela sussurrou, entrando no escritório dele. O cheiro dele, uma mistura inebriante de sândalo, poder e lobo, a atingiu como uma droga.
Hades levantou os olhos dos relatórios. No momento em que viu as pupilas de Malu dilatadas, ocupando quase toda a íris castanha, e o brilho violeta pulsando em suas veias, ele soube. Seu próprio lobo rosnou nas profundezas de seu peito, uma resposta imediata e primitiva.
— A Lua da Fertilidade — constatou ele, a voz descendo várias oitavas. Ele se levantou, a imponência de seus quase dois metros de altura preenchendo o quarto. — Você está atrasada alguns dias, meu pequeno milagre.
— Eu não consigo… eu preciso de você — disse Malu, tropeçando em direção a ele. — Agora.
Hades a interceptou antes que ela caísse, prendendo-a contra a porta fechada. O toque das mãos grandes dele na cintura dela fez Malu soltar um gemido agudo, metade uivo, metade súplica.
— Pelos próximos dois dias, o mundo lá fora deixa de existir — declarou Hades, as mãos descendo para as coxas dela, levantando-a para que ela enlaçasse a cintura dele.
O que se seguiu foi uma maratona de sentidos. Malu descobriu que, sob a influência daquela lua, o vínculo de companheirismo não era apenas uma conexão de almas, mas uma fusão física total. Seus corpos pareciam magnetizados. Hades a carregou para o quarto vasto, onde a luz da lua entrava pelas claraboias.
Ali, Malu conheceu a verdadeira natureza de seu Alfa Supremo. Quando ele se despiu, a aura de poder que ele emanava era quase visível. A anatomia de um Alfa Supremo era diferente, feita para a resistência e para marcar a fêmea de forma permanente.
— Eu vou te machucar? — ela perguntou, a voz trêmula, enquanto ele a deitava nos lençóis de linho.
— Nunca — prometeu Hades, a voz rouca. — Mas eu vou te preencher de uma forma que você nunca imaginou ser possível.
O sexo foi selvagem e, ao mesmo tempo, carregado de uma ternura desesperada. Hades a possuía com uma urgência que refletia séculos de espera, enquanto Malu, em seus momentos de lucidez de fada, conjurava luzes prateadas que flutuavam pelo quarto, reagindo ao prazer deles. A cada estocada profunda, a marca no pescoço de Malu brilhava, selando o vínculo. Ela sentia cada terminação nervosa dele, cada pulso de desejo, como se fossem um único organismo.
Durante aqueles dois dias, eles mal comeram ou dormiram. A necessidade da carne era absoluta. Malu descobriu que, no ápice do acasalamento, o nó de Hades — a característica biológica dos lobos alfas — era maior e mais intenso, prendendo-os um ao outro em um abraço interno que forçava a aceitação total da semente dele. Era um momento de vulnerabilidade e poder extremo.
No final do segundo dia, exaustos e suados, Hades a envolveu em seus braços.
— Case-se comigo — ele disse, não como uma ordem, mas como uma prece. — Não apenas pelo vínculo, mas porque eu não sei mais onde eu termino e você começa.
Malu sorriu, beijando o peito dele.
— Eu já sou sua, Hades. Em todos os mundos.
Três meses se passaram. A vida voltara ao ritmo frenético. Malu estava em uma reunião importante na ONU, em Genebra, quando o primeiro mal-estar a atingiu. Uma tontura súbita fez o chão oscilar, e o cheiro do café na mesa pareceu o odor mais repugnante do planeta.
Nas semanas seguintes, ela tentou esconder. A fadiga era constante, e seus seios, normalmente firmes, estavam inchados e doloridos ao menor toque. Ela atribuía tudo ao estresse, até que, certa manhã, ao se vestir, notou pequenas manchas úmidas no sutiã.
— Não pode ser — sussurrou ela diante do espelho, tocando a pele sensível. O leite de fada, conhecido por suas propriedades mágicas e nutritivas, estava começando a descer muito antes do tempo humano.
Ela escondeu a situação com blusas largas e uma barreira mental, temendo que a notícia pudesse desequilibrar a paz que haviam conquistado. Mas nada escapava aos sentidos de um Alfa Supremo.
Naquela noite, Hades chegou em casa e encontrou Malu lendo na biblioteca. Ele não disse nada de imediato. Apenas caminhou até ela, seu olhar fixo e intenso.
— Malu, olhe para mim — pediu ele.
— Estou ocupada com este relatório, Hades — ela tentou, mas sua voz falhou.
Ele se aproximou, inclinando-se sobre ela. O nariz dele roçou a curva do pescoço dela, inspirando profundamente. O cheiro de flores silvestres e neve agora tinha uma nota nova: o cheiro doce e primordial de leite e vida nova.
Hades travou. Seus olhos brilharam em um dourado incandescente. Sem dizer uma palavra, ele deslizou a mão por baixo da blusa dela, espalmando-a sobre o ventre ainda plano, mas que vibrava com uma energia mágica poderosa.
— Por que você não me contou? — perguntou ele, a voz embargada por uma emoção que ele raramente demonstrava.
Malu cobriu a mão dele com a sua.
— Eu tive medo. Não sabia se era real ou se minha parte fada estava apenas… reagindo.
— É real — afirmou Hades, ajoelhando-se entre as pernas dela e encostando a testa em sua barriga. — Eu posso sentir o coração dele. É forte. Um pequeno Alfa, ou talvez uma princesa fada.
— Ou os dois — Malu riu, as lágrimas finalmente caindo.
A reação da família Watfield foi um evento à parte. Quando anunciaram no jantar de domingo na mansão do Chanceler, a mãe de Hades quase desmaiou de alegria.
— Um neto híbrido! — exclamou o Chanceler, abrindo uma garrafa de vinho centenário. — O primeiro em cinco gerações. A linhagem está segura e mais forte do que nunca.
Os irmãos de Hades, sempre brincalhões, começaram a apostar se o bebê teria asas ou presas primeiro, enquanto as esposas cercavam Malu com conselhos e carinho.
Mas, mais tarde, quando voltaram para sua casa nas montanhas, a realidade da nova vida se estabeleceu. Hades a levou para a varanda, observando as estrelas.
— O mundo vai querer uma parte deles, Malu — disse ele, referindo-se aos filhos que viriam. — Por serem o que são.
Malu encostou a cabeça no ombro do marido, sentindo a força inabalável dele.
— Deixe que tentem. Eles têm o Alfa Supremo como pai e uma fada diplomata como mãe. Acho que estamos bem protegidos.
Hades a puxou para um beijo lento, selando a promessa. O futuro era incerto, cheio de desafios políticos e sobrenaturais, mas ali, no silêncio dos Alpes, o destino que começara com um encontro forçado em um dormitório universitário havia se transformado em uma dinastia de amor, poder e sangue de prata.