Uma diplomata no mundo sobrenatural
O Despertar da Lua de Sangue e Prata
O ar nos picos mais altos dos Alpes Suíços não era apenas frio; ele vibrava. Desde a transformação de Malu na abadia, a natureza ao redor da mansão Watfield parecia ter reconhecido sua nova soberana. As flores de inverno desabrochavam fora de época e o vento sussurrava segredos que apenas os ouvidos de uma fada-loba poderiam decifrar. Mas, naquela noite específica, a atmosfera estava diferente. O céu não era azul profundo, mas tingido por um matiz avermelhado e prateado. Era a Lua da Fertilidade, a primeira desde que Valerius nascera e desde que Malu aceitara plenamente sua coroa de luz e garras.
Malu estava parada na varanda do quarto principal, vestindo apenas um robe de seda branca que deslizava por sua pele como água. Ela sentia o formigamento nas escápulas, o lugar onde suas asas agora residiam em um estado de prontidão constante. Seu sangue parecia mel fervente, correndo pelas veias com uma urgência que fazia seus sentidos dobrarem de intensidade. Ela podia ouvir o bater do coração de Hades no escritório, dois andares abaixo, um ritmo forte e possessivo que chamava pelo dela.
— Você está chamando a lua, ou a lua está chamando você? — A voz de Hades surgiu das sombras do quarto, carregada de uma rouquidão que fez os pelos dos braços de Malu se arrepiarem.
Ela se virou lentamente. Hades estava parado no batente da porta da varanda, as sombras acentuando os ângulos duros de seu rosto e a largura de seus ombros. Ele havia dispensado a camisa, e as marcas de Alfa em seu peito brilhavam com um fulgor dourado, reagindo à presença dela.
— Eu sinto a terra pulsar, Hades — disse Malu, sua voz soando mais melódica, com aquele eco ancestral que a transformação trouxera. — É como se cada fibra do meu ser estivesse sendo puxada em sua direção.
Hades caminhou até ela, seus movimentos eram puramente predatórios. Ele parou a poucos centímetros, e o calor que emanava de seu corpo era quase insuportável, mas deliciosamente convidativo.
— É a Lua da Fertilidade, Malu. Para os lobos, é instinto. Para as fadas, é criação. E para nós dois... — Ele estendeu a mão, tocando a marca de predestinados no pulso dela. — É a consumação de tudo o que nos tornamos.
Malu inclinou a cabeça para trás, expondo a curva do pescoço.
— Eu nunca me senti assim — confessou ela, a respiração curta. — Nem mesmo na primeira vez. É como se a minha loba e a minha fada estivessem em guerra para ver quem chega primeiro até você.
Hades soltou um rosnado baixo, um som que vibrou diretamente no peito de Malu.
— Não deixe que elas lutem — sussurrou ele, aproximando os lábios da orelha dela. — Deixe que ambas me tomem.
Ele a puxou para um beijo que não tinha nada de diplomático ou contido. Era uma explosão de necessidade acumulada. Malu envolveu o pescoço dele com os braços, e no momento em que suas peles se tocaram sem barreiras, uma onda de choque prateada emanou deles, fazendo as luzes da mansão oscilarem. As asas de Malu se manifestaram involuntariamente, explodindo em luz violeta e prata, envolvendo os dois em um casulo de energia etérea.
Hades a pegou no colo com facilidade, levando-a para a imensa cama de dossel. Ele a deitou sobre os lençóis de linho negro, e o contraste de sua pele brilhante contra o tecido escuro era uma visão que fez o Alfa Supremo perder qualquer vestígio de controle humano.
— Você é magnífica — disse Hades, as mãos percorrendo as curvas dela com uma adoração quase religiosa. — Minha Rainha. Minha Loba.
— E você é meu — retrucou Malu, puxando-o para baixo. — Somente meu.
O encontro deles naquela noite não foi apenas físico; foi uma colisão de reinos. Quando Hades a penetrou, Malu soltou um grito que não era de dor, mas de triunfo. Faíscas de magia violeta saltavam de seus dedos, entrelaçando-se com a aura dourada de Hades. O vínculo de companheiros, agora fortalecido pela transformação total de Malu, agia como um condutor, permitindo que eles sentissem cada pensamento, cada onda de prazer e cada instinto protetor um do outro.
— Sinta isso, Malu — rosnou Hades, o ritmo de seus quadris tornando-se mais frenético, impulsionado pelo chamado da lua. — Sinta o poder que estamos criando.
— Eu sinto tudo — arquejou ela, suas asas batendo suavemente, criando uma brisa de ozônio e flores silvestres no quarto. — Eu sinto a vida... a possibilidade...
A magia de Malu começou a agir de forma independente, cobrindo o corpo de ambos com uma fina camada de poeira estelar. Hades, sentindo a conexão profunda, deixou que seu lobo assumisse o comando parcial, seus olhos brilhando em ouro puro enquanto ele marcava o pescoço dela com mordidas superficiais, selando sua posse repetidamente. Era uma dança de poder onde ninguém era submisso, mas ambos se rendiam à força da natureza que os unira.
O ápice veio como uma supernova. No momento da liberação, a magia de Malu explodiu em uma cúpula de luz que pôde ser vista a quilômetros da mansão, um farol de prata e violeta que iluminou os picos nevados. Hades rugiu, um som que ecoou pelas montanhas, declarando ao mundo que sua linhagem estava mais forte do que nunca.
Eles ficaram deitados, abraçados, enquanto a luz diminuía lentamente e o suor esfriava em seus corpos. As asas de Malu recuaram, deixando apenas o brilho residual em sua pele.
— Isso foi... — Malu começou, mas as palavras lhe faltaram.
— Foi o início de algo maior — completou Hades, beijando a testa dela. Ele a puxou para mais perto, protegendo-a com seu corpo massivo. — O médico disse que o Valerius precisaria de alguém para crescer ao seu lado. Acho que a lua concordou conosco esta noite.
Malu sorriu, sentindo uma paz profunda e uma plenitude que nunca imaginara. Ela olhou para a marca no seu pulso, que agora brilhava com uma cor nova, uma mistura perfeita de ouro e prata.
— Se for uma menina — murmurou Malu, já sentindo o sono da exaustão mágica chegar —, ela vai ter o seu temperamento, Hades. E as minhas asas. O mundo não está pronto para isso.
Hades soltou uma risada curta e satisfeita, fechando os olhos enquanto o cheiro de sua companheira o envolvia.
— O mundo que aprenda a se ajustar — disse ele. — Porque nós não vamos a lugar nenhum.
Enquanto a Lua da Fertilidade começava a se pôr atrás dos Alpes, o silêncio retornou à mansão Watfield. Mas era um silêncio diferente — um silêncio grávido de promessas, de magia e de uma dinastia que, fortalecida pelo sangue e pela luz, estava apenas começando a mostrar seu verdadeiro poder. Malu dormiu nos braços de seu Alfa, sabendo que não era mais apenas uma diplomata ou uma híbrida perdida; ela era a âncora de um novo mundo, e a aurora que surgia no horizonte nunca fora tão brilhante.