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Uma fada que ficou obcecado por uma humana

O Eco da Cabaça

A chuva começou antes do amanhecer, um tamborilar suave e persistente no telhado de colmo que se infiltrou nos seus sonhos. Acordou não com um sobressalto, mas com uma sensação de inevitabilidade, como se o céu estivesse a responder a uma chamada que ela fizera. Ao seu lado, na pequena mesa de cabeceira, repousava a cabaça. Na luz cinzenta e aquosa que se filtrava pela janela, o seu tom ocre parecia mais profundo, a pena de gaio-azul um traço de cobalto contra a penumbra. Era um objeto de poder silencioso, um nó de intenção e esperança.

Deslizou os dedos pela sua superfície lisa, sentindo o entalhe do remoinho sob a polpa do seu polegar. O seu peso era quase nulo, mas parecia ancorá-la ao momento. O dia anterior fora um prelúdio; hoje era o ato principal. O nervosismo, um zumbido familiar sob a sua pele, estava lá, mas era diferente. Não era o medo de ser vista ou julgada, mas a ansiedade de um diplomata a caminho de uma negociação crucial, sem saber a língua ou os costumes do outro lado.

Vestiu-se em silêncio, escolhendo as suas roupas mais resistentes e um capuz pesado para a proteger da chuva. Na sua cintura, atou a bolsa de couro. O peso da pedra de fada contra a sua anca era um contraponto sólido à leveza da cabaça que segurava na mão. Um tesouro recebido, um tesouro para dar. A simetria do ato acalmava-a.

Na cozinha, o calor do fogo era um abraço. A sua mãe olhou para ela por cima da sua caneca de chá de ervas, os seus olhos perspicazes a registar o capuz, as botas e a determinação silenciosa no seu rosto.

— Vais sair com esta chuva, minha filha? A floresta pode ser traiçoeira quando o chão está escorregadio.

— Vou ter cuidado, mãe. — A sua voz era mais firme do que se sentia. — Há… há umas ervas medicinais que só crescem depois de uma boa chuvada. Pensei em apanhá-las para a Sra. Gable. A sua tosse piorou.

A mentira, embora nascida da necessidade de proteger o seu segredo, deixou um gosto amargo na sua boca. Mas como poderia ela explicar? "Vou encontrar-me com um duende travesso para lhe dar um chocalho que fiz para ele, em troca da sua ajuda contra um monstro de lama." A sua mãe pensaria que a febre a tinha apanhado.

O seu pai, que entrava vindo do celeiro, a sacudir a chuva do seu casaco, parou e olhou para ela. Ele não disse nada, mas o seu olhar era profundo. Ele vira mais do mundo do que qualquer outra pessoa na aldeia, e por vezes ela sentia que ele via mais nela também. Ele apenas acenou com a cabeça, um gesto de confiança que valia mais do que mil palavras de encorajamento.

— Leva um pouco de queijo e pão — disse a mãe, já a embrulhar a comida num pano de linho. — E não te demores.

Ela aceitou o embrulho, deu um beijo rápido na bochecha de cada um dos seus pais e saiu para o mundo cinzento e molhado. A chuva não era uma tempestade violenta, mas uma cortina constante de água fina que encharcava tudo com uma persistência gentil. O ar cheirava a terra sedenta a beber, a folhas em decomposição a libertar os seus últimos perfumes e a ozono. Era o cheiro da vida, da morte e da renovação, tudo de uma vez. Era o cheiro da floresta.

O caminho, normalmente uma trilha de terra batida, transformara-se num riacho lamacento. Cada passo era um som húmido e pesado. O mundo parecia silenciado, os sons dos pássaros e dos insetos abafados pela cortina de água. Apenas o som da chuva nas folhas e no seu capuz a acompanhava.

Enquanto caminhava, a sua timidez tentou reafirmar-se, sussurrando dúvidas na sua mente. E se ele não aparecesse? E se ele aparecesse e odiasse o presente? E se ele o visse como um insulto, como as roupas que os fazendeiros ofereciam aos Pixies trabalhadores? A lógica feérica era um labirinto, e ela estava a entrar nele de olhos vendados.

Instintivamente, a sua mão foi para a pedra na sua cintura. Tirou-a da bolsa. A chuva fazia-a brilhar como se estivesse polida. Recordando um conto antigo, ela levantou a pedra e espreitou através do buraco.

O mundo transformou-se. A chuva não eram mais gotas individuais, mas fios de prata líquida que teciam o céu e a terra. As árvores não eram apenas madeira e folhas, mas colunas de energia escura e pulsante, as suas raízes a brilhar sob o solo como veias de ouro. O musgo nos troncos brilhava com uma luz verde fosforescente. Ela conseguia ver o fluxo da vida na floresta, uma teia de luz e sombra que era invisível ao olho nu. O choque da visão fê-la baixar a pedra, o coração a bater descontroladamente. O mundo voltou ao normal, cinzento e encharcado, mas o conhecimento do que estava por baixo permaneceu. A pedra não era apenas sorte. Era uma lente.

Com uma nova resolução, ela continuou, o seu passo mais seguro. Já não se sentia como uma intrusa. Sentia-se como alguém que tinha recebido uma chave, mesmo que ainda não soubesse que portas ela abria.

A clareira das amoras estava transformada pela chuva. As folhas caídas eram uma pasta escura no chão, e as amoreiras vergavam sob o peso da água, as suas folhas a brilhar como vidro verde. O ar estava pesado, imóvel. Estava vazia.

Ela ficou no centro da clareira, a chuva a escorrer-lhe pelo rosto. Não havia sinal de Skitter. Nenhum vislumbre de movimento, nenhum som para além da chuva. O silêncio era profundo, expectante.

Respirou fundo, o ar frio a encher-lhe os pulmões. Gritar o seu nome secreto estava fora de questão. Isso seria uma presunção, uma violação da sua confiança. Tinha de ser um convite, não uma ordem.

Olhou para a cabaça na sua mão. Era para isto que ela servia. Não era apenas um presente, era uma chamada.

Levantou-a, a mão a tremer ligeiramente. Fechou os olhos e abanou-a uma vez.

*Shk-shk-tzzzzt.*

O som cortou o silêncio da chuva. Era nítido, seco e estranhamente orgânico. Parecia pertencer àquele lugar. Abriu os olhos e esperou, o seu corpo tenso.

Nada. Apenas o gotejar constante da água.

O seu coração afundou-se um pouco. Talvez a sua lógica estivesse errada. Talvez ele não viesse. Tentou de novo, desta vez com um ritmo mais complexo, uma série de abanões curtos e rápidos, imitando a energia nervosa de Skitter.

*Shk-tzt-shk-shk-tzzzzt!*

Desta vez, houve uma resposta. Vinda das profundezas da floresta, muito ténue, ela ouviu um eco. Um estalido de língua, seguido por um som de assobio. Era ele. Estava perto.

Um sorriso aliviado espalhou-se pelo seu rosto. Olhou em volta, tentando perscrutar a escuridão entre as árvores, mas não viu nada.

*Plaf.*

Algo pequeno e molhado atingiu-a na testa. Ela recuou, assustada, limpando o que quer que fosse. Era um bocado de musgo encharcado. Olhou para cima.

Ele estava lá. Pendurado de cabeça para baixo num ramo baixo, diretamente acima dela, agarrado com os seus dedos longos e finos. A chuva escorria pelo seu corpo magro, fazendo a sua pele verde-oliva brilhar. O seu capuz natural de vagem parecia um funil, direcionando um pequeno fio de água que pingava da sua ponta diretamente para o chão. Os seus olhos dourados, enormes e luminosos na penumbra, estavam fixos nela. O seu sorriso rasgado parecia ainda maior do que da última vez.

Ela susteve a respiração, o coração a saltar-lhe no peito. Ele aparecera como um pensamento, silencioso e súbito.

— Olá — sussurrou ela.

Ele não respondeu com palavras. Em vez disso, soltou-se do ramo, caindo os últimos metros e aterrando à sua frente numa posição agachada, com um baque surdo na lama. A água espirrou, mas ele não pareceu notar. Inclinou a cabeça, o seu olhar a descer da face dela para a cabaça que ela segurava.

Chegara o momento. Com o coração a martelar contra as costelas, ela estendeu a mão lentamente, a palma para cima, oferecendo o chocalho. Não disse nada. As palavras seriam inúteis, talvez até um insulto. O presente tinha de falar por si.

Skitter não se moveu. Os seus olhos de predador noturno examinaram o objeto. Ele viu a cabaça seca, o cabo de bétula, o cordel de couro, a pena azul a pingar água. O seu nariz minúsculo contraiu-se, talvez a cheirar a madeira, as sementes, a sua própria mão humana. Ele circulou-a lentamente, como um animal selvagem a aproximar-se de uma armadilha, o seu corpo tenso, pronto a fugir ao mais pequeno movimento suspeito.

Ela permaneceu imóvel, a sua paciência uma âncora no mar da sua ansiedade. A sua mão começou a ficar dormente, mas ela não a baixou. Esperou.

Ele parou à sua frente novamente. Estendeu um dedo longo e ossudo e, com uma delicadeza surpreendente, tocou na pena de gaio-azul. Depois, cutucou a própria cabaça. O som oco ressoou suavemente. Ele olhou para ela, os seus olhos a questionar.

Com um movimento quase impercetível, ela abanou o pulso.

*Shk-tzzzzt.*

Os olhos dele arregalaram-se ligeiramente. O som. Ele reconheceu o som. Ou talvez reconhecesse o potencial do som.

Num piscar de olhos, ele arrebatou o chocalho da sua mão. A sua velocidade era estonteante. Num momento, o presente estava na sua mão; no seguinte, estava na dele. Ele não fugiu para longe. Saltou para cima de um tronco caído coberto de musgo, a poucos metros de distância, e examinou o seu novo tesouro.

Virou-o e revirou-o, observando-o de todos os ângulos. Cheirou-o. Lambeu-o com a sua língua longa e rosada, testando o seu sabor. Ela sentiu um misto de fascínio e apreensão. Depois, ele abanou-o.

Primeiro, suavemente. O som sussurrante das sementes. Ele inclinou a cabeça, a ouvir. Depois, mais forte. O estalido das pedras juntou-se ao coro. Um ritmo mais definido. O seu corpo começou a mover-se com o som, um balanço subtil dos ombros, um bater de pé no tronco musgoso.

Então, ele explodiu em movimento.

Foi como se o som o tivesse libertado. Ele saltou do tronco para o chão, abanando o chocalho num ritmo frenético e caótico. A chuva intensificou-se, e ele pareceu regozijar-se com isso, levantando o rosto para o céu enquanto dançava. A sua dança não era como nenhuma dança humana. Era uma série de saltos, piruetas e contorções que desafiavam a gravidade. Ele corria em círculos, saltava sobre os arbustos, rolava na lama, sempre a abanar o chocalho, o som a tornar-se a banda sonora da sua alegria selvagem.

Ele subiu a uma árvore com a agilidade de um esquilo, o som do chocalho a ecoar de cima. Atirou-o ao ar, a pena azul um borrão de cor contra o céu cinzento, e apanhou-o com um estalido antes que caísse. Ele não estava apenas a tocar um instrumento. O instrumento tornara-se uma extensão do seu corpo, da sua energia, da sua própria essência.

Ela ficou a observar, encharcada e esquecida, um sorriso a espalhar-se pelo seu rosto. Não sentiu desapontamento por ele não ter tido um momento de gratidão silenciosa. Isto era melhor. Isto era aceitação na sua forma mais pura e honesta. Ele não estava a agradecer-lhe; estava a mostrar-lhe o que ela lhe tinha dado. Dera-lhe uma nova voz para a sua loucura, um novo ritmo para a sua dança.

A dança durou o que pareceram minutos, ou talvez uma hora. O tempo na floresta, especialmente na companhia de um Pixie, era uma coisa fluida. Finalmente, tão subitamente como começou, parou. Skitter aterrou à sua frente, a respiração a sair em pequenas nuvens de vapor no ar frio. Ele estava coberto de lama e folhas molhadas, mas os seus olhos brilhavam com uma energia vibrante.

Ele segurou o chocalho, agora silencioso. Olhou para ele, depois para ela. E então fez algo inesperado. Estendeu-lhe o chocalho de volta.

Ela piscou, confusa. Ele estava a devolvê-lo? Hesitante, ela estendeu a mão para o pegar. Assim que os seus dedos estavam prestes a tocar-lhe, ele puxou-o de volta com um chilreio travesso e um sorriso rasgado.

Um jogo. Ele queria jogar.

Ele deu um salto para trás, para a orla da floresta, e olhou para ela por cima do ombro, abanando o chocalho uma vez, suavemente. Uma chamada. Depois, mergulhou na escuridão das árvores.

O seu coração deu um salto. Era um convite. Ele estava a convidá-la para o seu domínio. As advertências da sua avó sobre ser "levado por pixies", guiado para pântanos e perdição, ecoaram na sua mente. Mas ao olhar para a escuridão, não sentiu medo. Sentiu confiança. O toque no seu joelho, a pedra de fada, o presente aceite — tudo isso eram elos numa corrente de confiança mútua, por mais estranha que fosse.

— Espera! — chamou ela, a sua voz mais forte do que pretendia, e mergulhou na floresta atrás dele.

O mundo sob as árvores era um labirinto de sombras e chuva. Ela conseguia ouvi-lo à sua frente, o som intermitente do chocalho a guiá-la. Ele não ia demasiado depressa, mantendo-se sempre a uma distância visível, um vislumbre de movimento, um som. Era um jogo de segue-o-líder através de um mundo que se estava a tornar cada vez mais estranho.

Ele guiou-a por caminhos que não eram caminhos, sobre riachos que borbulhavam com uma água escura e por entre árvores tão antigas que os seus ramos se entrelaçavam no alto, formando uma catedral de madeira viva. O ar tornou-se mais denso, mais antigo. Ele estava a mostrar-lhe o seu lar.

A certa altura, ele parou junto a um anel de cogumelos de um branco fantasmagórico. Um anel de fadas. Ele abanou o chocalho na sua direção, depois apontou com ele para os cogumelos, um aviso claro. Ela contornou o anel cuidadosamente, o seu coração a bater com o reconhecimento do perigo evitado. Ele estava a testá-la, mas também a protegê-la.

Ele guiou-a mais fundo, para um lugar que ela nunca vira. Era uma pequena clareira, dominada por uma enorme pedra coberta de musgo, com a forma de um animal adormecido. A chuva caía mais suavemente aqui, abafada pelas árvores circundantes. Skitter saltou para o topo da pedra e sentou-se de pernas cruzadas, o chocalho a repousar no seu colo. Ele observou-a enquanto ela se aproximava, encharcada e sem fôlego.

Ela parou em frente à pedra, olhando para ele. A perseguição terminara. O que viria a seguir?

Ele pegou no chocalho e bateu com ele suavemente na pedra. *Toc, toc.* Depois, olhou para a bolsa na cintura dela. *Toc, toc.*

Ela compreendeu. Tirou a pedra de fada. Estava quente ao toque, apesar do frio da chuva. Skitter observou-a, os seus olhos dourados a brilhar. Ele bateu com o chocalho na pedra novamente. *Toc.*

Hesitante, ela subiu para a grande rocha, o musgo escorregadio sob as suas botas. Sentou-se a uma distância respeitosa dele e, imitando o seu gesto, tocou suavemente com a sua pedra de fada na superfície da rocha. *Tic.*

Um som muito mais pequeno, mais agudo.

Skitter soltou uma gargalhada, um som de folhas secas a serem esmagadas. Ele achou a sua tentativa divertida. Depois, num gesto que a deixou sem fôlego, ele aproximou-se e, muito gentilmente, tocou com o seu chocalho de cabaça na pedra de fada que ela segurava.

*Toc-tic.*

O som combinado ressoou no ar silencioso. No momento em que os dois objetos se tocaram, ela sentiu uma onda de calor a percorrer o seu braço, uma sensação de zumbido, como se mil abelhas estivessem a voar sob a sua pele. Através do buraco da sua pedra, por um instante, ela viu Skitter não como uma criatura de gravetos e musgo, mas como um ser de luz dourada e crepitante. A visão desapareceu tão rapidamente como veio, deixando-a a piscar os olhos, tonta.

Os dois presentes, o dele e o dela, tinham-se reconhecido. O elo estava selado.

Ficaram sentados em silêncio por um longo tempo, a única companhia o som da chuva a diminuir gradualmente. A energia frenética de Skitter acalmara-se, substituída por uma quietude vigilante. Ele não parecia mais um duende travesso, mas uma sentinela antiga, um espírito do lugar.

Quando a chuva parou e os primeiros raios de sol pálido começaram a perfurar as nuvens, pintando manchas de luz no chão da floresta, Skitter levantou-se. Ele segurou o chocalho, agora o seu tesouro mais precioso. Olhou para ela uma última vez, uma expressão indecifrável nos seus olhos dourados. Não era gratidão. Era algo mais profundo, mais complexo. Era um reconhecimento de parentesco, de uma aliança forjada não com palavras ou promessas, mas com queijo, coragem, som e pedra.

Com um último e suave abanão do chocalho, um som que soou como um adeus, ele virou-se e desapareceu. Não correu nem saltou. Simplesmente fundiu-se com as sombras, como se nunca tivesse estado ali. O som do chocalho ecoou por um momento e depois foi engolido pelo silêncio que regressava à floresta.

Ela ficou sozinha na pedra, a sua mão ainda a agarrar a pedra de fada quente. Estava encharcada até aos ossos, com lama nas bainhas do vestido e folhas no cabelo. Mas não sentia frio. Sentia-se cheia de um calor que irradiava do seu peito.

O caminho de volta foi mais fácil. A floresta já não parecia um labirinto, mas um lugar familiar. Ela reconhecia agora as nuances da luz, o significado do silêncio entre os sons. Quando chegou à orla da floresta e o campo aberto da sua casa se estendeu à sua frente, ela parou e olhou para trás. A floresta observava-a, mas agora o seu olhar não era o de um estranho, mas o de um cúmplice.

Chegou a casa quando o sol do meio-dia já estava alto. A sua mãe correu ao seu encontro, uma expressão de preocupação no rosto.

— Minha filha! Estás encharcada! Estava tão preocupada.

— Estou bem, mãe. Apanhei as ervas. — Mostrou um pequeno ramo de milefólio que apanhara no caminho, uma desculpa plausível.

Enquanto a sua mãe a envolvia numa manta quente e a fazia sentar-se perto do fogo, o seu pai observava-a do outro lado da sala. Ele viu a lama, as roupas encharcadas, o cansaço nos seus ombros. Mas também viu o brilho nos seus olhos e o sorriso sereno e secreto que brincava nos seus lábios. Um sorriso que continha a memória de uma dança na chuva, o eco de uma cabaça e a promessa de segredos partilhados com um mundo invisível. E ele, que conhecia as muitas faces do mundo, limitou-se a sorrir de volta. O segredo dela estava seguro. E estava apenas a começar.