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Uma fada que ficou obcecado por uma humana

Sinfonia para um Coração Assustado

O dia seguinte nasceu sob um céu de azul límpido, lavado pela chuva da véspera. O mundo parecia novo, cada folha a brilhar, cada poça de lama a refletir o sol com a clareza de um espelho. Para ti, a renovação era mais do que atmosférica; era interna. O peso da cabaça já não estava na tua mão, mas a sua memória e o calor da pedra de fada na tua cintura eram uma presença constante, um dueto silencioso que tocava apenas para ti.

A manhã foi dedicada à rotina, um bálsamo de normalidade após a estranheza do dia anterior. Ajudaste a tua mãe na cozinha, a tua mente a vaguear enquanto as tuas mãos trabalhavam com uma familiaridade reconfortante. Mas a tua alma ansiava pela tarde, pelo momento em que te encontrarias com as crianças. A sua energia pura e descomplicada era o contraponto perfeito para os segredos complexos que agora guardavas.

Quando o sol atingiu o seu ponto mais alto, eles chegaram, um pequeno bando ruidoso de vida e curiosidade. Thomas, com os seus olhos sérios; as gémeas Elara e Lyra, duas metades de um sorriso travesso; e Finn, que tentava manter uma fachada de indiferença adolescente, mas cuja atenção nunca vacilava. Hoje, a lição não seria sobre letras ou números. Seria sobre corações que batem.

— Lembrem-se — dizias, a tua voz suave, mas cheia de uma convicção apaixonada, enquanto conduzias o pequeno grupo em direção ao pasto onde as duas vacas da família, Margarida e Dália, ruminavam pacificamente. — Os animais não falam a nossa língua, mas sentem tanto como nós. Sentem medo, sentem alegria, sentem dor. A nossa primeira lição é sempre ouvir com os olhos e com o coração.

Aproximaram-se da cerca. As crianças, normalmente irrequietas, ficaram em silêncio, absorvendo a tua calma. Mostraste-lhes como estender a mão, com a palma para baixo, para que o animal pudesse cheirar e investigar sem se sentir ameaçado.

— Veem como as orelhas da Dália estão relaxadas? E como ela mastiga devagar? Isso diz-nos que ela está calma e se sente segura.

Dália, a mais velha e mais dócil das duas, aproximou-se e permitiu que a tua mão lhe coçasse o espaço entre os olhos, fechando-os com um suspiro de prazer. Uma a uma, encorajaste as crianças a fazer o mesmo, guiando as suas mãos pequenas e hesitantes, elogiando a sua gentileza. Viste o assombro nos seus rostos quando sentiram o pelo áspero e o calor da vida sob as suas palmas. Era este o tipo de magia em que acreditavas, a magia da conexão, da empatia partilhada entre espécies.

— E a Margarida? — perguntou Finn, apontando para a vaca mais nova, que se mantinha a uma distância cautelosa, os seus grandes olhos castanhos a observá-los com uma curiosidade nervosa.

— A Margarida é mais nova e mais tímida — explicaste. — Como algumas pessoas, ela precisa de mais tempo para confiar. Não a forçamos. Damos-lhe espaço e mostramos-lhe que não somos uma ameaça. Com o tempo, ela virá até nós.

Passaram a hora seguinte a aprender a escovar os póneis do teu pai, a dar pedaços de maçã às galinhas e a observar como os gatos da quinta se espreguiçavam ao sol. Ensinavas-lhes não apenas as tarefas, mas a filosofia por trás delas: que cuidar de um animal era uma promessa, um pacto de respeito.

Foi Elara quem deu o alarme. A sua voz, normalmente um chilreio alegre, era um grito agudo de pânico.

— A Margarida! Ela está a correr!

Viraste-te a tempo de ver a cena a desenrolar-se. Algo assustara a jovem vaca. Ela estava a galopar descontroladamente pelo pasto, os seus olhos arregalados de terror. A cerca do lado mais próximo da floresta, aquela que o teu pai estivera a reparar, não aguentou o seu impacto. Com um estalido de madeira a partir-se, Margarida irrompeu pelo buraco e desapareceu na linha escura das árvores.

Por um instante, o caos reinou. As crianças gritaram, os póneis relincharam nervosamente e o teu coração saltou para a tua garganta. Mas a onda de adrenalina trouxe consigo uma clareza gelada. A tua fúria de mãe-urso, a mesma que enfrentara o Boggan, despertou, não com raiva, mas com uma necessidade avassaladora de proteger e acalmar.

Viraste-te para as crianças, o teu rosto uma máscara de serenidade que desmentia a tempestade no teu peito.

— Está tudo bem. — A tua voz era firme, inabalável. — Não se preocupem. A Margarida está apenas assustada. Quero que todos vocês vão para a minha casa, agora mesmo. Digam à minha mãe o que aconteceu. Não tentem seguir-me, entenderam? A floresta não é segura quando não se sabe o caminho.

Eles olharam para ti, os seus rostos pálidos e assustados. Para os tranquilizar, adicionaste com um pequeno sorriso:

— E quando eu voltar com a Margarida, farei aquela torta de maçã com a crosta de açúcar que vocês tanto gostam. É uma promessa.

A promessa de normalidade e doçura foi suficiente. Liderados por Finn, que assumiu o seu papel de mais velho com uma nova seriedade, eles correram em direção à casa.

Assim que eles desapareceram de vista, a tua fachada de calma desmoronou-se por um segundo. Fechaste os olhos, respirando fundo. *Pobre animal. Tão assustada.* Não havia espaço para raiva, apenas para uma empatia dolorosa. O que poderia tê-la assustado tanto? Um cão selvagem? Um barulho súbito?

Ou…

Um pensamento frio e súbito percorreu-te. A imagem de um duende travesso com um chocalho novo, testando os seus limites, a sua nova voz, surgiu na tua mente. A lembrança das histórias sobre Pixies a atormentar o gado, a dar nós nas suas crinas e a montá-los até à exaustão, era demasiado vívida.

*Não*, pensaste, afastando a ideia. *Ele não faria isso. Não depois de ontem.* Mas a semente da dúvida estava plantada.

Não havia tempo a perder. Correndo em direção à cerca partida, mergulhaste na floresta, o teu coração a bater um ritmo de urgência. O mundo sob as árvores era um contraste acentuado com o sol brilhante do pasto. Aqui, o ar era mais fresco, cheirava a musgo e a terra húmida. A luz do sol filtrava-se em padrões dançantes no chão da floresta.

Seguir o rasto não foi difícil. O pânico de Margarida deixara um caminho de destruição: ramos partidos, arbustos esmagados e marcas de cascos profundas na terra macia. Enquanto te apressavas, os teus sentidos estavam alerta. A floresta já não era apenas um pano de fundo; era uma presença viva, e tu estavas cada vez mais sintonizada com a sua linguagem.

E sentias-o.

Não o viste nem o ouviste, mas a sua presença era inconfundível. Uma ondulação no ar, um zumbido de energia na periferia da tua consciência. Skitter estava por perto. Estava a observar-te. A dúvida no teu coração transformou-se numa certeza pesada.

Mais à frente, ouviste um som de agitação e um mugido baixo e angustiado. Apressaste o passo, o teu coração a doer pelo medo do animal. Emergiste numa pequena clareira, e lá estava ela. Margarida estava encurralada contra uma parede de rocha coberta de hera. O seu corpo tremia, a espuma branca acumulava-se nos cantos da sua boca e os seus olhos rolavam, mostrando o branco. Ela não era mais um animal dócil de quinta; era uma força da natureza aterrorizada, imprevisível e perigosa.

E então viste-o.

Sentado num ramo baixo de um carvalho antigo, as pernas a balançar despreocupadamente, estava Skitter. Na sua mão, ele segurava o chocalho de cabaça. E na outra… na outra ele segurava o fim de uma corda de videira que estava a meio de ser atada num nó complexo à volta da base do rabo de Margarida. O seu rosto exibia um sorriso rasgado de pura e inocente malícia. Ele não estava a ser cruel, não na sua mente. Estava a brincar. O grande animal que corria e saltava era o brinquedo mais divertido que ele encontrara em muito tempo.

O teu coração afundou-se. Ele era a causa.

Antes que pudesses dizer ou fazer qualquer coisa, Margarida viu-te. Para a sua mente em pânico, não eras a sua cuidadora gentil. Eras apenas mais uma figura, mais uma ameaça a encurralá-la. Com um urro que era mais um grito de pânico do que de raiva, ela baixou a cabeça e investiu.

Tudo aconteceu numa fração de segundo. Não havia tempo para fugir, nem espaço para te desviares. O teu instinto, forjado não para a autopreservação, mas para a proteção, assumiu o controlo. Em vez de recuares, deste um passo em frente, preparando-te para o impacto. Não para a parar — isso seria impossível —, mas para absorver e redirecionar a sua força, para a envolver em vez de a confrontar.

A sua cabeça atingiu-te com a força de uma árvore a cair. O impacto lançou-te para trás, mas os teus braços já se tinham envolvido à volta do seu pescoço maciço. O ar foi expulso dos teus pulmões com um som sibilante e uma dor aguda e lancinante explodiu no teu lado esquerdo, como se uma faca quente tivesse sido enfiada entre as tuas costelas. Pontos negros dançaram na tua visão. Por um momento, pensaste que ias desmaiar.

Mas a sensação do corpo trémulo e quente do animal sob as tuas mãos, a sua respiração ofegante e assustada contra o teu rosto, ancorou-te de volta à realidade. A tua própria dor era secundária. A prioridade era o terror dela.

— Shhh, shhh, minha querida. Calma, está tudo bem. — A tua voz era um sussurro rouco, sem fôlego, mas o tom era o mesmo que usavas para acalmar um bebé a chorar. — Eu estou aqui. Estás segura. Ninguém te vai magoar.

A tua mão livre, a tremer de choque e dor, subiu para acariciar o seu focinho, os teus dedos a encontrarem o pelo macio e aveludado. A tua outra mão agarrava-se firmemente ao seu pescoço, não para a restringir, mas para a segurar, para lhe oferecer um ponto de contacto estável no seu mundo de pânico.

Margarida lutou por um momento, a sua força imensa a ameaçar esmagar-te contra a parede de rocha. Mas a tua resposta não foi de força, mas de cedência. Em vez de resistires, moveste-te com ela, tornando-te parte do seu pânico em vez de um obstáculo a ele. A ausência de luta pareceu confundi-la. A sua agitação começou a diminuir, substituída por tremores exaustos.

E então, começaste a cantar.

Não foi uma decisão consciente. A canção simplesmente brotou de ti, do mesmo lugar profundo de onde vinha a tua empatia. Era uma melodia antiga, uma canção de embalar que a tua mãe te cantava, sobre o rio que corre para o mar e as estrelas que vigiam a noite. A tua voz era baixa, frágil e um pouco trémula por causa da dor, mas era firme na sua gentileza.

As palavras não importavam. Era a vibração, a cadência suave e repetitiva, o fluxo constante de som que prometia segurança e paz. Cantaste sobre prados verdes e sol quente, sobre o cheiro de feno fresco e a segurança do celeiro. A tua voz teceu um casulo de calma à volta do animal aterrorizado.

Lentamente, milagrosamente, funcionou.

O tremor de Margarida diminuiu. A sua respiração ofegante abrandou para suspiros profundos. A tensão no seu corpo maciço começou a dissipar-se, e ela encostou o seu peso em ti, não com agressão, mas com uma exaustão rendida. Os seus grandes olhos castanhos, já não a rolar de pânico, piscaram lentamente, focando-se no teu rosto. Ela soltou um mugido baixo, não de medo, mas um som suave, quase um murmúrio de confusão e alívio.

Durante todo este tempo, tinhas-te esquecido de Skitter. Mas ele não se esquecera de ti.

Quando a tua visão clareou e a dor aguda nas tuas costelas se acalmou para uma dor latejante e profunda, olhaste para o ramo onde ele estivera. Ele ainda lá estava, mas a sua postura mudara completamente. O sorriso desaparecera. Ele não estava a balançar as pernas. Estava imóvel, o corpo inclinado para a frente, os olhos dourados arregalados. O chocalho e a videira tinham sido esquecidos, pendurados frouxamente na sua mão.

Ele observara tudo. A investida. O impacto. A tua recusa em lutar. E a canção.

A tua canção. Para ele, a música era o som do vento, o ritmo da chuva, a cacofonia da floresta. A tua voz era algo novo. Não era selvagem nem caótica. Era… outra coisa. Uma forma de poder que ele nunca encontrara. Uma magia que não vinha da terra ou do ar, mas de dentro de ti. Uma magia que podia domar a fúria com a calma. Ele viu o animal enorme e aterrorizado render-se não à força, mas a um som. Estava fascinado. E profundamente confuso.

Lentamente, com um cuidado infinito, começaste a desenredar-te de Margarida. Cada movimento enviava uma onda de dor pelo teu lado, mas tu ignoraste-a. Mantiveste uma mão no seu pescoço, continuando a sussurrar palavras de conforto.

— Bom trabalho, minha menina. Foste tão corajosa. Agora vamos para casa.

Olhaste para Skitter. A tua expressão não era de raiva. Era de uma tristeza e desapontamento profundos. Levantaste a mão que não estava a tocar na vaca e apontaste para o nó a meio no seu rabo, e depois para ela.

— Ela sentiu medo — disseste, a tua voz ainda um pouco sem fôlego. — Um medo terrível. — Fizeste uma pausa, procurando as palavras que a sua mente alienígena pudesse compreender. — Lembras-te do Boggan? O medo que sentiste? Foi isso que ela sentiu.

A comparação atingiu-o. O Boggan. A memória do medo frio, da fúria impotente. Ele olhou para a vaca, depois para ti, e a sua cabeça inclinou-se, o seu cérebro a processar a nova e desconcertante informação. Sofrimento como entretenimento era um conceito que ele entendia. Mas a ideia de que o seu entretenimento causava o mesmo tipo de sofrimento que ele próprio temia… isso era novo. A tua empatia estava a tornar-se contagiosa.

Ele olhou para a videira na sua mão, como se a visse pela primeira vez. Deixou-a cair. Depois, olhou para o chocalho. Para ele, era um objeto de alegria caótica. Mas ele vira-te usar a tua voz, a tua própria forma de som, para criar calma.

Com um movimento rápido, ele saltou do ramo para as costas de Margarida. Ela enrijeceu, mas o teu "Shhh" suave e a tua mão firme no seu pescoço impediram um novo ataque de pânico. Skitter, com uma agilidade silenciosa, desfez o nó da videira com alguns puxões rápidos dos seus dedos finos. Depois, ficou sentado nas suas costas por um momento, a observar-te.

— Precisamos de a levar para casa — disseste, mais para ti mesma do que para ele. A ideia de a conduzir pela floresta, com a dor a aumentar a cada passo, era assustadora.

Skitter pareceu entender. Ou talvez estivesse apenas a experimentar a sua nova descoberta. Ele levantou o chocalho, mas em vez de o abanar freneticamente, ele abanou-o uma vez, suavemente.

*Shk-tzzzzt.*

O som era baixo, interrogativo. Ele olhou para ti, à espera.

Compreendeste. Era a sua tentativa de imitar a tua canção. Era a sua forma de perguntar, "É assim?".

Respiraste fundo, ignorando a pontada nas tuas costelas, e cantaste uma única nota, baixa e longa.

Skitter abanou o chocalho de novo, desta vez não num estalido, mas num balanço longo e suave, tentando recriar a duração da tua nota. O som era um sussurro contínuo, o zumbido das sementes mais proeminente do que o estalido das pedras.

Começou assim a mais estranha das procissões. Tu, a mancar ligeiramente, uma mão a segurar o teu lado dorido e a outra a guiar suavemente a cabeça de Margarida. A vaca, agora completamente dócil, caminhava ao teu lado, ocasionalmente encostando o seu focinho em ti como se procurasse conforto. E nas suas costas, como o mais bizarro dos cavaleiros, ia Skitter. Ele não a incitava. Em vez disso, ele criara um dueto convosco. Tu cantarolavas a tua melodia suave, e ele respondia com o sussurro rítmico do chocalho, uma percussão gentil que mantinha um ritmo constante e calmante.

Ele não estava apenas a guiar a vaca. Estava a guiar-te a ti. Quando o caminho se tornava denso, ele saltava para a frente, usando as suas garras afiadas para afastar cipós e ramos baixos, abrindo um caminho mais fácil. Quando chegavam a um riacho, ele usava o chocalho para indicar as pedras mais seguras para pisar. A sua energia caótica fora canalizada para um propósito, a sua travessura transformada em ajuda. Ele estava a aprender uma nova aplicação para as suas habilidades. Estava a aprender a cuidar.

A viagem de volta pareceu uma eternidade. A dor no teu lado era uma presença constante e latejante, e sentias-te cada vez mais fraca. A certa altura, tropeçaste, e terias caído se não te tivesses apoiado no corpo sólido de Margarida. Ela parou, esperando pacientemente que recuperasses o equilíbrio.

Finalmente, através das árvores, viste a luz. A orla da floresta. O som de vozes preocupadas chegou aos teus ouvidos.

— Ela está ali!

O teu pai e Finn estavam junto à cerca partida, os seus rostos uma mistura de alívio e ansiedade. Ao verem-te emergir das sombras, coberta de lama e folhas, a mancar visivelmente, mas com a vaca a seguir-te como um cachorrinho, o alívio nos seus rostos transformou-se em choque.

No momento em que saíste da sombra das árvores para a luz do sol, Skitter desapareceu. Numa fração de segundo, ele saltou das costas de Margarida para o ramo de uma árvore e fundiu-se com as folhas e a casca, tornando-se invisível. O som do chocalho cessou, deixando para trás apenas o silêncio e o som dos teus próprios passos cansados. A sua ajuda terminava onde o mundo dos homens começava.

— Minha filha! Estás ferida! — O teu pai correu ao teu encontro, o seu rosto normalmente calmo vincado pela preocupação.

— Estou bem — mentiste, mas a tua voz era fraca, e quando tentaste dar mais um passo, as tuas pernas cederam.

O teu pai amparou-te antes que caísses, os seus braços fortes a envolverem-te.

— Não estás bem — disse ele, a sua voz severa, mas cheia de amor. Ele olhou para o teu lado, onde a tua mão estava pressionada, e depois para Margarida, que estava calmamente a mordiscar um tufo de erva ao teu lado, como se nada tivesse acontecido. O seu olhar experiente percorreu a cena: a vaca inexplicavelmente dócil, a tua exaustão e dor, a forma como emergiste daquela floresta que ele sabia ser mais do que apenas árvores.

Finn, o seu rosto pálido, pegou nas rédeas de Margarida. — Eu levo-a, Sr. [Sobrenome do Pai].

O teu pai acenou, passando um braço por baixo dos teus joelhos e levantando-te sem esforço. Enquanto te carregava em direção a casa, olhaste por cima do seu ombro, de volta para a floresta.

Não viste nada para além de folhas a balançar ao vento. Mas sabias que ele estava lá, a observar. E na tua mente, quase conseguias ouvir o eco suave do chocalho, um som que já não significava apenas caos e travessura. Agora, significava também uma lição aprendida, uma ajuda oferecida e a melodia complexa de uma amizade que se aprofundava a cada compasso perigoso e belo. A dor nas tuas costelas era real e severa, um preço a pagar. Mas enquanto fechavas os olhos, o teu rosto contra o ombro do teu pai, sabias que o que tinhas ganho — a compreensão de Skitter, a sua primeira tentativa de empatia — era um tesouro de valor incalculável. A sinfonia entre os vossos dois mundos tornara-se mais rica, e mal podias esperar para ouvir a próxima nota.