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Veldora e Guy

Alianças de Renda e o Desespero de um Dragão

A reunião do Octagrama prosseguia, ou ao menos tentava prosseguir, sob o olhar atento dos Lordes Demônios que, a essa altura, já estavam mais interessados no drama doméstico do casal mais poderoso do mundo do que nas rotas comerciais de Engelisia. Guy Crimson, com sua elegância predatória, discursava sobre a redistribuição de influência nas terras fronteiriças, mas seus olhos vermelhos nunca deixavam Rimuru por mais de dez segundos.

Foi quando Milim Nava, que até então estava ocupada tentando equilibrar uma colher no nariz por puro tédio, inclinou-se para frente com os olhos brilhando de uma ideia súbita e perigosa.

— Ei, Rimuru! — exclamou a Pequena Lorde, interrompendo Guy no meio de uma frase sobre impostos mágicos. — Eu estava pensando aqui... Você ficaria incrível se usasse uma roupa igual à minha! Sabe, para combinarmos como melhores amigas!

O silêncio que se seguiu foi tão pesado que poderia ter esmagado um monstro de rank A. Todos na sala visualizaram mentalmente a cena: Rimuru Tempest, com suas curvas agora mais acentuadas em sua forma adulta, vestindo apenas aquela calcinha preta minimalista, o top branco justo que mal continha o que deveria, e aquelas amarrações cor-de-rosa provocantes nas coxas.

Veldora, que estava bebendo um chá de ervas para tentar manter a pressão arterial espiritual sob controle, engasgou de forma tão violenta que uma pequena chama azul saiu por suas narinas. Guy Crimson, por outro lado, congelou. Sua mente, normalmente rápida e estratégica, entrou em um curto-circuito de imagens mentais que envolveriam Rimuru, aquela roupa e o quarto deles no Castelo de Gelo.

— Milim... — Veldora tossiu, a voz saindo em um tom agudo de puro pânico. — Você... você tem noção da blasfêmia que acabou de sugerir? Minha irmãzinha... em trajes tão... tão... escassos?! Isso é uma afronta ao decoro da linhagem dos Dragões Verdadeiros!

— Ah, deixa de ser chato, Tio Veldora! — Milim bufou, cruzando os braços. — A Rimuru ficaria linda! E seria muito mais fácil para lutar também!

Rimuru, vendo as expressões de puro choque e horror misturadas com uma luxúria mal disfarçada no rosto de Guy, não conseguiu se conter. Ela soltou uma risada cristalina, uma melodia que sempre desarmava o ambiente.

— Sabe de uma coisa, Milim? — Rimuru disse, os olhos amarelos brilhando com uma malícia divertida. — Eu acho que poderia tentar. Seria uma mudança de estilo interessante, não acha?

A cadeira de Guy rangeu perigosamente. Ele olhou para Rimuru com uma mistura de "eu te mato" e "eu te adoro".

— Rimuru — a voz de Guy saiu em um rosnado baixo, vibrando com uma possessividade que fez os pelos da nuca de todos se arrepiarem —, se você aparecer em público vestida assim, eu juro que selo as fronteiras deste mundo e não deixo ninguém sair até que eu tenha decorado cada centímetro daquela pele que as amarrações rosa estariam apertando.

— Oh! Oh! Eu também quero! — Ramiris gritou, voando em círculos rápidos ao redor da cabeça de Rimuru. — Se a Milim vai escolher, eu também quero escolher uma roupa para a Rimuru! Algo com muitos babados, bem curto e talvez algumas transparências mágicas!

Rimuru começou a rir com tanta vontade que precisou se curvar para frente, segurando a barriga. Com o movimento brusco e a falta de fôlego pela gargalhada, a capa de Veldora, que ela havia usado para cobrir suas pernas e decote, escorregou lentamente de seus ombros e colo, caindo pesadamente no chão de cristal.

Ela não se importou. Estava ocupada demais achando graça da situação.

Luminous Valentine, que observava tudo com seu habitual desdém aristocrático, soltou um riso seco e elegante, seus olhos heterocromáticos fixos na pele branca de Rimuru agora exposta novamente pela fenda do vestido.

— Certamente seria uma visão magnífica — comentou Luminous, lambendo os lábios de forma quase imperceptível. — Se você decidir seguir com esse desfile de modas, Rimuru, o mundo provavelmente explodiria em caos. Mas eu não me importaria de ser a primeira da fila para assistir. Seria uma estética... refrescante.

— Viu só? — Rimuru disse, recompondo-se da risada e limpando uma pequena lágrima de alegria do canto do olho. — Até a Luminous concorda. Tudo bem, Luminous, eu te chamo para a nossa noite de garotas e você pode escolher um conjunto também. O que acha?

— Eu acho — Veldora interrompeu, sua aura dourada começando a crepitar de forma instável — que eu vou precisar destruir este salão se essa conversa continuar! Vocês estão corrompendo ela! Guy, faça alguma coisa! Você não é o marido dela? Imponha-se!

Guy, que estava ocupado demais devorando Rimuru com os olhos enquanto ela ajeitava o decote do vestido azul — o que só servia para enfatizar ainda mais o volume de seus seios —, apenas deu de ombros, embora seus dedos estivessem cravados no braço de mármore de seu trono.

— Eu estou tentando manter a civilidade, Veldora — disse Guy, voltando a olhar para os papéis da reunião, embora sua voz ainda estivesse carregada de segundas intenções. — Mas é difícil focar em geopolítica quando minha esposa decide que é um ótimo dia para mostrar o quanto ela é... generosa.

Rimuru deu um sorriso de lado, sentindo o clima esquentar. Ela sabia que Guy estava no limite.

— Falando em generosidade — Guy continuou, lançando um olhar de soslaio para a mesa —, talvez devêssemos apressar os tópicos sobre a aliança comercial. Afinal, as "negociações" que tivemos na noite passada foram tão intensas que eu ainda sinto o calor da sua magia, Rimuru. Você é muito mais barulhenta do que aparenta quando eu decido ser... minucioso.

— GUY! — Veldora rugiu, batendo as mãos na mesa. — Detalhes! Eu não quero detalhes! Minhas orelhas estão sangrando!

Rimuru, em vez de se encolher, apenas cruzou os braços abaixo do busto, o que fez o decote saltar de forma ainda mais óbvia, e lançou um olhar desafiador para o marido.

— Você fala muito para alguém que vai passar as próximas quarenta e oito horas em jejum, Guy — disse ela, o tom sarcástico e doce ao mesmo tempo.

Guy parou de escrever imediatamente. Ele piscou, olhando para ela com uma expressão de choque genuíno.

— O quê?

— Como eu disse para as meninas — Rimuru explicou, brincando com uma mecha de seu cabelo azul prateado —, hoje e amanhã são "dias das garotas". Milim, Ramiris, Luminous e eu vamos passar o tempo todo testando roupas, bebendo o melhor vinho de Tempest e fofocando. O que significa, meu querido marido, que você está proibido de entrar no meu quarto. E nem pense em usar o [Passo Espacial], eu vou pedir para o Ciel reforçar as barreiras.

O rosto de Guy Crimson caiu. O demônio que não temia deuses nem dragões parecia ter acabado de receber uma sentença de morte. Ele olhou para Rimuru como se ela tivesse arrancado seu coração e o jogado aos lobos.

— Você não pode estar falando sério — ele murmurou, a voz subitamente vulnerável. — Dois dias? Rimuru, eu mal aguento duas horas sem tocar em você.

— Dois dias inteiros — Rimuru confirmou, dando uma piscadinha para Milim, que comemorava com um soco no ar.

Veldora, sentindo uma vitória esmagadora, começou a rir de forma maníaca.

— Hahaha! Justiça! Finalmente o mundo está em equilíbrio! Dois dias de pureza para minha irmãzinha! Eu mesmo farei a guarda da porta, Rimuru! Ninguém, nem mesmo esse demônio libidinoso, passará por mim!

Guy afundou em sua cadeira, fazendo um beicinho que faria qualquer um esquecer que ele era o Lorde Demônio mais antigo e perigoso do mundo. Ele parecia um cachorro que foi deixado de fora na chuva.

— Isso é injusto — ele resmungou, cruzando os braços e desviando o olhar, emburrado. — Eu ia propor uma cláusula de exceção para massagens nos pés...

— Sem exceções — Rimuru disse, rindo da expressão dele. — Agora, Guy, se você puder parar de choramingar pelo seu tempo de "toque", talvez possamos terminar essa reunião antes que a Milim coma todos os lanches da mesa.

Guy soltou um suspiro pesado, exalando uma pequena fumaça carmesim. Ele pegou a caneta novamente, mas seu olhar para Rimuru era uma promessa silenciosa de que, assim que aqueles dois dias acabassem, ele cobraria cada segundo com juros e correção monetária.

— Tudo bem — ele disse, a voz arrastada e cheia de falsa resignação. — Vamos falar sobre as rotas de comércio de Dwargon. Mas que fique registrado: eu odeio o conceito de "dia das garotas".

Rimuru apenas sorriu, recostando-se e deixando a capa de Veldora no chão. Ela sabia exatamente o que estava fazendo. Ver Guy Crimson, o senhor do caos, ficar emburrado por falta de carinho era, sem dúvida, o ponto alto de sua semana. Enquanto isso, Veldora continuava a vigiar cada movimento de Guy como um falcão, pronto para intervir ao menor sinal de um flerte mais ousado, enquanto a reunião do Octagrama se transformava, mais uma vez, em um campo de batalha de ciúmes, risadas e o mais puro caos familiar.