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Veldora e Guy

O Banquete da Luxúria e a Fúria do Dragão

O intervalo da reunião do Octagrama foi anunciado, mas o clima no salão estava longe de ser relaxante. Enquanto os outros Lordes Demônios se dispersavam para os cantos, Rimuru se viu cercada por um trio que parecia mais perigoso do que qualquer exército de anjos: Milim, Ramiris e Luminous.

— Vamos lá, Rimuru! Mostre-nos os detalhes desse vestido! — exclamou Milim, puxando a amiga pelo braço para o centro do espaço circular. — Eu quero ver como essa fenda funciona para a gente planejar o meu figurino!

— Sim, sim! — Ramiris voava freneticamente ao redor da cabeça de Rimuru, os olhos brilhando. — A estrutura parece tão delicada, mas o corte é... ousado! Imagine se colocarmos uma transparência mágica na lateral? Guy teria um colapso!

Rimuru soltou uma risada melodiosa, deixando-se levar pelo entusiasmo das amigas. Ela se levantou, permitindo que a capa de Veldora permanecesse no chão por um momento. Com um movimento gracioso, ela girou, fazendo o tecido azul-noite do vestido flutuar.

— Tudo bem, meninas, olhem à vontade — disse Rimuru, com um sorriso sarcástico. — Mas não prometo que vou usar tudo o que vocês sugerirem.

Luminous se aproximou com passos lentos e predatórios, seus olhos heterocromáticos analisando cada curva da pele leitosa de Rimuru.

— A modelagem é impecável — comentou a Rainha dos Vampiros, estendendo a mão para tocar levemente o ombro de Rimuru. — Mas o que realmente me interessa é o corte posterior. Rimuru, querida, poderia se virar?

Rimuru, sentindo o olhar de Guy queimando em suas costas como brasa viva, decidiu jogar o jogo. Ela prendeu o cabelo azul prateado em um coque improvisado, segurando-o com uma das mãos para revelar o que o vestido escondia.

O decote traseiro era profundo, uma fenda em "V" que descia pela coluna vertebral perfeita de Rimuru, terminando perigosamente perto do início de suas nádegas. Era o tipo de corte que não mostrava nada proibido, mas sugeria tudo o que a imaginação pudesse conceber.

— Oh... — Milim soltou um suspiro de admiração. — Isso é... uau.

Veldora, que estava sentado a poucos metros dali, parecia finalmente ter encontrado algo para distrair sua mente superprotetora: uma pilha de mangás que Rimuru havia trazido de Tempest. Ele estava tão imerso em uma cena de batalha épica que, por um breve momento, baixou a guarda.

Guy Crimson, no entanto, não estava distraído. Ele estava em transe.

— Você tem o hábito de me torturar em público, não é, minha pequena slime? — A voz de Guy ecoou pelo salão, baixa, rouca e carregada de uma promessa perigosa.

Ele se levantou de seu trono e caminhou até o grupo, ignorando os protestos silenciosos de Luminous. Ele parou logo atrás de Rimuru, sua presença emanando um calor opressor.

— Sabe, Luminous — disse Guy, os olhos vermelhos fixos na pele exposta das costas de Rimuru —, o que você está vendo é apenas a moldura. O quadro real é muito mais... detalhado.

Rimuru olhou por cima do ombro, um brilho travesso nos olhos amarelos.

— Guy, estamos em um intervalo. Tente se comportar.

— Comportar-me? — Guy soltou uma risada curta, quase um rosnado. — Como eu poderia, quando você está parada assim, exibindo exatamente o lugar onde eu apoiei meus joelhos ontem à noite enquanto você estava de quatro, implorando para que eu não parasse?

O silêncio caiu sobre o grupo de garotas. Milim inclinou a cabeça, confusa, enquanto Luminous arqueava uma sobrancelha, claramente impressionada com a falta de filtro do Demônio Vermelho.

— Guy! — Rimuru sibilou, o rosto subitamente tingido de um rosa profundo.

— O quê? É a verdade — continuou Guy, dando um passo à frente e deslizando a ponta do dedo indicador pela espinha dela, parando exatamente onde o tecido do vestido começava. — E se vocês olharem um pouco mais de perto, logo abaixo dessa alça...

Ele puxou levemente o tecido do ombro esquerdo de Rimuru, revelando uma marca de mordida arroxeada e perfeitamente circular, logo acima da curva do seio.

— Essa eu fiz quando ela tentou morder o travesseiro para não gritar meu nome tão alto que os guardas do castelo pudessem ouvir — ele comentou com um orgulho descarado. — Ela tem marcas por toda parte. Na parte interna da coxa, onde meus dentes deixaram um mapa do meu território... na panturrilha, onde ela se agarrou a mim com tanta força que minhas mãos deixaram hematomas em formato de dedos na cintura dela...

— Guy Crimson! — Rimuru tentou se afastar, mas ele a segurou pela cintura, puxando-a contra seu corpo alto e firme.

— E não vamos esquecer daquela marca na bunda — Guy continuou, sua voz subindo de tom propositalmente para garantir que, mesmo distraído, Veldora pudesse eventualmente captar algo. — Aquela que eu deixei quando decidi que ela precisava de um castigo por ter sido tão... provocante durante o jantar.

Nesse exato momento, o silêncio do salão foi quebrado pelo som de papel rasgando. Veldora, que até então estava perdido no mundo dos mangás, congelou. Suas orelhas de dragão captaram as palavras "marca na bunda" e "castigo".

Lentamente, como um predador antigo despertando de um sono milenar, Veldora levantou a cabeça. Seus olhos brilhavam com uma luz dourada aterrorizante.

— O que... você... disse? — Veldora perguntou, sua voz tremendo com uma fúria contida que ameaçava desintegrar o castelo de gelo.

Guy, longe de se intimidar, deu um sorriso predatório. Ele adorava ver o dragão explodir.

— Eu estava apenas descrevendo a arte que fiz no corpo da sua irmã, Veldora — disse Guy, apertando a cintura de Rimuru com possessividade. — Sabe, ela é muito mais resistente do que parece. Aguentou horas de um ritmo que faria a maioria dos demônios desmaiar. Ela gosta quando eu sou bruto, não é, Rimuru? Especialmente quando eu uso aquelas correntes de prata que...

— EU VOU MATAR VOCÊ! — Veldora explodiu.

O Dragão da Tempestade saltou da cadeira, a aura dourada explodindo em chamas de energia pura. O impacto de sua transformação parcial fez o chão tremer e as janelas de cristal vibrarem perigosamente.

— COMO OUSA FALAR TAIS IMUNDÍCIES SOBRE A PUREZA DA MINHA IRMÃZINHA?! — Veldora rugiu, avançando contra Guy. — EU VOU ARRANCAR ESSA SUA LÍNGUA PERVERTIDA E ALIMENTAR OS LOBOS COM ELA!

Rimuru agiu rápido. Antes que o primeiro golpe de Veldora pudesse atingir Guy — que estava parado, rindo e pronto para o combate —, ela se soltou dos braços do marido e se jogou na frente do irmão.

— Veldora, pare! — Rimuru gritou, envolvendo o pescoço do dragão em um abraço apertado. — Ele está brincando! Ele só quer te irritar!

Veldora parou a milímetros de Rimuru, sua respiração pesada e quente saindo como fumaça. Ele olhou para a irmã, os olhos cheios de uma dor protetora e ultraje.

— Mas ele disse... ele disse coisas horríveis, Rimuru! De quatro! Marcas! Castigos! Eu não posso permitir que esse demônio trate você como um brinquedo!

Rimuru suspirou, sentindo o calor do corpo de Veldora e a tensão em seus músculos. Ela começou a fazer carinho na nuca dele, um gesto que sempre funcionava para acalmar o "dragão mimado".

— Eu sei, eu sei — murmurou Rimuru, sua voz suave e reconfortante. — Mas você sabe como o Guy é. Ele é um idiota orgulhoso que gosta de se gabar. Não dê importância a ele. Eu estou bem, veja?

Veldora começou a relaxar sob o toque de Rimuru, sua aura diminuindo gradualmente. Ele enterrou o rosto no ombro dela, bufando como um cavalo cansado.

— Ele é um pervertido de classe mundial — resmungou Veldora. — Ele não merece você.

Do outro lado, Guy observava a cena com os braços cruzados, um vinco de ciúme profundo surgindo entre suas sobrancelhas. Ver Rimuru dando tanto carinho e atenção a Veldora, mesmo que fosse para acalmá-lo, sempre o irritava.

— Já chega de abraços, não acha? — Guy disse, sua voz fria e cortante. — Rimuru, você é minha esposa, não um urso de pelúcia para esse lagarto carente.

Rimuru olhou para Guy por cima do ombro de Veldora, arqueando uma sobrancelha.

— Se você não tivesse aberto essa sua boca grande para falar bobagens explícitas, eu não precisaria estar aqui fazendo o papel de domadora de dragões, Guy.

Guy bufou, desviando o olhar.

— Eu só estava sendo honesto. Se ele não consegue lidar com a realidade da nossa vida sexual, o problema é dele.

— REALIDADE?! — Veldora tentou se soltar do abraço de Rimuru para atacar novamente, mas ela o segurou com mais força.

— Veldora, chega! — Rimuru ordenou, usando seu tom de voz de Líder da Federação Jura Tempest. — Guy, sente-se e fique quieto. Milim, Ramiris, Luminous... vamos continuar nossa conversa em outro lugar. Claramente, os meninos não sabem se comportar em público.

Milim, que estava assistindo a tudo com um balde de pipoca mágica que surgiu do nada, deu uma risadinha.

— Ah, Rimuru, estava ficando divertido! Mas tudo bem, vamos para a sala de chá. Eu quero saber mais sobre essas "correntes de prata" que o Guy mencionou!

Rimuru sentiu o rosto queimar novamente.

— Milim, não!

— Ah, sim! — Ramiris acrescentou, voando para frente. — Se o Guy usa correntes, nós podemos desenhar um vestido que já venha com algemas de seda acopladas! Seria o auge da moda fetichista de luxo!

Luminous soltou uma risada elegante, seguindo as garotas enquanto elas se retiravam do salão principal.

— Devo admitir, Rimuru, seu marido tem um gosto... interessante. Bruto e masoquista ao mesmo tempo? Uma combinação clássica para demônios primordiais.

Rimuru apenas cobriu o rosto com as mãos, caminhando apressadamente enquanto ouvia as gargalhadas de suas amigas e os resmungos distantes de Veldora, que ainda prometia castrar Guy Crimson na primeira oportunidade.

Guy, deixado sozinho no salão por um momento, olhou para a própria mão, sentindo a falta do toque de Rimuru. Ele sorriu para si mesmo, um brilho de pura malícia nos olhos. Ele sabia que tinha ido longe demais, mas a reação de Rimuru — aquele rubor, aquele olhar de reprovação que escondia um desejo latente — valia cada segundo de fúria de Veldora.

— Dois dias sem ela... — Guy murmurou, sentindo um peso no peito. — Vai ser um inferno. Mas quando esse intervalo acabar... eu vou garantir que cada palavra que eu disse hoje se torne uma memória muito vívida na mente dela.

Ele se sentou novamente em seu trono, pegando a capa de Veldora que ainda estava no chão. Ele a cheirou discretamente, sentindo o perfume cítrico e doce de Rimuru impregnado no tecido, e fechou os olhos, já planejando sua próxima jogada no tabuleiro do caos que era seu casamento com a slime mais poderosa do universo.