Veldora e Guy
O Banquete da Luxúria e o Desespero do Soberano
A atmosfera no Castelo de Gelo havia mudado de uma reunião diplomática para o que Rimuru só poderia descrever como um "festival de tortura psicológica direcionado a Guy Crimson". Após o episódio das fitas cor-de-rosa, o nível de audácia das meninas só aumentou. Veldora, exausto após o estresse emocional de ver sua irmãzinha em trajes tão escassos, havia se retirado para um canto do salão, mergulhado em um novo volume de mangá que Rimuru "convenientemente" materializou para mantê-lo ocupado.
— Escute bem, Ramiris — murmurou Veldora, sem tirar os olhos das páginas. — Eu vou tirar um cochilo regenerativo de dez minutos. O destino da pureza da Rimuru está em suas mãos. Não deixe aquele demônio asqueroso chegar a menos de três metros dela.
— Pode deixar, Tio Veldora! — Ramiris bateu uma continência desajeitada no ar, brilhando com um entusiasmo perigoso. — Eu serei o escudo inabalável! O guardião do castelo! A fada da castidade!
Guy, sentado em seu trono com a cabeça apoiada na mão, observava a cena com um olhar que prometia o apocalipse. Ele estava em um estado de hiperestimulação sensorial. Cada vez que a porta do provador se abria, ele sentia que sua sanidade dava um passo em direção ao abismo.
— Próximo look: "A Serva de Engelisia"! — anunciou Milim, escancarando as portas.
Rimuru saiu usando um traje de empregada doméstica, mas com o toque de Luminous Valentine. Era feito de seda preta ultrajusta, com um avental de renda branca tão pequeno que era meramente decorativo. A saia era tão curta que, a cada passo, Guy jurava ver o início da curva de suas nádegas. Para completar, ela usava uma gargantilha de veludo preto com um pequeno sino de prata que tilintava a cada movimento.
— Guy, querido... — Rimuru disse, caminhando até ele com um rebolado lento e deliberado. — O que um lorde como você gostaria de pedir para sua humilde serva?
Ela parou entre as pernas de Guy, inclinando-se para frente. O decote do traje de empregada era sustentado apenas pela esperança e pela magia de Ciel. O sino em seu pescoço tocou suavemente quando ela soprou o rosto dele.
— Eu quero — Guy começou, sua voz saindo tão grave que o chão de gelo rachou sob seus pés — que você pare de testar minha paciência antes que eu decida que este castelo não precisa mais de paredes, apenas de uma cama.
— Oh, que mestre exigente — Rimuru provocou, deslizando as mãos pelas coxas de Guy, subindo perigosamente perto de onde a tensão era mais evidente. — Talvez eu precise de um castigo?
Guy não aguentou mais. Ele a puxou pela cintura, trazendo-a para o seu colo com uma força que fez Rimuru soltar um ganido de surpresa. Seus lábios se chocaram nos dela em um beijo faminto, possessivo e carregado de meses de desejo acumulado em poucos minutos. Ele a beijava como se estivesse tentando devorar sua alma, enquanto suas mãos grandes e quentes apertavam a carne macia de suas coxas, subindo por baixo da saia minúscula.
— Finalmente... — Guy rosnou contra os lábios dela, começando a morder o pescoço de Rimuru, logo abaixo da gargantilha. — Você é minha. Eu vou te levar agora e...
— PARADO AÍ, DEMÔNIO ATREVIDO! — O grito agudo de Ramiris cortou o clima como uma navalha.
A pequena fada voou em alta velocidade, jogando um pó brilhante nos olhos de Guy que o fez piscar por um segundo. Foi o tempo suficiente para Milim e Luminous aparecerem de cada lado, puxando Rimuru para longe.
— Nada de levar para o quarto! — Milim disse, fazendo um "X" com os braços. — Ainda faltam três roupas! O cronograma deve ser respeitado!
— Mas eu já ia... — Guy tentou se levantar, mas Luminous colocou a ponta de seu sapato de salto agulha sobre o peito dele, pressionando-o de volta ao trono com um sorriso gélido.
— Controle seus instintos básicos, Vermelho — disse a Rainha dos Vampiros. — O espetáculo ainda não terminou. E você, Rimuru, venha. O traje de "Deusa do Sol de El Dorado" te espera.
Guy ficou sentado, ofegante, sentindo o rastro do perfume de Rimuru em suas roupas e o calor de seu corpo ainda queimando em seu colo. Ele olhou para Ramiris, que flutuava à sua frente com uma expressão de triunfo.
— Eu vou transformar você em um enfeite de árvore de Natal, fada maldita — Guy sibilou.
— Tente a sorte! Eu tenho a proteção do Tio Veldora! — Ramiris mostrou a língua e voltou para o provador.
A tortura continuou. O quarto look foi uma armadura de batalha de couro que parecia ter sido projetada por alguém que odiava a ideia de proteção e amava a ideia de exposição. Era composta por tiras de couro que cruzavam o tórax de Rimuru, deixando a maior parte de seu abdômen e a lateral de seus seios à mostra.
Desta vez, Rimuru decidiu ser ainda mais cruel. Ela se aproximou de Guy, que estava com os olhos injetados, e simplesmente sentou-se de lado em seu colo. Ela pegou a mão dele e a colocou sobre sua própria coxa, onde as tiras de couro apertavam a pele leitosa.
— Você está tão quente, Guy — ela sussurrou, passando a língua pelo lóbulo da orelha dele. — Está com febre?
Guy sentiu que ia explodir. Ele enterrou o rosto no pescoço dela, inalando seu cheiro, e deu uma mordida forte o suficiente para deixar uma marca profunda e duradoura. Rimuru soltou um suspiro trêmulo, suas costas arqueando contra o peito dele.
— Eu vou te marcar tanto que ninguém vai conseguir olhar para você sem ver o meu nome escrito em cada centímetro da sua pele — Guy murmurou, sua mão subindo para apertar o seio dela por cima das tiras de couro. — Esqueça os dois dias. Eu te quero agora.
Ele começou a se levantar, segurando Rimuru nos braços como se ela não pesasse nada, determinado a atravessar qualquer barreira que as garotas tivessem colocado. Mas, no meio do caminho, um ronco estrondoso ecoou pelo salão.
Veldora estava acordando.
— O QUE ESTÁ ACONTECENDO?! — O Dragão da Tempestade sentou-se abruptamente, derrubando sua pilha de mangás. — EU SENTI UMA PERTURBAÇÃO NA PUREZA!
Guy congelou. Milim e Ramiris aproveitaram a distração para realizar um "resgate tático". Em um piscar de olhos, Rimuru foi teletransportada para trás de Veldora.
— Ele tentou fugir com ela, Tio Veldora! — Ramiris gritou, apontando o dedo acusador para Guy.
— VOCÊ! — Veldora se levantou, sua aura dourada fazendo as vigas do teto tremerem. — Eu te dei dez minutos de trégua e você tenta sequestrar minha irmã para seus propósitos luxuriosos?!
— Ela é minha esposa, seu lagarto estúpido! — Guy rugiu de volta, finalmente perdendo a pouca compostura que lhe restava. — Eu tenho o direito legal, divino e demoníaco de fazer o que eu quiser com ela!
— NÃO NA MINHA FRENTE! — Veldora avançou, e os dois começaram uma troca de golpes que mais parecia um terremoto controlado.
Rimuru, agora vestindo o quinto e último look — um quimono de seda transparente que não deixava absolutamente nada para a imaginação —, observava a briga com um sorriso divertido. Ela pegou uma uva de uma bandeja próxima e a jogou na boca.
— Sabe, Luminous — disse Rimuru, ignorando as explosões de energia ao fundo —, eu acho que nunca me diverti tanto em uma reunião do Octagrama.
— A discórdia é o melhor tempero para a beleza — concordou Luminous, observando Guy tentar desviar de um soco de Veldora enquanto ainda tentava manter os olhos nas curvas de Rimuru através do quimono transparente.
No final, Guy estava exausto, frustrado e em um estado de excitação permanente que beirava a agonia física. Veldora, embora satisfeito por ter "salvado" a irmã, estava de guarda absoluta, recusando-se a piscar.
— Tudo bem, meninos — Rimuru disse, levantando-se e caminhando até o centro do salão. O quimono transparente flutuava ao redor dela como uma névoa azulada. — A diversão acabou por hoje. Eu vou para o quarto das garotas agora.
Guy olhou para ela, o desespero claro em seus olhos vermelhos.
— Rimuru... você não pode estar falando sério. Olhe para mim. Você me deixou assim e agora vai simplesmente... ir embora?
Rimuru caminhou até ele uma última vez. Ela se inclinou, dando-lhe um selinho rápido e casto, antes de lamber o lábio inferior dele com uma lentidão torturante.
— Pense nisso como um investimento, Guy — ela sussurrou, seu hálito quente batendo no rosto dele. — Daqui a dois dias, quando as barreiras caírem... eu serei toda sua. E eu estarei usando aquela roupa de Milim que você tanto gostou.
Ela se afastou, piscando para ele, e seguiu as outras meninas para a ala privativa. Veldora seguiu atrás delas como um guarda de honra, lançando um último olhar de superioridade para o Demônio Vermelho.
Guy Crimson ficou sozinho no salão vasto e frio. Ele olhou para suas mãos, que ainda tremiam levemente, e depois para o volume de seu próprio desejo que se recusava a diminuir.
— Dois dias... — ele murmurou para as paredes vazias. — Eu vou queimar este mundo e construir um novo apenas para passar o tempo.
Ele se sentou no chão de gelo, encostando as costas no trono, e fechou os olhos. Em sua mente, ele já estava desfazendo as amarrações rosa das coxas de Rimuru, centímetro por centímetro, enquanto o som do sino em seu pescoço ecoava pelo quarto. O Soberano do Orgulho estava derrotado, mas ele sabia que, quando o tempo acabasse, o Octagrama inteiro ouviria os gritos de prazer daquela que ousou provocá-lo.