Veldora e Guy
Alianças de Seda e o Delírio de Guy Crimson
O ar no castelo de gelo de Guy Crimson estava mais saturado de hormônios e tensão do que de mana pura. O famigerado "Dia das Garotas" havia começado oficialmente, e o que deveria ser um momento de retiro feminino havia se transformado em uma guerra psicológica de alta intensidade contra a sanidade de Guy e o coração protetor de Veldora.
Rimuru foi arrastada para uma ala privativa, um salão de espelhos e tecidos luxuosos onde Milim, Ramiris e Luminous pareciam três generais planejando uma invasão. No entanto, o objetivo não era um território, mas sim o guarda-roupa da Líder de Tempest.
— Certo, a primeira regra do Dia das Garotas — anunciou Milim, batendo os punhos na mesa de centro — é que a Rimuru tem que testar todas as nossas sugestões! Sem exceções!
— Eu trouxe seda de fada tecida com fios de luz! — Ramiris gritava, carregando um rolo de tecido que era dez vezes o seu tamanho. — É quase transparente quando você se move rápido!
Rimuru suspirou, sentindo que sua dignidade estava prestes a ser sacrificada no altar da moda.
— Meninas, eu aprecio o entusiasmo, mas...
— Silêncio, pequena slime — interrompeu Luminous, avaliando Rimuru com um olhar clínico. — Você tem uma pele que implora por contraste. O azul é sua marca, mas o preto... o preto revelaria o perigo que você esconde.
Enquanto isso, no corredor principal, Guy Crimson estava encostado em uma pilastra de gelo, tentando agir como se não estivesse contando os segundos para a porta se abrir. Veldora estava sentado no chão logo à frente da entrada, de pernas cruzadas e braços dobrados, emanando uma aura de "não passe daqui ou morra".
— Você é patético, Demônio Vermelho — resmungou Veldora, sem tirar os olhos da porta. — Está fungando o ar como um cão de caça.
— E você está agindo como um cão de guarda que esqueceu que a dona já é casada — retrucou Guy, embora sua voz estivesse tensa. — Eu sinto o cheiro dela, Veldora. Ela está usando aquele perfume de pêssego que eu dei a ela... e algo me diz que as suas "amiguinhas" estão tramando contra a minha saúde mental.
De repente, a porta se abriu com um estrondo.
— Primeira rodada! — gritou Milim.
Rimuru saiu, ou melhor, foi empurrada para o corredor. Ela estava usando um vestido preto de renda que era, essencialmente, apenas uma sugestão de roupa. As laterais eram presas apenas por fitas de cetim, e o decote era tão profundo que desafiava as leis da física e da gravidade.
Guy sentiu o sangue fugir de seu rosto e se concentrar instantaneamente em outro lugar. Suas calças ficaram subitamente apertadas, e ele sentiu uma pulsação dolorosa na base de sua masculinidade.
— Rimuru... — a voz de Guy saiu como um sussurro rouco, seus olhos vermelhos brilhando com uma luxúria predatória.
— CUBRA-SE! — Veldora saltou, tentando usar sua própria capa para envolver Rimuru. — ISSO NÃO É UM VESTIDO, É UMA ARMADILHA PARA ALMAS PECAMINOSAS!
— Ah, qual é, Veldora! — Rimuru reclamou, dando uma voltinha e fazendo as fitas laterais balançarem, revelando vislumbres da pele branca e macia de seus quadris. — A Luminous disse que isso é "alta costura vampírica".
Ela olhou para Guy e, percebendo o estado dele — a mandíbula travada, os punhos cerrados e o volume óbvio sob o tecido de sua calça —, ela não pôde evitar um sorriso travesso. Ela caminhou até ele, a fenda lateral subindo até o limite absoluto a cada passo.
— O que achou, Guy? — perguntou ela, inclinando-se para frente e deixando o decote se abrir ainda mais. — Parece confortável para uma caminhada pelo castelo?
Guy deu um passo à frente, sua mão subindo instintivamente para agarrar a cintura dela, mas Veldora se interpôs com um rugido.
— AFASte-se, DEMÔNIO! ELA ESTÁ RESFRIADA! ELA PRECISA DE UM CASACO DE PELE DE DRAGÃO, NÃO DE UM PERVERTIDO OLHANDO PARA O SEU... O SEU... TUDO!
— Veldora, saia da frente — Guy sibilou, sua aura carmesim começando a vazar. — Eu vou levar minha esposa para o quarto agora mesmo e mostrar a ela o quanto eu aprecio a "alta costura".
— Nem pensar! — Milim apareceu, puxando Rimuru de volta. — Próximo look!
As garotas arrastaram Rimuru novamente. Guy ficou parado no corredor, respirando fundo, tentando controlar a ereção que teimava em não baixar. Ele imaginava Rimuru naquele vestido, mas sem as fitas. Imaginava suas mãos desfazendo cada laço enquanto ela gemia seu nome.
— Você está duro, não está? — Veldora perguntou, com um nojo genuíno. — Eu consigo sentir o calor da sua depravação daqui.
— Se você soubesse o que eu quero fazer com ela agora, Veldora, você tentaria se auto-selar novamente por puro trauma — Guy respondeu, sem um pingo de vergonha.
Minutos depois, a porta se abriu novamente. Desta vez, Rimuru não estava usando renda. Ela estava usando algo muito mais familiar, mas devastadoramente diferente.
— SURPRESA! — Milim gritou, rindo alto.
Rimuru saiu usando exatamente a roupa de Milim: a calcinha preta minimalista, o top branco que mal cobria a parte inferior de seus seios, e as amarrações rosa cruzando suas coxas leitosas. Para completar, ela havia prendido o cabelo em duas mechas laterais, imitando o estilo da Pequena Lorde.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Veldora parecia ter sofrido um derrame cerebral espiritual. Seus olhos ficaram brancos e ele caiu de joelhos.
— A... a... blasfêmia... — ele balbuciou. — Minha irmã... vestida como... a sobrinha...
Guy, por outro lado, sentiu o mundo girar. A visão de Rimuru naquela roupa, com as amarrações rosa apertando levemente a carne macia de suas coxas, criando aquela pequena e irresistível saliência de pele, foi o golpe final. Ele sentiu seu membro pulsar com tamanha força que chegou a doer. Ele queria pegá-la ali mesmo, contra a parede de gelo, e rasgar cada uma daquelas fitas com os dentes.
— Ei, Guy! Olha só! — Rimuru disse, entrando totalmente no personagem. Ela colocou as mãos na cintura, inclinou a cabeça e deu um sorriso inocente e radiante, exatamente como Milim faria. — Eu sou a Lorde Demônio Rimuru-nava! Wahaha!
Ela fez uma pose, empinando levemente o bumbum e arqueando as costas, o que fez o top subir e revelar a curva inferior de seus seios.
— RIMURU! — Guy rugiu, sua voz carregada de uma necessidade tão profunda que fez as paredes racharem. — Pare com isso agora.
— O que foi, Guy? — Ela perguntou, caminhando em direção a ele com aquele andar saltitante da Milim, fazendo tudo balançar. — Você não gosta de brincar?
Ela parou na frente dele e, com um dedo indicador, tocou o peitoral de Guy, descendo lentamente até a fivela do cinto dele.
— Você parece... tenso — ela sussurrou, aproximando-se do ouvido dele, enquanto sua coxa, adornada pelas fitas rosa, roçava propositalmente na ereção dele através do tecido.
Guy soltou um rosnado animal, agarrando os pulsos dela.
— Você está brincando com fogo, Rimuru. Se eu te pegar agora, não vai ter Veldora ou Milim no mundo que consiga te tirar debaixo de mim por uma semana. Eu vou te foder até você esquecer como se transforma em slime.
— Epa, epa! — Veldora despertou de seu transe, saltando entre os dois como um raio dourado. — SEM TOQUES! SEM AMEAÇAS DE CÓPULA! Rimuru, por favor, coloque uma calça! Uma armadura! Um sarcófago de gelo! Qualquer coisa!
— Ah, Veldora, deixe de ser estraga-prazeres — Rimuru disse, rindo e se afastando de Guy, que parecia pronto para cometer um crime. — É só uma roupa.
— É UMA ROUPA QUE ESTÁ FAZENDO O DEMÔNIO VERMELHO TER PENSAMENTOS QUE PODERIAM CRIAR UM NOVO MUNDO DEMONÍACO! — Veldora gritou, apontando para Guy.
Guy estava respirando de forma errática, seus olhos fixos nas amarrações rosa nas coxas de Rimuru. Ele imaginava sua língua percorrendo o caminho daquelas fitas, desfazendo os nós um por um enquanto Rimuru arranhava suas costas.
— Eu vou matar vocês três — Guy disse, olhando para Milim, Ramiris e Luminous, que observavam tudo da porta, morrendo de rir. — Eu vou destruir cada um dos seus domínios.
— Valeu a pena! — Ramiris gritou, limpando lágrimas de riso. — Olhem para a cara dele! Ele está tão desesperado que o gelo ao redor dele está derretendo!
— A estética da humilhação masculina é realmente fascinante — comentou Luminous, bebendo uma taça de vinho tinto.
Rimuru, vendo que Guy estava realmente chegando ao seu limite — e secretamente adorando o poder que tinha sobre ele —, decidiu dar o golpe de misericórdia. Ela se virou de costas para ele, olhou por cima do ombro e deu um tapinha na própria coxa, bem onde a fita rosa fazia um laço.
— Sabe, Guy... essas fitas são bem difíceis de tirar sozinha. Uma pena que eu vá passar a noite no quarto das meninas, não é?
Guy soltou um som que não era humano. Ele avançou, mas Veldora, em um ato de desespero heróico, agarrou Guy pela cintura, usando toda a sua força de Dragão Verdadeiro para segurá-lo.
— NÃO! VOCÊ NÃO VAI! EU SOU O ESCUDO DA PUREZA! — Veldora berrava, enquanto Guy tentava chutá-lo para longe.
— ME SOLTA, SEU LAGARTO MALDITO! EU VOU ACABAR COM ELA! — Guy gritava de volta, a face distorcida por uma mistura de fúria e desejo incontrolável.
Rimuru apenas riu, mandando um beijo no ar para o marido e correndo de volta para o salão das garotas.
— Tchauzinho, Guy! Boa noite!
A porta se fechou com um clique final, e o som das trancas mágicas de Ciel sendo ativadas ecoou como um veredito de morte para Guy Crimson.
Veldora soltou Guy, que caiu de joelhos no chão, batendo a testa no gelo frio para tentar acalmar o calor que consumia seu corpo.
— Eu odeio você — Guy murmurou para Veldora.
— O sentimento é recíproco, cunhado — Veldora respondeu, sentando-se novamente na frente da porta, vitorioso. — Agora, se me der licença, eu tenho um mangá para terminar enquanto garanto que nenhum demônio no cio entre neste recinto.
Guy ficou ali, no chão do corredor, com a imagem das coxas de Rimuru e daquelas fitas rosa queimadas em sua retina. Ele sabia que a vingança seria doce, e que, quando aqueles dois dias terminassem, Rimuru Tempest descobriria exatamente por que ele era o Lorde do Orgulho. Mas, por enquanto, o grande Guy Crimson era apenas um homem derrotado por um par de fitas cor-de-rosa e um irmão ciumento demais.