Violence
O Batismo de Sangue na Estrada de Ferro
A névoa da madrugada começava a se dissipar, mas o ar dentro da nova casa de Luka ainda estava pesado, carregado com a eletricidade estática de tensões que finalmente haviam rompido suas barragens. O som abafado de rock alternativo que ecoava na sala agora competia com o silêncio cúmplice que se instalara após as confissões.
Ivan e Till foram os primeiros a se retirar. Eles não se despediram formalmente; simplesmente desapareceram pela porta da frente, movendo-se como sombras que pertenciam uma à outra. Havia uma urgência silenciosa no modo como Ivan segurava o braço de Till, e todos na sala sabiam que aquela noite não terminaria em sono para os dois.
Lá em cima, no segundo andar, a atmosfera era tudo menos silenciosa. Luka e Hyuna haviam subido há algum tempo, e o som dos passos apressados logo deu lugar a ruídos que não deixavam margem para a imaginação. O ranger rítmico da cama e os gemidos desinibidos de Hyuna atravessavam o teto, ecoando na sala de estar como um lembrete constante da vida pulsante que tentava soterrar as memórias de morte da fazenda.
Na sala, o cenário era diferente. Mizi estava sentada no grande sofá de couro, observando o teto com uma expressão de tédio divertido, enquanto Sua permanecia ao seu lado, encolhida. O álcool que Sua consumira ao longo da noite começava a cobrar seu preço, mas não na forma de sono. Seus olhos roxos, geralmente melancólicos e distantes, agora brilhavam com uma névoa de desejo e desinibição.
— Eles não têm um pingo de discrição, não é? — Mizi comentou, sua voz vibrando como veludo no ar silencioso.
Sua não respondeu de imediato. Ela olhou para Mizi, sentindo o calor que emanava da garota de cabelos coloridos. A bebida havia removido as travas de sua timidez habitual, deixando exposta a carência profunda que a habitava desde o massacre. Ela não queria paz; ela queria sentir algo tão intenso que fizesse o mundo desaparecer novamente.
Com um movimento lento e deliberado, Sua se inclinou para frente e sentou-se no colo de Mizi, uma perna de cada lado de seus quadris.
Mizi arqueou uma sobrancelha dourada, surpresa, mas seus lábios se curvaram em um sorriso predatório. Suas mãos subiram automaticamente para a cintura de Sua, firmando-a ali.
— O que foi, Sua? A bebida te deixou corajosa? — Mizi perguntou, a voz descendo uma oitava, tornando-se perigosamente sedutora.
— Eu não quero mais ouvir o barulho deles — sussurrou Sua, aproximando o rosto do pescoço de Mizi. — Eu quero ouvir o meu.
Mizi não precisou de um segundo convite. O desafio e o convite nos olhos de Sua eram tudo o que ela precisava para liberar a natureza possessiva que vinha contendo. Sem desviar o olhar, Mizi deslizou as mãos pelas coxas de Sua, subindo o tecido de seda do vestido preto até que ele estivesse acumulado na cintura da garota.
— Você tem certeza disso? — Mizi sibilou, sua mão encontrando a renda da calcinha de Sua. — Porque se eu começar, eu não vou parar só porque você está bêbada.
— Começa logo — Sua implorou, a voz falhando enquanto ela se pressionava contra o corpo de Mizi.
Mizi obedeceu. Com um movimento ágil, ela afastou a calcinha de Sua para o lado e, sem qualquer hesitação, infiltrou três dedos de uma vez.
O impacto da invasão fez Sua soltar um grito abafado, a cabeça caindo para trás enquanto seu corpo se arqueava. Mizi não foi gentil; ela começou a bombear os dedos com uma força e velocidade que refletiam a adrenalina que ainda corria em suas veias desde a fazenda.
— Isso... — Sua gemeu, começando a quicar no colo de Mizi, acompanhando o ritmo frenético. — Mais rápido, Mizi... por favor.
Mizi rosnou, deliciando-se com o controle. Ela aumentou a pressão, os dedos movendo-se de forma rítmica e poderosa, enquanto sua outra mão subia para o pescoço de Sua, puxando-a para baixo para que pudesse atacar sua pele. Mizi mordeu a curva do ombro de Sua, deixando marcas que seriam lembretes visíveis de sua posse, enquanto a garota em seu colo perdia o controle dos sentidos.
— Você é tão apertada, Sua... — Mizi sussurrou contra a pele dela. — Tão responsiva.
Sua estava em transe. O prazer era uma onda violenta que a atingia repetidamente. Ela quicava com urgência, as unhas cravadas nos ombros de Mizi, os gemidos tornando-se mais altos, competindo com os barulhos que vinham do andar de cima. Ela sentia que estava prestes a explodir, o ápice a apenas um movimento de distância.
Mas, de repente, Mizi parou. Ela retirou os dedos abruptamente, deixando Sua em um estado de choque e frustração.
— Mizi... por que você parou? — Sua arquejou, os olhos roxos nublados de lágrimas de desejo.
— Porque eu quero que você implore — Mizi respondeu, sua expressão fria e excitada ao mesmo tempo.
Mizi deslizou a mão por dentro do decote do vestido, apertando um dos seios de Sua com força, fazendo a garota soltar um arquejo de dor e prazer misturados.
— Você quer que eu volte, não quer? — Mizi perguntou, aproximando os lábios da orelha de Sua. — Diga o quanto você precisa disso. Diga que você é minha.
— Eu sou sua... por favor, Mizi... volta... eu não aguento mais — Sua implorou, a voz quebrada, o corpo tremendo em uma antecipação torturante.
Satisfeita com a submissão, Mizi voltou ao ataque. Desta vez, ela inseriu quatro dedos, preenchendo Sua completamente. O grito que escapou da garganta de Sua foi visceral. Mizi recomeçou o movimento, mas agora de forma mais lenta e profunda, cada estocada calculada para levar Sua ao limite absoluto.
Sua voltou a quicar, mas seus movimentos eram mais pesados, mais entregues. Ela sentia cada centímetro de Mizi dentro dela. O clímax a atingiu como um trovão, fazendo seu corpo inteiro entrar em convulsão. Ela gozou com força, o rosto enterrado no pescoço de Mizi, enquanto soltava gemidos longos e agudos.
Mesmo sentindo Sua relaxar e tremer após o ápice, Mizi não parou. Ela continuou bombeando os dedos com uma determinação cruel, mantendo a estimulação no auge do sensível.
— Mizi... para... chega... — Sua balbuciou, tentando se afastar, mas Mizi a segurou firme pela cintura, impedindo-a de fugir do prazer que agora beirava a dor.
— Ainda não terminamos — Mizi declarou.
Ela puxou o rosto de Sua para um beijo brutal. No meio da troca frenética de línguas, Mizi mordeu a língua de Sua com força suficiente para que o gosto metálico do sangue inundasse a boca de ambas. O sangue fluía entre o beijo, um batismo renovado de violência e paixão.
Movida pela visão do sangue e pelos gemidos desesperados de Sua, Mizi aumentou a velocidade dos dedos novamente, bombeando com uma força bruta. Sua gozou pela segunda vez, um espasmo tão forte que ela perdeu os sentidos por alguns segundos, desabando completamente sobre o peito de Mizi.
O silêncio finalmente retornou à sala. Apenas a respiração pesada das duas e o som distante do rock na vitrola permaneciam. Mizi, com o rosto manchado de suor e um pouco do sangue de Sua nos lábios, retirou a mão e, com uma delicadeza contrastante, ajeitou a calcinha e o vestido da garota.
Sua permaneceu ali, aninhada no peito de Mizi, sentindo o coração da outra bater contra o seu. O álcool e o cansaço finalmente começavam a vencer a adrenalina.
— Você está bem? — Mizi perguntou, sua voz voltando ao tom calmo, quase carinhoso, enquanto passava a mão pelos cabelos pretos de Sua.
— Sim — Sua sussurrou, a voz ainda trêmula. — Eu nunca me senti tão viva... e tão morta ao mesmo tempo.
— É esse o segredo, Sua — Mizi comentou, olhando para a janela onde os primeiros raios de sol começavam a aparecer. — Depois daquela fazenda, a gente só consegue se sentir assim. No limite.
Elas conversaram em sussurros por mais alguns minutos, trocando promessas silenciosas e confissões que só o pós-coito e o trauma permitem. Eventualmente, o silêncio do sono as envolveu. Mizi acomodou Sua melhor no sofá, abraçando-a por trás, e ali mesmo, no centro daquela nova vida construída sobre ruínas, elas adormeceram.
Lá fora, o mundo acordava. Mas para Mizi, Sua, Luka, Hyuna, Ivan e Till, o mundo real agora era apenas aquele círculo de sobrevivência e os laços de sangue e desejo que os manteriam unidos, ou os destruiriam, para sempre.