voce e meu
Ouro e Afeto entre Migalhas de Inveja
A luz do entardecer filtrava-se pelas árvores do jardim da família Zneimer, criando padrões dançantes de sombra e dourado sobre a grama. Lily, com as mangas do seu vestido de seda cuidadosamente dobradas para cima, estava inclinada sobre a mesa principal, ajudando Lexi a organizar as bandejas de docinhos. Havia algo de terapêutico naquele gesto simples, algo que a conectava à sua essência antes de todo o glamour de Mônaco.
— Lily, você não precisa fazer isso, querida — disse Hanah, aproximando-se com uma travessa de brigadeiros gourmet que Lily fizera questão de encomendar da melhor confeitaria da cidade. — Você é convidada, deveria estar lá fora aproveitando a festa.
— Mãe, eu adoro ajudar — Lily respondeu com um sorriso doce, ajeitando um pequeno enfeite de açúcar no topo de um cupcake. — Estar aqui na cozinha com vocês, longe dos olhares curiosos lá de fora, é a melhor parte da festa.
Lexi, que terminava de limpar o rosto sujo de chocolate de Antonio, riu baixinho.
— Eu entendo você, mana. A tia Margareth já me perguntou três vezes se o relógio que você deu para o Antonio é "original mesmo" ou se é apenas uma réplica banhada. Algumas pessoas não conseguem ver a felicidade alheia sem tentar encontrar um defeito.
Lily suspirou, sentindo aquela pontada familiar de desconforto, mas antes que a tristeza pudesse se instalar, ela olhou pela janela que dava para o gramado. Lá estava Oscar. O homem que comandava reuniões de bilhões estava, naquele momento, agachado na grama, cercado por cinco crianças. Antonio corria ao redor dele, gritando de alegria enquanto Oscar fingia ser um monstro lento, arrancando gargalhadas histéricas dos pequenos.
— Ele é incrível com eles, não é? — comentou Hanah, observando o genro com admiração.
— Ele é — Lily concordou, o coração aquecido. — Oscar tem essa calma que atrai as crianças. Ele não se importa com o terno, com a grama ou com o que os outros pensam. Ele só quer que eles se divirtam.
Enquanto as três mulheres terminavam de preparar o bolo para o "parabéns", a porta da cozinha se abriu bruscamente. Entrou um dos primos de Lily, Marcus, acompanhado de sua esposa, Vanessa. Ambos traziam sorrisos sarcásticos no rosto, o tipo de expressão que Lily aprendera a temer desde a infância.
— Vejam só, a princesa de Mônaco na cozinha — debochou Marcus, servindo-se de um drink sem pedir licença. — O que foi, Lily? O Oscar cortou a sua mesada e agora você tem que trabalhar como ajudante de buffet?
Lily sentiu as bochechas esquentarem. Ela abriu a boca para responder, mas Lexi foi mais rápida.
— Marcus, deixe de ser idiota. Lily está nos ajudando porque ela tem consideração pela família, algo que parece faltar em você.
Vanessa soltou uma risadinha afetada, olhando para o anel de diamante no dedo de Lily.
— É claro, a "consideração". Deve ser fácil ser generosa quando se vive às custas de um marido rico. Diga-nos, Lily, como é a sensação de ser apenas um troféu caro na prateleira do Piastri? Você faz alguma coisa além de gastar o dinheiro dele com sapatos e câmeras fotográficas?
O silêncio que se seguiu foi tenso. Hanah ia intervir, mas um vulto alto e imponente apareceu à porta da cozinha. Oscar havia entrado silenciosamente, tendo ouvido as últimas frases. A aura de "tio brincalhão" havia desaparecido instantaneamente, substituída pela frieza calculada do CEO que fazia tubarões do mercado financeiro tremerem.
Ele caminhou até Lily e colocou a mão possessivamente em sua cintura, atraindo-a para o seu lado. Seus olhos claros fixaram-se em Vanessa com uma intensidade gélida.
— Eu acredito ter ouvido uma pergunta sobre como minha esposa gasta o nosso dinheiro — começou Oscar, sua voz baixa e perigosamente calma.
Marcus tentou manter a postura, embora desse um passo para trás.
— Estávamos apenas brincando, Piastri. Sabe como é, coisa de família.
— Curioso — retrucou Oscar, arqueando uma sobrancelha. — Na minha família, nós não usamos o termo "brincadeira" para esconder a inveja e a falta de educação. Mas, para sanar a sua curiosidade, Vanessa... Lily não gasta o "meu" dinheiro. Ela gasta o *nosso* dinheiro. Tudo o que eu construí, e tudo o que continuo construindo, pertence a ela tanto quanto a mim.
Ele fez uma pausa, deixando que o peso de suas palavras preenchesse a sala.
— E se ela quiser comprar uma coleção inteira de câmeras, ou dez mansões, ou simplesmente gastar fortunas em presentes para o sobrinho que ela ama, ela tem o meu total apoio e incentivo para fazê-lo. Lily tem um valor que vocês, com essa mentalidade pequena, jamais conseguiriam mensurar. Ela é a alma da minha casa e a razão do meu sucesso. Então, da próxima vez que sentirem vontade de questionar a posição dela, lembrem-se de que vocês estão falando da mulher mais poderosa da minha vida.
Vanessa empalideceu, e Marcus desviou o olhar, subitamente muito interessado nos próprios sapatos.
— Agora — continuou Oscar, sua voz voltando a um tom educado, porém cortante —, se nos dão licença, minha esposa prometeu me ajudar a cortar o bolo do Antonio. E eu não gostaria de perder mais nem um segundo da companhia dela com conversas tão... irrelevantes.
Oscar guiou Lily para fora da cozinha, deixando os parentes atônitos para trás. Assim que chegaram ao corredor, Lily soltou o ar que nem sabia que estava prendendo.
— Oscar... você não precisava ter sido tão duro.
Ele parou e segurou o rosto dela com as duas mãos, obrigando-a a olhá-lo nos olhos.
— Lily, eu preciso, sim. Eu não vou permitir que ninguém, especialmente pessoas que deveriam te amar, tente diminuir quem você é. Você não é um troféu, você é a minha parceira. E se eu tenho bilhões, é para que você nunca mais tenha que ouvir que não pode ter algo, ou que não é merecedora do melhor que o mundo oferece. Entendeu?
Lily sorriu, sentindo uma lágrima de alívio escapar.
— Entendi.
— Ótimo — ele beijou a ponta do nariz dela. — Agora, vamos lá. As crianças estão convencidas de que eu sou um dragão que precisa ser derrotado por um pedaço de bolo de chocolate.
O restante da festa transcorreu de forma maravilhosa. Lily, sentindo-se renovada pela proteção do marido, entregou-se ao momento. Ela ajudou Lexi a servir as fatias generosas de bolo, rindo quando Antonio tentou comer a cobertura com as mãos. Ela conversou longamente com sua mãe sobre planos para as próximas férias, prometendo levar Hanah para passar um mês com eles em Mônaco.
Em certo momento, Lily pegou sua câmera. Ela se afastou um pouco da multidão e começou a clicar. Capturou Lexi abraçada ao marido, capturou o brilho nos olhos de sua mãe, e capturou Oscar.
Ele estava sentado em um banco de madeira, com Antonio no colo. O menino mostrava orgulhoso o relógio novo, e Oscar explicava pacientemente como os ponteiros funcionavam. Não havia vestígio do bilionário implacável ali; apenas um homem dedicado, que valorizava os laços que Lily tanto prezava.
Ao fim da tarde, enquanto os convidados começavam a ir embora, Lily se viu sozinha por um momento perto da mesa de doces, agora quase vazia. Sua tia Margareth se aproximou, desta vez sem o tom de deboche, parecendo um pouco mais contida após os boatos do que acontecera na cozinha se espalharem.
— Você parece feliz, Lily — disse a tia, quase como se fosse um insulto.
— Eu sou muito feliz, tia — Lily respondeu com serenidade. — Não por causa das coisas que eu tenho, mas pelas pessoas que decidiram ficar ao meu lado.
— É... aquele rapaz, o Piastri... ele parece realmente gostar de você. É uma surpresa, admito. Nós sempre achamos que você seria a primeira a... bem, você sabe.
— A falhar? — Lily completou a frase com um sorriso tranquilo. — Pois é. Acontece que, quando você encontra alguém que acredita em você, falhar deixa de ser uma opção.
Margareth não teve resposta para aquilo e apenas se retirou com um aceno seco.
Oscar apareceu logo em seguida, estendendo a mão para a esposa.
— Pronta para ir para casa, Sra. Piastri?
— Pronta — ela disse, entrelaçando seus dedos aos dele.
Eles se despediram de Lexi e Hanah com promessas de se verem em breve. Enquanto caminhavam em direção ao Bentley estacionado, o sol já havia se posto, e as luzes do jardim criavam um clima cinematográfico.
Dentro do carro, o silêncio era confortável. Lily encostou a cabeça no banco de couro, sentindo o cansaço bom de um dia cheio de emoções.
— Sabe, Oscar — ela começou, olhando pela janela as luzes da cidade passando —, hoje eu percebi que eles nunca vão mudar. Minha família, os comentários... eles sempre vão ver o dinheiro antes de ver a mim.
Oscar, que estava verificando algumas mensagens no celular, desligou o aparelho e deu total atenção a ela.
— E isso importa para você?
Lily pensou por um momento.
— Antes importava. Eu passava noites acordada tentando entender o que havia de errado comigo. Mas hoje, vendo você defendendo o nosso espaço, e vendo a alegria da Lexi... eu percebi que a opinião deles é apenas ruído.
— Exatamente — Oscar concordou, puxando-a para um abraço lateral. — O mundo pode falar o que quiser, Lily. Eles podem inventar teorias sobre por que estamos juntos ou como gastamos nossa vida. Mas a verdade é que, quando as luzes se apagam e voltamos para a nossa casa, somos apenas nós dois. E isso é mais do que qualquer um deles jamais terá.
— Você é o meu melhor presente, sabia? — ela sussurrou, fechando os olhos.
— E você é o meu império, Lily. Todo o resto é apenas cenário.
O carro seguiu viagem em direção ao aeroporto, onde o jato particular os aguardava para devolvê-los ao refúgio em Mônaco. Lily adormeceu no ombro de Oscar, com a certeza de que, não importava quão cruel o mundo pudesse tentar ser, ela tinha encontrado seu lugar seguro. Ela não era mais a garota que "não teria ninguém". Ela era a mulher que tinha tudo, porque tinha o amor de um homem que sabia que a maior riqueza não se conta em moedas, mas em lealdade e respeito.
E para Oscar, ver Lily dormir em paz, sabendo que ele era o seu escudo contra o mundo, valia mais do que qualquer fusão ou aquisição bilionária que ele pudesse realizar. Naquele universo de luxo e poder, o maior sucesso de Oscar Piastri era, e sempre seria, o sorriso de sua esposa.