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voce e meu

O Eco do Futuro em um Olhar

O Bentley deslizava silenciosamente pelas ruas que contornavam a costa, mas em vez de seguirem diretamente para o aeroporto onde o jato particular os aguardava, Oscar fez um sinal discreto para o motorista. Lily, que despertava de um leve cochilo, olhou pela janela e percebeu que a paisagem não era a do terminal executivo.

— Oscar? Para onde estamos indo? — perguntou ela, ajeitando uma mecha de cabelo que caíra sobre o rosto.

Oscar sorriu, aquele sorriso de canto de boca que ele reservava apenas para os momentos em que estava prestes a mimá-la.

— Pensei que não deveríamos terminar a noite com o gosto de salgadinhos de festa infantil e a energia pesada dos seus primos. Reservei uma mesa no *L'Éclat*. Eles têm aquele risoto de lagosta que você adora e, mais importante, eles têm silêncio.

Lily sorriu, sentindo a tensão remanescente da tarde se esvair completamente. O *L'Éclat* era um dos restaurantes mais exclusivos da região, um lugar onde a discrição era a moeda principal e a vista para o Mediterrâneo era de tirar o fôlego.

Ao chegarem, foram conduzidos a uma mesa isolada no terraço, protegida por painéis de vidro que barravam o vento, mas permitiam uma visão panorâmica das luzes da cidade refletidas no mar escuro. Oscar ajudou Lily a tirar o casaco e, assim que se sentaram, ele pediu uma garrafa de um vinho branco raro que ela apreciava.

— Você planejou isso o tempo todo, não foi? — Lily perguntou, apoiando os cotovelos na mesa de linho branco.

— Digamos que eu conheço bem o efeito que sua família tem sobre você — Oscar respondeu, cruzando as mãos sobre a mesa. — Eu queria que a última lembrança deste dia fosse nós dois, tranquilos.

Lily pegou sua câmera, que estava no banco ao lado, e a colocou sobre a mesa. Seus olhos brilhavam de animação.

— Eu tirei fotos incríveis hoje, Oscar. Apesar de tudo, a Lexi estava tão feliz... e o Antonio é a criança mais doce do mundo.

— Deixe-me ver — pediu ele, aproximando sua cadeira da dela.

Lily ligou o visor da câmera e começou a passar as imagens. A cada foto, ela explicava o que sentira naquele momento. Havia fotos de detalhes: o brilho de uma gota de orvalho em uma pétala, o sorriso banguela de Antonio, a mão de Hanah descansando no ombro de Lexi.

— Esta é a minha favorita — disse Oscar, parando a mão de Lily quando ela ia passar uma foto.

Era a foto que ela tirara dele no jardim. Oscar estava sentado no banco, o terno ligeiramente amassado, com o sobrinho no colo. A luz do pôr do sol criava uma aura ao redor deles, e a expressão de Oscar era de uma ternura tão pura que parecia quase vulnerável.

— Você fica tão bem com ele, Oscar — sussurrou Lily, observando a imagem. — Você tem um jeito natural. Não parece o CEO que intimida todo mundo em uma sala de reuniões.

Oscar ficou em silêncio por um momento, os olhos fixos na tela pequena. Ele sentiu um aperto no peito, uma mistura de orgulho e um desejo que vinha cultivando há meses, mas que nunca quis pressionar em Lily.

— Eu gosto de ser tio, Lily. Mas, vendo o Antonio hoje... vendo como ele olha para a Lexi e como a casa dela, apesar de simples, é cheia de uma vida que o dinheiro não compra... isso me fez pensar.

Lily sentiu o coração acelerar. Ela desligou a câmera e a colocou de lado, focando toda a sua atenção no marido. O ambiente ao redor parecia ter desaparecido; não havia garçons, não havia mar, não havia Mônaco. Havia apenas a verdade entre eles.

— Pensar em quê? — perguntou ela, a voz quase um sussurro.

Oscar pegou a mão dela, traçando círculos lentos com o polegar sobre a pele delicada.

— Em nós. Em como nossa casa em Mônaco é linda, mas às vezes parece grande demais para apenas duas pessoas. Em como eu adoraria ver alguém com os seus olhos correndo por aqueles corredores, ou ver você ensinando alguém a segurar uma câmera da mesma forma que você faz.

Lily sentiu os olhos marejarem. Era o que ela queria dizer a tarde toda, desde que vira Oscar brincando na grama, mas o medo de que ele estivesse focado demais na carreira, ou de que ele achasse que ela ainda não estava pronta, a impedira.

— Oscar... — ela começou, a voz trêmula — ...eu passei a festa inteira olhando para você com o Antonio e pensando exatamente a mesma coisa. Por muito tempo, eu achei que não seria uma boa mãe porque minha família me dizia que eu era fraca, que eu não daria conta de nada. Mas quando eu vejo como você cuida de mim, como você acredita em mim... eu sinto que, com você, eu posso ser qualquer coisa.

Oscar inclinou-se para frente, a expressão intensa.

— Lily, você é a mulher mais forte que eu conheço. E eu não digo isso para te agradar. Eu digo porque vi você florescer em um jardim seco. Eu quero um filho com você mais do que qualquer contrato bilionário ou expansão de mercado. Eu quero construir uma família que tenha a sua bondade e a sua luz.

Lágrimas de felicidade rolaram pelo rosto de Lily, e ela não se importou em limpá-las.

— Você está falando sério? Você quer mesmo começar isso agora?

— Não há nada que eu queira mais — afirmou Oscar, com uma convicção que não deixava margem para dúvidas. — Eu quero que a gente tenha o nosso próprio pequeno mundo. E prometo a você, Lily, que nossos filhos nunca vão ouvir uma palavra que os diminua. Eles vão crescer sabendo que o valor deles está no que eles são, não no que eles têm. E eles terão a melhor mãe do mundo.

Lily esticou o braço e tocou o rosto de Oscar, sentindo a pele quente e a barba rala.

— E o melhor pai. Você vai ser o herói deles, Oscar. Exatamente como você é o meu.

— Eu só quero ser o homem que você merece, Lily — disse ele, beijando a palma da mão dela. — O resto é consequência.

O jantar chegou, mas a comida parecia secundária diante da magnitude da decisão que haviam tomado. Eles conversaram sobre o futuro, sobre como transformariam um dos quartos da mansão em um berçário, sobre as viagens que fariam e como a vida mudaria. Não havia medo, apenas uma antecipação doce e vibrante.

— A tia Margareth vai ter um colapso quando souber — brincou Lily, limpando os olhos com o guardanapo de seda. — Ela ainda está tentando processar o fato de que você não me devolveu para a minha família depois de um ano de casamento.

Oscar soltou uma risada curta, mas carregada de desprezo pelos parentes da esposa.

— Deixe que eles falem. Enquanto eles se preocupam com a nossa vida, nós estaremos vivendo-a. E quando tivermos nosso filho, a única coisa que eles verão será o quanto somos inalcançáveis para a amargura deles.

Depois do jantar, eles caminharam brevemente pelo cais próximo ao restaurante. O ar da noite estava fresco, e Oscar envolveu Lily em seus braços, protegendo-a do sereno. Eles olharam para o horizonte, onde o céu e o mar se fundiam em um azul profundo.

— Você está feliz, Lily? — perguntou ele, a voz abafada pelos cabelos dela.

— Eu nunca estive tão em paz — ela respondeu, aninhando-se mais profundamente no abraço dele. — Obrigada por não desistir de mim, Oscar. Mesmo quando eu mesma quase desisti.

— Eu nunca desistiria do meu melhor investimento — ele brincou, mas logo mudou o tom para algo mais sério. — Você é o meu coração, Lily. E agora, você vai ser o coração da nossa família.

Eles voltaram para o carro, mas a atmosfera era diferente. Havia um novo propósito, uma eletricidade silenciosa que os unia ainda mais. O motorista os levou ao jato e, durante o voo de volta para Mônaco, Lily não conseguiu dormir. Ela ficou olhando para as nuvens iluminadas pela lua, pensando na vida que estava prestes a começar.

Oscar trabalhava em seu laptop ao lado dela, mas, de vez em quando, ele parava, olhava para ela e sorria, como se estivessem compartilhando o segredo mais maravilhoso do universo. Ele fechou o computador e estendeu a mão para ela.

— Venha aqui — chamou ele.

Lily sentou-se no colo dele, e Oscar a abraçou com força, escondendo o rosto em seu pescoço.

— Eu estava pensando — murmurou ele. — Se for uma menina, eu quero que ela tenha o seu olhar para o mundo. Que ela veja beleza onde ninguém mais vê.

— E se for um menino, eu quero que ele tenha a sua determinação e a sua calma — Lily respondeu, acariciando os cabelos castanhos dele.

— Ele vai ser um sortudo — disse Oscar, olhando nos olhos dela. — Porque ele terá você como bússola.

Quando o jato finalmente pousou em Mônaco e eles entraram na mansão silenciosa, o luxo das paredes de mármore e das obras de arte parecia ter ganhado um novo significado. Aquilo não era apenas um monumento ao sucesso de Oscar; era o ninho que eles estavam preparando para o futuro.

Eles subiram para o quarto principal, e Oscar parou na porta, observando Lily caminhar até a varanda para olhar as luzes do principado. Ela parecia uma visão, envolta na seda azul do vestido, com a postura de alguém que finalmente sabia o seu lugar no mundo.

Oscar aproximou-se por trás e abraçou sua cintura, descansando as mãos sobre o ventre dela, um gesto carregado de promessa e esperança.

— Este é o começo de tudo, não é? — perguntou Lily.

— Sim, meu amor — respondeu Oscar, beijando o ombro dela. — O começo do nosso verdadeiro império.

Naquela noite, sob o céu de Mônaco, o bilionário e sua esposa não sonharam com negócios, ações ou propriedades. Eles sonharam com risadas infantis, com passos pequenos ecoando pelo mármore e com a certeza de que a lealdade que os unia era a única herança que realmente importava. Lily Zneimer Piastri não era mais a garota diminuída pela família; ela era a rainha de um império construído sobre o amor, e seu rei estava pronto para dar a ela o mundo inteiro, começando por uma nova vida.

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