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Você nunca souber

Sob a Pele e as Sombras

A porta do quarto de Ryan bateu com um clique seco, selando o mundo lá fora. O silêncio que se seguiu não era desconfortável; era denso, carregado de uma urgência que ambos vinham reprimindo há anos sob o disfarce de "melhores amigos". Murilo sentia o sangue latejar nas pontas dos dedos, o bloco de desenho esquecido sobre o tapete.

Ryan não se afastou depois de fechar a porta. Ele permaneceu ali, com as costas encostadas na madeira, observando Murilo com uma intensidade que fazia o ar parecer escasso. Não havia mais a proteção das cartas, nem o distanciamento das metáforas sobre física ou futebol. Era apenas a pele, o desejo e a verdade nua.

— Eu passei tanto tempo imaginando como seria estar sozinho com você desse jeito — confessou Ryan, a voz rouca, vibrando em um tom que Murilo nunca ouvira antes. — Sem a Letícia, sem o time, sem o peso de ser quem eles esperam que eu seja.

Murilo deu um passo à frente, a coragem subindo por sua espinha como um calafrio.

— E como é, agora que não é mais imaginação?

Ryan não respondeu com palavras. Ele avançou, diminuindo a distância entre eles em dois passos largos e segurou o rosto de Murilo com as duas mãos. O toque era possessivo, mas carregado de uma ternura desesperada. Quando seus lábios se encontraram, não foi como o beijo hesitante do vestiário. Foi uma explosão.

Murilo soltou um gemido baixo contra a boca de Ryan, suas mãos encontrando o caminho para a cintura do atleta, puxando-o para mais perto, querendo fundir seus corpos. Ryan o empurrou gentilmente até que as costas de Murilo batessem contra a parede ao lado da escrivaninha. O impacto foi suave, mas a pressão do corpo de Ryan contra o seu era firme, sólida e inebriante.

— Você não tem ideia — sussurrou Ryan entre beijos que desciam pelo maxilar de Murilo até o seu pescoço — do quanto o seu cheiro me enlouquecia naquelas tardes de estudo. Eu tentava focar nos livros, mas só conseguia pensar em como seria sentir a sua pele.

As mãos de Ryan deslizaram para baixo da camiseta de Murilo, as palmas quentes encontrando a pele macia das costas dele. Murilo estremeceu, arqueando o corpo para buscar mais contato. Cada toque era como uma descarga elétrica, queimando as últimas barreiras de insegurança que ele ainda carregava.

— Ryan... — Murilo arfou, a cabeça tombando para trás enquanto os lábios de Ryan encontravam o ponto sensível logo abaixo de sua orelha. — A gente... a gente realmente está fazendo isso?

— A gente demorou demais para fazer isso — Ryan respondeu, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos de Murilo. Havia um fogo ali, uma fome que Murilo nunca pensou que despertaria em alguém, muito menos no garoto de ouro da escola.

Com um movimento ágil, Ryan puxou a camiseta de Murilo por cima da cabeça dele, jogando-a em algum lugar do quarto. Em seguida, ele se livrou da própria camisa, revelando os músculos definidos pelo treino, mas que agora pareciam feitos apenas para serem explorados pelas mãos de Murilo.

Quando seus peitos se tocaram, a sensação de pele contra pele fez o mundo de Murilo girar. Ele passou as mãos pelos ombros largos de Ryan, sentindo a força ali, a vibração da respiração pesada dele. Ryan o pegou pelas coxas, levantando-o com facilidade. Murilo envolveu a cintura dele com as pernas, prendendo-se ao seu porto seguro.

Ryan o carregou até a cama, deitando-o sobre os lençóis bagunçados entre os desenhos e as cartas. Ali, sob a luz suave do abajur, o drama da escola parecia uma memória distante. Não havia certo ou errado, apenas a conexão magnética entre dois garotos que se amavam em segredo e que agora, finalmente, se pertenciam por inteiro.

— Eu te amo — Murilo sussurrou, a voz trêmula pela intensidade do momento. — Não nas cartas. Aqui. Agora.

Ryan sorriu, um sorriso que não era para as câmeras ou para a torcida, mas apenas para Murilo.

— Eu sei. E eu vou passar o resto da noite te provando que eu sinto o mesmo.

O que se seguiu foi uma dança de descobertas e entregas. Cada toque era uma resposta a anos de perguntas silenciosas. No calor daquele quarto, entre suspiros e promessas sussurradas, Murilo entendeu que o brilho nos olhos de Ryan, aquele que ele tanto descrevera em suas cartas, agora brilhava exclusivamente por ele. E naquela noite, o "nerd da física" e o "capitão do time" deixaram de existir, dando lugar a apenas dois corações que, finalmente, batiam no mesmo ritmo.

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