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Water

Entre o Orvalho e o Vendaval: A Lição que a Pele Ensina

A chuva continuava a fustigar o telhado de palha da cabana, um som rítmico que isolava o mundo exterior e criava um casulo de sombras e calor humano. Sanemi estava sobre Tomioka, os braços sustentando o peso do corpo enquanto encarava aqueles olhos azuis que, pela primeira vez, pareciam menos com um lago congelado e mais com o mar profundo antes de uma tempestade.

— Sanemi — sussurrou Tomioka, as mãos ainda presas desajeitadamente nos ombros do Hashira do Vento. — Seus olhos... eles estão diferentes.

— É porque eu estou prestes a perder o controle, Giyu — Sanemi rosnou, a voz vibrando contra o peito do outro. — E a culpa é toda sua por ser tão... tão você.

Sanemi não esperou por uma resposta lógica ou uma pergunta sobre anatomia. Ele atacou os lábios de Tomioka com uma urgência que vinha sendo alimentada por meses de beijos castos e abraços interrompidos pela timidez irritante do moreno. Desta vez, não havia hesitação. A língua de Sanemi pediu passagem, explorando a boca de Tomioka com uma fome que fez o Hashira da Água arquear as costas, sentindo o choque elétrico daquela nova intensidade.

Tomioka soltou um som abafado, uma mistura de surpresa e uma descoberta súbita de prazer. Suas mãos, antes incertas, subiram para a nuca de Sanemi, os dedos embrenhando-se nos cabelos brancos e espetados, puxando-o para mais perto, como se tentasse fundir seus corpos.

— Isso... — Tomioka conseguiu dizer quando Sanemi desceu os beijos para a mandíbula dele — ... é o que você sentia o tempo todo?

— Pior que isso — respondeu Sanemi, a respiração quente contra a orelha de Giyu. — Era como ter um incêndio dentro do peito e você jogando baldes de gelo em mim com essa sua cara de quem não quer nada.

Com movimentos ágeis, mas surpreendentemente cuidadosos, Sanemi começou a desamarrar as cordas do uniforme de Tomioka. O haori de padrões divididos foi o primeiro a ser deixado de lado, seguido pela túnica escura do esquadrão. Quando a pele pálida de Tomioka foi revelada sob a luz pálida da lua que filtrava pelas frestas, Sanemi parou por um segundo. As cicatrizes de batalha estavam lá, marcas de uma vida de sacrifício, mas para Sanemi, ele parecia a coisa mais preciosa que já vira.

— Você está tremendo — observou Tomioka, tocando o braço de Sanemi com as pontas dos dedos frios. — Você está com frio?

Sanemi soltou uma risada curta, quase um latido.

— Não é frio, seu idiota. É desejo. Meu corpo não sabe o que fazer com tanta vontade de te tocar.

Sanemi livrou-se de suas próprias vestes superiores, revelando o peito largo e repleto de cicatrizes profundas, testemunhos de sua fúria e sobrevivência. Quando ele se pressionou novamente contra Tomioka, pele contra pele, o Hashira da Água soltou um suspiro longo, fechando os olhos enquanto absorvia o calor intenso que emanava de Sanemi.

— É quente — murmurou Tomioka, as mãos explorando as cicatrizes no peito de Sanemi. — Eu sempre achei que você fosse apenas... barulhento. Mas seu corpo é muito acolhedor.

— Só para você — Sanemi confessou, a voz rouca, antes de descer os beijos para o pescoço e a clavícula de Giyu, deixando marcas avermelhadas que se destacavam na pele alva.

Sanemi levou uma das mãos até a cintura de Tomioka, descendo para o hakama. Ele sentia o coração de Giyu batendo acelerado contra o seu próprio peito. O Hashira da Água estava visivelmente nervoso, embora tentasse manter sua fachada de indiferença.

— Giyu — Sanemi chamou, esperando que ele olhasse nos seus olhos. — Se você quiser parar... se for demais... me avisa. Eu não sou um monstro, por mais que eu pareça um.

Tomioka abriu os olhos, a névoa de confusão dando lugar a uma clareza suave. Ele estendeu a mão e acariciou a cicatriz que cruzava o rosto de Sanemi, um gesto de carinho que desarmou o Hashira do Vento completamente.

— Eu confio em você, Sanemi — disse Tomioka com uma sinceridade que doeu no peito do outro. — Eu não conheço os passos desta dança, mas quero que você me guie.

Sanemi sentiu um nó na garganta. Ele não era bom com palavras, nunca fora. Sua linguagem era a violência, o vento cortante e a proteção agressiva. Mas ali, com Giyu, ele sentiu que precisava ser outra coisa. Ele precisava ser o porto seguro que o homem sob ele nunca teve.

— Então presta atenção — sussurrou Sanemi, deslizando a mão para baixo, encontrando a pele sensível das coxas de Tomioka. — Porque eu só vou te ensinar isso uma vez.

O clima na cabana mudou. O que antes era uma tensão frustrante transformou-se em uma descoberta mútua. Sanemi movia-se com uma paciência que ele não sabia que possuía, usando as mãos e a boca para despertar sensações que faziam Tomioka morder o lábio inferior para não gritar.

— Sanemi... — o nome saiu como um lamento quando os dedos de Sanemi encontraram um ponto particularmente sensível. — O que é... o que é isso? Parece que meu corpo está derretendo.

— É o prazer, Giyu — Sanemi sorriu contra a pele do abdômen dele. — É a água fervendo.

Tomioka perdeu a conta de quantas vezes seu fôlego falhou. Ele se sentia como se estivesse em meio a um turbilhão, mas em vez de ser cortado pelas rajadas de vento, ele estava sendo envolvido por elas. Sanemi era intenso, cada toque era carregado de uma possessividade que, em vez de assustar, trazia a Tomioka uma sensação estranha de pertencimento. Pela primeira vez em anos, ele não se sentia o "intruso" entre os Hashiras, ou o homem que não deveria estar ali. Ele era apenas Giyu, e Sanemi o queria.

Quando Sanemi finalmente se preparou para a união total, ele parou, a testa encostada na de Tomioka, ambos ofegantes. O suor brilhava em seus corpos sob a luz fraca.

— Vai ser estranho no começo — avisou Sanemi, a voz falhando. — Mas eu vou devagar.

Tomioka assentiu, as pernas envolvendo a cintura de Sanemi em um convite silencioso que ele nem sabia que estava fazendo, agindo por puro instinto.

— Eu sei. Apenas... não se afaste.

A dor inicial fez Tomioka tensionar, os dedos cravando-se nos ombros de Sanemi, mas o Hashira do Vento não se moveu. Ele esperou, cobrindo o rosto de Giyu com beijos suaves, sussurrando xingamentos carinhosos que, na linguagem de Sanemi, eram as mais puras declarações de amor.

— Respira, Giyu. Respira comigo. Usa essa droga de Respiração da Água para relaxar, seu idiota.

Tomioka soltou uma risada entrecortada, o corpo começando a ceder à presença de Sanemi.

— Você é... muito rude... até agora — reclamou Tomioka, mas sua voz estava carregada de um afeto profundo.

— E você é um teimoso — rebateu Sanemi, começando a se mover.

O ritmo que se seguiu não era o de uma batalha, mas o de uma harmonia caótica. Sanemi era o vendaval, impulsionando cada movimento com uma força que exigia tudo de Tomioka, e Tomioka era o rio, moldando-se à forma de Sanemi, recebendo-o e fluindo com ele. Os sons na cabana agora eram outros: o impacto rítmico dos corpos, os gemidos que Tomioka não conseguia mais conter e os rosnados baixos de satisfação de Sanemi.

Para Tomioka, o mundo havia se reduzido àquele espaço pequeno. Não havia demônios, não havia o peso do passado, não havia a solidão de sua mansão silenciosa. Havia apenas o calor de Sanemi, o cheiro de sândalo e suor, e a sensação avassaladora de ser preenchido por algo muito maior do que ele mesmo.

Quando o ápice chegou, foi como se uma barragem tivesse rompido. Sanemi enterrou o rosto no ombro de Tomioka, seu corpo tremendo violentamente enquanto ele liberava meses de desejo acumulado. Tomioka arqueou o pescoço, os olhos revirando levemente enquanto uma onda de prazer puro percorria sua espinha, deixando-o sem forças, flutuando em um mar de sensações.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som das respirações pesadas e pelo gotejar contínuo da chuva lá fora. Sanemi não se afastou imediatamente; ele permaneceu ali, o peso de seu corpo servindo como uma âncora para Tomioka, que parecia estar em algum lugar longe dali.

— Giyu? — Sanemi chamou, a voz agora suave, quase irreconhecível.

— Hmm? — Tomioka respondeu, os olhos ainda fechados, um pequeno sorriso de satisfação nos lábios.

— Você ainda acha que precisa de um médico para o inchaço?

Tomioka abriu um dos olhos, olhando para Sanemi com uma ponta de diversão.

— Acho que o tratamento que você aplicou foi... eficaz. Embora eu sinta que não conseguirei caminhar até a Vila dos Ferreiros amanhã.

Sanemi riu, uma risada leve que vibrou contra o peito de Tomioka. Ele se deitou ao lado do moreno, puxando o manto para cobrir ambos e trazendo Giyu para perto, de modo que a cabeça do Hashira da Água descansasse em seu braço.

— A gente fica aqui até você conseguir andar — decidiu Sanemi, fechando os olhos. — Se algum demônio aparecer, eu cuido dele enquanto você descansa.

Tomioka se aconchegou mais ao corpo de Sanemi, sentindo o calor reconfortante que agora ele entendia perfeitamente.

— Sanemi?

— O que foi agora?

— O manual de sobrevivência não mencionou que isso deixaria minhas pernas como se fossem feitas de papel.

Sanemi soltou um bufo divertido, depositando um beijo no topo da cabeça de Giyu.

— Joga esse manual fora, Giyu. Daqui para frente, eu sou o seu manual.

— Entendo — murmurou Tomioka, já entregando-se ao sono. — Mas espero que o próximo capítulo não envolva tantos gritos.

— Cala a boca e dorme, idiota.

A chuva continuou a cair, lavando a terra e as marcas da batalha lá fora, mas dentro daquela cabana, o fogo que Sanemi e Tomioka haviam acendido permaneceria queimando por muito tempo, transformando o vendaval e o rio em algo novo, algo que nenhum deles jamais pensou que encontraria: a paz nos braços um do outro.