World Cup
Entre a Posse e o Desejo
O isolamento acústico do SUV blindado era absoluto. Lá fora, o mundo poderia estar desmoronando, a imprensa poderia estar caçando o paradeiro do camisa 7 do Brasil, ou Virgínia poderia estar postando mais dez stories, mas dentro daquele habitáculo revestido de couro escuro e cheirando ao perfume amadeirado e caro de Kylian, o tempo parecia ter dobrado sobre si mesmo.
Vini mal teve tempo de processar a transição. Em um segundo, ele tentava argumentar sobre a logística da seleção; no outro, sentiu as mãos fortes de Kylian em sua cintura, erguendo-o com uma facilidade que sempre o lembrava da potência atlética absurda do namorado. Agora, Vinícius estava sentado no colo do francês, com as pernas abertas ao redor do quadril dele, sentindo cada centímetro daquela tensão muscular que emanava de Mbappé.
— Você está muito agitado, Vinícius — Kylian murmurou, as mãos descendo da cintura para apertar as coxas do brasileiro com uma força que deixaria marcas, mas que Vini, em seu estado de transe induzido pela adrenalina, só conseguia desejar que fosse maior. — O que foi? O susto com a sua "amiga" lá fora ainda não passou?
— Não começa, Kylian — Vini respondeu, a voz saindo mais trêmula do que ele gostaria. Ele tentou apoiar as mãos nos ombros do francês para manter algum equilíbrio, mas o movimento só serviu para aproximar ainda mais seus rostos. — Eu já te disse que aquilo não foi nada. Você é quem está agindo como um lunático.
Kylian soltou uma risada sombria, um som que vibrou diretamente no peito de Vini. Ele inclinou a cabeça, deixando o nariz roçar o pescoço do brasileiro, inalando profundamente como se estivesse tentando memorizar o cheiro da pele dele para substituir qualquer rastro de dúvida.
— Um lunático? Talvez — admitiu o francês, os lábios roçando a mandíbula de Vini. — Mas sou um lunático que não gosta de compartilhar. E muito menos de ser ignorado. Você sabe o que acontece quando eu me sinto deixado de lado, *mon coeur*?
— Você vira um ditador insuportável? — Vini tentou brincar, mas o sarcasmo morreu na garganta quando Kylian mordeu levemente o lóbulo de sua orelha, uma promessa silenciosa de que as brincadeiras estavam chegando ao fim.
— Eu viro alguém que precisa de garantias — corrigiu Kylian, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos de Vini. O olhar dele estava escuro, quase negro sob a luz fraca do interior do carro. — Garantias de que, não importa quantas modelos, influenciadoras ou capas de revista apareçam, você sabe exatamente a quem pertence.
— Eu não pertenço a ninguém, Kylian — Vini rebateu, tentando manter um resquício de dignidade, embora seu corpo estivesse traindo cada palavra, reagindo ao toque possessivo do outro. — Eu sou meu.
Kylian arqueou uma sobrancelha, um sorriso desafiador brincando nos lábios.
— É mesmo? Então por que seu coração está batendo tão rápido agora que minhas mãos estão aqui? — Ele deslizou as palmas por baixo da camisa de treino de Vini, sentindo a pele quente e os músculos abdominais contraídos. — Por que você não me empurrou para longe agora, como fez lá no lobby?
— Porque aqui não tem câmeras — Vini sussurrou, a resistência desmoronando conforme Kylian começava a distribuir beijos lentos e possessivos pela sua clavícula.
— Ótimo — disse o francês, a voz agora carregada de uma urgência que Vini conhecia bem. — Porque eu planejei descarregar cada grama dessa irritação em você. Você me deve nove meses de paciência, Vinícius. E hoje, eu vou cobrar os juros.
O beijo que se seguiu não teve nada de gentil. Foi uma colisão de dentes e línguas, uma disputa por domínio que Kylian estava determinado a vencer. Ele segurou a nuca de Vini, puxando os fios curtos do cabelo dele para forçar o ângulo, enquanto a outra mão explorava o corpo do brasileiro com uma intimidade proprietária. Vini gemeu contra os lábios dele, as mãos apertando os ombros de Kylian, sentindo-se pequeno e, ao mesmo tempo, imensamente vivo sob aquele controle.
Kylian interrompeu o beijo por um segundo, a respiração pesada misturando-se à de Vini.
— Você vai para Paris comigo — não era um pedido, era uma ordem. — E você vai apagar aquele aplicativo de fofocas do seu celular. Se eu vir mais uma notificação sobre a sua vida pessoal que não me inclua, eu vou pessoalmente confiscar esse aparelho.
— Você é louco — Vini riu, uma risada sem fôlego, enquanto sentia Kylian descer os beijos para o seu peito. — O Haaland e o Lamine também são assim? Porque se forem, a gente precisa abrir um grupo de apoio para jogadores brasileiros traumatizados por europeus possessivos.
— O Erling é um bruto, ele não tem a minha sofisticação — Kylian murmurou contra a pele de Vini, subindo o olhar com uma intensidade que fez o brasileiro estremecer. — E o Lamine é uma criança aprendendo a caçar. Eu sou o que você precisa, Vinícius. Alguém que saiba exatamente como te domar.
— Você fala demais, Mbappé — Vini provocou, puxando o rosto do namorado de volta para o seu. — Menos conversa e mais... garantias.
Kylian não precisou que lhe dissessem duas vezes. O restante da viagem foi um borrão de toques febris e sussurros em francês que Vini não entendia completamente, mas que faziam seu sangue ferver. A cada solavanco do carro, a proximidade entre eles se tornava mais insuportável e necessária. Kylian parecia querer marcar cada centímetro da pele de Vini, deixando claro que, embora o Brasil tivesse sido eliminado da Copa, o camisa 7 tinha sido conquistado por um império muito mais pessoal.
Quando o SUV finalmente parou na garagem privativa do luxuoso hotel da seleção francesa, Vini estava com a camisa amassada, os lábios inchados e o cabelo em total desordem. Kylian, por outro lado, parecia ter recuperado sua compostura de gelo, embora o brilho de triunfo em seus olhos fosse inegável.
— Chegamos — anunciou Kylian, ajeitando a gola de Vini com um gesto quase carinhoso, se não fosse pela possessividade no olhar. — Agora, tente andar direito até o elevador. Não queremos que meus companheiros de equipe pensem que eu fui... excessivo.
— Você é um idiota — Vini resmungou, tentando recompor a postura enquanto descia do colo de Kylian. Suas pernas fraquejaram por um momento, e ele teve que se apoiar na porta do carro.
Kylian saiu logo atrás, segurando o braço de Vini para estabilizá-lo, mas sem soltar.
— Excessivo? — Kylian sorriu, aquele sorriso que Vini amava e odiava na mesma medida. — *Mon amour*, eu ainda nem comecei. O hotel tem isolamento acústico nas suítes presidenciais. E eu pretendo testar cada parede com você.
Vini olhou para o luxuoso prédio à sua frente e depois para o namorado. Ele sabia que os próximos dias seriam exaustivos. Sabia que teria que lidar com o ego inflado de Kylian se a França avançasse, e com o mau humor destrutivo dele se perdessem. Mas, olhando para a mão de Kylian firmemente entrelaçada na sua, ele percebeu que não trocaria aquela loucura por nenhuma paz no mundo.
— Só me promete uma coisa — disse Vini, antes de entrarem no elevador.
— O que você quiser — respondeu o francês, generoso agora que tinha o que queria.
— Se o Haaland aparecer aqui procurando o Gabriel, você não deixa ele entrar. Eu não aguento mais dois malucos no mesmo ambiente.
Kylian soltou uma gargalhada genuína, puxando Vini para perto enquanto as portas do elevador se fechavam.
— Não se preocupe, Vinícius. No meu quarto, só existe espaço para um maluco. E ele está ocupado demais com você para se importar com o resto do mundo.
Enquanto o elevador subia em direção à cobertura, Vini fechou os olhos e se encostou no peito de Kylian. A Copa do Mundo podia ser um desastre, as redes sociais podiam estar em chamas, mas ali, naquele espaço confinado, ele era o centro do universo de alguém. Um universo possessivo, controlador e completamente insano, mas que era, acima de tudo, dele.