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WorldCup

O Eclipse de Paris

O quarto estava mergulhado em uma penumbra luxuosa, quebrada apenas pelos reflexos dourados das luzes de Doha que atravessavam as cortinas de seda. O ar condicionado trabalhava no máximo, mas a temperatura entre os lençóis de linho egípcio parecia beirar o insuportável. Vinícius sentia seu corpo como se tivesse sido atropelado por um caminhão, ou melhor, por um tanque francês de um metro e oitenta e dois de puro músculo e determinação.

A resistência de Kylian Mbappé era algo que os comentaristas esportivos costumavam analisar em gráficos de desempenho, mas Vini estava vivenciando a versão bruta e privada dessa estatística. Já passava das quatro da manhã. O brasileiro tinha perdido as contas de quantos orgasmos seu corpo fora forçado a processar. Cada vez que ele achava que Kylian estava satisfeito, que o francês finalmente o deixaria dormir para processar o luto da eliminação, as mãos grandes e possessivas voltavam a encontrar sua pele, reivindicando territórios que Vini nem sabia que ainda podiam sentir algo.

— Kylian... por favor... — a voz de Vini era um sussurro rouco, quase inexistente. — Eu não... eu não aguento mais. Meus músculos estão travando.

Kylian, que estava com o rosto enterrado na curvatura do pescoço de Vinícius, soltou uma risada baixa, um som vibrante que reverberou contra a pele suada do brasileiro. Ele se ergueu sobre os cotovelos, os olhos escuros brilhando com uma intensidade que beirava a loucura. Não havia cansaço nele. Parecia que, quanto mais ele consumia Vinícius, mais energia recebia de volta.

— Você está reclamando da minha resistência, mon ange? — Kylian passou o polegar pelo lábio inferior de Vini, que estava inchado de tantos beijos ávidos. — Achei que os brasileiros fossem conhecidos pelo fôlego. Ou será que você só guarda o ritmo para o campo?

— Você sabe que isso é diferente — Vini tentou empurrá-lo fracamente, mas suas mãos apenas descansaram sobre o peito firme de Mbappé. — O jogo acabou. O Brasil foi embora. Eu deveria estar... eu deveria estar chorando ou dormindo, não sendo usado como um troféu de consolação.

O olhar de Kylian endureceu instantaneamente. O toque, que antes era quase carinhoso, tornou-se possessivo. Ele segurou os pulsos de Vinícius e os prendeu acima da cabeça do brasileiro, prendendo-o contra o colchão com o peso do próprio corpo.

— Você não é um troféu de consolação — sibilou Kylian, o sotaque francês ficando mais carregado pela irritação. — Você é meu. E toda vez que eu vejo aquelas notícias, toda vez que eu lembro de como as pessoas olham para você, eu sinto que preciso marcar você de novo. Para que, quando você se olhar no espelho amanhã, você não veja o camisa 7 que perdeu para a Noruega, mas o homem que pertence a Kylian Mbappé.

— Isso é doentio, Kylian — Vini disse, embora seu coração disparasse de uma forma que traía sua própria indignação. — Você é obcecado.

— Eu sou um vencedor — corrigiu o francês, inclinando-se para morder o lóbulo da orelha de Vini. — E eu não divido o que eu ganho. Se o mundo quer um pedaço de você, eles vão ter que passar por mim primeiro.

Vinícius fechou os olhos, sentindo a língua de Kylian traçar o contorno de sua orelha antes de descer para o pescoço, onde novos hematomas arroxeados estavam sendo cuidadosamente depositados. Era uma marcação individual mais severa do que qualquer zagueiro europeu já havia imposto a ele. Vini pensou em Gabriel Magalhães e no pobre Endrick. Será que eles também estavam sendo "marcados" daquela forma? A imagem de Haaland carregando Gabriel como um saco de batatas para uma cabana na Noruega parecia, naquele momento, menos uma piada e mais um aviso profético.

— O que você vai fazer se ganhar a final? — perguntou Vini, tentando desviar o foco da mão de Kylian que voltava a descer perigosamente pelo seu abdômen. — Se a França for campeã... você vai me trancar em um porão em Paris?

Kylian parou por um momento, olhando para Vinícius com um sorriso que não era nada tranquilizador. Era o sorriso de alguém que já tinha o plano traçado, com rotas de fuga e logística de segurança incluídas.

— Um porão seria muito rústico para você, mon amour — respondeu Kylian, soltando os pulsos de Vini apenas para entrelaçar seus dedos nos dele. — Mas eu já reservei uma ilha. Só nós dois. Sem celulares, sem assessores, sem Virginia, sem redes sociais. Apenas você aprendendo a ser o namorado de um bicampeão mundial.

— Você é um maníaco — Vini riu, uma risada cansada e incrédula. — Eu tenho contrato com o Real Madrid, Kylian. Eu tenho uma vida.

— Eu sou o dono do jogo, Vinícius — Kylian sussurrou, voltando a beijá-lo com uma fome que parecia renovada. — E no meu jogo, você é a única regra que eu faço questão de seguir.

O celular de Vinícius, que estava jogado em algum lugar no chão entre as roupas descartadas, começou a vibrar insistentemente. O brilho da tela iluminou o carpete.

— Não ouse — avisou Kylian, sentindo Vini tentar se esticar.

— Pode ser minha mãe, ou o pessoal da CBF — protestou Vini.

— Se for sua mãe, eu ligo para ela amanhã e explico que você estava ocupado... servindo à pátria francesa — Kylian brincou, mas havia um fundo de seriedade que fez Vini estremecer. — E se for o seu time, eles que esperem. Você não vai a lugar nenhum.

Kylian esticou o braço e pegou o aparelho. Ele olhou para a tela e soltou um bufo de desdém antes de desligar o telefone completamente e jogá-lo do outro lado do quarto.

— Era o Endrick — disse Kylian, voltando sua atenção total para o brasileiro. — Provavelmente chorando porque o garotinho do Barcelona não o deixa sair do quarto. Eles são todos iguais, Vinícius. Fracos. Eles não sabem como segurar o que têm.

— E você sabe? — questionou Vini, desafiador.

Kylian não respondeu com palavras. Ele se moveu, posicionando-se entre as pernas de Vinícius, forçando-as a se abrirem mais do que o brasileiro achava ser fisicamente possível após horas de atividade. O toque era firme, exigente, sem espaço para negociação.

— Eu vou te mostrar — declarou o francês. — De novo. E de novo. Até que a única coisa que você consiga sentir seja o peso do meu corpo e a certeza de que você nunca mais vai olhar para outra pessoa sem lembrar do que eu faço com você nesta cama.

Vini arqueou as costas quando sentiu a primeira investida, um grito mudo morrendo em sua garganta enquanto suas unhas cravavam nos ombros largos de Kylian. Ele estava exausto, sua mente clamava por silêncio e sua alma por descanso, mas havia algo na possessividade selvagem de Mbappé que o prendia em uma teia de desejo e submissão. Era um fardo, sim, ser o objeto de desejo do homem mais ambicioso do futebol mundial, mas era um fardo que, naquela madrugada de derrota e luxúria, Vinícius não tinha forças — e talvez nem vontade — de carregar sozinho.

— Kylian... — ele ofegou, a cabeça jogada para trás.

— Diga meu nome — ordenou o francês, aumentando o ritmo, os olhos fixos nos de Vini, devorando sua reação. — Diga a quem você pertence.

— Seu... eu sou seu — confessou Vini, a voz quebrada, entregando-se finalmente ao eclipse que era estar nos braços de Kylian Mbappé.

Lá fora, o sol começava a ameaçar o horizonte de Doha, mas dentro daquela suíte, o tempo havia parado. E enquanto a França se preparava para conquistar o mundo, Kylian Mbappé já havia conquistado o seu universo particular, centímetro por centímetro, marca por marca, no corpo de um camisa 7 brasileiro que, naquela noite, esqueceu completamente o que era a liberdade.