You hate me?
O Eco da Entrega e o Silêncio das Estrelas
O tempo parecia ter acelerado e, ao mesmo tempo, estagnado em uma bolha de felicidade caótica desde que o segredo de Mizi e Sua explodira no pátio da escola. Um mês se passara. O grupo de amigos, após o choque inicial, havia encontrado um novo equilíbrio, embora as dinâmicas tivessem mudado drasticamente. Luka e Hyuna haviam finalmente parado de fingir e agora viviam em um estado de "ficada" constante que todos sabiam ser namoro. Até mesmo Ivan e Till, entre brigas e provocações ácidas, começaram a demonstrar uma tensão diferente, algo que cheirava a descoberta mútua por trás dos insultos.
Mas para Sua, o mundo resumia-se a Mizi.
Elas estavam sozinhas no apartamento de Mizi. A TV exibia um filme qualquer, cujas imagens coloridas refletiam nas pupilas douradas de Mizi, mas Sua não conseguia se concentrar em um único frame. Desde aquela primeira noite, elas haviam se limitado a beijos longos, mãos bobas e um carinho que transbordava companheirismo, mas a intimidade física profunda não havia se repetido. E Sua sentia que ia explodir.
O desejo acumulado era uma chama persistente que queimava em seu baixo ventre toda vez que Mizi a tocava. Sentada no sofá, com a cabeça no ombro de Mizi, Sua sentia o cheiro de morango da pele da namorada e seu coração martelava. Ela queria. Ela precisava. Mas a timidez, aquela velha sombra que a perseguia desde o 9º ano, ainda travava sua língua.
— Mizi... — Sua sussurrou, a voz tão baixa que quase se perdeu no som do filme.
— Oi, pequena? — Mizi respondeu, passando os dedos pelos cabelos pretos de Sua, sem tirar os olhos da tela.
Sua engoliu em seco. Suas mãos apertaram a barra da própria blusa. Ela tentou falar, mas as palavras saíram truncadas, uma confusão de sílabas e hesitação.
— A gente... você sabe... — Sua começou, o rosto queimando. — É que... faz tempo. E eu... queria. De novo.
Mizi franziu a testa por um segundo, desviando o olhar da TV para encarar Sua. A confusão inicial logo deu lugar a uma compreensão lenta e maliciosa. Ela notou o tremor nas mãos de Sua e o brilho úmido em seus olhos roxos.
— Você está me pedindo o que eu acho que está me pedindo, Sua? — Mizi perguntou, sua voz descendo um oitavo, tornando-se perigosamente aveludada.
Sua apenas assentiu, incapaz de sustentar o olhar, escondendo o rosto na curva do pescoço de Mizi.
— Claro que podemos, meu amor — Mizi declarou, e antes que Sua pudesse processar, o controle remoto foi jogado no chão e a atmosfera do quarto mudou.
Mizi não teve pressa, mas agiu com uma determinação que deixou Sua sem fôlego. Ela empurrou Sua gentilmente para trás, deitando-a no sofá espaçoso. Em poucos movimentos ágeis, Mizi livrou Sua de suas roupas, deixando-a exposta sob a luz suave da sala. O contraste da pele pálida de Sua contra o tecido escuro do sofá era uma visão que Mizi nunca se cansaria de admirar.
— Você é tão linda que dói — Mizi sussurrou, antes de atacar os lábios de Sua.
O beijo era profundo, possessivo, uma promessa do que estava por vir. Mizi desceu para os seios de Sua, provocando-os com a língua e mordidas leves que arrancavam arquejos desesperados da menor. Sua sentia-se em chamas, suas mãos enterradas nos cabelos rosa de Mizi, puxando-a para mais perto, querendo fundir-se a ela.
Sem aviso, Mizi desceu a mão. Ela não hesitou. Encontrou Sua já pronta, úmida e pulsante. Com um movimento fluido e firme, Mizi inseriu três dedos de uma vez.
— Aah! Mizi! — O grito de Sua foi agudo, o corpo arqueando-se violentamente no sofá.
Ela se agarrou aos braços de Mizi, as unhas cravando-se na pele da namorada enquanto tentava lidar com a sensação súbita de preenchimento. Mizi começou a se mover, e não havia nada de suave no ritmo. Era forte, rápido e profundo.
— Você sentiu falta disso, não foi? — Mizi perguntou, a perversidade brilhando em seus olhos enquanto observava o rosto de Sua se desfigurar em prazer. — Eu senti falta de ouvir você assim. Desesperada.
Mizi acelerou ainda mais. Cada estocada dos dedos era precisa, encontrando o ponto que fazia Sua perder a noção de espaço e tempo. A voz de Mizi mudou, perdendo a doçura e assumindo um tom cru, carregado de uma luxúria que Sua nunca tinha ouvido de forma tão direta.
— Eu quero tanto te chupar, Sua... — Mizi disse, as palavras saindo como um comando sombrio. — Eu vou lamber cada gota sua, vou enfiar minha língua tão fundo que você vai esquecer quem é.
Sua gemia sem parar, a cabeça balançando de um lado para o outro. Mas o prazer logo se misturou a um novo tipo de choque. Mizi, mantendo o movimento frenético lá embaixo, subiu a outra mão e envolveu o pescoço de Sua.
O aperto foi firme. Forte. Mizi não estava apenas segurando; ela estava enforcando Sua com uma intensidade que cortava o fluxo de ar no ápice da excitação.
— M-Mizi... — Sua tentou falar, mas o som foi abafado.
Seus olhos roxos arregalaram-se, revirando para trás enquanto ela lutava por oxigênio. O pânico instintivo fez com que ela segurasse a mão de Mizi no seu pescoço, tentando puxá-la, batendo levemente no braço da namorada em um pedido mudo por ar. Mas Mizi era muito mais forte. Ela olhava para Sua com uma dominância absoluta, seus dedos lá embaixo movendo-se com uma velocidade desumana, enquanto mantinha a pressão no pescoço.
Sua sentia que ia desmaiar. O sangue latejava em suas têmporas, a visão escurecia nas bordas, e o prazer era tão agudo que se tornava quase insuportável. No exato momento em que Sua sentiu que perderia os sentidos, Mizi soltou o pescoço dela.
O ar entrou nos pulmões de Sua em um hausto desesperado, mas o alívio foi curto. No segundo em que soltou o pescoço, Mizi forçou a entrada de mais um dedo.
Quatro.
— N-não... Mizi, é muito... — Sua choramingou, as lágrimas escorrendo livremente agora.
Ela estava no limite. O preenchimento era excessivo, beirando a dor, mas envolto em uma camada de prazer tão densa que ela não conseguia se afastar. Ela tentava fechar as pernas, tentava se encolher, mas Mizi a mantinha aberta, dominando cada centímetro de sua resistência.
— Goza para mim, Sua. Agora! — Mizi ordenou, a voz como um trovão no ouvido da garota.
Sua não teve escolha. Sob o comando de Mizi e a pressão implacável dos quatro dedos, ela desmoronou. O ápice veio como um terremoto, um espasmo tão forte que ela sentiu que seu coração pararia. Ela gritou, um som longo e rasgado, enquanto seu corpo se contraía repetidamente contra a mão de Mizi.
Mizi retirou os dedos lentamente, sentindo a vibração do clímax de Sua diminuir. Mas ela não deu tempo para a namorada descansar. Cumprindo a promessa feita minutos antes, Mizi deslizou para baixo, mergulhando entre as pernas de Sua.
— Mizi, espera... eu não... — Sua tentou dizer, mas sua voz foi cortada por um gemido alto quando sentiu a língua de Mizi.
Mizi a chupava com uma voracidade selvagem. Sua fechou as pernas por instinto, prendendo a cabeça de Mizi entre suas coxas, enquanto suas mãos se enterravam nos cabelos coloridos da namorada, ora puxando-a, ora tentando empurrá-la na confusão do prazer. Mizi não recuou; ela usava as mãos para abrir caminho, focada inteiramente em levar Sua ao limite novamente.
Não demorou muito. A sensibilidade de Sua estava no ápice, e a língua habilidosa de Mizi era o golpe final. Sua gozou novamente, desta vez de forma mais fluida, sentindo-se esvaziar completamente. Mizi não parou até ter certeza de que tinha consumido tudo, limpando Sua com a boca antes de se levantar.
O silêncio voltou à sala, quebrado apenas pelo som da respiração pesada de ambas. Mizi subiu no sofá e sentou-se, e Sua, reunindo as poucas forças que lhe restavam, arrastou-se para o colo da namorada. Ela escondeu o rosto no peito de Mizi, buscando o calor e o carinho que sempre vinham depois da tempestade.
— Obrigada... — Sua sussurrou, a voz ainda trêmula. — Por ter feito o que eu pedi. Foi... foi maravilhoso.
Mizi abraçou-a com força, beijando o topo de sua cabeça.
— Você sabe que eu faria qualquer coisa por você, Sua. Especialmente se for para te ver desse jeito.
Elas ficaram em silêncio por um longo tempo, apenas sentindo o batimento cardíaco uma da outra se acalmar.
— Mizi? — Sua chamou depois de um tempo, levantando o rosto para olhar para ela.
— Sim?
— Você acha que... que a gente vai ficar bem? Digo, depois que a escola acabar? O Till ainda mal fala com a gente, e o pessoal tá todo mudando...
Mizi sorriu, um sorriso calmo e genuíno, bem diferente da máscara de "garota popular" que ela usava no passado.
— Sua, o mundo pode cair lá fora. A gente pode ir para faculdades diferentes, o Ivan e o Till podem finalmente se entender ou se matar, e o Luka pode continuar sendo um nerd estranho com a Hyuna. Mas nada disso muda o que aconteceu aqui.
Ela tocou o rosto de Sua com ternura.
— Eu passei anos sendo o que os outros queriam. Agora, eu só quero ser sua. E enquanto você me quiser, o resto é só ruído.
Sua sorriu, sentindo uma paz que nunca imaginou ser possível. Ela se aconchegou novamente no peito de Mizi, fechando os olhos enquanto a namorada voltava a fazer carinho em seus cabelos.
O filme na TV já tinha acabado, restando apenas os créditos subindo na tela silenciosa. Lá fora, as estrelas brilhavam indiferentes ao caos adolescente, mas dentro daquele apartamento, o labirinto de vidro tinha finalmente se quebrado, revelando algo sólido, real e eterno. Elas não eram mais apenas as garotas do 3º ano; eram duas almas que tinham encontrado seu porto seguro no meio do barulho. E, para Sua, aquele era o final perfeito para qualquer história.