A Dama de Tarth
O Despertar da Maré e o Trono de Safira
O sol de Tarth não pediu licença ao atravessar as cortinas de seda fina, pintando o quarto com tons de ouro e âmbar. Brienne sentiu o peso do cansaço — um cansaço doce, denso e desconhecido — ancorar seus membros ao colchão de penas. Por um breve segundo, entre o sono e a vigília, ela permaneceu imóvel, os olhos fechados, temendo que qualquer movimento pudesse desfazer a tapeçaria de memórias da noite anterior.
Ela esperava acordar com o gosto amargo da realidade, com o silêncio frio de um quarto vazio e a certeza de que o lorde de cabelos de pérola fora apenas um delírio febril. Brienne estava acostumada a sonhos que se desfaziam ao amanhecer, deixando apenas o reflexo de sua própria imagem solitária no espelho de bronze.
No entanto, a realidade revelou-se mais quente e sólida do que qualquer fantasia.
Ao tentar se virar, seu corpo protestou com uma fisgada agradável nos quadris e nas coxas. Foi então que ela sentiu: um braço firme, cuja pele parecia irradiar uma temperatura febril, estava enlaçado possessivamente em torno de sua cintura. O contato era direto, pele com pele, sem as barreiras de couro ou linho que ela usara como armadura durante toda a vida.
Brienne prendeu a respiração quando sentiu o roçar inconfundível da masculinidade matinal de Lucian contra suas nádegas. O calor que emanava dele era quase sobrenatural, uma fornalha valiriana que parecia ignorar o frescor da brisa marinha que entrava pela varanda.
— Se você está tentando fingir que ainda dorme, minha Safira — a voz de Lucian surgiu como um sussurro rouco e vibrante contra a nuca dela —, saiba que seu coração está batendo forte o suficiente para ser ouvido em Derivamarca.
Brienne sentiu o rosto incendiar. Ela tentou se cobrir com o lençol, mas Lucian a puxou para mais perto, enterrando o rosto na curva de seu ombro, aspirando o cheiro dela com uma satisfação evidente.
— Foi real, então? — perguntou ela, a voz saindo mais trêmula do que pretendia.
Lucian soltou uma risada baixa, um som melodioso que vibrou contra as costas de Brienne.
— Você me desarmou, me desafiou, casou-se comigo sob as estrelas e depois me mostrou que uma guerreira de Tarth tem mais fogo do que dez dragões... — Ele mordiscou levemente o lóbulo da orelha dela, fazendo-a estremecer. — E você ainda pergunta se foi real?
Ele a girou na cama com uma facilidade que sempre a surpreendia. Lucian era esguio, mas seus músculos tinham a densidade do aço temperado. Deitada de costas, Brienne olhou para ele. Os cabelos perolados de Lucian estavam uma bagunça gloriosa, espalhados sobre o travesseiro e sobre os ombros dela; seus olhos rosados brilhavam com uma luxúria que não se apagara com o descanso.
— Você é linda pela manhã — disse ele, passando os dedos longos pelas sardas do rosto dela, como se estivesse contando estrelas.
— Eu pareço um cavalo de guerra despenteado — murmurou ela, tentando desviar o olhar.
Lucian segurou o queixo dela, forçando-a a encará-lo.
— Então eu sou o cavaleiro mais sortudo do mundo por ter tal montaria.
O beijo que se seguiu não teve nada de hesitação. Foi um reencontro de chamas. Brienne, que sempre se sentira grande demais, desajeitada demais, descobriu que seus braços fortes eram o encaixe perfeito para a intensidade de Lucian. Ela o puxou para cima de si, envolvendo as pernas longas em torno da cintura dele, sentindo o poder da linhagem Velaryon reivindicá-la novamente.
O ato não foi silencioso. Brienne, movida por uma libertação que nunca experimentara, soltou gemidos que ecoaram pelas paredes de pedra da torre. Lucian, por sua vez, parecia determinado a provar que sua resistência era tão vasta quanto o Mar Estreito. O ritmo tornou-se frenético, uma dança de força e entrega que desafiava a estrutura dos móveis antigos de Tarth.
Em um momento de clímax particularmente intenso, quando Brienne arqueou as costas e Lucian se impulsionou com força renovada, um estalo seco e violento ressoou pelo quarto. A estrutura de carvalho da cama de núpcias, que sobrevivera a três gerações de Lordes de Tarth, finalmente cedeu sob o peso da paixão valiriana. O estrado partiu-se ao meio, enviando o colchão e os noivos para o chão com um baque estrondoso e uma nuvem de poeira.
Eles ficaram imóveis por um segundo, emaranhados em lençóis e membros, antes de Lucian começar a rir. Foi uma gargalhada aberta, jovem e contagiante.
— Pelo sangue do dragão — disse ele, limpando uma mecha de cabelo do rosto —, acho que acabamos de declarar guerra à mobília de seu pai.
Brienne, inicialmente horrorizada, não conseguiu evitar. Ela começou a rir também, uma risada profunda que vinha do abdômen, sentindo-se mais leve do que nunca.
— Meu pai vai saber — disse ela, escondendo o rosto no peito quente dele. — O Solar do Entardecer inteiro deve ter ouvido isso.
— Que ouçam — respondeu Lucian, beijando o topo da cabeça dela. — Que saibam que o Senhor das Marés encontrou uma esposa que ele não consegue conter nem mesmo em uma cama de carvalho.
Eles levaram mais tempo do que o planejado para se levantarem. Houve mais uma rodada de carinhos lentos sobre os destroços da cama, Lucian explorando cada cicatriz de Brienne com uma reverência que a fazia sentir-se uma deusa de mármore.
Quando finalmente decidiram descer para o desjejum, o sol já estava alto no céu. Brienne vestiu uma túnica de seda azul-profundo, enquanto Lucian optou por um traje verde-água que realçava a palidez de sua pele. Enquanto caminhavam pelos corredores, Brienne notou os olhares dos guardas e das servas. Não eram olhares de zombaria; eram olhares de choque, seguidos por sorrisos rápidos e reverências profundas.
Ao entrarem no salão de jantar, o silêncio caiu sobre a mesa. Lorde Selwyn estava sentado na cabeceira, tomando seu vinho matinal, enquanto Vaelor devorava uma coxa de frango.
Vaelor olhou para os dois, notou a marca avermelhada no pescoço de Lucian e o brilho quase triunfante nos olhos de Brienne. Ele soltou uma risada ruidosa.
— Bom dia, pombinhos! — exclamou o bastardo. — Lucian, eu sabia que você era intenso, mas quebrar a mobília no primeiro dia? Os servos estão apostando se a torre vai continuar de pé até o final da semana.
Brienne sentiu o rosto arder, mas antes que pudesse se encolher, sentiu a mão de Lucian pousar firmemente em sua lombar.
— A mobília de Tarth é feita para damas delicadas, Vaelor — disse Lucian com um sorriso sarcástico, sentando-se e puxando a cadeira para Brienne com uma cortesia exagerada. — Minha esposa exige algo mais... resistente. Vou providenciar que Derivamarca envie aço para reforçar os aposentos.
Lorde Selwyn limpou a garganta, o rosto alternando entre o constrangimento e uma satisfação paternal que ele tentava esconder.
— Fico feliz que estejam... aproveitando o Solar do Entardecer — disse o lorde, com uma voz rouca. — Embora o meistre tenha perguntado se houve algum terremoto durante a madrugada.
— Apenas o mar encontrando a terra, sogro — respondeu Lucian, pegando uma torrada e começando a passar mel, agindo como se não tivesse acabado de escandalizar metade do castelo.
Brienne sentou-se, servindo-se de um pouco de fruta. Ela olhou para o pai e viu, pela primeira vez, uma paz genuína nos olhos dele. Ele não estava mais preocupado com quem cuidaria dela ou se ela seria ridicularizada. Ele via o homem ao lado dela — um homem que a tratava como um igual, que a defendia com fúria e a amava com uma intensidade febril.
— Então — disse Vaelor, inclinando-se para frente —, quando partimos? O navio capitânia está pronto. Os homens estão ansiosos para ver a nova Senhora de Maré alta no convés.
Lucian olhou para Brienne, a pergunta silenciosa em seus olhos rosados.
— Quando você quiser, meu senhor — disse ela, sua voz soando firme. — Tarth sempre será meu lar, mas estou ansiosa para ver as marés de que você tanto fala.
— Partiremos ao meio-dia — declarou Lucian. — Brienne, você trará sua armadura e suas espadas. Em Derivamarca, não treinamos apenas no pátio. O mar exige que estejamos prontos a qualquer momento.
O desjejum prosseguiu com uma leveza que Brienne nunca associara a refeições formais. Ela riu das histórias de Vaelor sobre as trapalhadas dos marinheiros e sentiu o toque constante de Lucian sob a mesa, sua mão sempre encontrando a dela, um lembrete físico de que ela não estava mais sozinha.
Enquanto se preparavam para o embarque, o porto de Tarth encheu-se de gente. A ilha inteira parecia ter vindo se despedir de sua herdeira. Brienne caminhava com a cabeça erguida, vestindo seu couro de viagem, a espada presa ao cinto. Ao seu lado, Lucian Velaryon caminhava com a pose de um conquistador, mas seus olhos nunca deixavam a esposa.
— Olhe para eles, Brienne — sussurrou Lucian enquanto subiam a prancha do navio capitânia.
Ela olhou para trás. Viu o pai acenando, viu os guardas que a viram crescer batendo nos escudos em sinal de respeito. Não havia risadas. Não havia "Brienne, a Bela" sendo dito como um insulto. Havia apenas o reconhecimento de uma partida nobre.
— Eles não estão rindo — notou ela, surpresa.
— Ninguém ri de um dragão, mesmo que ele use a pele de uma safira — respondeu Lucian. — E ninguém se atreveria a rir da mulher que quebrou a cama do Senhor das Marés.
Vaelor deu a ordem, e as velas verde-água se abriram, capturando o vento forte de Tarth. O navio deslizou pelas águas cristalinas, ganhando velocidade. Brienne postou-se na proa, sentindo o sal no rosto e o vento nos cabelos curtos.
Lucian aproximou-se por trás, envolvendo-a em um abraço. A temperatura dele, sempre tão alta, era um conforto contra o frio do oceano.
— Bem-vinda ao seu novo reino, Brienne Velaryon — disse ele, apontando para o horizonte onde o azul do mar parecia infinito. — Em Derivamarca, as canções não serão sobre donzelas esperando em torres. Serão sobre nós.
Brienne encostou a cabeça no ombro dele, sentindo o balanço do navio sob seus pés. Ela não era mais a donzela rejeitada de Tarth. Ela era a força que movia o Fantasma do Mar. E enquanto navegavam em direção ao futuro, ela sabia que, não importava quão forte fosse a tempestade, o fogo de Lucian e a sua própria força seriam o suficiente para conquistar qualquer oceano.
— Então que comecem as canções — disse ela, voltando-se para beijá-lo sob o sol do meio-dia. — Pois a maré está apenas começando a subir.