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a dama e o vagabundo

Sintonias Proibidas e o Ritmo da Noite

A TV continuava ligada, mas o brilho da tela agora era apenas um detalhe de fundo. O programa de câmeras escondidas do Silvio Santos passava em um volume baixo, e as risadas enlatadas da plateia pareciam vir de outra dimensão, contrastando com o clima pesado de desejo que tomava conta daquele quarto. Eu não era mais a Hanna Almeida Campos, a herdeira recatada que o Dr. José Ricardo exibia como um troféu de boa educação. Ali, sobre o corpo do Janjão, eu era apenas eu: intensa, provocadora e dona dos meus próprios impulsos.

Eu estava por cima dele, sentindo cada músculo do seu corpo reagir aos meus movimentos lentos e ritmados. Minhas mãos estavam apoiadas em seus ombros, e eu me movia com a confiança de quem sabia exatamente o efeito que causava. Janjão me olhava com os olhos semicerrados, uma mistura de satisfação e entrega. De repente, ele deslizou as mãos grandes e calejadas pelas minhas costas até alcançar minha bunda, apertando-a com uma força que me fez arquear o corpo instantaneamente.

— Hmm... Janjão... — O gemido escapou da minha garganta, alto e vibrante, perdendo-se entre as risadas que vinham da televisão.

— Você gosta quando eu perco a paciência, não gosta, Hanna? — ele sussurrou, a voz rouca vibrando contra a minha pele enquanto ele apertava ainda mais, puxando-me para perto.

— Eu gosto de quando você esquece que eu sou uma "lady" — respondi, sorrindo entre dentes, sentindo o calor do corpo dele incendiar o meu.

O tempo parecia ter uma elasticidade própria ali dentro. Minutos ou horas, não importava. Depois de um tempo naquela dança particular, estávamos deitados de forma mais relaxada, mas a tensão sexual ainda flutuava no ar como fumaça. O programa de pegadinhas continuava passando, uma sucessão de situações absurdas que ninguém realmente acompanhava. Janjão, movido por um instinto possessivo e carinhoso ao mesmo tempo, puxou meu top de renda para cima, expondo meus seios à luz fraca do quarto.

Senti o toque áspero de sua língua quando ele começou a chupar um dos meus mamilos, enquanto a outra mão trabalhava com vigor, apertando o outro seio com uma urgência que me fazia perder o foco em qualquer outra coisa que não fosse a sensação tátil. Eu fechava os olhos e me perdia naquele labirinto de sensações, as unhas cravadas nos lençóis, enquanto o som abafado do mundo lá fora — o funk, os carros, os gritos da vizinhança — parecia uma trilha sonora distante para a nossa própria rebeldia.

— Janjão... a gente precisa... — tentei dizer, mas a frase morreu em um suspiro quando ele intensificou o aperto.

— A gente não precisa de nada agora, Hanna. Só disso aqui — ele murmurou contra a minha pele, e eu soube que ele tinha razão. Naquele momento, a mansão, o orfanato e as expectativas do meu pai estavam a anos-luz de distância.

Um pouco mais tarde, o calor do quarto se tornou quase sufocante, e decidimos ir até o banheiro. O ambiente era pequeno, com azulejos antigos e um espelho levemente manchado, mas para nós, era apenas mais um cenário para o nosso jogo. Janjão parou em frente à pia e jogou água gelada no rosto, tentando talvez recuperar um pouco da sobriedade que o meu corpo insistia em tirar dele. Ele pegou a toalha, secou o rosto com calma e me olhou pelo reflexo do espelho.

Eu não esperei por um convite. Ajoelhei-me no chão frio do banheiro, bem na frente dele, e meus olhos encontraram os dele por um segundo antes de eu me concentrar no que queria fazer. Desci o fecho de sua calça com agilidade e comecei a chupá-lo, sentindo-o estremecer ao primeiro contato. Janjão soltou um suspiro longo, as costas batendo levemente na parede fria, e suas mãos buscaram meus cabelos pretos, segurando-os com uma firmeza que não chegava a machucar, mas que guiava o meu ritmo.

— Porra, Hanna... você acaba comigo — ele disse, a voz falhando, a cabeça jogada para trás enquanto ele se entregava àquela leveza que só o prazer absoluto proporciona.

Eu continuei, sentindo o poder que emanava daquela vulnerabilidade dele. Era ali que eu me sentia mais viva: controlando o homem que todos temiam naquelas ruas, transformando o líder da turma em alguém que dependia dos meus lábios para encontrar o céu. O silêncio do banheiro era quebrado apenas pelo som da nossa respiração e pelo tilintar da água que ainda pingava da torneira.

Quando voltamos para o quarto, o baile funk lá fora parecia ter atingido o seu ápice. O grave das caixas de som fazia o chão vibrar, uma batida seca e envolvente que parecia ditar o pulsar do meu próprio sangue. Janjão se encostou na parede, ainda recuperando o fôlego, e eu me aproximei dele com um olhar predatório.

— Escuta isso — eu disse, apontando para a janela trancada por onde o som passava abafado. — É o nosso ritmo.

Eu me posicionei de costas para ele, sentindo o volume dele contra a minha pele, e comecei a rebolar. Era algo que eu já tinha feito uma vez e que sabia que o levava ao limite. No compasso exato do funk que ecoava no bairro, eu movia meus quadris com uma destreza que misturava a provocação da rua com a elegância que eu escondia. Cada batida da música era um movimento meu contra ele.

Janjão não aguentou apenas observar. Ele me agarrou com força pela cintura, os dedos se enterrando na minha pele, e começou a me sarrar com uma intensidade frenética. Estávamos em sintonia total com a música, com o ambiente e com o desejo proibido que nos unia. Ele me apertava, me puxava, e o calor entre nós era tão intenso que parecia que íamos entrar em combustão ali mesmo, encostados naquela parede descascada.

— Você é minha, garota — ele grunhiu no meu ouvido, os dentes roçando o meu lobo da orelha. — Só minha.

— Sempre, Janjão — respondi, quase sem fôlego, sentindo o ápice se aproximar enquanto ele me segurava com uma possessividade que eu adorava.

Depois que o turbilhão passou e o cansaço finalmente começou a cobrar seu preço, ele me deu um último aperto forte nos seios, um gesto que era quase uma assinatura, e me guiou de volta para a cama. O tablet ainda estava lá, mas o filme já tinha acabado há muito tempo. Colocamos algo qualquer para passar, apenas para preencher o silêncio que agora se instalava entre nós.

Eu me ajeitei contra os travesseiros e Janjão se deitou, mas não ao meu lado. Ele deitou a cabeça diretamente sobre o meu peito, usando meu corpo como porto seguro. Eu comecei a acariciar seus cabelos, sentindo a respiração dele se tornar cada vez mais pesada e regular.

— Hanna... — ele murmurou, quase inaudível.

— Oi?

— Não volta amanhã. Fica aqui.

Eu dei um sorriso triste, sabendo que a realidade da mansão Almeida Campos me chamaria logo cedo.

— Você sabe que eu tenho que ir, Janjão. O Dr. José Ricardo tem olhos em todos os lugares.

Ele não respondeu. Em poucos minutos, o peso do corpo dele relaxou completamente sobre mim. Ele tinha pegado no sono, exausto e satisfeito, dormindo profundamente em cima do meu peito. Eu continuei acordada por um tempo, assistindo a qualquer coisa que passava na tela, mas meus pensamentos estavam longe.

Eu olhava para o teto do quarto e pensava nas meninas do orfanato, na Mili com seu ar de liderança, na Pata com sua rebeldia infantil, e sentia um desprezo quase físico. Elas sonhavam com uma família, com um lar, com um futuro brilhante. Eu tinha tudo isso no papel, mas o meu verdadeiro lar era aquele quarto escuro, com cheiro de cigarro e o som do funk ao fundo, protegida pelo abraço de um garoto que o mundo chamaria de marginal.

Eu era Hanna Almeida Campos, a futura dona do Orfanato Raio de Luz. E enquanto eu acariciava o cabelo do Janjão, eu sabia que usaria cada centavo daquela herança para garantir que momentos como esse nunca terminassem. Se o mundo queria a menina boazinha, eu daria a eles a melhor atuação de suas vidas. Mas a minha alma, essa pertencia ao Janjão e à liberdade perigosa que só ele sabia me dar.

Fechei os olhos, deixando-me levar pelo cansaço também, enquanto o som abafado da rua continuava a contar as histórias de um bairro que meu pai nunca ousaria visitar. Ali, eu estava segura. Ali, eu era rainha. E amanhã, a máscara voltaria ao rosto, mas o calor do toque do Janjão continuaria queimando sob o uniforme impecável da escola.