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A distância é só um detalhe

Território Conquistado

A luz dourada do amanhecer deslizou pelas frestas das cortinas pesadas da suíte, desenhando linhas tênues sobre o lençol de linho revolto. Flora despertou lentamente, sentindo o corpo tomado por uma dormência deliciosa, um cansaço bom que trazia a memória física de cada estocada, cada mordida e cada aperto da noite anterior. Seus quadris ardiam em um lembrete vívido de que a solidão de quatro anos havia sido enterrada de vez.

Ao seu lado, o espaço não estava vazio. Pela primeira vez em sua vida, ela não acordava com a sensação amarga de abandono ou a culpa que seus relacionamentos passados sempre deixavam como herança. Caio estava ali, dormindo de bruços, com a respiração pesada e serena agitando os músculos volumosos de suas costas esculpidas. As cicatrizes sutis em sua pele bronzeada brilhavam à meia-luz, testemunhas mudas de cada batalha que aquele homem travou para construir o império que agora os protegia.

Flora estendeu a mão trêmula e deslizou as pontas dos dedos pelas vértebras dele, descendo até a curvatura da cintura forte.

Sem abrir os olhos, Caio reagiu ao toque com a agilidade quase predatória de quem aprendeu a nunca baixar totalmente a guarda. Seu braço pesado, grosso como uma tora, disparou pelo colchão e laçou a cintura de Flora em um movimento único, puxando o corpo esguio dela para debaixo do seu.

— Você já acorda procurando problema, garota? — resmungou ele, a voz ríspida, rouca pelo sono e carregada daquele sotaque grave e sedutor que fazia o ventre de Flora latejar instantaneamente.

Flora soltou uma risada baixa, sentindo a barba por fazer roçar em sua bochecha sensível.

— Eu só estava conferindo se você é de verdade. Passei tanto tempo imaginando como seria abrir os olhos e ver você aqui que ainda parece um truque da minha mente.

Caio abriu as pálpebras devagar. Os olhos escuros e afiados focaram nos dela com uma intensidade que a desarmava por completo. Ele ergueu uma das mãos calejadas e apertou a mandíbula delicada de Flora, fixando o olhar em seus lábios levemente inchados.

— Eu sou tão de verdade quanto as marcas que eu deixei na sua pele ontem à noite — afirmou ele com autoridade inegociável, antes de descer a boca e capturar os lábios dela em um beijo possessivo, demorado e quente, que tinha gosto de posse e acolhimento.

O som agudo de uma notificação quebrou a atmosfera densa do quarto. O celular de Flora, esquecido sobre a mesa de cabeceira, vibrou com insistência.

O corpo dela enrijeceu por puro reflexo condicionado. Uma sombra de angústia cruzou seus olhos castanhos.

Caio sentiu a mudança instantânea na musculatura da mulher e franziu o cenho, erguendo o tronco com uma lentidão calculada.

— Quem é? — perguntou ele, o tom endurecendo como aço resfriado.

Flora desviou o olhar, engolindo em seco enquanto estendia o braço para alcançar o aparelho. A tela iluminada exibia uma sequência de mensagens com o nome da mãe e uma chamada perdida de um número bloqueado, mas que ela conhecia de cor: o ex-companheiro que durante anos a manipulou emocionalmente. A mensagem materna era um emaranhado de cobranças financeiras veladas, chantagens e julgamentos por ela ter desaparecido da cidade sem avisar.

As mãos de Flora começaram a tremer. O passado parecia uma sombra rastejante, sempre pronta para puxá-la de volta ao poço da insignificância.

Antes que ela pudesse digitar qualquer resposta, a mão grande e firme de Caio envolveu seus dedos e puxou o celular com calma aterradora.

— Caio... — murmurou ela, a voz frágil.

Ele não respondeu de imediato. Apenas correu os olhos escuros pelas notificações na tela. A expressão do homem tornou-se assustadoramente gélida, a mandíbula trincada denunciando a fúria contida de quem via alguém ameaçar o que considerava sagrado.

Com movimentos metódicos de seus polegares grossos, Caio bloqueou o número da mãe de Flora e, em seguida, apagou o registro da ligação perdida do ex-namorado. Por fim, desligou o aparelho completamente e o atirou sobre a poltrona no canto da suíte.

— Caio, você não pode simplesmente apagar minha família da minha vida — sussurrou ela, embora sentisse um alívio quase proibido no peito.

Ele aproximou o rosto do dela, apoiando os antebraços em cada lado da cabeça de Flora, encurralando-a com sua presença massiva.

— Família é quem sangra com você, Flora. Quem constrói, quem ampara. O que você tinha lá atrás era um bando de parasitas covardes que drenavam a sua luz porque não aguentavam ver a força que você tem — disse ele, a voz baixa, crua e sem rodeios. — E quanto àquele verme que acha que ainda pode te ligar... ele não sabe com quem está lidando. Se ele mandar mais uma mensagem, eu mesmo compro a passagem para ir até lá quebrar as duas mãos dele.

— Eu passei anos achando que precisava carregar todo mundo nas costas para merecer ser amada — confessou ela, sentindo uma lágrima silenciosa escapar pelo canto do olho.

Caio desceu a boca até a gota salgada, limpando-a com a língua em um gesto que misturava devoção animal e uma ternura inesperada.

— Aqui você não carrega ninguém, garota. Aqui é você quem é carregada. Eu sangrei a porra da minha juventude inteira para garantir que nunca mais tivesse que me curvar diante de ninguém, e agora essa força é sua também. Você não deve uma explicação a quem só te deu migalhas.

Ele segurou a nuca dela, entrelaçando os dedos em seus fios escuros e puxando-os suavemente para trás, expondo a garganta de Flora.

— O seu passado morreu ontem quando você entrou por aquela porta — sentenciou ele, os lábios roçando na pele aquecida do pescoço dela. — Hoje, a sua única obrigação é me deixar te amar e me dar o que é meu. Entendeu o que eu disse?

— Sim — arfou Flora, sentindo o medo evaporar sob o peso avassalador daquela proteção. — Eu entendi, meu amor.

— Ótimo — murmurou ele, mordiscando a clavícula dela até fazê-la soltar um gemido curto. — Agora vamos tomar café. Você precisa de energia, porque hoje o dia vai ser longo e eu pretendo batizar cada cômodo da nossa casa nova.

Caio pegou o telefone do quarto e discou para o serviço de quarto com a segurança impecável de quem dominava qualquer ambiente. Pediu frutas frescas, pães artesanais, queijos finos, ovos mexidos, sucos naturais e café expresso duplo, com a precisão de quem não admitia erros no atendimento.

Vinte minutos depois, quando o carrinho de prata foi deixado no centro da suíte por um garçom que sequer ousou erguer os olhos na presença imponente de Caio, o homem fechou a porta e trancou-a duas vezes.

Ele estava usando apenas uma calça de moletom cinza folgada nos quadris, exibindo a linha perfeita de sua virilha e o torso denso. Flora havia se coberto com o roupão de cetim branco, as pernas cruzadas na ponta da cama enquanto observava a desenvoltura do homem.

Caio preparou um prato pequeno com pedaços de morango fresco e mamão, serviu uma xícara de café fumegante e caminhou até ela. Acomodou-se entre as pernas dela na cama, obrigando-a a abrir as coxas para acolher sua cintura.

— Abre a boca — ordenou ele, pegando um pedaço de morango com os dedos.

Flora obedeceu, sentindo o doce da fruta misturado ao sabor salgado da pele dele quando seus lábios envolveram os dedos masculinos. Caio manteve os olhos cravados nos dela enquanto ela mastigava devagar, seus próprios lábios desenhando um sorriso carregado de promessas perigosas.

— Gostosa — murmurou ele, a voz rasteira. — Até comendo você parece uma safada pedindo mais.

— É a sua presença que me deixa assim — provocou ela, engolindo a fruta e ousando lamber o polegar dele para limpar o resquício de suco. — Quatro anos esperando para ter você na minha frente... eu não vou fingir modéstia agora.

Caio largou o prato na mesinha lateral com um baque seco. Seus olhos faiscaram com a fome que parecia inesgotável.

— Essa sua boca atrevida ainda vai me fazer perder a linha antes da gente sair desse hotel — rosnou ele, deslizando a mão por baixo da barra do roupão de Flora. As pontas dos dedos ásperos subiram pela parte interna de suas coxas com uma lentidão torturante, parando a milímetros da fenda íntima que já começava a umedecer. — Mas primeiro nós vamos para a nossa casa. Quero você pronta em quinze minutos.

A autoridade na voz dele era como um afrodisíaco poderoso. Flora assentiu, descendo da cama com as pernas ainda vacilantes, sentindo o olhar de Caio acompanhá-la como uma coleira invisível até o closet da suíte.

Uma hora depois, vestidos com uma elegância crua e contemporânea — Flora usando uma calça de alfaiataria de cintura alta que valorizava suas curvas e uma blusa de seda pura marfim, e Caio com uma calça escura de corte reto, sapatos de couro italiano e uma camisa cinza-chumbo ajustada aos ombros largos —, os dois desceram pelo elevador privativo até o subsolo.

O carro de Caio, um SUV esportivo preto com vidros blindados e motor que roncava como um animal enjaulado, aguardava na vaga reservada. Ele abriu a porta para ela com uma cortesia mecânica e decidida, fechando-a assim que Flora se acomodou no banco de couro macio.

O trajeto pelas avenidas litorâneas foi preenchido por um silêncio confortável, quebrado apenas pela mão de Caio descansando pesada e firme sobre a coxa de Flora. Ele mantinha a marcha com a mão esquerda no volante, pilotando com uma facilidade relaxada, enquanto seus dedos direitos apertavam a carne macia da perna dela toda vez que o tráfego exigia uma redução. Cada aperto era um recado silencioso: *Você está comigo agora.*

Quando o veículo adentrou a garagem subterrânea de um dos edifícios residenciais mais modernos da costa, a respiração de Flora acelerou. O elevador panorâmico os levou diretamente ao último andar em uma subida rápida e silenciosa que descortinava a imensidão azul do oceano.

As portas metálicas deslizaram, revelando a cobertura.

O espaço era um choque de magnitude. Paredes inteiras de vidro do chão ao teto emolduravam o horizonte marítimo, inundando a sala em dois níveis com uma luz límpida e grandiosa. O piso em porcelanato trazia reflexos claros, os pilares de concreto aparente davam um ar sofisticado e industrial, e a escada helicoidal no canto conduzia ao mezanino onde a suíte principal e o terraço privativo com piscina suspensa repousavam.

Não havia móveis ainda, exceto pela estrutura monumental da bancada de granito negro na cozinha americana integrada e a imensidão daquele território novo.

Flora deu alguns passos hesitantes, os saltos de seus sapatos ecoando no vazio suntuoso. Ela se aproximou da parede de vidro principal, contemplando o mar que se estendia abaixo até perder de vista.

— É enorme... — sussurrou ela, com a voz carregada de uma admiração quase infantil.

Caio caminhou atrás dela com passos lentos, os sapatos estalando no piso polido. Parou tão perto que Flora pôde sentir a radiação de calor do corpo dele contra as suas costas.

— É nosso — corrigiu ele em voz baixa, pousando as mãos espalmadas nos ombros dela e puxando-a contra o seu peito. — Quatrocentos metros quadrados para você esquecer tudo o que te apequenou. Aqui não entra ninguém além de quem a gente quiser.

Flora fechou os olhos, apoiando a cabeça no ombro dele.

— Eu não sei como agradecer por tudo isso, Caio. É como se você tivesse me arrancado de um pesadelo e me colocado dentro de um castelo.

Caio soltou um riso sombrio perto do ouvido dela, e suas mãos desceram dos ombros diretamente para o quadril da mulher, puxando-a com força para que ela sentisse o volume duro que já pressionava o tecido de sua calça contra as nádegas dela.

— Eu não quero agradecimento em palavras, Flora — murmurou ele, a voz descendo uma oitava, carregada de pura devassidão. — Eu quero ver você gozar até perder as forças em cada metro quadrado dessa porra.

O choque erótico daquelas palavras atingiu Flora como uma descarga elétrica. Ela tentou se virar, mas Caio manteve uma das mãos firmes em sua cintura, prendendo-a de frente para a vista panorâmica do oceano.

— Olha lá para fora — comandou ele, a respiração batendo quente na nuca dela. — Olha para a cidade inteira lá embaixo. Ninguém pode ver a gente aqui em cima, mas você vai saber que o mundo todo está aos nossos pés enquanto eu te desmonto de novo.

Com agilidade precisa, Caio abriu o fecho da calça de alfaiataria de Flora, puxando o tecido e a calcinha de renda fina de uma só vez para baixo, até a altura dos joelhos dela. O ar condicionado fresco do imóvel vazio tocou a pele nua de suas pernas, mas o contraste foi imediatamente apagado pelo calor que emanava da pelve de Caio colada à sua.

Ele desabotoou as próprias calças com uma mão só, liberando o membro que já pulsava em prontidão absoluta, brilhando com uma gota espessa de desejo na ponta.

— Apoia as duas mãos no vidro — ordenou ele, sem margem para réplica.

Flora colocou as palmas espalmadas contra a frieza do vidro panorâmico, curvando o tronco ligeiramente para a frente e empinando o quadril para trás, oferecendo-se de bom grado ao homem que ditava as regras de sua nova vida. Ela via o reflexo dos dois na vidraça: a fragilidade de suas curvas sustentadas pela brutalidade disciplinada do corpo de Caio.

Caio deslizou uma das mãos entre as coxas dela antes de entrar, passando os dedos longos na fenda incandescente. Encontrou-a escorregadia, vertendo o mel quente do tesão reprimido.

— Olha isso... — rosnou ele, passando a umidade nos lábios dela por cima do ombro. — Você não tem vergonha nenhuma nessa cara, não é? Nem nos mudamos ainda e essa buceta já está encharcada de tanto me querer.

— É sua culpa... — gemeu ela, rebolando o quadril em busca de atrito. — Você me destrói e me cura ao mesmo tempo. Entra logo, Caio. Por favor!

— O que você é minha, Flora? — exigiu ele, pressionando a cabeça do pênis contra a entrada já receptiva.

— Sua mulher. Sua garota. Eu sou sua porra toda! — gritou ela, desesperada pelo contato.

Ele não esperou mais. Segurando a cintura dela com as duas mãos, cravando os dedos com força brutal, Caio empurrou os quadris em um movimento contínuo e impiedoso, enterrando os vinte centímetros rígidos de uma só vez dentro do calor apertado da mulher.

O impacto foi tão profundo que Flora soltou um grito rouco, a respiração embaçando o vidro à sua frente. Suas unhas arranharam a superfície fria enquanto o preenchimento total dilatava cada terminação nervosa de sua carne.

— Puta que pariu... — arfou Caio, fechando os olhos por um segundo enquanto os músculos internos dela o abraçavam em uma pressão sufocante. — Não existe nada no mundo que chegue perto desse aperto. Nada.

Ele começou a martelar. As investidas eram longas, vigorosas, fazendo o corpo esguio de Flora balançar no mesmo ritmo frenético. O eco das bofetadas de pele contra pele reverberava pelo salão monumental e vazio, criando uma sinfonia devassa que reivindicava aquele apartamento em nome da luxúria e do amor obsessivo que os unia.

Flora gemia em desespero, entregando-se sem reservas à agressividade controlada dele. A cada estocada profunda, a glande raspava o ponto exato de seu prazer, enviando choques elétricos direto para o topo de sua cabeça.

— Mais... não para, meu amor! — implorava ela, virando o rosto de lado para tentar beijá-lo.

Caio inclinou o corpo sobre o dela, colando o peito suado nas costas de Flora. Com a mão livre, ele puxou o queixo dela para cima, devorando a boca entreaberta com beijos lascivos enquanto continuava a foder sem diminuir a força das estocadas. As línguas se entrelaçavam com o mesmo desespero com que seus corpos se chocavam, um gosto compartilhado de saliva, desejo cru e vitória.

Ele desceu a mão direita até a virilha dela, encontrando o botão sensível ensopado pelo atrito. Começou a massageá-lo com movimentos circulares e rápidos, no mesmo tempo em que seus quadris afundavam com fúria cega.

A sobrecarga sensorial foi insustentável. Flora sentiu a espinha arquear, as pernas tremerem incontrolavelmente e um calor vulcânico tomar conta de seu baixo-ventre.

— Caio! Eu vou gozar... eu vou gozar muito! — ela gritou, a voz ecoando pelas paredes imensas da cobertura.

— Goza, minha rainha! Goza no que é nosso! — rugiu ele, acelerando as estocadas até o limite da brutalidade física.

Flora desmoronou em espasmos violentos. As paredes de sua intimidade contraíram-se em ondas dilacerantes de êxtase, ordenhando o membro de Caio com tanta força que o homem soltou um urro rouco, cravando os dentes na curva do ombro dela antes de despejar uma torrente fervente e abundante bem no fundo de suas entranhas.

O clímax durou uma eternidade suspensa no ar. Caio permaneceu enterrado até a raiz, tremendo dos pés à cabeça, segurando o corpo exausto de Flora contra o seu para que ela não caísse no chão.

A respiração dos dois preenchia o espaço silencioso, dois náufragos que finalmente haviam encontrado a terra firme nos braços um do outro.

Lentamente, Caio retirou-se com um suspiro pesado, puxando as roupas íntimas de Flora para cima antes de ajeitar as próprias calças. Ele a pegou no colo sem qualquer esforço, como se ela não pesasse nada, e caminhou até o centro da sala vazia, sentando-se no piso polido com as costas apoiadas em um dos pilares de concreto, mantendo-a acomodada sobre o seu peito.

Flora aninhou a cabeça no pescoço dele, escutando as batidas fortes do coração do homem que transformara sua existência.

— Gostou da nossa vista? — perguntou ele, a voz voltando à suavidade rouca, enquanto seus dedos desenhavam caminhos lentos nas costas dela.

Flora ergueu os olhos e sorriu, limpando uma gota de suor da testa dele com a ponta dos dedos.

— A melhor vista do mundo é a que eu tenho toda vez que olho para você.

Caio fitou a mulher por longos segundos, sentindo a armadura de aço que usara a vida inteira derreter sob a pureza daquele olhar. Ele beijou a testa dela, com uma solenidade que soava como um juramento inquebrável.

— O império é nosso, Flora — murmurou ele, com a certeza absoluta de quem havia conquistado o próprio destino. — E enquanto eu respirar, ninguém vai ousar tirar isso de nós.

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