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A família caos

Herança Russa e Curvas Brasileiras

A manhã na residência Bergmann-Antropova começou com o som de pés pequenos correndo pelo assoalho de madeira e o aroma forte de café coado. O sol mal havia cruzado a linha do horizonte, mas a energia dentro daquelas paredes já estava em rotação máxima. Léo, que na noite anterior estava manhoso e choroso, parecia ter acordado com a bateria renovada e um alvo específico para seu afeto: Ekaterina.

— Mama Kate! Mama Kate! — gritava o pequeno de dois anos, agarrando-se à perna longa da loira enquanto ela tentava, sem muito sucesso, colocar as torradas na mesa.

Kate, que ainda vestia um pijama de seda largo que teimava em escorregar pelo ombro, abaixou-se com um sorriso radiante e içou o filho nos braços. Léo imediatamente enterrou o rosto no pescoço da russa, soltando um suspiro de satisfação.

— Olha só quem decidiu que eu sou a favorita hoje — provocou Kate, olhando para Julia, que entrava na cozinha com os cabelos ruivos presos em um coque despojado e vestindo um conjunto de treino que deixava muito pouco para a imaginação.

Julia parou à porta, cruzando os braços e arqueando uma sobrancelha. A calça legging cinza, de tecido tecnológico e compressão alta, parecia lutar para conter as curvas que, dia após dia, tornavam-se mais proeminentes. O agachamento pesado na academia não estava apenas fortalecendo suas pernas para os saltos em quadra; estava esculpindo uma silhueta que fazia Kate perder o fio da meada constantemente.

— Aproveite enquanto dura, Antropova — resmungou Julia, embora o brilho nos olhos denunciasse seu divertimento. — Daqui a dez minutos ele vai querer que eu limpe o rosto dele e vai vir correndo para a "mamãe bruta".

— Inveja é um pecado, Bergmann — Kate rebateu, aproximando-se da namorada com Léo no colo.

Ao passar por Julia, a loira não resistiu. Mesmo com o filho nos braços, ela encontrou um ângulo para desferir um tapa sonoro e firme na nádega direita da ruiva. O estalo ecoou pela cozinha.

— Ai! Kate! — Julia deu um pulo, o rosto corando instantaneamente. — O Léo está vendo, sua louca!

— Ele precisa aprender desde cedo que a mamãe Ju tem a melhor bunda do vôlei mundial — Kate piscou, soltando uma risada alta enquanto Léo batia palminhas, sem entender nada, mas achando a interação engraçada.

— Você não tem jeito — Julia suspirou, aproximando-se para roubar um selinho da loira e um beijo na testa do filho. — Mas agora, foco. Temos uma reunião de cúpula antes do treino.

O clima descontraído deu lugar a uma seriedade necessária quando Gabi e Thiago se juntaram a elas na mesa, seguidos por um Nicolas que parecia ter envelhecido cinco anos em uma única noite. Mariana, a namorada do rapaz, estava sentada ao lado dele, segurando sua mão com força.

Julia tomou a frente. Ela tinha esse papel natural de liderança, a voz firme que colocava ordem no caos.

— Bom, ninguém aqui vai fingir que a situação é simples — começou Julia, olhando diretamente para o cunhado. — Nicolas, você e a Mariana conversaram com os pais dela. Como foi?

O rapaz limpou a garganta, a voz ainda um pouco instável.

— Eles ficaram furiosos no começo, claro. Mas... eles vão apoiar. O pai dela quer que eu vá lá hoje à tarde para conversarmos sobre como vai ser daqui para frente. Escola, pré-natal, tudo.

Kate, que mantinha Léo sentado em seu colo enquanto o distraía com pedaços de fruta, interveio com um tom mais suave do que o da noite anterior.

— Meus pais já sabem, Nicolas. Eu liguei para a mamãe hoje cedo. Ela chorou, disse que você é um tonto, mas já está fazendo planos para vir para cá no mês que vem. Você sabe como os russos são... família é família, não importa a bobagem que você faça.

Nicolas soltou um suspiro de alívio tão profundo que seus ombros chegaram a baixar.

— Eu vou assumir tudo, Kate. Eu juro. Não vou deixar a Mariana sozinha.

— É bom mesmo — Julia pontuou, a veia de proteção falando alto. — Porque se você vacilar, não vai ser a Kate que você vai ter que enfrentar. Vai ser eu. E eu bato mais forte.

Gabi, tentando aliviar a tensão, soltou um risinho.

— Disso ninguém duvida, Ju. Mas agora, falando de futuro... vocês dois precisam terminar o ensino médio. Vamos organizar uma agenda. Thiago pode ajudar o Nicolas com os estudos, e nós vamos dar o suporte financeiro e emocional que o bebê precisar. Mas a responsabilidade principal é de vocês. Entendido?

Os dois adolescentes assentiram prontamente. A rede de apoio estava montada, mas o peso da realidade começava a se assentar.

Após o café, a casa entrou naquele ritmo frenético de saída para o treino. Enquanto Julia terminava de arrumar sua bolsa, Kate a encurralou no corredor. O ciúme possessivo da russa, que havia sido mascarado pela preocupação com o irmão, voltou à tona com força total.

— Você está muito gostosa nessa legging, Julia. De verdade — sussurrou Kate, prensando o corpo da ruiva contra a parede. — Eu vi o jeito que as meninas da seleção olham para você no treino.

Julia sorriu, passando os braços pelo pescoço da loira.

— Ah, é? E que jeito é esse, Antropova?

— Como se quisessem um pedaço — Kate rosnou baixinho, aproximando os lábios da orelha de Julia. — Mas elas não sabem que esse privilégio é só meu. E que eu deixo marcas.

Sem aviso, Kate cravou os dentes na curva do pescoço de Julia, uma mordida firme que fez a ruiva soltar um arquejo surpreso.

— Kate! Eu vou ter que usar gola alta no calor de quarenta graus! — reclamou Julia, embora suas mãos estivessem puxando a loira para mais perto.

— Problema seu — Kate sorriu vitoriosa, descendo as mãos para a cintura de Julia e apertando com vontade. — Aliás, ontem no ginásio eu não estava brincando. Quando é que você vai agachar daquele jeito para mim, hein? Sem peso, sem rede, só nós duas?

Julia sentiu um calafrio percorrer sua espinha. O lado extrovertido e atrevido de Kate era sua maior fraqueza.

— Se você se comportar e não causar outro escândalo no treino hoje, quem sabe eu não te mostro uma série especial de repetições à noite — provocou a ruiva, dando um tapinha atrevido no rosto da namorada antes de se desvencilhar.

No ginásio, a rotina de treinos era intensa. Julia estava em uma fase técnica impecável, mas era seu físico que chamava a atenção. Cada movimento de defesa, cada salto para o bloqueio, evidenciava a potência de suas pernas e o volume de suas curvas. Kate, sentada na lateral após seu próprio treino, observava com uma posse quase tangível. Ela não escondia de ninguém o quanto admirava a mulher que tinha ao lado.

Durante o intervalo, Gabi se aproximou de Kate, notando o olhar fixo da amiga na ruiva.

— Controla essa baba, Antropova. O treino é de vôlei, não de apreciação de curvas — brincou Gabi, secando o suor com uma toalha.

— Não tenho culpa se a minha mulher é o monumento nacional do Brasil, Gabi — respondeu Kate, sem desviar os olhos. — Você viu o tamanho daquela bunda hoje? Parece que cresce a cada agachamento.

— Ela está treinando pesado — concordou Gabi. — E você está deixando ela maluca com essa sua mania de bater e morder o tempo todo. A Julia é bruta, mas ela derrete por você.

Ao final do dia, a exaustão física era compensada pela sensação de dever cumprido. De volta à casa, o cenário era mais calmo. Nicolas e Mariana haviam voltado da conversa com os pais da menina com um plano de ação, e Léo já estava devidamente alimentado e pronto para dormir.

Desta vez, foi Julia quem tomou a iniciativa. Após colocar Léo no berço, ela seguiu para o quarto principal, onde Kate estava deitada, rolando o feed do celular com uma expressão pensativa.

Julia não disse nada. Ela apenas parou na frente da cama e começou a se alongar, fazendo exatamente o movimento de agachamento profundo que Kate tanto havia pedido. A calça de treino esticou ao limite, e a visão fez Kate largar o celular instantaneamente.

— Você... você está fazendo isso de propósito — disse Kate, a voz subindo uma oitava.

Julia olhou por cima do ombro, um sorriso diabólico nos lábios.

— Você não queria ver o ângulo privilegiado, Antropova? Pois bem, aproveite. Mas lembre-se: para cada tapa que você me deu hoje, eu quero uma massagem. E para cada mordida... bom, eu vou querer revidar.

Kate não precisou de um segundo convite. Ela saltou da cama com a agilidade de uma oposta de elite, envolvendo Julia por trás e derrubando-a suavemente sobre o colchão.

— Eu aceito os termos do contrato, Bergmann — murmurou Kate, iniciando uma trilha de beijos e mordidas leves pelas costas da ruiva.

A noite na mansão seguiu seu curso. Entre o caos de uma gravidez na adolescência, a pressão das competições internacionais e a energia inesgotável de um filho pequeno, Julia e Kate encontravam seu equilíbrio no toque, na provocação e na certeza de que, entre tapas, mordidas e segredos, elas eram a âncora uma da outra.

— Julia? — chamou Kate, algum tempo depois, com a voz abafada pelo travesseiro.

— Hum?

— Amanhã você agacha de novo?

O som que se seguiu foi o de um travesseiro sendo arremessado contra a cabeça de uma loira rindo, selando mais um dia na vida daquela família nada convencional.

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