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a humana desejavel

Ecos de uma Eternidade Obsessiva

A notícia de que Dakaria e Silvania agora eram cúmplices do romance proibido não trouxe a paz que [S/N] esperava; em vez disso, intensificou a aura de perigo que cercava cada encontro. O verão em Bindburg estava chegando ao seu ápice, e com ele, a obsessão de Murdo parecia ter atingido um ponto de não retorno. Ele não se contentava mais em ser apenas um visitante noturno; ele queria fundir a existência dela à dele, custasse o que custasse.

Naquela tarde, [S/N] tentava se concentrar em um livro de história na biblioteca da cidade, mas a sensação de ser observada era tão física quanto um toque na nuca. Ela sabia que não era um estranho. Era ele. Murdo não frequentava a escola, mas havia se tornado o mestre em mimetizar-se nas sombras dos corredores e praças.

— Você sabe que as pessoas vão começar a notar se as lâmpadas continuarem a piscar toda vez que você se aproxima — sussurrou [S/N], sem tirar os olhos das páginas, sentindo o ar esfriar subitamente ao seu lado.

— Que notem — a voz de Murdo surgiu como um sopro gelado em seu ouvido. — Deixe que vejam que você está protegida. Deixe que saibam que o ar que você respira me pertence.

[S/N] fechou o livro e olhou para o lado. Murdo estava ali, parcialmente oculto por uma estante de carvalho escuro. Seus olhos não brilhavam com o vermelho carmesim da noite, mas tinham uma intensidade sombria que a fazia estremecer. Ele estendeu a mão pálida e traçou o contorno do rosto dela, ignorando completamente o fato de estarem em um local público.

— Murdo, você precisa ter cuidado — ela murmurou, cobrindo a mão dele com a sua. — Minhas primas estão ajudando, mas se o tio Mihai descobrir que você está me seguindo até durante o dia...

— Mihai não pode me impedir de querer o que é meu por direito — ele interrompeu, a voz carregada de uma possessividade que beirava a agressividade, embora seus movimentos fossem gentis. — Eu passei séculos procurando por algo que me fizesse sentir vivo, [S/N]. Você acha que eu vou recuar por causa de regras de clã ou medo de ser descoberto?

Ele se aproximou mais, seu perfume de menta e terra molhada invadindo os sentidos dela.

— Hoje à noite, as meninas vão levar meus pais para um festival de cinema humano no centro — ela disse, mudando de assunto para aliviar a tensão. — Estaremos sozinhos na casa.

Um sorriso lento e predatório curvou os lábios de Murdo.

— Então eu não precisarei entrar pela janela como um ladrão.

A noite caiu sobre Bindburg com uma promessa de tempestade. O céu estava tingido de um roxo profundo, e o vento uivava entre as árvores da floresta próxima. Assim que o carro de Mihai desapareceu na esquina, transportando a família Tepes para uma noite de entretenimento humano, [S/N] trancou a porta da frente. Ela mal se virou quando sentiu braços fortes a envolverem por trás.

— Você é rápida — sussurrou Murdo, enterrando o rosto na curvatura do pescoço dela.

— Eu aprendi com o melhor — ela respondeu, virando-se em seus braços.

Desta vez, não havia a urgência desesperada das ruínas ou o frio do lago. Havia uma intimidade doméstica que era quase mais perigosa, pois fazia parecer que eles poderiam ser um casal normal. Mas Murdo nunca seria normal. Ele a pegou no colo e a carregou escada acima, seus olhos brilhando na penumbra do corredor.

Ao entrarem no quarto de [S/N], ele a colocou sobre a cama com uma reverência quase religiosa. Murdo ajoelhou-se entre as pernas dela, as mãos repousando sobre suas coxas.

— Às vezes, eu fecho os olhos e tento imaginar como seria se eu pudesse caminhar sob o sol com você — ele confessou, a vulnerabilidade em sua voz contrastando com a intensidade de seu olhar. — Mas então eu percebo que prefiro a noite. Prefiro que você seja a única luz no meu mundo de sombras.

— Eu não me importo com o sol, Murdo — [S/N] disse, inclinando-se para frente e passando os dedos pelos cabelos negros e rebeldes do cantor. — Eu prefiro o brilho dos seus olhos.

Murdo soltou um rosnado baixo, um som de pura necessidade. Ele se levantou e a puxou para um beijo que parecia querer consumir sua própria alma. Suas mãos desceram pelas costas dela, puxando-a para mais perto, até que não houvesse mais espaço entre seus corpos. A camiseta dela foi descartada com uma agilidade sobrenatural, e logo a pele quente de [S/N] estava colada ao peito frio e marmóreo de Murdo.

— Você é tão quente... — ele arquejou contra a pele dela. — Às vezes eu esqueço como é sentir o calor.

Ele começou a beijar cada centímetro do corpo dela, deixando marcas que ele sabia que durariam dias. Era sua forma de selar sua posse, de garantir que, mesmo quando ele não estivesse presente fisicamente, sua marca estaria ali. Suas mãos eram ágeis e experientes, explorando-a com uma fome que parecia aumentar a cada encontro.

[S/N] sentia-se em chamas. O contraste entre a temperatura dele e o fogo que ele despertava nela era inebriante. Ela se arqueou sob o toque dele, suas unhas cravando-se nos ombros dele, puxando-o para mais perto.

— Murdo, por favor... — ela implorou, a voz falhando.

Ele subiu novamente, ficando sobre ela, seus olhos agora totalmente vermelhos, pulsando com o ritmo do coração dela que ele podia ouvir tão claramente.

— Olhe para mim — ele ordenou suavemente. — Quero que você saiba exatamente quem está te possuindo. Quero que você saiba que, a partir deste verão, ninguém mais poderá te tocar sem sentir o meu cheiro em você.

— Eu sou sua — ela disse, a voz firme apesar da respiração ofegante. — Sempre fui sua, desde aquele show.

Murdo a possuiu com uma intensidade que a fez perder o sentido de tempo e espaço. Cada movimento dele era deliberado, focado em levá-la ao limite do prazer e da dor doce. Ele era o rockstar carismático e o predador obsessivo em um só corpo, e [S/N] entregava-se a ambos com uma devoção que a assustava.

O som da chuva batendo na janela misturava-se aos gemidos dela e aos rosnados baixos dele. No ápice do ato, Murdo cravou os dedos no colchão, segurando-se para não morder a pele delicada do pescoço dela. Ele lutava contra seus instintos mais básicos apenas para mantê-la segura, mas a luta era visível em cada músculo tensionado de seu corpo.

Quando o êxtase finalmente os alcançou, Murdo desabou sobre ela, escondendo o rosto em seus cabelos, sua respiração pesada soprando contra o ouvido dela.

— Eu nunca vou te deixar ir — ele repetiu, como um mantra, uma promessa e uma ameaça ao mesmo tempo. — Se o verão acabar e você tiver que partir, eu irei atrás de você. Eu não me importo com as distâncias. Você é o meu sangue, [S/N].

Eles ficaram deitados em silêncio por um longo tempo, observando as sombras dançarem no teto enquanto a tempestade lá fora ganhava força. Murdo acariciava o braço dela com uma delicadeza que fazia [S/N] esquecer o monstro que ele poderia ser.

— Minhas primas... elas acham que isso é apenas um romance de verão — [S/N] disse baixinho. — Elas não entendem.

— Elas são jovens, à sua maneira — Murdo respondeu, virando-se para olhá-la. — Elas veem o amor como uma aventura. Eu vejo como uma sobrevivência. Sem você, eu voltaria a ser apenas um eco em um palco de rock, cantando para vampiros que não sentem nada.

De repente, a audição aguçada de Murdo captou algo. Ele se sentou abruptamente, os músculos ficando alertas.

— Eles estão voltando — ele disse, já se levantando e pegando suas roupas com movimentos rápidos e fluidos.

— Mas ainda é cedo! — [S/N] sentou-se, cobrindo-se com o lençol.

— Mihai deve ter sentido algo. Ele é protetor demais — Murdo vestiu a jaqueta de couro e caminhou até a janela. — Eu preciso ir. Mas não pense que isso acabou.

Ele parou no parapeito da janela, a silhueta escura contra o céu tempestuoso. Ele olhou para trás uma última vez, seus olhos brilhando intensamente.

— Amanhã, na escola. Eu estarei nos fundos do ginásio. Não se atrase.

E com um movimento ágil, ele saltou para a escuridão, transformando-se em um vulto negro que desapareceu entre as árvores antes mesmo que o carro de Mihai entrasse na garagem.

[S/N] vestiu-se rapidamente, o coração ainda disparado. Ela ajeitou a cama e abriu o livro de história novamente, tentando parecer a sobrinha humana exemplar que estava apenas estudando em uma noite de chuva. Quando Dakaria e Silvania entraram no quarto minutos depois, rindo e reclamando do filme humano, elas encontraram [S/N] em silêncio.

— O filme foi um tédio total! — Dakaria exclamou, jogando-se na poltrona. — Mas o cheiro aqui... — Ela fungou o ar, um sorriso malicioso cruzando seu rosto. — Parece que o "vocalista" passou por aqui para um ensaio particular.

— Dakaria, deixe ela em paz — Silvania disse, embora também estivesse sorrindo. — Você está bem, [S/N]? Você parece... radiante.

— Estou bem — [S/N] respondeu, sentindo o peso do segredo e a marca invisível de Murdo em sua pele. — Só estava estudando.

As primas trocaram olhares cúmplices, mas não disseram mais nada. Elas sabiam que o que estava acontecendo entre [S/N] e Murdo era algo muito maior do que elas poderiam controlar.

Naquela noite, enquanto tentava dormir, [S/N] sentiu a presença dele novamente. Não era um pesadelo, nem uma sombra assustadora. Era um sussurro no vento, um bater de asas na janela. Ela sabia que Murdo estava lá fora, empoleirado em algum galho, vigiando seu sono com aquela obsessão que se tornara seu novo lar.

Ela fechou os olhos, sabendo que o amanhã traria mais encontros escondidos, mais perigos e aquela paixão avassaladora que a consumia. O verão em Bindburg estava longe de terminar, e para [S/N], a escuridão nunca parecera tão brilhante. Ela era a humana que amava um monstro, e ele era o monstro que encontrara sua alma em uma humana. E nada, nem mesmo a luz do dia que logo viria, poderia mudar o fato de que eles agora pertenciam um ao outro, em uma sinfonia de sangue, rock e sombras eternas.