a humana desejavel
Curvas Perigosas e o Olhar do Predador
O ginásio da escola de Bindburg cheirava a cera de assoalho, suor adolescente e desinfetante barato. Para a maioria dos alunos, era apenas o lugar onde eram forçados a correr em círculos, mas para [S/N], naquela manhã de terça-feira, o prédio parecia uma arena de gladiadores. O sol lá fora estava forte, mas as janelas altas e sujas do ginásio filtravam a luz, criando feixes de poeira que dançavam no ar.
[S/N] sentia-se extremamente vulnerável. Devido a um erro na lavanderia da escola, ela fora obrigada a usar um uniforme de reserva dois números menor do que o seu. O short de malha azul marinho estava tão apertado que subia pelas suas coxas a cada passo, e a camiseta branca de algodão moldava-se ao seu busto e cintura como uma segunda pele, revelando cada curva que ela normalmente tentava disfarçar com suas roupas de estilo roqueiro e jaquetas largas.
— Amiga, você está atraindo mais olhares que o buffet de sangue sintético no conselho vampírico — sussurrou Dakaria, aproximando-se enquanto fingia alongar os braços. — Se o Murdo te vir assim, ele vai ter um colapso espontâneo.
— Não brinca com isso, Daka — [S/N] respondeu, tentando desesperadamente puxar a barra do short para baixo. — Eu me sinto pelada. E o pior é que eu sinto que ele está por perto.
— Ele está — disse Silvania, surgindo do outro lado com um sorriso travesso, os olhos brilhando com a diversão da situação. — Eu senti o rastro de névoa dele perto das tubulações de ventilação lá em cima. Ele está assistindo, [S/N]. E ele não parece nada feliz com o jeito que o capitão do time de futebol está olhando para você.
[S/N] olhou para o outro lado da quadra. Lukas, o mesmo garoto que Murdo já havia ameaçado anteriormente, estava parado com a bola de vôlei nas mãos, os olhos fixos nas pernas de [S/N] com uma expressão de admiração óbvia e pouco sutil.
Lá no alto, escondido nas vigas de ferro da parte "abandonada" do ginásio — um mezanino escuro onde as luzes nunca funcionavam e o acesso era proibido por risco de desabamento —, Murdo estava agachado como um gárgula. Suas mãos pálidas agarravam a barra de metal com tanta força que o aço começava a se deformar sob seus dedos.
Seus olhos estavam em um vermelho pulsante, tão vívido que parecia queimar a própria escuridão ao seu redor. Ele nunca tinha visto [S/N] daquele jeito. A pele exposta, o movimento rítmico de seu corpo enquanto ela se preparava para o saque, a maneira como o tecido apertado enfatizava tudo o que ele considerava sua propriedade exclusiva. A fome de vampiro, misturada com o ciúme possessivo do homem, era uma combinação explosiva em suas veias.
— Malditos humanos — rosnou Murdo para si mesmo, sua voz um trovão contido. — Olhando para ela como se tivessem o direito. Como se pudessem sequer tocar a sombra dela.
O apito do professor ressoou, dando início à partida de vôlei. [S/N] jogou a bola para o alto e sacou. O movimento fez com que a camiseta subisse alguns centímetros, revelando uma faixa de sua pele macia na cintura. Murdo soltou um som gutural, um rosnado que foi abafado pelo barulho das sapatilhas rangendo no chão de madeira.
Lukas, do outro lado da rede, fez uma recepção desajeitada, mais preocupado em observar o movimento do corpo de [S/N] do que na trajetória da bola.
— Boa jogada, [S/N]! — gritou Lukas, dando um sorriso confiante. — Você fica muito bem nesse uniforme, sabia? Valorizou... as coisas certas.
O ginásio pareceu esfriar dez graus em um segundo. Uma corrente de ar gelada soprou das vigas superiores, fazendo as redes de vôlei balançarem violentamente. [S/N] sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ela sabia o que aquilo significava. Murdo estava no limite.
— Lukas, cala a boca e joga! — Dakaria interveio, percebendo o perigo iminente. Ela olhou para o teto, tentando localizar o primo por afinidade. — [S/N], acho melhor você pedir para ir ao banheiro e trocar de roupa. Agora.
— Eu não tenho outra roupa, Daka! — [S/N] sussurrou de volta, o coração batendo freneticamente.
A partida continuou, mas o clima estava pesado. Cada vez que [S/N] pulava para um bloqueio ou se abaixava para uma manchete, Murdo sentia uma agonia possessiva. Ele via os olhos dos outros garotos, os comentários sussurrados, e o instinto predatório de marcar seu território gritava em sua mente. Ele queria descer dali, rasgar a garganta de cada um que ousasse cobiçá-la e carregá-la para longe, onde ninguém mais pudesse vê-la.
O ápice veio quando Lukas, tentando ser "prestativo", aproximou-se de [S/N] após um ponto marcado para dar um tapinha encorajador em seu ombro.
— Mandou bem, parceira — disse ele, a mão estendendo-se em direção à pele exposta do braço dela.
Antes que a mão de Lukas pudesse tocar [S/N], um estrondo ecoou pelo ginásio. Uma das lâmpadas industriais no teto estourou em uma chuva de faíscas, mergulhando uma parte da quadra em sombras. No mesmo instante, uma bola de vôlei reserva, que estava no cesto lateral, voou com uma velocidade impossível e atingiu a parede a centímetros da cabeça de Lukas, explodindo com o impacto.
— O que foi isso?! — gritou o professor, correndo para o centro da quadra.
— Vento? — sugeriu Silvania, tentando disfarçar enquanto puxava [S/N] para longe de Lukas.
[S/N] olhou para o mezanino abandonado. Por um breve segundo, ela viu dois pontos vermelhos brilhando na escuridão total, fixos nela com uma intensidade faminta. Ela sabia que precisava sair dali antes que Murdo causasse uma tragédia.
— Professor, eu não estou me sentindo bem — disse [S/N], a voz trêmula. — Acho que o calor... eu preciso de um pouco de ar.
— Vá, vá antes que outra lâmpada exploda — disse o instrutor, nervoso.
[S/N] não esperou. Ela correu em direção à saída dos fundos, aquela que levava ao corredor que dava acesso à parte velha do prédio, onde o ginásio se conectava aos antigos depósitos. Assim que a porta pesada de metal se fechou atrás dela, o silêncio caiu como um manto. O corredor estava escuro, iluminado apenas por frestas de luz que vinham das janelas altas.
Ela não deu dez passos antes de ser puxada para dentro de um nicho escuro entre dois armários de metal enferrujados. Suas costas bateram contra a parede fria, e antes que pudesse gritar, uma mão pálida e gelada cobriu sua boca, enquanto um corpo sólido e forte a prensava contra o concreto.
— Você tem ideia do que está fazendo comigo? — a voz de Murdo era um sussurro perigoso, carregado de uma fúria vibrante e um desejo incontrolável.
Ele retirou a mão de sua boca, mas não se afastou. Seus olhos estavam vermelhos, as pupilas dilatadas, e ele respirava de forma pesada, o que era raro para um vampiro. Ele parecia estar lutando contra cada instinto de sua natureza.
— Murdo... foi um erro, o uniforme... — [S/N] tentou explicar, mas sua voz morreu quando ele passou a mão pela lateral de sua coxa, subindo até a borda do short apertado.
— Eu quase matei aquele humano — disse Murdo, a voz rouca, os dentes roçando a orelha dela. — Ver ele olhando para você... ver o jeito que esse tecido marca cada curva sua... eu queria arrancar os olhos de todos naquele lugar. Você é minha, [S/N]. Minha.
— Eu sei que sou sua — ela ofegou, sentindo a eletricidade entre eles. — Mas você não pode sair explodindo coisas na escola!
— Eu não consigo me controlar quando se trata de você — ele confessou, enterrando o rosto no pescoço dela e aspirando seu cheiro com um desespero quase febril. — O cheiro do seu suor, o calor da sua pele... está me deixando louco. Eu não aguento mais ver você cercada por esses... esses sacos de sangue insignificantes que acham que podem te possuir com o olhar.
Murdo a puxou para mais perto, se é que era possível, e suas mãos grandes e frias apertaram sua cintura, subindo por baixo da camiseta curta. O contato da pele gelada dele com o seu corpo quente e suado pelo exercício causou uma reação em cadeia de arrepios por todo o seu corpo.
— Murdo, estamos na escola... — ela sussurrou, embora suas mãos já estivessem subindo pelo peito dele, agarrando a jaqueta de couro.
— Ninguém vem aqui — ele disse, a voz cheia de uma autoridade sombria. — Este lugar está abandonado por um motivo. Eu fiz questão de que o cheiro de perigo aqui afastasse qualquer um.
Ele a beijou com uma força avassaladora, um beijo que não pedia permissão, mas que reivindicava território. Não havia a gentileza do "namorado perfeito" naquele momento; havia apenas o vampiro possessivo que estava farto de compartilhar a visão de sua amada com o resto do mundo. [S/N] correspondeu com a mesma intensidade, sua própria frustração e desejo acumulados explodindo naquele contato.
Murdo a levantou, fazendo-a envolver as pernas em sua cintura. O uniforme apertado facilitava o contato, e ele soltou um gemido baixo ao sentir a fricção. Ele a carregou para mais fundo na escuridão do depósito abandonado, onde pilhas de colchonetes velhos e equipamentos de ginástica em desuso criavam um refúgio sombrio.
Ele a colocou sobre uma pilha de colchonetes macios, ficando sobre ela. A luz que entrava pelas frestas das tábuas de madeira nas janelas criava listras de claridade sobre o corpo de [S/N], destacando as curvas que haviam torturado Murdo durante toda a aula.
— Eu vou te marcar de um jeito que você nunca mais vai esquecer a quem pertence — ele murmurou, seus olhos fixos nos dela. — Quero que, quando você voltar para aquela quadra, cada poro do seu corpo saiba que você é propriedade de um monstro.
— Então me marca, Murdo — ela desafiou, a voz carregada de desejo. — Não me deixe esquecer.
Murdo não precisou ser avisado duas vezes. Ele removeu a camiseta apertada dela com uma urgência que quase rasgou o tecido. Ao ver os seios dela subindo e descendo com a respiração acelerada, ele sentiu uma onda de adoração misturada com uma fome predatória. Ele começou a beijá-la com uma ferocidade apaixonada, suas mãos explorando cada centímetro de pele que ele estivera cobiçando de longe.
O encontro foi intenso e selvagem. Murdo usava sua força e velocidade para levá-la a picos de prazer que a faziam perder a voz. Ele a possuía como se estivesse gravando seu nome em sua alma. Cada toque era uma afirmação de domínio, cada sussurro era uma promessa de proteção eterna.
— Você é minha musa, minha vida, meu sangue — ele dizia entre beijos e gemidos. — Eu nunca vou deixar ninguém te tirar de mim. Eu vou te seguir nas sombras, vou te guardar no escuro, e vou destruir qualquer um que ouse tocar o que é meu.
[S/N] sentia-se flutuar em um mar de sensações. A possessividade dele, que para outros poderia parecer assustadora, para ela era o ápice da devoção. Ela se sentia vista, desejada e protegida de uma forma que nenhum humano jamais poderia oferecer.
Quando o êxtase finalmente os dominou, Murdo a abraçou com tanta força que ela sentiu que seus ossos poderiam se fundir aos dele. Ele ficou ali, escondido em seu pescoço, sentindo o batimento cardíaco dela desacelerar gradualmente.
— Eu odeio que você tenha que voltar para lá — ele murmurou, a voz carregada de uma possessividade melancólica.
— Eu tenho que terminar a aula, Murdo — ela riu baixinho, acariciando o cabelo dele. — Mas eu vou estar pensando em você a cada segundo.
— É bom que esteja — ele disse, levantando a cabeça para olhá-la. A vermelhidão em seus olhos estava mais suave, mas a determinação ainda estava lá. — Porque eu vou estar assistindo. E se aquele Lukas chegar perto de você de novo... eu não respondo por mim.
Ele a ajudou a se vestir, sendo estranhamente cuidadoso, como se estivesse manuseando o cristal mais precioso do mundo. Ele ajeitou a camiseta dela e puxou o short para baixo, beijando a curva de sua cintura uma última vez.
— Vá — ele disse, dando um passo para trás e desaparecendo nas sombras do depósito antes mesmo que ela pudesse dizer adeus. — Mas saiba que eu nunca estou longe.
[S/N] saiu do depósito e caminhou de volta para o ginásio. Suas pernas estavam levemente trêmulas, e ela tinha certeza de que seu rosto estava corado, mas havia uma confiança nova em seus passos. Quando ela entrou na quadra, a aula estava terminando.
Lukas tentou se aproximar novamente, talvez para perguntar se ela estava melhor, mas ele parou a dois metros de distância. Ele sentiu um arrepio súbito, uma sensação de que estava sendo caçado por algo invisível e letal. Ele olhou para cima, para as vigas escuras, e depois para [S/N], e sem dizer uma palavra, deu meia volta e foi para o vestiário.
Dakaria e Silvania aproximaram-se de [S/N], os sorrisos cúmplices em seus rostos.
— Pelo visto, o "ar puro" fez muito bem para você — disse Dakaria, piscando. — E o Murdo parece ter se acalmado... por enquanto.
— Ele é impossível — [S/N] disse, sorrindo para o teto escuro do ginásio, sabendo que, em algum lugar ali em cima, o seu protetor sombrio estava sorrindo de volta.
O verão em Bindburg ainda tinha muitas semanas pela frente, e [S/N] sabia que, com Murdo ao seu lado — ou melhor, em sua sombra —, ela nunca mais teria que temer o olhar de ninguém. Ela era a rainha das sombras, a musa do rockstar vampiro, e aquele uniforme apertado fora apenas o estopim para mais uma prova de que seu amor era tão eterno e obsessivo quanto a própria noite.