Agatha e Gustavo
O Refúgio do Pôr do Sol e a Promessa de Cristal
A brisa quente do Caribe soprava suavemente pelas cortinas de linho branco da villa privativa que Gustavo havia alugado. O som rítmico das ondas quebrando na areia fina era a única trilha sonora necessária para aquela tarde preguiçosa. Agatha estava deitada em uma espreguiçadeira na varanda, observando o horizonte onde o azul do céu se fundia com o turquesa do mar. Sua mão direita ainda ostentava um curativo menor, mais discreto, mas a expressão em seu rosto não carregava mais o peso da ansiedade de Seattle.
— Se você continuar olhando para o mar desse jeito, eu vou começar a ficar com ciúmes do oceano — disse Gustavo, surgindo atrás dela com dois copos de suco de frutas tropicais decorados com pequenos guarda-chuvas coloridos.
Agatha soltou uma risada cristalina, virando o rosto para encontrá-lo. Ele estava apenas de bermuda clara, a pele já levemente bronzeada pelo sol das Bahamas, e aquele sorriso torto que continuava sendo o maior ponto fraco dela.
— Você é impossível, Gu! — exclamou ela, pegando o copo com a mão esquerda. — Eu estava apenas pensando em como tudo parece tão... calmo aqui. Sem telefones tocando, sem reuniões de última hora e, principalmente, sem dramas.
Gustavo sentou-se na borda da espreguiçadeira dela, passando a mão livre pelos cabelos de Agatha, que estavam levemente endurecidos pelo sal do mar.
— Esse era o objetivo, Agatinha. Eu queria que você visse que o mundo não precisa ser uma sequência de crises. Às vezes, a gente só precisa de silêncio e de um suco com um guarda-chuva ridículo.
Agatha sentiu os olhos marejarem. Era uma reação típica, mas desta vez, as lágrimas eram de uma gratidão tão profunda que chegava a doer.
— Por que você faz isso? — perguntou ela, a voz ficando um pouco embargada. — Por que você se esforça tanto para me ver bem, mesmo quando eu sou um desastre completo que quebra suas coisas e entra em pânico por nada?
Gustavo deixou o copo de lado e segurou o rosto dela com as duas mãos, obrigando-a a olhar diretamente nos seus olhos azuis, que agora estavam sérios e carregados de uma intensidade avassaladora.
— Porque você é a minha luz, Agatha — sussurrou ele. — Antes de você, a minha vida era uma sucessão de números, contratos e pessoas vazias. Você trouxe o caos, as risadas, as lágrimas e a verdade. Eu não cuido de você porque você é frágil. Eu cuido de você porque você é a coisa mais preciosa que eu já tive a sorte de encontrar.
Agatha soluçou, deixando uma lágrima escapar.
— Viu? — disse ela, rindo entre o choro. — Eu sou uma chorona incurável. Você me traz para o paraíso e eu começo a desidratar.
— E é por isso que eu trouxe o suco — brincou ele, limpando o rosto dela com os polegares. — Para repor os eletrólitos.
Eles ficaram ali por algum tempo, apenas aproveitando a presença um do outro. O sol começou a descer no horizonte, tingindo o céu de tons de rosa, laranja e violeta. Era uma pintura viva, e Agatha sentia que cada cor representava uma parte da nova vida que estava construindo ao lado de Gustavo.
— Sabe, Gu — começou ela, quebrando o silêncio —, eu andei pensando muito sobre a Luiza nesses últimos dias.
Gustavo ficou tenso por um segundo, mas relaxou ao perceber que o tom de Agatha era de reflexão, não de angústia.
— E o que você concluiu? — perguntou ele, cauteloso.
— Que eu não sinto raiva dela. Sinto pena. Ela está tão presa na própria necessidade de controle que esqueceu como é amar alguém de verdade. Ela achava que me conhecia, mas ela só conhecia a Agatha que ela podia manipular. Você foi o único que me viu desabar e, em vez de tentar me remontar do seu jeito, você apenas segurou as peças até eu ter força para colá-las de novo.
— Eu sempre vou segurar as peças, Agatinha — disse ele, beijando a palma da mão dela, logo acima do curativo. — Mas você é quem faz o trabalho duro de ser essa mulher incrível.
— Eu quero ser melhor para você — murmurou ela, puxando-o para mais perto. — Quero ser a mulher que te faz rir quando os seus negócios ficarem pesados demais. Quero ser a sua safada favorita, a sua parceira de aventuras e até a sua paciente dramática, se for preciso.
Gustavo soltou uma gargalhada e a puxou para o colo, ignorando o espaço apertado da espreguiçadeira.
— Você já é tudo isso, Agatha. E muito mais. Agora, que tal a gente deixar a filosofia de lado e aproveitar que a lua está nascendo? Eu ouvi dizer que o mar à noite aqui é afrodisíaco.
— Como se você precisasse de ajuda com isso — retrucou ela, mordendo o lábio inferior de um jeito provocante que fez o olhar de Gustavo escurecer instantaneamente.
— Você não tem ideia do perigo que corre falando assim comigo em uma ilha deserta — avisou ele, a voz descendo para aquele tom rouco que sempre fazia as pernas de Agatha tremerem.
— Eu adoro o perigo — respondeu ela, passando os braços pelo pescoço dele. — Especialmente quando o perigo é lindo, doido e completamente meu.
Gustavo a beijou com uma paixão que parecia querer consumir todo o ar ao redor deles. Era um beijo que carregava a promessa de uma noite inesquecível, mas também a segurança de um compromisso que ia muito além do físico. Ele a pegou no colo e a levou para dentro da villa, onde as luzes estavam baixas e o aroma de sândalo perfumava o ar.
Ele a deitou na cama de dossel, onde os lençóis de seda branca pareciam nuvens sob a luz do luar. Com uma lentidão torturante, Gustavo começou a despir Agatha, seus olhos devorando cada curva, cada detalhe da pele dela que ele tanto adorava.
— Você é perfeita — murmurou ele, as mãos grandes traçando o caminho desde os tornozelos dela até as coxas.
— Eu estou com você — respondeu ela, a respiração já ofegante. — Isso é o que me torna perfeita.
O que se seguiu foi uma celebração de tudo o que haviam superado. Gustavo foi doce e selvagem ao mesmo tempo, alternando entre carícias que faziam Agatha chorar de prazer e toques que a faziam rir de pura euforia. Ele a conhecia melhor do que ninguém, sabia onde pressionar, onde beijar e como fazê-la atingir o ápice de sua intensidade.
— Gu... por favor... — implorou ela, as unhas cravando-se nos ombros largos dele.
— Eu te tenho, Agatha — disse ele, unindo seus corpos em um ritmo que parecia sincronizado com o bater das ondas lá fora. — Você é minha. Hoje, amanhã e sempre.
No auge da paixão, Agatha sentiu que todas as suas ansiedades haviam sido lavadas. Naquele momento, não havia cacos de vidro, não havia ciúme de amigas, não havia sombras. Havia apenas a luz que emanava deles dois.
Horas depois, Agatha descansava com a cabeça no peito de Gustavo, ouvindo as batidas desaceleradas do seu coração.
— Gu? — chamou ela baixinho.
— Oi, meu amor.
— Você acha que a gente vai conseguir manter essa paz quando voltarmos para Seattle?
Gustavo suspirou, acariciando o braço dela.
— Seattle vai continuar sendo Seattle, Agatha. O mundo não vai parar de girar ou de tentar nos derrubar. Mas agora a gente tem uma arma secreta.
— Qual? — perguntou ela, curiosa.
— A gente aprendeu a cuidar um do outro no meio da tempestade. Agora, Seattle não é mais o lugar onde a gente se perde. É o lugar onde a gente mostra para todo mundo o que acontece quando duas pessoas doidas decidem que o amor é a única coisa que realmente importa.
Agatha sorriu, sentindo uma coragem que nunca imaginou possuir.
— Eu gosto disso. "Os Doidos de Seattle". Daria um bom título de livro.
— Ou de um contrato de investimento vitalício — brincou ele, beijando o topo da cabeça dela.
— Você não consegue parar de pensar em negócios nem por um segundo, não é? — perguntou ela, rindo e dando um tapinha no peito dele.
— Meu maior negócio é você, Agatinha. E eu pretendo passar o resto da vida garantindo que esse investimento continue dando os melhores lucros do mundo: os seus sorrisos.
Agatha fechou os olhos, sentindo-se finalmente em casa. O curativo em sua mão cairia em alguns dias, e a cicatriz seria quase invisível. Mas a marca do que haviam vivido naqueles dias em Seattle e nas Bahamas ficaria gravada em sua alma para sempre.
Ela era a safada, a engraçada e a chorona. Ele era o brincalhão, o fofo, o doido e o lindo. E juntos, eles eram uma força da natureza que nenhuma crise de ansiedade ou interferência externa jamais seria capaz de destruir.
— Eu te amo, Gustavo — sussurrou ela, já entregando-se ao sono.
— Eu te amo mais, Agatha — respondeu ele, apertando-a em seus braços enquanto a lua de prata vigiava o sono dos dois, protegendo o refúgio que haviam construído sobre a rocha sólida da confiança e do desejo insaciável.