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Ahyeon e James / enimes to lovers

O Jogo de Espelhos e o Gosto Amargo do Ciúme

O ensaio para o "Special Stage" estava tecnicamente impecável, mas o clima entre os dois idols havia mudado drasticamente. Após a noite de entrega e vulnerabilidade no apartamento de James, Ahyeon sentia que as barreiras haviam finalmente caído. Ela esperava que, na manhã seguinte, as provocações infantis dessem lugar a algo mais estável, talvez até um pedido oficial. No entanto, James parecia ter outros planos.

Ele estava encostado na parede de espelhos, observando Ahyeon terminar sua sequência solo. Quando ela parou, ofegante e esperando um elogio ou um beijo rápido antes que o staff entrasse, James apenas soltou um riso anasalado.

— Você está muito lenta hoje, boneca. Onde está a energia que você teve ontem à noite? — Ele disse, a voz carregada de uma malícia que, pela primeira vez, soou fria para ela.

Ahyeon franziu a testa, ajeitando o cabelo úmido de suor.

— Foi uma noite longa, James. E você sabe bem o porquê.

James caminhou até ela, mas não para abraçá-la. Ele parou a um passo de distância, cruzando os braços sobre o peito largo.

— Sabe o que eu estava pensando? — Ele começou, desviando o olhar para o próprio reflexo. — A gente se deu bem, foi legal. Mas eu não quero que você confunda as coisas. Eu não quero namorar você, Ahyeon. Gosto da nossa dinâmica assim... sem rótulos, sem cobranças. Apenas irritar você e ver até onde isso vai.

O mundo de Ahyeon pareceu girar por um segundo. A confissão de amor que ele fizera sob os lençóis de seda ainda ecoava em seus ouvidos. Ela sentiu uma pontada de humilhação queimar em seu peito, transformando-se rapidamente em uma raiva gélida. Ela não percebeu que James estava apenas jogando, tentando ver se aquela "garota perfeita" finalmente perderia o controle por ele, testando o nível de sua dependência emocional.

— Entendo — disse ela, a voz firme, embora seu coração estivesse em pedaços. — Você tem razão. Um namoro seria... exaustivo. Especialmente com alguém tão imaturo quanto você.

James sentiu um estalo de surpresa. Ele esperava lágrimas ou uma discussão acalorada, mas Ahyeon apenas pegou sua bolsa e caminhou em direção à porta.

— Onde você vai? Ainda temos meia hora de reserva na sala — perguntou ele, a voz perdendo um pouco da confiança.

— Tenho planos para hoje à noite, James — ela respondeu, parando na porta e olhando-o por cima do ombro com um sorriso enigmático. — E como não somos nada além de colegas de palco, não preciso te dar satisfações.

Naquela noite, a YG Entertainment estava em polvorosa. Havia uma festa de encerramento de um grande festival de música em um clube privado em Itaewon, e quase todos os idols da nova geração estariam lá. Ahyeon decidiu que não passaria a noite chorando por um loiro manipulador. Ela vestiu um conjunto de top e saia de couro preto que deixava pouco para a imaginação e caprichou na maquiagem escura.

Quando ela entrou no clube, a música alta e as luzes neon a envolveram. Ela foi direto para o bar.

— Uma rodada de shots de tequila. Agora — ordenou ela ao barman.

Alguns minutos depois, ela já estava no seu terceiro shot. O álcool começou a nublar seu julgamento, mas também a afastar a dor da rejeição de James. Ela sentiu uma mão em sua cintura e virou-se, esperando ver o rosto de James, mas encontrou Haru, o visual de um grupo rival que sempre fora aberto sobre sua admiração por ela.

— Ahyeon-ah? Você está incrível esta noite — disse Haru, aproximando-se para ser ouvido acima da música. — Onde está o seu "parceiro de dança"?

— James? — Ela riu, uma risada um pouco alta demais devido à bebida. — Ele está ocupado sendo um idiota em algum lugar. Eu estou aqui para me divertir.

James, que havia seguido Ahyeon até o clube movido por um pressentimento ruim e uma pontada de arrependimento, estava escondido em um dos camarotes VIP, observando a cena lá embaixo. Quando viu Haru tocar a cintura de Ahyeon, ele apertou o copo de uísque com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos.

— O que ela pensa que está fazendo? — murmurou ele, a mandíbula travada.

Lá embaixo, Ahyeon estava sentindo o mundo girar. O álcool a deixara audaciosa. Ela olhou para Haru e, em seguida, buscou com os olhos a área VIP, sabendo instintivamente que James estaria observando. Ela o viu. Viu o brilho loiro e os olhos escuros fixos nela como um predador.

— Haru — disse ela, puxando o rosto do rapaz para perto do seu —, você disse que eu estava incrível, não disse?

— A mais bonita desta festa, sem dúvida — respondeu ele, surpreso com a proximidade.

Ahyeon não hesitou. Ela envolveu o pescoço de Haru e o puxou para um beijo. Foi um beijo público, carregado de uma rebeldia desesperada. Ela não sentia nada por Haru, mas a imagem de James dizendo que não queria namorá-la queimava em sua mente.

O impacto foi imediato. James se levantou do camarote como se tivesse levado um choque elétrico. Ele desceu as escadas em passos largos, atravessando a multidão como um trator. O ciúme que ele tentara provocar nela havia voltado como um bumerangue, atingindo-o com força total.

Quando ele chegou à pista, Ahyeon já havia se afastado de Haru, parecendo um pouco tonta. James a segurou pelo braço com uma força que beirava a possessividade absoluta.

— Acabou a festa, Ahyeon. Vamos embora. Agora — ele rosnou, a voz vibrando de fúria.

— O que foi, James? — Ela perguntou, a voz arrastada, soltando-se dele com um movimento brusco. — Ficou incomodado? Achei que não tivéssemos rótulos. Eu posso beijar quem eu quiser, lembra?

— Eu disse aquilo porque sou um idiota, Ahyeon! — Ele quase gritou, atraindo a atenção de quem estava perto. — Eu queria ver se você se importava, eu queria ver a "perfeita Ahyeon" perdendo a pose por mim. Mas ver você beijando aquele cara... eu vou matar ele.

— Você não vai matar ninguém — disse ela, cambaleando levemente. — Você me machucou. Você me usou e depois disse que eu não era o suficiente para um compromisso.

James sentiu o peso das próprias palavras voltando contra ele. Ele a pegou no colo, ignorando os flashes de celulares que começavam a brilhar ao redor deles. Ele a carregou para fora do clube, o ar frio da noite de Seul atingindo os rostos de ambos.

Ele a colocou no banco de trás de sua van, que estava estacionada no beco lateral. O motorista, percebendo a gravidade da situação, saiu do veículo para dar privacidade aos dois.

Ahyeon estava encostada no banco, os olhos semicerrados e a respiração pesada. O álcool a estava deixando sonolenta, mas a mágoa ainda estava lá.

— Por que você faz isso, James? — Perguntou ela, uma lágrima solitária escapando e borrando o delineador perfeito. — Por que você tem que estragar tudo o tempo todo?

James sentou-se ao lado dela, a fúria do ciúme dando lugar a um remorso profundo. Ele pegou o rosto dela entre as mãos, limpando a lágrima com o polegar.

— Porque eu tenho medo, Ahyeon — ele confessou, a voz falha. — Eu amo você tanto que isso me assusta. Eu achei que, se eu mantivesse as coisas no nível da provocação, eu teria o controle. Mas eu não tenho controle nenhum quando se trata de você. Eu quase morri quando vi você com o Haru.

Ahyeon olhou para ele, a visão embaçada.

— Você disse que não queria... — ela começou.

— Eu menti — ele a interrompeu, encostando a testa na dela. — Eu quero tudo com você. Eu quero o namoro, quero as brigas, quero os doces, quero a sua perfeição e as suas falhas. Eu só fui covarde. Por favor, me perdoa.

Ahyeon soltou um suspiro trêmulo.

— Eu estou bêbada e com raiva de você, James. E meu tornozelo dói.

— Eu sei, boneca. Eu vou cuidar de você. Eu vou te levar para casa, vou tirar essa maquiagem e vou ficar do seu lado até você acordar e me dar a bronca que eu mereço.

Ele a puxou para um abraço apertado, e Ahyeon, apesar de tudo, sentiu que aquele era o único lugar onde ela queria estar. O beijo com Haru fora um erro amargo, uma tentativa de preencher um vazio que só James conseguia ocupar.

— Se você fizer isso de novo — murmurou ela contra o peito dele —, eu juro que nunca mais danço com você.

— Eu nunca mais vou te deixar ir, Ahyeon. Eu prometo.

James a segurou enquanto a van se movia pelas ruas de Seul. O jogo de espelhos havia acabado. Ele percebeu que, ao tentar testar o amor dela, quase o perdera para sempre. O ciúme fora o catalisador que ele precisava para parar de fugir da própria vulnerabilidade.

Naquela noite, enquanto ele a ajudava a se deitar e limpava seu rosto com cuidado, James fez um juramento silencioso. A colaboração deles no palco seria lendária, mas a vida que eles construiriam fora dele seria a sua verdadeira obra-prima. Ahyeon, a menina que amava doces e exigia perfeição, finalmente encontrara alguém que, apesar de todas as provocações, estava disposto a ser o seu porto seguro, não importa o quão bagunçado o ritmo da vida se tornasse.

— Eu te amo, Ahyeon-ah — sussurrou ele quando ela finalmente adormeceu. — E eu nunca mais vou deixar você esquecer disso.

O gosto da tequila e do beijo alheio já havia desaparecido, substituído pelo perfume amadeirado de James e pela promessa de um amanhã onde eles não seriam mais apenas rivais ou "sem rótulos", mas sim a melodia um do outro.