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Amor

O Sangue Ferve e o Gelo Derrete

A semana havia passado como um borrão frenético de luzes de flash, notificações incessantes e o som de patins cortando o gelo. Desde que Kuro postara aquela foto, a vida de Tatsuyo se tornara o tópico principal das mesas redondas de fofoca. Mas, para ela, o que importava não era o que os comentaristas de TV diziam, e sim as mensagens de boa noite que Kuro enviava religiosamente às duas da manhã, após seus treinos extras.

Naquela noite, a adrenalina de Tatsuyo estava nas alturas. Ela acabara de cobrir uma das maiores coletâneas esportivas do ano em Konoha, um evento de gala onde os melhores atletas de diversas modalidades eram premiados. Ela estava exausta, os pés latejando dentro de um par de tênis — ela se recusara a usar saltos, optando por um vestido midi de algodão verde-musgo e seus fiéis All Stars pretos.

Enquanto os outros jornalistas corriam para as redações para fechar as matérias, Tatsuyo dirigiu seu carro modesto em direção oposta ao seu apartamento. Ela tinha uma chave reserva agora. E tinha um destino certo.

Ao estacionar na garagem da mansão, ela viu que as luzes da sala estavam baixas. O silêncio da casa de Kuro sempre a impressionava, mas hoje havia algo diferente no ar. Uma expectativa silenciosa.

Assim que abriu a porta, ela o viu. Kuro estava sentado no sofá, mas não estava jogando videogame ou assistindo a replays de jogos. Ele estava apenas esperando. Ele vestia uma calça de moletom preta e uma regata branca que deixava seus braços musculosos e as veias saltadas em evidência. Quando ele a viu, seus olhos castanhos brilharam com uma intensidade que quase a fez recuar.

— Você veio — disse ele, levantando-se com a graça de um predador. — Achei que a coletânea fosse durar a noite toda.

— Eu fugi assim que pude — Tatsuyo respondeu, jogando a bolsa no balcão da cozinha. — Se eu tivesse que ouvir mais um discurso sobre "superação e foco", eu ia dormir no meio do salão.

Kuro riu, aproximando-se dela. Ele a envolveu pela cintura, puxando-a para um abraço apertado que cheirava a sabonete caro e àquela masculinidade crua que só ele exalava.

— Você está linda. Mesmo com esse olhar de quem quer cometer um crime contra o sindicato dos jornalistas.

— Eu só quero você, Kuro — ela murmurou, escondendo o rosto no peito dele.

Kuro a afastou gentilmente, mas não a soltou. Ele parecia nervoso, um contraste estranho para o homem que encarava brigas no gelo sem piscar.

— Tatsuyo, eu... eu passei a semana pensando. Aquele post que eu fiz... eu não quero que tenha sido apenas um impulso para te proteger. Eu quero que seja real.

Ele se afastou um passo e enfiou a mão no bolso do moletom. Quando retirou, segurava uma pequena caixa de veludo preto. O coração de Tatsuyo deu um solavanco tão forte que ela sentiu as pontas dos dedos formigarem.

— Kuro?

Ele abriu a caixa. Dentro, havia um anel de ouro branco, delicado, com uma pequena pedra de safira que lembrava a cor do gelo que ele tanto amava.

— Eu sei que só faz uma semana que as coisas ficaram sérias, mas eu sinto que te conheço de outras vidas — começou ele, a voz falhando levemente. — Eu sou um cara intenso, Tatsuyo. Quando eu quero algo, eu vou com tudo. E eu quero você. Oficialmente. Sem sombras, sem dúvidas. Você aceita ser minha namorada? De verdade?

Tatsuyo olhou do anel para os olhos dele. A obsessão que ela via ali não era assustadora; era um porto seguro. Era o desejo de ser dela por inteiro.

— Sim — ela sussurrou, sentindo as lágrimas subirem. — É claro que eu aceito, seu idiota.

Kuro soltou um suspiro de alívio e deslizou o anel pelo dedo dela. O encaixe foi perfeito. Ele não perdeu tempo; segurou o rosto dela com as duas mãos e a beijou com uma fome que a deixou sem fôlego. O beijo não era mais apenas carinhoso; era carregado de uma possessividade latente, uma urgência que vinha sendo represada há dias.

— Eu sou louco por você — ele disse contra os lábios dela, a respiração errática. — Você não tem ideia do quanto eu me segurei desde que você entrou por aquela porta.

Ele a pegou no colo, as pernas dela enlaçando automaticamente a cintura dele. Kuro a carregou em direção às escadas, seus beijos descendo pelo pescoço dela, fazendo Tatsuyo soltar um gemido baixo.

Ao entrarem no quarto, a luz da lua era a única iluminação. Kuro a colocou sobre a cama king-size, mas não se afastou. Ele se posicionou entre as pernas dela, as mãos grandes subindo pelas coxas de Tatsuyo, levantando o tecido do vestido verde.

— Tem certeza? — perguntou ele, os olhos escuros fixos nos dela, buscando qualquer sinal de hesitação. — Porque se a gente começar, eu não vou conseguir parar. Eu sou... eu quero muito você, Tatsuyo.

— Eu também quero você, Kuro. Mais do que qualquer coisa.

Kuro não precisou de mais nada. Ele arrancou a regata em um movimento brusco, revelando o tronco esculpido, o tanquinho definido e a pele branca que parecia brilhar na penumbra. Quando ele se inclinou sobre ela, Tatsuyo sentiu o calor emanando do corpo dele.

As mãos de Kuro eram ágeis. Ele deslizou o zíper do vestido dela com uma precisão que a surpreendeu. Quando o tecido caiu, revelando a lingerie de renda simples que ela escolhera naquela manhã — talvez já prevendo aquele momento —, Kuro soltou um palavrão baixo, a voz rouca de puro desejo.

— Você é a coisa mais perfeita que eu já vi — ele murmurou, as mãos percorrendo as curvas de sua pele parda. — Cada detalhe seu... eu quero decorar cada centímetro.

Ele começou a beijá-la com uma devoção quase selvagem. Seus lábios encontraram a curva do ombro, o colo, e desceram em direção aos seios. Tatsuyo arqueou as costas, as mãos enterradas nos cabelos brancos e repicados dele, puxando-o para mais perto. A sensação da pele nua de Kuro contra a sua era elétrica.

Kuro era, como ele mesmo admitira, intenso. Seus toques eram firmes, quase rudes em sua urgência, mas carregados de um cuidado que mostrava o quanto ele a valorizava. Ele explorava o corpo dela como se estivesse reivindicando um território que sempre soube ser seu.

— Kuro... — ela ofegou quando as mãos dele desceram para a borda de sua calcinha.

— Shh... — ele sussurrou, subindo para beijá-la novamente. — Só sente, Tatsuyo. Sou eu. Eu estou aqui.

Quando ele se livrou do restante de suas roupas, Tatsuyo perdeu o fôlego por um segundo. A visão de Kuro totalmente nu era algo que nenhuma foto ou imaginação poderia preparar. Ele era puro músculo, força e uma masculinidade vibrante.

Ele se posicionou sobre ela novamente, os braços estendidos para suportar o peso, os olhos nunca deixando os dela.

— Eu esperei tanto por isso — ele confessou, a voz vibrando de luxúria. — Eu sonhei com você na minha cama todas as noites desde que nos conhecemos.

Ele entrou nela com uma lentidão torturante, querendo sentir cada milímetro da conexão. Tatsuyo soltou um grito abafado, as unhas cravando-se nos ombros largos dele. A plenitude daquele momento era avassaladora. Kuro parou por um segundo, esperando que ela se acostumasse com ele, sua testa encostada na dela, o suor começando a brilhar em seus corpos.

— Você está bem? — ele perguntou, a preocupação lutando contra o desejo em sua voz.

— Sim... por favor, Kuro... não para.

E ele não parou. Kuro começou a se mover com um ritmo que misturava a força de um atleta com a paixão de um homem perdidamente apaixonado. Cada estocada era profunda, preenchendo-a de uma forma que a fazia ver estrelas. Ele era incansável. A taradeza que ele sempre brincava possuir era real; ele parecia querer devorá-la, seus beijos tornando-se mais famintos, suas mãos apertando a cintura dela com uma força que deixaria marcas, mas que Tatsuyo recebia com prazer.

O quarto foi preenchido pelo som de peles se chocando, respirações pesadas e os gemidos que Tatsuyo não conseguia mais conter. Kuro era dominante, ditando o ritmo, mas sempre atento às reações dela, buscando os pontos que a faziam tremer mais forte.

— Você é minha — ele rosnou contra o ouvido dela, a voz carregada de uma possessividade crua. — Só minha, Tatsuyo. Entendeu?

— Sua... eu sou sua — ela respondeu, a mente nublada pelo prazer.

Quando o ápice chegou, foi como uma explosão de cores atrás de suas pálpebras. Tatsuyo sentiu o corpo entrar em espasmos, e Kuro a seguiu logo depois, soltando um rugido baixo enquanto se derramava nela, enterrando o rosto em seu pescoço, o coração batendo como um tambor descontrolado.

Eles ficaram ali, entrelaçados, enquanto a respiração voltava ao normal. O suor esfriava em suas peles, e o silêncio da noite retornava, mas agora era um silêncio preenchido de satisfação.

Kuro rolou para o lado, mas não a soltou. Ele a puxou para o seu peito, cobrindo os dois com o lençol de seda.

— Eu disse que não ia conseguir parar — ele brincou, a voz ainda rouca, dando um beijo no topo da cabeça dela. — E, sinceramente? Eu já estou querendo de novo.

Tatsuyo soltou uma risada fraca, sentindo-se exausta e incrivelmente feliz.

— Você é um monstro, Kuro. Um monstro tarado.

— Sou o seu monstro tarado — ele corrigiu, sorrindo. — E agora com contrato assinado e anel no dedo.

Tatsuyo levantou a mão, observando a safira brilhar sob a luz da lua.

— Eu nunca imaginei que uma entrevista de pós-jogo terminaria assim.

— E eu nunca imaginei que encontraria alguém que fizesse o gelo parecer quente — Kuro disse, ficando sério por um momento. — Obrigado por não ser como as outras, Tatsuyo. Obrigado por ser você.

— Eu não saberia ser outra pessoa, Kuro. Especialmente não para você.

Kuro a apertou mais forte, o braço pesado sobre a cintura dela de forma protetora. Ele sabia que o mundo lá fora continuaria barulhento, que os tabloides continuariam especulando e que as fãs continuariam obcecadas. Mas ali, naquele quarto, entre os lençóis que agora tinham o cheiro de ambos, ele era apenas um homem que encontrara sua âncora.

— Dorme um pouco — ele sussurrou. — Eu vou estar aqui quando você acordar. E amanhã... amanhã eu vou te mostrar que eu sou ainda mais insistente no café da manhã.

Tatsuyo fechou os olhos, um sorriso nos lábios. Ela sabia que a vida ao lado de Kuro seria tudo, menos comum. Seria intensa, seria pública e, às vezes, seria um caos. Mas, enquanto sentia o calor do corpo dele e a segurança de seu abraço, ela percebeu que não trocaria aquela jardineira ou aquela camiseta de desenho animado por nenhum vestido de seda no mundo.

Porque Kuro não a amava apesar de quem ela era. Ele a amava exatamente por causa disso. E naquele momento, sob a proteção do "muro de Konoha", Tatsuyo se sentia a mulher mais invencível do planeta.