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Amor

O Branco Mais Puro que o Gelo

O espelho do camarim refletia uma imagem que Tatsuyo ainda tinha dificuldade em processar. Não era apenas o vestido, uma peça de seda fluida que evitava rendas excessivas ou volumes bufantes, mas sim o brilho em seus próprios olhos pretos. Ela ainda era a mesma garota que preferia jardineiras e camisetas de filmes antigos, mas hoje, a simplicidade que Kuro tanto amava fora elevada a um patamar que a fazia parecer uma divindade terrena.

Seus cabelos pretos e lisos estavam presos em um coque baixo e elegante, com algumas mechas soltas emoldurando seu rosto pardo. Ela não usava joias extravagantes, apenas o anel de safira que Kuro lhe dera um ano atrás e um par de brincos de pérola que pertenceram à sua avó. Ela se sentia confortável. Sentia-se ela mesma.

— Você está parecendo um sonho, Tatsu — disse Sakura, que insistira em ajudá-la na preparação. — E olha que eu já vi muitas noivas em Konoha, mas você tem essa aura de quem sabe exatamente onde quer estar.

Tatsuyo sorriu, sentindo o estômago dar um nó de ansiedade e alegria.

— Eu só quero que a cerimônia comece logo. Um ano pareceu uma eternidade e, ao mesmo tempo, um segundo.

Lá fora, a propriedade de Kuro estava transformada. Ele não quis um hotel de luxo ou um salão impessoal; ele queria que o compromisso fosse selado no lugar onde eles construíram sua bolha de realidade. O jardim imenso fora decorado com flores brancas e luzes de fada que começavam a brilhar conforme o sol de fim de tarde se punha no horizonte de Konoha.

Do outro lado da mansão, o clima era consideravelmente mais barulhento. Kuro estava terminando de ajustar a gravata borboleta, embora seus dedos estivessem tremendo mais do que em sua estreia na liga profissional de hóquei. Ele vestia um terno sob medida em um tom de azul-marinho tão escuro que parecia preto, contrastando perfeitamente com seu cabelo branco repicado.

— Cara, você está suando mais do que no terceiro tempo contra os Suna Sandstorms — brincou Naruto, batendo no ombro do amigo. — Relaxa, ela não vai fugir. Ela é louca por você, por algum motivo que eu ainda não entendi completamente.

Kuro soltou uma risada nervosa, olhando-se no espelho. Ele estava mais musculoso do que há um ano, o físico de 1,80m preenchendo o terno de forma imponente.

— Eu só não quero tropeçar no altar, Naruto. O gelo eu domino, mas esse tapete parece perigoso.

— Você vai ficar bem — disse Shikamaru, bocejando, mas com um sorriso sincero. — É só caminhar e dizer "sim". O resto é história.

Kuro respirou fundo, fechando os olhos por um segundo. Ele pensou em tudo o que passaram naquele ano. A pressão da mídia não diminuiu, mas eles aprenderam a ignorá-la. Tatsuyo continuava sendo a jornalista ácida e inteligente, e ele continuava sendo o defensor que a internet amava odiar por ser "fiel demais". Ele se tornou o rosto de campanhas de caridade, mudou sua imagem de "bad boy" para a de um homem de família, e tudo isso por causa da garota que agora estava a poucos metros de distância, preparando-se para ser sua esposa.

A música começou a tocar. Não era uma marcha nupcial clássica, mas uma versão instrumental da música tema daquela animação que estava na camiseta de Tatsuyo na noite em que se conheceram. Um detalhe que só os dois entenderiam.

Kuro caminhou até o altar, sentindo o peso de centenas de olhares. Jogadores de hóquei, celebridades, jornalistas e familiares estavam lá. Mas quando as portas duplas da mansão se abriram e Tatsuyo apareceu, o resto do mundo simplesmente desapareceu para ele.

Ela caminhava com uma confiança serena. Quando seus olhares se cruzaram, Kuro sentiu aquele mesmo soco no estômago da primeira vez. A obsessão que ele sentia por ela não havia diminuído; ela havia amadurecido, transformando-se em uma lealdade inabalável.

Ao chegar ao altar, Kuro pegou a mão dela. A pele parda dela contra a pele branca dele era o contraste que ele mais amava no mundo.

— Você está... — ele começou, mas a voz falhou.

— Eu sei — ela sussurrou, sorrindo com os olhos úmidos. — Você também não está nada mal, jogador.

A cerimônia foi leve, cheia de risadas e referências ao mundo dos esportes e do jornalismo. Quando chegou o momento dos votos, Kuro limpou a garganta, tirando um papel amassado do bolso.

— Tatsuyo — começou ele, e sua voz agora estava firme, projetando-se para todos ouvirem. — Há um ano, eu era um cara que achava que a vida se resumia a vitórias no gelo e estatísticas. Eu vivia em uma casa enorme e vazia, cercado de pessoas que só queriam um pedaço do "Kuro dos Wolves". Aí você apareceu. Com sua jardineira, suas perguntas difíceis e aquela recusa maravilhosa em ser qualquer coisa que não fosse você mesma.

Ele fez uma pausa, olhando profundamente nos olhos pretos dela.

— Você me ensinou que o silêncio pode ser melhor que o aplauso de uma multidão, desde que eu esteja em silêncio com você. Você é minha âncora, minha melhor amiga e a única pessoa que eu deixo roubar minhas camisetas favoritas. Eu prometo ser o seu muro, te proteger de qualquer tempestade e passar o resto da minha vida provando que eu sou o homem mais sortudo de Konoha por ter sido escolhido por você.

Tatsuyo estava chorando abertamente agora, mas era um choro de felicidade pura. Ela respirou fundo para começar os dela.

— Kuro, você é a pessoa mais intensa que eu já conheci. No começo, eu achei que você fosse apenas mais um jogador com o ego maior que o estádio. Mas você me mostrou um coração que é maior do que qualquer um poderia imaginar. Você me amou quando eu não usava maquiagem, quando eu estava estressada com prazos de entrega e quando o mundo inteiro estava tentando nos separar. Você é o meu lar. E eu prometo estar na primeira fileira de cada jogo, de cada vitória e de cada derrota, segurando sua mão e te lembrando que, para mim, você sempre será apenas o meu Kuro.

— Eu os declaro marido e mulher — disse o celebrante, mas Kuro já estava se inclinando antes mesmo da permissão final.

O beijo foi uma celebração de tudo o que haviam construído. Não era para as câmeras, embora dezenas delas estivessem disparando flashes. Era para eles.

A festa que se seguiu foi exatamente como eles planejaram: comida de verdade, música boa e um clima de intimidade, apesar da lista de convidados famosos. Kuro não saiu do lado de Tatsuyo por um minuto sequer. Ele a segurava pela cintura, apresentando-a orgulhosamente como "minha esposa" para qualquer um que passasse.

— Sabe — disse Tatsuyo, enquanto eles dividiam um prato de petiscos em um canto mais reservado da festa —, eu acho que as pessoas ainda estão chocadas por você ter casado com uma "garota comum".

Kuro deu um gole em seu champanhe e olhou para a multidão de modelos e atrizes que pareciam todas iguais em seus vestidos de grife. Depois, olhou para Tatsuyo, que brilhava com uma luz que vinha de dentro.

— Elas que fiquem chocadas — disse ele, puxando-a para mais perto. — Elas nunca vão entender que o que a gente tem não é sobre o que o mundo vê. É sobre o que só a gente sente. Você é extraordinária, Tatsuyo. Nunca mais use a palavra "comum" para se descrever.

— Sim, senhor — ela brincou, encostando a cabeça no ombro dele.

A noite avançou e, finalmente, os convidados começaram a se dispersar. Kuro e Tatsuyo subiram para a suíte master, a mesma onde tantas memórias foram criadas no último ano. O quarto estava decorado com pétalas de flores brancas e velas, criando uma atmosfera de sonho.

Kuro ajudou Tatsuyo a tirar o vestido, seus dedos percorrendo as costas dela com uma reverência que a fazia arrepiar.

— Um ano — murmurou ele, beijando o ombro dela. — E eu ainda sinto que estou sonhando.

— Não é um sonho, Kuro — ela disse, virando-se nos braços dele. — É a nossa vida.

Ele a pegou no colo, levando-a para a cama. A paixão entre eles não havia esfriado com o tempo; pelo contrário, a segurança do casamento parecia ter adicionado uma nova camada de profundidade ao desejo que sentiam.

— Eu te amo tanto que chega a doer — confessou Kuro, sobrepondo-se a ela, os olhos castanhos fixos nos dela. — Eu vou passar cada dia da minha vida te fazendo a mulher mais feliz do mundo.

— Você já faz isso, Kuro. Apenas por ser você.

Eles se amaram com uma entrega total naquela noite de núpcias. Não havia pressa, apenas a descoberta contínua de um amor que sobreviveu ao escrutínio público e às inseguranças da fama. Kuro era, como sempre, intenso e devoto, tratando Tatsuyo como o tesouro mais precioso de sua vida.

Na manhã seguinte, o sol de Konoha Heights iluminou o quarto. Tatsuyo acordou sentindo o peso familiar do braço de Kuro sobre sua cintura. Ela olhou para o lado e viu o marido — a palavra ainda soava mágica em sua mente — dormindo com uma expressão de paz absoluta.

Ela se levantou silenciosamente e foi até o closet. Sorriu ao ver que, ao lado dos ternos caros de Kuro e de seus vestidos de festa, ainda havia uma prateleira cheia de jardineiras e camisetas estampadas.

Ela vestiu uma das camisetas dele — uma branca, de algodão macio — e desceu para a cozinha.

Alguns minutos depois, Kuro apareceu na porta, apenas de calça de moletom, o cabelo branco mais bagunçado do que o normal.

— Já de pé, Sra. Kuro? — perguntou ele, a voz rouca e carregada de afeto.

— Alguém tem que fazer o café — ela respondeu, apontando para a cafeteira. — E eu queria ver se o meu marido ainda sabe fazer panquecas em formato de coração.

Kuro caminhou até ela, abraçando-a por trás e enterrando o rosto em seu pescoço.

— Para você, eu faço até um banquete de dez pratos.

Eles tomaram café na varanda, observando o jardim onde, horas antes, haviam dito "sim". O mundo lá fora logo voltaria a cobrar atenção; haveria novos jogos, novas matérias para escrever, novas fofocas na internet. Mas, enquanto Kuro segurava a mão de Tatsuyo e eles riam de alguma piada interna, ficou claro que nada disso importava.

Kuro, o jogador famoso e cobiçado, e Tatsuyo, a jornalista que amava o conforto da própria pele, haviam provado que a maior vitória não acontece no gelo ou nas manchetes. Ela acontece nos pequenos momentos, na autenticidade de um amor que não precisa de filtros para ser perfeito.

— Pronta para o primeiro dia do resto das nossas vidas? — perguntou Kuro, beijando a aliança no dedo dela.

— Com você? — Tatsuyo sorriu, apertando a mão dele. — Eu nasci pronta.

E assim, em meio ao luxo de Konoha Heights, o que brilhava mais forte não era o ouro ou os diamantes, mas a verdade de dois corações que encontraram, um no outro, o seu lugar sagrado. Kuro e Tatsuyo, o defensor e sua jornalista, o gelo e o algodão, agora e para sempre.