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Amor

Acordes de Luxúria e a Cidade de Vidro

A luz âmbar do pôr do sol de Los Angeles filtrava-se pelas janelas do Cadillac, criando sombras longas que dançavam sobre o rosto de Michael. Ele estava tenso, as mãos enluvadas apertando o volante com uma força desnecessária. Ao seu lado, Maddy parecia uma miragem de desordem elegante. Ela usava um minivestido de seda preta que mal cobria o essencial e uma jaqueta de couro jogada nos ombros. Ela estava ocupada demais tentando acender um cigarro com o isqueiro do carro para notar o nervosismo dele.

— Michael, relaxa — disse ela, soprando a fumaça contra o para-brisa. — É só um jantar. Ninguém vai te morder. A menos que você peça com jeitinho.

Michael soltou um suspiro curto, tentando ignorar o comentário atrevido.

— Eu só não costumo sair muito, Maddy. Especialmente para lugares onde as pessoas podem... olhar.

— Deixe que olhem — retrucou ela, virando-se para ele com um sorriso predatório. — Eles vão ver o Rei do Pop com a mulher mais perigosa da cidade. Deviam cobrar ingresso.

O restaurante era um refúgio discreto em Hollywood Hills, o tipo de lugar onde o silêncio custava caro e a privacidade era absoluta. Michael havia reservado a mesa mais afastada, protegida por plantas tropicais e uma iluminação tão baixa que quase parecia clandestina.

Durante o jantar, Michael mal tocou na comida. Ele estava hipnotizado pela forma como Maddy bebia o vinho tinto, a mancha escura nos lábios dela parecendo um convite silencioso. Ela falava sobre turnês desastrosas e guitarras quebradas, enquanto ele a observava com uma adoração que beirava a obsessão.

— Por que você me olha assim? — perguntou ela, inclinando-se sobre a mesa. — Como se eu fosse um arranjo musical que você ainda não conseguiu decifrar.

— Porque você é — admitiu Michael, a voz caindo para aquele tom suave e aveludado que fazia o estômago de Maddy revirar. — Eu passo o dia inteiro tentando entender como alguém tão... caótica pode ter tanta clareza quando toca.

Maddy riu, mas seus olhos estavam sérios.

— É a dor, Michael. A música é o único lugar onde a minha bagunça faz sentido. E você? Você é todo controle, todo perfeição. Mas eu vi o jeito que você me olhou quando o Prince estava no estúdio. Aquele não era o garoto da capa de revista.

Michael sentiu o ciúme latejar novamente, uma lembrança ácida da mão de Prince no braço de Maddy.

— Ele não tem o direito de tocar no que é meu — disse ele, a voz subitamente firme, desprovida de qualquer timidez.

— Então prove que eu sou sua — desafiou ela, jogando o guardanapo sobre a mesa. — Me tire daqui. Agora.

O trajeto até o apartamento de Maddy em Silver Lake foi um borrão de velocidade e tensão sexual. Assim que Michael estacionou o carro em frente ao prédio de tijolos aparentes, Maddy o puxou pela gola da jaqueta, arrastando-o para dentro.

O apartamento dela era exatamente como ele imaginava: pilhas de discos de vinil espalhadas, cinzeiros cheios, guitarras encostadas em todos os cantos e um cheiro persistente de incenso e patchouli. Era o oposto da mansão imaculada de Michael, e ele se sentiu estranhamente libertado ali.

— É pequeno — disse ela, jogando as chaves em uma mesa bamba —, mas é meu.

Michael não respondeu. Ele a puxou para seus braços, prensando-a contra a porta fechada. O beijo foi imediato e violento, uma colisão de dentes e línguas que buscavam apagar a polidez do jantar. As mãos de Michael, sempre tão delicadas, agora eram urgentes, subindo pelas coxas de Maddy e puxando a seda do vestido para cima.

— Michael... — ela arfou entre os beijos —, o quarto é por ali.

— Não — sussurrou ele contra o pescoço dela, a voz rouca de desejo. — Aqui. Agora.

Ele a levantou, as pernas dela enlaçando sua cintura automaticamente. Maddy sentiu a ereção dele rígida contra sua intimidade, separada apenas por camadas finas de tecido que pareciam uma tortura. Michael a carregou até o sofá desgastado, deitando-a sobre o couro frio que contrastava com o calor febril de seus corpos.

Com uma agilidade que Maddy não esperava, ele se livrou da própria jaqueta e da camisa, revelando um peito definido e a pele que brilhava sob a luz fraca que vinha da rua. Maddy puxou o cinto dele, as mãos trêmulas pela primeira vez em muito tempo.

— Você tem certeza? — perguntou ela, olhando nos olhos castanhos dele, que agora pareciam duas poças de fogo negro. — Depois disso, Michael, não tem volta. Eu vou arruinar sua imagem de bom garoto na sua cabeça para sempre.

— Destrua — ordenou ele, baixando a cabeça para morder o ombro dela. — Me destrua, Maddy.

Ele se livrou do resto das roupas dela com uma pressa possessiva. Quando finalmente estavam pele contra pele, o contato foi como um curto-circuito. Michael explorou o corpo dela com a precisão de um maestro, suas mãos mapeando cada curva, cada cicatriz, cada segredo que Maddy escondia. Ele desceu os beijos pelo abdômen dela, fazendo-a arquear as costas e clamar pelo nome dele.

Quando ele a penetrou, foi com uma estocada profunda que arrancou um grito gutural dos lábios de Maddy. Ela enterrou as unhas nas costas dele, deixando trilhas vermelhas que seriam as marcas de sua propriedade. Michael se movia com um ritmo selvagem, uma cadência que não seguia nenhuma partitura a não ser a da luxúria pura.

— Diga que você não quer o Prince — ele exigiu, o suor pingando de seu rosto para o dela. — Diga que ele não chega perto disso.

— Ele não é nada — gemeu Maddy, a cabeça balançando de um lado para o outro. — Só você, Michael... só você dói assim... só você me faz sentir assim...

O prazer era avassalador, uma onda de estática que ameaçava explodir seus corações. Michael a beijava com uma fome que parecia insaciável, suas línguas dançando em uma batalha por domínio. Cada movimento dele era calculado para levá-la ao limite, para mostrar que, sob a fachada de timidez, existia um homem capaz de dominá-la completamente.

Maddy sentiu o clímax chegando, uma pressão insuportável que a fez tremer violentamente. Michael percebeu e acelerou, seus olhos fixos nos dela, compartilhando o momento da entrega total. Eles explodiram juntos, um grito uníssono que pareceu abalar as paredes do pequeno apartamento.

Minutos depois, eles estavam caídos no sofá, emaranhados em membros e respirações curtas. Michael acariciava o cabelo suado de Maddy, o silêncio agora preenchido apenas pelo som distante do tráfego de Los Angeles.

— Eu nunca... — começou Michael, mas a voz falhou.

— Eu sei — disse Maddy, encostando a cabeça no peito dele, ouvindo o coração que ainda batia freneticamente. — Você é um maníaco, Jackson. O mundo não tem ideia.

— Eles não precisam ter — respondeu ele, beijando a testa dela. — Só você.

Maddy se levantou com esforço e caminhou até uma gaveta, tirando um pequeno espelho e o envelope que Michael tanto odiava. Ele se sentou, a expressão de desaprovação voltando instantaneamente.

— Maddy, por favor. Não agora.

— Só um pouquinho, Michael. Para celebrar o solo que vamos gravar amanhã — ela preparou a linha com uma habilidade mecânica. — Você quer?

Michael olhou para o pó branco e depois para a mulher à sua frente — a criatura que o fazia sentir-se mais vivo e mais aterrorizado do que qualquer estádio lotado.

— Não — disse ele, levantando-se e pegando o envelope da mão dela. — Você não precisa disso esta noite. Você tem a mim.

Maddy olhou para ele, pronta para retrucar, para brigar por sua liberdade autodestrutiva. Mas viu algo nos olhos de Michael que a fez parar. Havia uma promessa ali, uma profundidade de cuidado que ela nunca tinha recebido de ninguém.

— Tudo bem — cedeu ela, jogando o espelho de lado. — Mas você vai ter que me manter acordada de outra forma.

Michael sorriu, o brilho travesso voltando.

— Acho que posso dar conta disso.

Eles se mudaram para a cama de Maddy, um colchão no chão coberto por lençóis de flanela. Michael a abraçou por trás, sentindo o calor dela contra o seu. Pela primeira vez em anos, ele não se preocupou com os tabloides, com as vendas de discos ou com a rivalidade com Prince. Ali, naquele quarto bagunçado em Silver Lake, ele era apenas um homem, e ela era a sua musa caótica.

— Michael? — sussurrou ela, quase caindo no sono.

— Sim?

— Se o Prince aparecer no estúdio amanhã... não fique com raiva. Ele só tem inveja porque eu toco a sua música, e não a dele.

Michael apertou-a mais forte contra si, o queixo apoiado no ombro dela.

— Ele pode ter inveja da música, Maddy. Mas ele nunca vai ter o que aconteceu aqui hoje.

O sono finalmente os alcançou, um descanso pesado e sem sonhos. Mas, nas sombras do quarto, a Fender de Maddy brilhava sob a luz da lua, uma sentinela silenciosa da tempestade que eles haviam criado e da música que ainda estava por vir. Michael sabia que o mundo lá fora tentaria separá-los, que a sua imagem de pureza seria colocada à prova, mas enquanto sentia o pulsar da vida de Maddy contra a sua, ele sabia que o risco valia cada nota.

Naquela noite, o Rei do Pop não dormiu em um palácio. Ele dormiu no epicentro de um terremoto chamado Maddy Perez, e ele nunca se sentiu tão em casa.

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