Voltar ao resumo

Amor

Sinfonia de Toques e Silêncios

O ronco da motocicleta de Kuro Hatake cortava a noite de Los Angeles como um trovão domesticado. Ele estacionou a poucos metros da casa de Tatsuyo, desligando o motor e permitindo que o silêncio da rua residencial assumisse o controle. Kuro tirou o capacete, sacudindo o cabelo branco repicado que, mesmo amassado, mantinha aquele estilo rebelde que era sua marca registrada.

Ele olhou para o relógio tático no pulso. Pontual. Kuro estava vestindo uma jaqueta de couro preta sobre uma camiseta cinza que marcava bem o peitoral definido, e calças jeans escuras. Ele se sentia estranhamente elétrico. Já fazia meses que eles estavam saindo — cafés, caminhadas no parque, idas à biblioteca e até alguns treinos leves onde ele a ensinava técnicas básicas de autodefesa. Mas hoje, o ar parecia diferente. Mais denso. Mais carregado de uma promessa silenciosa.

A porta da frente se abriu e Tatsuyo apareceu. Kuro sentiu aquele soco familiar no estômago que só ela conseguia dar. Ela usava um vestido de alças finas, cor de vinho, que contrastava lindamente com sua pele parda. O cabelo preto estava preso em um meio preso elegante, e seus olhos negros brilhavam sob a luz da varanda.

— Você está tentando me matar do coração antes mesmo do jantar, Tatsuyo? — Kuro disse, aproximando-se com aquele sorriso ladino que fazia as pernas dela tremerem.

Tatsuyo sorriu timidamente, descendo os degraus.

— Achei que você estivesse acostumado com situações de alto risco, Hatake.

— Nada me preparou para isso — ele murmurou, pegando a mão dela e depositando um beijo demorado nos nós dos dedos. — Pronta para voar um pouco?

— Com você? Sempre.

Ele entregou o capacete reserva a ela, ajudando-a a afivelar a alça sob o queixo. Seus dedos roçaram a pele dela, e Kuro notou que Tatsuyo fechou os olhos por um segundo, respirando fundo. Ele sabia que, em dias agitados, o contato físico o ajudava a ancorá-la no presente, longe das vozes que às vezes tentavam nublar sua mente.

O encontro foi perfeito, como todos haviam sido ultimamente. Eles foram a um pequeno bistrô escondido em Echo Park, onde a música era baixa e as luzes eram suaves. Conversaram sobre a faculdade de jornalismo — Tatsuyo estava escrevendo um artigo sobre a reforma do sistema de saúde mental e estava radiante com a pesquisa — e sobre as loucuras da Equipe 20. Kuro contou como Street tentou cozinhar para o grupo e quase ativou o sistema de aspersores do QG.

No entanto, por baixo das risadas, havia uma tensão nova. Um magnetismo que os puxava para mais perto a cada minuto. Quando saíram do restaurante, a temperatura havia caído, e Tatsuyo se encolheu levemente contra o braço de Kuro.

— Quer ir para algum lugar mais quente? — perguntou ele, a voz subindo uma oitava, mais profunda.

Tatsuyo olhou para ele, e Kuro viu a decisão em seus olhos.

— Quero ir para a sua casa, Kuro.

O trajeto foi rápido. Tatsuyo abraçou a cintura de Kuro com força, encostando o rosto em suas costas. Ela sentia a vibração da moto e o calor do corpo dele, e isso a fazia se sentir incrivelmente segura. As vozes, que costumavam ser um ruído branco constante, estavam quietas hoje, como se respeitassem a importância do momento.

O apartamento de Kuro era funcional, mas com toques de sua personalidade: alguns pôsteres de filmes de ação, uma prateleira cheia de livros de tática e, surpreendentemente, uma coleção de discos de vinil. Ele acendeu apenas uma luminária de canto, banhando a sala em um tom âmbar suave.

— Quer alguma coisa? Água, vinho? — perguntou ele, jogando as chaves na mesa e tirando a jaqueta de couro.

Tatsuyo ficou parada no meio da sala, observando-o. Sem a jaqueta, os braços musculosos de Kuro e o contorno do seu abdômen sob a camiseta eram uma distração poderosa.

— Não — disse ela, a voz um pouco trêmula. — Eu só quero... que você pare de se mover por um segundo.

Kuro parou imediatamente. Ele caminhou até ela, reduzindo a distância até que seus peitos quase se tocassem. Ele podia sentir o perfume de baunilha dela misturado ao cheiro da noite.

— Tatsuyo — ele disse, a voz rouca —, você tem certeza? Eu sou um cara paciente. A gente não precisa apressar nada.

Tatsuyo estendeu a mão, tocando o rosto dele, sentindo a leve aspereza da barba por fazer.

— Eu nunca tive tanta certeza de algo na minha vida. Eu confio em você. E eu quero você.

Kuro não esperou mais. Ele inclinou a cabeça e selou seus lábios nos dela. O primeiro beijo foi exploratório, suave, como se ele estivesse pedindo permissão. Mas quando Tatsuyo suspirou contra a boca dele e entrelaçou os dedos em seu cabelo branco, o beijo se aprofundou. Foi uma explosão de necessidade contida. A língua de Kuro encontrou a dela em uma dança rítmica, e o sabor dela era melhor do que qualquer coisa que ele já tivesse experimentado.

Ele a pegou no colo com facilidade, as pernas dela envolvendo sua cintura, e a carregou para o quarto. Ao deitá-la na cama, Kuro se afastou por um breve momento para tirar a camiseta. A luz fraca revelava seu corpo esculpido, o tanquinho definido e as cicatrizes que contavam histórias de batalhas passadas.

Tatsuyo o olhava com admiração, mas também com uma ponta de nervosismo que não passou despercebida por ele. Kuro se ajoelhou na cama entre as pernas dela, segurando suas mãos.

— Ei — disse ele, a voz suave como veludo. — Olha para mim.

Ela obedeceu.

— Se em qualquer momento você quiser parar, se as coisas ficarem confusas na sua cabeça, se você se sentir desconfortável... a gente para. Entendeu? Você está no comando aqui.

Tatsuyo sentiu uma lágrima solitária escorrer, não de tristeza, mas de alívio.

— Kuro... eu sou virgem — confessou ela em um sussurro. — Eu nunca deixei ninguém chegar perto assim. Eu tinha medo de que, se alguém entrasse na minha cabeça, veria o caos e iria embora.

Kuro beijou a palma da mão dela.

— Eu amo o seu caos, Tatsuyo. E eu prometo ser gentil.

Ele começou a beijar seu pescoço, descendo para a linha da clavícula, enquanto suas mãos habilidosas deslizavam as alças do vestido dela para baixo. Cada toque de Kuro era uma afirmação de realidade. O calor da pele dele contra a dela, o peso de seu corpo, o som de sua respiração acelerada — tudo isso criava uma barreira contra qualquer alucinação. Ali, naquele quarto, só existiam os dois.

Quando as roupas foram deixadas de lado, Kuro parou para admirar a beleza dela.

— Você é perfeita — murmurou ele, a mão percorrendo a curva do quadril dela.

Kuro foi meticuloso. Ele usou a boca e as mãos para garantir que ela estivesse pronta, explorando cada centímetro do corpo de Tatsuyo com uma reverência que ela nunca imaginou receber. Ele era conhecido por ser "meio tarado" e brincalhão, mas na intimidade, ele se transformava no protetor definitivo. Ele queria que a primeira vez dela fosse uma memória de prazer, não de dor ou medo.

— Kuro... agora — ela pediu, a voz falhando, puxando-o para cima dela.

Ele se posicionou, olhando profundamente nos olhos negros dela.

— Real? — perguntou ele, uma última verificação.

— Mais real do que tudo — respondeu ela.

Kuro entrou nela com uma lentidão agonizante, parando quando sentiu a resistência inicial. Ele esperou, beijando o rosto dela, sussurrando palavras de encorajamento, até sentir os músculos dela relaxarem e ela se ajustar a ele. Quando começou a se mover, foi em um ritmo constante e cuidadoso, aumentando a intensidade apenas quando via o prazer refletido no rosto dela.

Tatsuyo sentiu uma onda de sensações que nunca soubera existir. Era como se cada nervo do seu corpo estivesse sintonizado com Kuro. A conexão era tão profunda que, por um momento, as "vozes" desapareceram completamente, substituídas pelo som rítmico de seus nomes sendo sussurrados um para o outro.

Quando o ápice chegou, foi como uma explosão de cores e luzes. Kuro se entregou logo em seguida, desabando sobre ela com cuidado para não sufocá-la, escondendo o rosto em seu pescoço enquanto recuperava o fôlego.

O silêncio que se seguiu foi o mais doce que Tatsuyo já conhecera.

Kuro rolou para o lado, puxando-a para o seu peito e cobrindo os dois com o lençol. Ele beijou o topo da cabeça dela, sentindo o coração dela desacelerar contra o seu.

— Você está bem? — perguntou ele, a voz carregada de preocupação pós-coito.

Tatsuyo se aconchegou mais, traçando círculos no peito musculoso dele.

— Estou maravilhosa. Foi... foi como se o mundo finalmente fizesse sentido.

Kuro sorriu, apertando-a um pouco mais.

— Fico feliz em ouvir isso. Porque eu não pretendo deixar você ir a lugar nenhum. O Miller que se exploda, a Equipe 20 que se vire... eu sou seu, Tatsuyo.

— E eu sou sua, Kuro.

Eles ficaram ali, abraçados, enquanto a cidade de Los Angeles continuava seu caos lá fora. Dentro daquele quarto, porém, havia uma paz que nenhum diagnóstico e nenhum sargento mal-humorado poderia tirar. Kuro Hatake, o atirador de elite brincalhão, tinha encontrado seu alvo mais precioso. E Tatsuyo, a jornalista que via o mundo de forma diferente, tinha finalmente encontrado alguém que não apenas via o seu mundo, mas que escolhera morar nele.

— Sabe de uma coisa? — Kuro disse, com um tom levemente atrevido voltando à voz.

— O quê? — perguntou ela, sorrindo contra a pele dele.

— Eu disse que era o melhor beijador do QG. Agora você tem provas empíricas para o seu próximo artigo de jornalismo.

Tatsuyo soltou uma risada alta, a primeira de muitas que preencheriam aquele apartamento.

— Você é um convencido, Hatake.

— Mas você me ama — ele rebateu, piscando.

— Amo — admitiu ela, beijando-o novamente. — Mais do que as palavras podem descrever.

E naquela noite, entre o asfalto frio da cidade e as estrelas escondidas pela poluição, Tatsuyo descobriu que a sua realidade preferida era aquela que começava e terminava nos braços de Kuro Hatake.

Entrar com Telegram

Confirme o login no bot.