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Amor de infância

Ecos de Veludo e Desejo

O silêncio na mansão era absoluto, um contraste gritante com o barulho ensurdecedor da festa e o caos dos flashes que havíamos deixado para trás. A luz da lua filtrava-se pelas enormes janelas de vidro, desenhando sombras longas no mármore polido do hall de entrada. Georgina e Cristiano haviam levado as crianças para passar o fim de semana em um resort de luxo no deserto, e os funcionários já haviam se retirado para suas dependências. Pela primeira vez em muito tempo, a casa era só nossa.

O Júnior fechou a porta principal e encostou a testa na madeira pesada, soltando um suspiro longo. Ele ainda estava com a respiração pesada, a adrenalina da briga na festa misturada com a tensão que vinha crescendo entre nós durante todo o trajeto de volta.

— Finalmente — sussurrou ele, virando-se para me encarar.

Eu ainda estava com a saída de praia da Dior sobre os ombros, mas os nós dos meus dedos estavam brancos de tanto apertar a alça da minha bolsa. A eletricidade no ar era quase tangível, uma vibração que fazia os pelos do meu braço se arrepiarem.

— Você ainda está bravo? — perguntei, dando um passo cauteloso em sua direção.

Ele não respondeu de imediato. Seus olhos percorreram meu rosto, descendo pelo meu pescoço até os detalhes do biquíni que apareciam sob a seda. Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre nós até que eu pudesse sentir o calor vindo de seu corpo.

— Não estou bravo com você, Clara — ele disse, a voz mais baixa e rouca do que o normal. — Estou com fome de você. Estou cansado de ter que dividir sua atenção com o mundo, de ver caras babacas achando que podem te tocar com os olhos.

Ele estendeu a mão e tocou meu rosto, o polegar traçando o contorno do meu lábio inferior com uma pressão que me fez estremecer.

— Eu queria ter feito isso a noite toda — confessou ele.

Sem aviso, o Júnior me puxou pela cintura, colando nossos corpos de forma possessiva. Seus lábios encontraram os meus em um beijo que não tinha nada de calmo ou hesitante. Era um beijo faminto, carregado de toda a frustração e do desejo que havíamos acumulado nas últimas semanas sob o mesmo teto. Minhas mãos subiram para o seu pescoço, os dedos se perdendo na nuca dele, enquanto eu o puxava para mais perto, querendo fundir minha pele na dele.

Ele me levantou do