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Amor e odio

O Preço da Obediência e o Tilintar do Guizo

O sol de Yokohama já estava alto quando o silêncio do apartamento de luxo foi quebrado não por um grito de raiva, mas por um suspiro profundo de humilhação contida. Chuuya Nakahara estava parado diante do espelho de corpo inteiro no corredor, as mãos trêmulas apertando a borda da bancada de mármore.

Sobre seus cabelos ruivos, perfeitamente alinhados, repousava uma tiara preta com orelhas de gato feitas de pelúcia macia. Para piorar a situação, presso ao cós de sua calça social de grife, um rabo longo e flexível balançava a cada movimento irritado que ele fazia.

— Eu vou matar ele. Eu vou literalmente estraçalhar cada osso daquele corpo enfaixado — rosnou Chuuya, observando seu reflexo. — Como eu deixei isso acontecer?

— Porque você perdeu a aposta, Chuu-ya! — A voz de Dazai ecoou da sala de estar, carregada de um júbilo insuportável. — E um cãozinho da máfia — ou melhor, um gatinho — sempre cumpre sua palavra, não é? Especialmente depois de ter sido tão... "cooperativo" esta manhã.

Chuuya fechou os olhos com força, a memória da madrugada e das primeiras horas da manhã inundando sua mente. O domínio de Dazai, a forma como ele havia comandado cada respiração e cada movimento de Chuuya na cama, havia deixado o ruivo em um estado de vulnerabilidade e euforia que o fizera baixar a guarda. E Dazai, sendo o estrategista cruel que era, aproveitou-se disso para propor uma aposta final durante o café da manhã: um jogo de cartas rápido, valendo um "desejo absoluto" para o vencedor pelo resto do dia.

Chuuya, confiante de que sua sorte superaria os truques de Dazai, aceitou. Ele nunca esteve tão errado.

— Venha aqui, Chuuya! — chamou Dazai. — Um gato obediente não deixa seu dono esperando.

Rangendo os dentes, Chuuya caminhou até a sala. Cada passo fazia o pequeno guizo dourado preso à tiara tilintar, um som que feria seu orgulho mais do que qualquer golpe de habilidade.

Dazai estava jogado na poltrona, com as pernas cruzadas e um sorriso que poderia iluminar — ou queimar — uma cidade inteira. Ele segurava um laser de brinquedo em uma das mãos e um pires com leite na outra.

— Olhe só para você — disse Dazai, seus olhos castanhos brilhando de deleite enquanto percorriam a figura de Chuuya. — As orelhas combinam com o seu temperamento arisco. Mas falta algo... ah, sim. A postura. Gatos não andam com os punhos cerrados, eles são elegantes.

— Dazai, eu juro por Deus, se você tirar uma foto, eu vou usar a "Corrupção" só para apagar você da existência — ameaçou Chuuya, o rosto vermelho de vergonha.

— Oh, fotos? Que ideia maravilhosa! — Dazai pegou o celular, mas o guardou logo em seguida ao ver a aura vermelha começar a crepitar ao redor de Chuuya. — Tudo bem, tudo bem. Sem fotos por enquanto. Mas as regras são claras: você tem que agir como um gato obediente até o pôr do sol.

Dazai apontou o laser para o chão, movendo o ponto vermelho rapidamente de um lado para o outro.

— Pegue, gatinho.

Chuuya ficou estático. O insulto era tão absurdo que ele sentiu seu cérebro travar por um segundo.

— Você está brincando comigo?

— Aposta é aposta — cantarolou Dazai, movendo o laser para a parede. — Se você não seguir as ordens, eu conto para o Kouyou e para o Akutagawa que você gosta de ser chamado de "bom garoto" enquanto—

— CALA A BOCA! — gritou Chuuya, avançando não para o laser, mas para o pescoço de Dazai.

Com uma agilidade irritante, Dazai se esquivou, fazendo Chuuya tropeçar no próprio rabo de pelúcia. O ruivo caiu no tapete caro, soltando um rosnado que, para o deleite de Dazai, soou quase como um ronronar agressivo.

— Isso foi quase um bote! — exclamou Dazai, batendo palmas. — Mas você errou o alvo. Tente novamente. Desta vez, se você pegar o ponto vermelho, eu deixo você tirar o guizo.

Chuuya olhou para o pequeno ponto de luz na parede. Ele sabia que era ridículo. Ele sabia que era uma manipulação barata. Mas o som daquele guizo estava deixando-o louco. Com um suspiro de derrota que ele esperava que ninguém nunca ouvisse, ele se agachou, usando sua habilidade de gravidade para aumentar sua velocidade lateral.

Ele saltou contra a parede, a mão batendo no ponto vermelho exatamente no momento em que Dazai o apagou.

— Rápido demais — elogiou Dazai, embora estivesse rindo abertamente. — Agora, venha aqui. Você merece um prêmio.

Chuuya se levantou, limpando o pó invisível de suas calças, tentando manter o mínimo de dignidade possível enquanto as orelhas de gato balançavam. Ele se aproximou de Dazai, esperando que o "prêmio" fosse a permissão para remover o acessório.

Em vez disso, Dazai puxou-o pela cintura, fazendo-o sentar-se no chão, entre suas pernas. Antes que Chuuya pudesse protestar, sentiu os dedos longos e habilidosos de Dazai se enterrarem em seu cabelo ruivo, logo atrás das orelhas postiças.

— O que você está... — Chuuya começou, mas as palavras morreram em sua garganta.

Dazai começou a massagear o couro cabeludo de Chuuya com uma pressão perfeita. Era um toque firme, mas carregado de uma ternura que Dazai raramente demonstrava fora de quatro paredes. Chuuya tentou resistir, tentou manter os músculos tensos, mas a sensação era inebriante.

— Gatos gostam de carinho atrás das orelhas, não gostam? — sussurrou Dazai, inclinando-se para frente até sua respiração tocar a nuca de Chuuya. — Relaxe, Chuuya. Ninguém está vendo. Aqui, você pode ser apenas meu.

Chuuya soltou um suspiro trêmulo, sua cabeça caindo para trás e apoiando-se nos joelhos de Dazai. O ódio que ele sentia pela aposta começou a ser nublado por uma satisfação preguiçosa.

— Eu ainda... odeio você — murmurou Chuuya, os olhos se fechando involuntariamente.

— Eu sei — respondeu Dazai, seus dedos descendo para a nuca do ruivo, traçando as linhas de tensão que começavam a se dissipar. — Você odeia o quanto eu te conheço. Odeia o fato de que, mesmo depois de eu ter te deixado na escuridão por quatro anos, seu corpo ainda responde ao meu comando como se nunca tivéssemos nos separado.

Chuuya abriu os olhos, encarando o teto. A provocação de Dazai sempre tinha um fundo de verdade que doía.

— Você não me comanda, Dazai. Você só me irrita até eu ceder por exaustão.

— Se é isso que você diz a si mesmo para dormir à noite, quem sou eu para discordar? — Dazai sorriu, parando o carinho e pegando o pires de leite que estava na mesa de centro. — Agora, beba.

Chuuya olhou para o pires e depois para Dazai com uma expressão de puro asco.

— Eu não vou beber leite em um pires como um animal, Dazai! Eu sou um executivo da Máfia do Porto!

— Um executivo que perdeu uma aposta — lembrou Dazai, estendendo o pires. — E que, se bem me lembro, prometeu ser um "gatinho obediente". Vamos, Chuuya. É leite integral, de boa qualidade.

— Vá para o inferno.

— Se você beber, eu prometo que a próxima ordem não será humilhante. Será algo que... nós dois vamos aproveitar — Dazai baixou o tom de voz, aquele tom aveludado que sempre fazia a espinha de Chuuya vibrar.

Chuuya olhou para o pires. Olhou para Dazai. A humilhação já estava completa mesmo; o que era um pouco de leite comparado a usar orelhas de pelúcia? Ele se ajoelhou, sentindo o rabo de gato bater contra suas coxas, e inclinou-se. Ele não usou a língua — sua dignidade tinha um limite — mas bebeu o conteúdo em goles rápidos, tentando terminar o mais depressa possível.

Quando terminou, limpou o canto da boca com as costas da mão enluvada, olhando para Dazai com um desafio ardente nos olhos azuis.

— Pronto. Satisfeito?

Dazai colocou o pires vazio de lado e puxou Chuuya pelo colarinho, trazendo o rosto do ruivo a poucos centímetros do seu.

— Muito satisfeito. Você é tão adorável quando tenta manter o orgulho enquanto está completamente sob o meu controle.

Dazai o beijou, um beijo que tinha gosto de leite e da promessa de mais caos. Chuuya retribuiu com agressividade, suas mãos subindo para os ombros de Dazai, as unhas cravando-se no tecido da camisa. O guizo na tiara tilintou freneticamente com o movimento.

— O sol ainda não se pôs — murmurou Dazai contra os lábios de Chuuya quando se separaram. — E eu ainda tenho muitas ordens para você, meu pequeno parceiro.

— Se a próxima ordem envolver sair em público assim, eu vou explodir este prédio com você dentro — avisou Chuuya, embora seu corpo estivesse inclinado para o de Dazai, buscando mais contato.

— Oh, não se preocupe. Eu quero você todo para mim hoje — Dazai levantou-se, puxando Chuuya junto. — Próxima ordem: vamos para o quarto. E você não vai tirar essas orelhas. Eu quero ver como elas ficam enquanto você está implorando para eu não parar.

Chuuya sentiu o sangue subir para o rosto, uma mistura de fúria e um desejo avassalador que ele mal conseguia conter.

— Você é o ser humano mais detestável que já pisou na Terra.

— E você é o gato mais fiel que eu já tive — rebateu Dazai, piscando um olho enquanto caminhava em direção ao quarto.

Chuuya o seguiu, o rabo de gato balançando e o guizo tilintando a cada passo. Ele sabia que, no dia seguinte, ele provavelmente tentaria matar Dazai durante a missão no armazém. Ele sabia que Mori faria perguntas sobre as marcas em seu pescoço e que o orgulho de ser um executivo da Máfia seria testado.

Mas, enquanto entrava no quarto e via Dazai esperando por ele com aquele olhar que prometia tanto prazer quanto tormento, Chuuya percebeu que, por mais que odiasse as manipulações de Dazai, havia uma parte dele que nunca se sentia tão viva quanto quando estava sendo o "gatinho" daquele suicida maníaco.

— Dazai? — chamou Chuuya, parando na porta.

— Sim, Chuuya?

— Depois que o sol se puser... é a minha vez de dar as ordens.

Dazai soltou uma risada alta e deliciada, desabotoando os primeiros botões da camisa.

— Eu não esperaria nada menos de você. Mas até lá... miau, Chuuya.

Chuuya rosnou, fechando a porta com um chute e avançando sobre Dazai. O guizo tocou uma última nota alegre antes de ser abafado pelo som de corpos colidindo e pelo início de uma tarde que Yokohama jamais esqueceria — mesmo que apenas dois homens soubessem o que realmente aconteceu entre aquelas paredes.

A gravidade de Chuuya podia mover montanhas, mas a presença de Dazai era a única coisa capaz de mantê-lo no chão, mesmo que fosse de joelhos, usando orelhas de gato e um guizo que marcava o ritmo do seu coração acelerado. E, no fim das contas, nenhum dos dois queria que fosse de outra forma.