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Amor sombrio

O Retorno do Herdeiro e o Sussurro do Labirinto

O ar gélido da noite de junho em Hogwarts estava impregnado com uma eletricidade palpável. O Torneio Tribruxo chegara ao seu ápice, e o labirinto da terceira tarefa erguia-se como uma fera de folhagens negras no meio do campo de Quadribol. Clara Weasley, agora no seu sétimo ano, observava a cena de uma das arquibancadas mais afastadas, envolta em sua capa verde e prata que agora lhe servia com uma elegância que ela jamais imaginara possuir aos quinze anos.

Ela não era mais a garota que se escondia atrás de travessas de comida no Salão Principal. O tempo e a dor haviam esculpido seu rosto, revelando maçãs do rosto definidas e um olhar que carregava a profundidade de quem conhecera o abismo. Seus cabelos castanhos, antes opacos, brilhavam sob a luz das tochas, caindo em ondas pesadas pelas costas. Ela aprendera a ocupar espaço, a caminhar com a coluna ereta e a ignorar os sussurros que ainda a perseguiam pelos corredores.

Mas, naquela noite, o vazio em seu peito, aquele vácuo que Tom deixara dois anos antes, latejava como uma ferida aberta.

Enquanto os campeões entravam no labirinto sob os aplausos ensurdecedores da multidão, Clara sentiu um puxão familiar. Não era físico, era uma vibração na própria estrutura de sua magia. Um calafrio que não vinha do vento escocês, mas de uma memória que se recusava a morrer.

— Ele está aqui — sussurrou ela para si mesma, os lábios tremendo levemente.

Sem pensar, Clara levantou-se e começou a descer as escadas da arquibancada. Ela não seguiu para onde a multidão olhava; ela seguiu o instinto, afastando-se das luzes e dos gritos, em direção à orla da Floresta Proibida, onde as sombras do labirinto se fundiam com a escuridão das árvores milenares.

Ela caminhou até que o som da banda de Hogwarts se tornasse apenas um eco distante. O ar ali parecia mais denso, saturado com um cheiro de ozônio e papel antigo — o cheiro dele.

— Você demorou a me encontrar, Clara.

A voz era um barítono aveludado, carregado de uma autoconfiança predatória. Clara parou bruscamente. O coração martelava contra as costelas, ameaçando saltar pela boca. Ela se virou lentamente.

Encostado em uma árvore, parcialmente oculto pelas sombras, estava um homem. Ele não era mais a projeção adolescente do diário, nem a sombra esfumaçada da câmara. Ele aparentava estar no início dos seus vinte anos, alto, com ombros largos e uma postura de absoluta nobreza. O rosto era de uma beleza devastadora: a mandíbula perfeitamente esculpida, o nariz reto e os olhos... aqueles olhos escuros e insondáveis que a haviam assombrado por anos. Tom Riddle estava ali, em carne e osso, vestindo roupas negras que pareciam absorver a pouca luz da lua.

— Tom? — A voz de Clara saiu como um sopro.

Ele deu um passo à frente, saindo das sombras. A luz da lua atingiu seu rosto, e Clara sentiu os joelhos fraquejarem. Ele era real. A pele tinha o brilho da vida, e o calor que emanava dele, mesmo a metros de distância, era inegável.

— Eu disse que voltaria para você — disse ele, um sorriso de canto surgindo em seus lábios, um gesto que era ao mesmo tempo charmoso e aterrorizante. — Você achou mesmo que um pedaço de pergaminho queimado e um dente de basilisco seriam o meu fim?

Clara correu. Ela não se importou com a dignidade que levara anos para construir ou com o fato de que ele era, tecnicamente, o bruxo mais perigoso da história. Ela atravessou a distância que os separava e se atirou em seus braços.

O impacto foi real. O peito dele era sólido e quente sob o tecido fino da camisa. Tom a envolveu com uma possessividade imediata, as mãos grandes espalmadas nas costas dela, puxando-a para o seu corpo como se tentasse fundir suas almas novamente.

— Você é real — soluçou Clara contra o pescoço dele, sentindo o cheiro de sândalo e magia negra. — Você é realmente real.

— Graças a você — sussurrou Tom, enterrando o rosto nos cabelos dela, aspirando o perfume de Clara com uma fome que beirava o desespero. — Sua lealdade, sua dor... elas foram a âncora que me impediu de ser varrido para o nada. Eu precisei de tempo para reconstruir o que foi quebrado, para encontrar um novo caminho de volta. Mas eu nunca deixei de observar você.

Ele a afastou apenas o suficiente para olhar em seu rosto. Seus dedos longos traçaram o contorno da mandíbula de Clara, descendo pelo pescoço até o lugar onde o pulso dela batia freneticamente.

— Você mudou, minha Clara — disse ele, os olhos brilhando com uma aprovação intensa. — A insegurança se transformou em fogo. Você não é mais a garota que se escondia. Você é uma rainha esperando por seu reino.

— Eu passei cada dia esperando por esse momento — confessou ela, as lágrimas escorrendo livremente, mas sem a fraqueza de outrora. — Eu odiei você por me deixar, Tom. Eu odiei cada segundo daquela solidão.

— Eu fiz o que era necessário para que você estivesse viva hoje — respondeu ele, a voz endurecendo levemente. — Se eu tivesse ficado, você teria sido consumida. Mas agora... agora eu não preciso mais me esconder nas páginas de um caderno.

Tom inclinou a cabeça, aproximando seus lábios dos dela. O beijo foi uma explosão de tudo o que fora contido por anos. Não era mais o toque frio de uma memória; era a urgência da carne, o sabor do poder e da entrega absoluta. Clara sentiu-se completa, como se a peça que faltava em seu quebra-cabeça tivesse sido finalmente encaixada com uma força violenta.

— Venha comigo — disse Tom entre os beijos, sua respiração quente contra a pele dela. — O mundo está prestes a mudar, Clara. Esta noite, o menino Potter cairá, e eu retomarei o que é meu por direito. Mas eu não quero fazer isso sozinho.

Clara sentiu um arrepio. Ela sabia o que aquilo significava. Sabia que, ao segui-lo, ela estaria virando as costas para o que restava de sua família, para a moralidade do mundo bruxo e para qualquer chance de uma vida "normal".

— Eles nunca me amaram, Tom — disse ela, olhando nos olhos dele com uma clareza cortante. — Minha família, esta escola... eu sempre fui o erro.

— Para eles, talvez — disse Tom, acariciando o rosto dela com uma ternura que ele reservava apenas para ela. — Para mim, você é a única coisa neste século que vale a pena preservar. Você é a única que conhece o homem por trás do monstro, e a única que amou ambos.

Ele estendeu a mão, a palma para cima, esperando.

— O tempo está acabando. O labirinto está prestes a entregar sua vítima. O que você escolhe, Clara Weasley? A mediocridade do seu nome ou a eternidade ao meu lado?

Clara olhou para trás, para as luzes de Hogwarts, para o lugar onde seus irmãos provavelmente estavam rindo e celebrando, esquecendo-se da existência dela como faziam habitualmente. Depois, olhou para o homem à sua frente — o seu demônio, o seu salvador, o seu único e verdadeiro lar.

Ela colocou a mão sobre a dele.

— Eu escolho você — disse ela, a voz firme como aço. — Sempre foi você.

Tom fechou os dedos sobre os dela, um sorriso triunfante e genuíno iluminando seu rosto. Naquele momento, um grito ecoou vindo do centro do labirinto, seguido por um clarão de luz verde que iluminou o horizonte. O destino de Cedric Diggory fora selado, e o retorno de Lorde Voldemort estava completo.

Mas ali, nas sombras da floresta, Tom Riddle não era apenas um lorde das trevas. Ele era um homem que, contra todas as leis da natureza e da própria maldade, encontrara algo que não conseguia destruir.

— Então vamos, minha rainha — sussurrou ele. — Temos um mundo para colocar aos seus pés.

Com um estalo de aparatação, o lugar onde estavam ficou vazio. Apenas o cheiro de sândalo e uma única pena castanha caída na grama indicavam que, naquela noite, a Sonserina não perdera apenas uma aluna, mas ganhara o coração de sua maior ameaça. Clara Weasley finalmente deixara de ser invisível; ela se tornara a sombra que caminharia ao lado do sol negro, e o mundo bruxo jamais estaria preparado para o que os dois construiriam juntos.

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