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As provocações

O Eclipse de Seda e a Fúria do Lorde Carmesim

A paciência de Guy Crimson sempre foi um recurso finito, mas quando se tratava de Rimuru Tempest, essa paciência não apenas acabava; ela se transformava em uma possessividade devoradora. Nos últimos dias, Rimuru vinha testando todos os limites possíveis. Talvez fosse a influência da forma feminina, que parecia ter despertado um lado mais audacioso e travesso no Slime, ou talvez fosse apenas o tédio de estar confinado no Continente de Gelo.

Naquela manhã, Rimuru decidiu elevar o nível do jogo. Ele surgiu no salão de banquetes usando um traje que desafiava as leis da etiqueta demoníaca. Era um vestido de seda negra, tão fino que parecia uma segunda pele, com fendas laterais que subiam até o meio das coxas e um decote em "V" profundo, que deixava a curva de seus seios azul-prateados perigosamente à mostra. Cada movimento que ele fazia resultava em um lampejo de pele macia, e o contraste do preto com sua pele pálida era quase ofuscante.

Guy parou de respirar por um segundo quando Rimuru entrou. O Lorde Demônio sentiu um calor subir por seu pescoço, uma mistura de desejo puro e a vontade súbita de cobrir Rimuru com seu próprio manto para que ninguém mais pudesse olhar.

— Rimuru... — a voz de Guy saiu como um rosnado baixo, vibrando pelo salão. — O que, em nome de Veldanava, você está vestindo?

— Oh, isso? — Rimuru deu uma voltinha, fazendo a seda flutuar e revelando um vislumbre de suas pernas torneadas. — Achei que o preto combinava com a decoração gótica do seu castelo. Você não gostou, Guy-kun?

Guy levantou-se do trono, seus olhos brilhando em um vermelho carmesim tão intenso que as sombras ao redor pareciam recuar.

— Eu gostei tanto que estou a um passo de selar este salão e não deixar você sair daqui até que essa forma desapareça — Guy caminhou até ele, sua aura de Lorde Demônio vazando pelas bordas, fazendo os servos mais próximos tremerem.

A reunião daquele dia, no entanto, contava com a presença de alguns nobres do império de Guy, demônios de linhagens antigas que raramente vinham à corte. Entre eles estava o Marquês Amon, um demônio arrogante que se orgulhava de sua ancestralidade e de sua suposta imunidade ao charme alheio.

Enquanto Guy tentava manter o foco em um mapa estratégico, Rimuru continuava suas provocações. Ele se inclinou sobre a mesa para apontar uma rota, garantindo que Guy tivesse uma visão privilegiada de seu decote. Guy, por sua vez, não aguentou. Ele puxou Rimuru pela cintura, sentando-o de lado em seu colo, e enterrou o rosto na curvatura do pescoço do Slime, ignorando completamente o Marquês que falava.

— Guy, estamos em público! — Rimuru riu, uma risada melodiosa que atraiu os olhares de todos os presentes.

— Eu não me importo — murmurou Guy contra a pele de Rimuru, antes de dar uma mordida possessiva bem na veia pulsante de seu pescoço. — Você é meu. Deixe que eles vejam as marcas.

Foi então que o impensável aconteceu. O Marquês Amon, talvez embriagado pelo poder ou simplesmente estúpido o suficiente para confundir a informalidade de Rimuru com vulnerabilidade, levantou-se para "ajustar" um documento na mesa. Ao passar por trás da cadeira onde Guy e Rimuru estavam, ele estendeu a mão e, com uma audácia suicida, deu um tapa firme na nádega de Rimuru, deixando sua mão deslizar por um momento pela curva do quadril.

— Realmente, Milorde Guy — disse Amon com um sorriso lascivo, seus olhos fixos nos seios de Rimuru que balançaram com o impacto —, este seu novo brinquedo é... excepcionalmente macio. Entendo por que o senhor está tão distraído. Com um decote desses, é difícil focar em política.

O silêncio que se seguiu não foi apenas a ausência de som; foi a morte da esperança. Misery e Rain recuaram três passos, os rostos pálidos como cera. Elas sabiam o que viria.

Rimuru congelou, os olhos dourados arregalados de surpresa. Ele gostava de provocar, mas aquilo fora um desrespeito que ele nunca permitiria em Tempest. Antes que ele pudesse sequer processar uma resposta, sentiu a temperatura do salão cair para níveis que congelariam o próprio tempo.

Guy Crimson não gritou. Ele não explodiu. Ele simplesmente se levantou, segurando Rimuru com um braço como se ele fosse o tesouro mais precioso do universo, e olhou para Amon. A pressão mágica que emanou de Guy foi tão violenta que os vitrais do salão racharam simultaneamente.

— Você... tocou... no que é meu? — A voz de Guy era um sussurro frio que prometia milênios de agonia.

— M-Milorde, eu apenas... — Amon começou a gaguejar, percebendo finalmente o abismo que havia cavado para si mesmo.

Guy estendeu a mão livre. Em um piscar de olhos, o braço de Amon, o mesmo que havia tocado em Rimuru, foi reduzido a cinzas negras por uma chama carmesim instantânea. O grito do demônio foi cortado quando Guy agarrou seu pescoço, levantando-o do chão.

— Rimuru não é um brinquedo — Guy disse, cada palavra pesada como um planeta. — Rimuru é o meu igual. E você... você não é nada.

Com um movimento casual, Guy obliterou a existência de Amon. Não restou nem mesmo poeira mágica para contar a história. Guy então se virou para os outros nobres, que estavam prostrados no chão, implorando por misericórdia.

— Se algum de vocês olhar para ele por mais de um segundo — Guy declarou, sua voz ecoando por todo o castelo —, eu farei com que suas almas queimem no abismo para sempre. Misery, limpe essa sujeira.

Sem esperar resposta, Guy carregou Rimuru para fora do salão. Ele não o levou para a biblioteca ou para o jardim. Ele subiu as escadarias em direção à ala mais protegida do palácio: seus aposentos privados.

— Guy, espere! — Rimuru exclamou enquanto era carregado. — Eu podia ter lidado com ele! Você exagerou um pouco, não acha?

Guy não respondeu até que as pesadas portas de carvalho negro e ouro de seu quarto fossem fechadas e trancadas magicamente. Ele colocou Rimuru no chão, mas não o soltou. Ele o prensou contra a porta, suas mãos prendendo os pulsos de Rimuru acima da cabeça.

— Exagerei? — Guy rosnou, aproximando seu rosto do de Rimuru até que suas pontas de nariz se tocassem. — Ele tocou em você, Rimuru. Ele olhou para você como se pudesse te possuir. Eu quase destruí este continente inteiro só de ver a mão dele em você.

Rimuru olhou nos olhos vermelhos e selvagens de Guy e sentiu um frio na barriga que não tinha nada a ver com o clima lá fora. A provocação tinha ido longe demais, e agora ele estava diante de um predador que não aceitaria mais jogos.

— Você está sendo muito possessivo, Guy-kun — sussurrou Rimuru, tentando recuperar um pouco de sua audácia, embora sua respiração estivesse falha.

— E vou ser ainda mais — Guy soltou os pulsos de Rimuru apenas para rasgar a alça do vestido de seda negra, expondo completamente o ombro e a curva superior do seio de Rimuru. — Você não vai sair deste quarto até que eu decida. Você queria me provocar? Você queria me ver obediente? Pois agora você vai ver o que acontece quando eu paro de brincar.

Guy atacou o pescoço de Rimuru com uma fome renovada. Ele não estava apenas beijando; ele estava marcando território. Suas lambidas eram quentes e deliberadas, seguidas por mordidas que faziam Rimuru arquear as costas e soltar gemidos altos que ele não conseguia mais abafar.

— Ah! Guy... hnnn... — Rimuru enterrou as unhas nos ombros largos de Guy. — Isso é... demais...

— Não é o suficiente — Guy murmurou, movendo o rosto para o peito de Rimuru. Ele envolveu um dos mamilos endurecidos com a boca, sugando com uma força que fez Rimuru gritar. — Eu quero que você sinta cada grama da minha frustração por ter que compartilhar sua imagem com aqueles vermes.

Enquanto isso, do lado de fora, Misery e Rain estavam paradas no corredor. Elas ouviam os gritos e os gemidos de Rimuru, que atravessavam até mesmo as paredes reforçadas magicamente.

— Milorde está... realmente fora de si — comentou Rain, seu rosto uma máscara de desolação.

— Lady Rimuru conseguiu o que queria — Misery disse, cruzando os braços. — Ela queria o controle total sobre as emoções do nosso mestre. Agora, ela terá que lidar com as consequências de ter despertado o lado mais primitivo de um Lorde Demônio.

— Mas... e a reunião de amanhã? — perguntou um servo menor, tremendo ao ouvir um estrondo vindo de dentro do quarto, como se um móvel tivesse sido jogado contra a parede.

— Esqueça a reunião — Rain respondeu friamente. — O Lorde Guy não sairá de lá por dias. E se Lady Rimuru sobreviver a isso, ela será a única coisa que este império terá que obedecer.

Dentro do quarto, o caos era de uma natureza diferente. Guy havia levado Rimuru para a imensa cama de dossel. Ele estava por cima dele, as roupas de ambos agora em frangalhos no chão. Guy beijava cada centímetro da pele de Rimuru, desde as pontas dos dedos até a parte interna das coxas, deixando marcas avermelhadas e roxas por onde passava.

— Você é minha, Rimuru — Guy rosnou, sua voz vibrando contra o ventre de Rimuru. — Diga. Diga que você pertence a mim.

Rimuru, com a mente nublada pelo prazer e pela intensidade da aura de Guy, envolveu o pescoço do demônio com os braços, puxando-o para um beijo profundo e desesperado.

— Eu... — Rimuru ofegou entre os beijos — ...nesta forma, e em qualquer outra... eu acho que sempre fui um pouco seu, Guy.

Aquilo foi o golpe final no autocontrole de Guy. Ele soltou um rugido de satisfação e mergulhou novamente no peito de Rimuru, suas mordidas agora mais frequentes, arrancando gritos que faziam o Slime tremer da cabeça aos pés. Rimuru não estava mais provocando por diversão; ele estava se entregando a uma força da natureza que ele mesmo havia desencadeado.

A possessividade de Guy era um fogo que não podia ser apagado, e Rimuru, preso em sua forma feminina e delicada, era o combustível perfeito. Pelas próximas setenta e duas horas, ninguém ousou se aproximar daquela ala do castelo. Os servos caminhavam na ponta dos pés, e os nobres que restaram falavam em sussurros, pois os sons que emanavam do quarto de Guy Crimson eram um lembrete constante de que o Lorde Demônio Original havia encontrado seu tesouro, e ele destruiria o mundo antes de deixar qualquer outra pessoa tocá-lo novamente.

Quando Rimuru finalmente emergiu, dias depois, ele estava coberto de cima a baixo por mantos pesados de Guy, com o rosto corado e marcas visíveis em seu pescoço que nem mesmo a magia de cura parecia querer remover completamente. Guy caminhava ao seu lado, com a mão firmemente apoiada em sua cintura, olhando para todos com um desafio silencioso.

— Você está satisfeito agora? — Rimuru perguntou baixinho, inclinando a cabeça no ombro de Guy enquanto caminhavam em direção ao portal que o levaria de volta a Tempest.

— Por enquanto — Guy respondeu, dando um beijo possessivo na têmpora de Rimuru diante de todos os seus servos reunidos. — Mas não pense que isso acabou. Da próxima vez que você vier, eu não precisarei de um nobre idiota como desculpa para te trancar no meu quarto.

Rimuru sorriu, um sorriso que ainda mantinha sua inocência enganosa, mas com um brilho de conhecimento que só Guy compartilhava.

— Eu estarei esperando, Guy-kun. Mas da próxima vez... eu quem vou levar as algemas.

Guy soltou uma risada que gelou o sangue de Misery e Rain, e enquanto Rimuru desaparecia pelo portal, o Lorde Demônio já começava a contar os dias para a próxima provocação.