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As provocações

O Herdeiro do Caos e a Invasão de Seda

O Continente de Gelo nunca pareceu tão agitado, embora o silêncio mortal ainda fosse a regra nos corredores do palácio de Guy Crimson. Semanas haviam se passado desde que Rimuru Tempest deixara o castelo após aquele feriado prolongado de luxúria e provocações. No entanto, o Slime não havia retornado à sua forma original. Ciel, com uma eficiência que Rimuru começava a suspeitar ser proposital, alegava que as oscilações mágicas de Guy haviam "estabilizado" a forma feminina em seu núcleo, tornando a reversão um processo lento e delicado.

Mas havia algo mais. Um peso novo em seu núcleo mágico, uma pulsação rítmica que não pertencia a ele, nem a Ciel, nem ao Veldora. Era uma mistura da energia pura de um Slime com a essência primordial e devastadora do Lorde Demônio Original. Rimuru estava grávido.

Em Tempest, o caos foi absoluto. Shion quase desmaiou de emoção, enquanto Diablo começou a planejar uma guerra santa para garantir que o "Jovem Mestre" ou "Jovem Senhorita" tivesse o mundo aos seus pés. Mas Rimuru tinha outros planos. Ele não queria um anúncio formal. Ele queria ver a cara de Guy.

No castelo de gelo, Guy Crimson estava no meio de uma reunião de cúpula. Não era uma reunião comum com seus servos; era um encontro com os representantes das linhagens demoníacas remanescentes e alguns reis humanos influentes que buscavam sua proteção. Misery e Rain estavam em seus postos, impecáveis, mas com olheiras sutis que denunciavam a falta de sono desde a última visita de Rimuru.

— Como eu estava dizendo — Guy falava, sua voz ecoando com uma autoridade que fazia o ar vibrar —, as fronteiras do norte não são negociáveis. Se um único soldado humano cruzar a linha de gelo sem permissão, eu não apenas destruirei o exército, eu apagarei a linhagem do rei que deu a ordem.

Os reis humanos tremiam, as penas de escrever borrando os pergaminhos. Guy estava entediado, apoiando o queixo na mão, sentindo uma falta absurda do calor azul-prateado que costumava ocupar seu colo.

De repente, as portas monumentais do salão de audiências, protegidas por selos mágicos que apenas um lorde demônio poderia romper, foram escancaradas com um estrondo que fez o lustre de cristal balançar perigosamente.

— GUY! SEU IDIOTA RUIVO! — O grito agudo e furioso cortou a tensão da sala.

Todos os presentes se viraram, chocados. Parado na entrada, ofegante e com as bochechas coradas de raiva, estava Rimuru. Mas ele não estava usando suas roupas de lorde ou o vestido de seda negra de antes. Ele estava usando um pijama que Shion o forçara a vestir: um conjunto de seda azul-bebê extremamente curto, com babados nas bordas, meias brancas que iam até as coxas e um par de pantufas em formato de slime. O cabelo azul-prateado estava bagunçado, preso em um rabo de cavalo desleixado.

Guy levantou-se de um salto, seus olhos brilhando com uma mistura de choque e um desejo súbito que ele tentou esconder.

— Rimuru? O que você está fazendo aqui vestido... assim? — Guy perguntou, sua voz falhando levemente ao ver as pernas expostas de Rimuru sob a luz dos vitrais.

— Eu estou aqui porque você é um irresponsável! — Rimuru caminhou a passos largos pelo tapete central, ignorando os reis e generais que o olhavam com os queixos caídos. — Você e sua mania de "marcar território" e de "não ter autocontrole"! Olhe o que você fez!

Rimuru parou bem na frente de Guy, apontando para o próprio ventre, que ainda parecia perfeitamente plano, mas emanava uma aura mágica que fazia o espaço ao redor distorcer.

— Milorde Rimuru — Misery interveio, tentando salvar o que restava da dignidade da reunião —, o senhor está em um traje... inadequado para uma audiência internacional. E o que exatamente o Milorde Guy fez desta vez?

Rimuru virou-se para Misery com os olhos brilhando em um dourado perigoso.

— O que ele fez?! Ele me deu um problema de dez mil anos de duração, Misery! — Rimuru então voltou-se para Guy, batendo o pé no chão. — Eu fui ao médico em Tempest porque estava me sentindo enjoado de "magículas". E adivinha? Não era intoxicação mágica!

Guy franziu a testa, a compreensão começando a amanhecer em seus olhos vermelhos. Ele deu um passo à frente, ignorando a multidão estupefata, e colocou as mãos nos ombros de Rimuru.

— Rimuru... do que você está falando? — Guy sussurrou, sua voz carregada de uma expectativa que ele mal ousava nomear.

— Eu estou falando que você vai ter que construir um berçário neste castelo de gelo, Guy! — Rimuru gritou, as lágrimas de frustração e hormônios alterados começando a surgir. — Eu estou grávido! E a culpa é toda sua e desse seu fogo que nunca apaga!

O silêncio que se seguiu foi tão absoluto que se podia ouvir o gelo estalando nas paredes externas. Rain deixou cair a bandeja de prata que segurava, o som metálico ecoando como um tiro. Os reis humanos desmaiaram em série, e os generais demônios caíram de joelhos, não por respeito, mas porque a pressão mágica que Guy Crimson começou a emanar era simplesmente insuportável.

Guy olhou fixamente para o ventre de Rimuru. Ele estendeu uma mão trêmula — algo que ninguém jamais pensou ver o Lorde Demônio Original fazer — e tocou levemente a barriga do Slime. No momento em que suas palmas entraram em contato com a seda do pijama, uma pulsação de energia carmesim e dourada respondeu ao seu toque. Era uma assinatura de alma inconfundível. Era dele. Era deles.

— Um herdeiro... — Guy murmurou, sua voz subindo de tom até se tornar uma risada maníaca e triunfante. Ele agarrou Rimuru pela cintura e o levantou no ar, girando-o enquanto ria. — EU CONSEGUI! EU REALMENTE CONSEGUI!

— Guy! Me coloca no chão! Eu estou de pijama! — Rimuru protestava, batendo nos ombros dele, mas seu rosto estava escondido no pescoço de Guy, e ele não conseguia evitar um pequeno sorriso.

— Que se dane o pijama! Que se danem esses reis! — Guy gritou, voltando-se para a sala traumatizada. — OUÇAM TODOS! ESTA REUNIÃO ACABOU! SAIAM DAQUI AGORA! SE EU VIR QUALQUER UM DE VOCÊS NESTE SALÃO EM DEZ SEGUNDOS, EU OS ALIMENTAREI PARA OS MEUS CÃES DE CAÇA!

Os diplomatas e nobres fugiram em uma debandada frenética, atropelando-se para alcançar a saída. Misery e Rain permaneceram, em choque profundo.

— Misery... — Rain sussurrou, tremendo. — Nós vamos ter que cuidar de um bebê? Um bebê dele e do Slime?

— Um bebê com o poder de dois Lordes Demônios Primordiais... — Misery respondeu, levando a mão à testa. — O mundo está condenado.

Guy, alheio a tudo, sentou-se no trono e puxou Rimuru para o seu colo, abraçando-o com uma força possessiva que faria suas interações anteriores parecerem brincadeira de criança. Ele enterrou o rosto no peito de Rimuru, aspirando o cheiro de pêssego e magia que emanava dele.

— Você não vai a lugar nenhum, Rimuru — Guy rosnou, sua voz vibrando contra o corpo do Slime. — Você vai ficar aqui. Vou cobrir este castelo com selos que nem o Veldora conseguirá atravessar.

— Nem pense nisso, Guy! — Rimuru tentou se afastar, mas Guy o segurou com mais firmeza, começando a beijar a pele exposta de seu decote com uma devoção quase religiosa. — Eu tenho uma nação para governar! E eu vim aqui apenas para te dar a notícia e exigir que você assuma a responsabilidade!

— Eu assumirei tudo — Guy murmurou, subindo os beijos para a mandíbula de Rimuru. — Eu assumirei você, o bebê e qualquer um que ouse olhar para o meu pijama favorito.

Rimuru soltou um gemido involuntário quando a língua de Guy traçou a linha de sua orelha.

— Guy... pare... as suas servas estão olhando... — Rimuru protestou fracamente, seus dedos se perdendo nos cabelos vermelhos de Guy.

— Deixe que olhem — Guy disse, dando uma mordida leve e possessiva no ombro de Rimuru, deixando uma marca vermelha bem visível acima da alça do pijama. — Elas precisam entender que agora há algo ainda mais precioso para eu proteger. Se elas achavam que eu era ciumento antes, elas não viram nada.

Guy levantou a cabeça, olhando para Misery e Rain com uma intensidade que as fez estremecer.

— Preparem os aposentos imperiais. Quero as peles mais macias, as frutas mais raras de todos os mundos e os melhores magos de cura de prontidão. Se o Rimuru sentir um único desconforto, eu cortarei as cabeças de vocês pessoalmente.

— Sim, Milorde! — As duas responderam em uníssono, desaparecendo em uma nuvem de fumaça negra para cumprir as ordens.

Rimuru suspirou, recostando a cabeça no ombro de Guy, sentindo o calor reconfortante do Lorde Demônio.

— Você realmente é um exagerado, sabia? Eu só queria te contar a notícia, não ser sequestrado de novo.

— Você não foi sequestrado, Rimuru — Guy corrigiu, beijando-lhe os lábios com uma paixão que fez o mundo lá fora parecer insignificante. — Você foi reivindicado. Pela segunda vez. E desta vez, com um vínculo que nem a morte pode quebrar.

— E as minhas roupas? — Rimuru perguntou, olhando para as pantufas de slime. — Eu não posso ficar de pijama o dia todo.

Guy sorriu, um sorriso predatório e satisfeito, enquanto sua mão deslizava protetoramente sobre o ventre de Rimuru.

— Na verdade, eu prefiro você assim. Menos tecido para eu tirar quando eu quiser sentir o meu herdeiro... e você.

— Guy! — Rimuru exclamou, o rosto explodindo em vermelho. — Eu estou grávido, seu pervertido!

— E eu sou um demônio, Rimuru — Guy riu, puxando-o para mais um beijo profundo enquanto as luzes do salão se apagavam, deixando apenas o brilho dourado e carmesim de dois seres que acabavam de mudar o destino do mundo, tudo isso enquanto um deles usava pantufas de pelúcia.

A partir daquele dia, o Continente de Gelo não era mais apenas o domínio do medo. Era o berço de algo novo, algo que fazia o Lorde Demônio mais antigo do mundo agir como um guarda-costas obsessivo e um amante insaciável, provando que, no fim das contas, até mesmo o gelo mais eterno pode ser derretido pelo calor de uma provocação que resultou em vida. E Rimuru, apesar de suas reclamações, sabia que não havia lugar no mundo onde estivesse mais seguro — ou mais adorado — do que nos braços possessivos de Guy Crimson.