As provocações
O Despertar do Caos Carmesim: Desejos, Delírios e o Nascimento de Akane
— Guy, se você tocar na minha barriga mais uma vez nos próximos cinco minutos, eu juro por Veldanava que vou transformar este castelo em um parque de diversões para slimes e você será o mascote! — Rimuru exclamou, sua voz oscilando entre um grito furioso e um choro contido.
O Lorde Demônio Original, o ser que fazia nações tremerem apenas com sua presença, parou com a mão a milímetros da seda que cobria o ventre levemente protuberante de Rimuru. Guy não parecia ofendido; pelo contrário, seus olhos vermelhos brilhavam com uma mistura de adoração e uma possessividade que beirava a insanidade.
— Mas eu sinto a pulsação dele, Rimuru — Guy murmurou, sua voz rouca e vibrante. — É como se um pequeno sol estivesse crescendo dentro de você. Como você espera que eu fique longe?
— Eu espero que você me traga aquele prato de lulas gigantes banhadas em mel de flores espirituais que eu pedi há dez minutos! — Rimuru rebateu, sentando-se pesadamente no trono de Guy.
Eles estavam no meio de uma reunião estratégica com os generais do Império de Gelo. Misery e Rain observavam a cena com expressões que haviam evoluído do choque absoluto para uma aceitação resignada. Os outros generais, entretanto, permaneciam rígidos, seus corações transbordando de um ciúme corrosivo. Ver o seu mestre absoluto, o orgulhoso Guy Crimson, agir como um servo doméstico para um Slime grávido era uma humilhação que eles mal podiam suportar.
— Milorde — Misery interveio, sua voz mantendo a etiqueta apesar do caos —, as lulas foram encomendadas, mas levará tempo para que os caçadores as tragam do oceano profundo. Talvez Lady Rimuru aceite um pouco de néctar de pêssego enquanto espera?
Rimuru olhou para Misery. Seus olhos dourados, agora mais intensos devido à gravidez, encheram-se de lágrimas subitamente.
— Você está dizendo que eu sou impaciente, Misery? — Rimuru fungou, o lábio inferior tremendo. — É isso? Eu estou carregando o herdeiro deste lugar e vocês não conseguem nem pescar uma lula?
— Não! De forma alguma! — Misery curvou-se tão profundamente que sua testa quase tocou o chão, em pânico.
Guy virou-se para a serva, sua aura carmesim explodindo em uma onda de pressão que fez as janelas de cristal racharem.
— Você ouviu, Misery. Se as lulas não estiverem aqui em cinco minutos, eu mesmo irei ao oceano e destruirei o ecossistema marinho até encontrar o que ela quer.
— Guy, não seja exagerado! — Rimuru reclamou, mudando de humor instantaneamente e começando a rir enquanto acariciava o cabelo vermelho de Guy, que agora estava ajoelhado ao seu lado. — Mas traga o mel também.
A gravidez de Rimuru foi um período de terror e maravilha para o Continente de Gelo. No terceiro mês, os enjoos matinais tornaram-se um evento diplomático. Durante uma audiência com os embaixadores das Nações Ocidentais, Rimuru, que insistia em participar para "não morrer de tédio", subitamente ficou pálido.
— Guy... — ele sussurrou.
— O que foi? Está com dor? Alguém te olhou torto? Eu mato todos agora! — Guy já estava de pé, a mão no cabo de sua espada.
— Eu vou... — Rimuru não terminou a frase. Ele se inclinou para o lado e vomitou uma massa de energia mágica pura e brilhante diretamente sobre os sapatos de seda do embaixador mais proeminente.
O silêncio foi mortal. O embaixador estava paralisado, sabendo que qualquer reação negativa resultaria em sua execução imediata. Guy olhou para os sapatos do homem e depois para Rimuru, que agora chorava de vergonha.
— Como você ousa sujar o chão com a sua presença enquanto minha rainha passa mal? — Guy rosnou para o embaixador. — Saia daqui. E deixe os sapatos. Eles são uma ofensa à vista de Rimuru.
O embaixador fugiu descalço pela neve, enquanto Guy carregava Rimuru nos braços, sussurrando palavras doces e limpando o rosto do Slime com seu próprio manto de valor inestimável.
No quinto mês, os desejos estranhos atingiram o ápice. Rimuru acordou Guy no meio da noite, cutucando suas costelas.
— Guy... eu quero comer pedras de amolar infundidas com o hálito do Veldora.
— Rimuru, são três da manhã. Onde eu vou conseguir o hálito do seu dragão agora?
— Você não me ama mais — Rimuru declarou, virando-se para o outro lado e soltando soluços dramáticos que sacudiam a cama.
Guy soltou um suspiro pesado, mas um sorriso brincava em seus lábios. Ele abriu um portal dimensional diretamente para a caverna onde Veldora estava jogando mangás em Tempest, arrancou um frasco de essência mágica do dragão à força e voltou em menos de dez minutos.
— Aqui, meu amor. Pedras de amolar de alta qualidade com essência de dragão.
Rimuru comeu as pedras como se fossem biscoitos, fazendo barulhos de satisfação que deixavam Guy em um estado de transe possessivo. Ele se aproximou e enterrou o rosto no peito de Rimuru, que agora estava visivelmente maior.
— Você está tão quente, Rimuru — Guy murmurou, deixando beijos úmidos sobre a pele azul-prateada. — Eu sinto o poder dele crescendo. Ele vai ser um monstro, assim como nós.
— Vai ser uma menina — Rimuru corrigiu, acariciando os chifres de Guy. — Eu sinto isso. E ela vai ter o seu temperamento terrível, o que significa que eu vou ter dois demônios possessivos me controlando.
— Três — corrigiu Guy, mordiscando a orelha de Rimuru. — Porque eu não pretendo parar em apenas um.
Os meses seguiram com uma rotina de caos. Rain e Misery, que inicialmente sentiam um ciúme mortal, começaram a se afeiçoar a Rimuru. Elas perceberam que, embora o Slime fosse a causa de todo o trabalho extra, ele também era a única coisa que trazia uma humanidade genuína ao seu mestre. Elas começaram a competir para ver quem trazia o melhor chá ou quem conseguia fazer Rimuru rir durante suas crises de choro.
Entretanto, os outros demônios do castelo ainda nutriam um ódio silencioso. Eles viam Rimuru como um usurpador que enfraquecia o Lorde Guy. Em uma tarde, um dos generais menores, um demônio chamado Gusion, murmurou algo sobre "o Slime ter transformado o palácio em um berçário de luxo" enquanto Rimuru passava pelo corredor.
Rimuru parou. Suas mudanças de humor eram lendárias, mas sua percepção mágica era absoluta.
— Guy-kun... — Rimuru chamou suavemente.
Guy apareceu atrás dele como uma sombra assassina.
— Sim, minha vida?
— Aquele ali disse que eu estou transformando seu palácio em algo ridículo. — Rimuru apontou para Gusion, fazendo um biquinho adorável enquanto seus olhos brilhavam com malícia.
Guy não disse uma palavra. Ele simplesmente estendeu a mão e a pressão gravitacional na área aumentou tanto que Gusion foi esmagado contra o chão, seus ossos quebrando audivelmente.
— Você ficará aí, como um tapete, até que o bebê nasça — Guy decretou. — E toda vez que Rimuru passar por aqui, você pedirá desculpas por existir.
Rimuru sorriu, sentando-se no colo de Guy ali mesmo no corredor, enquanto o Lorde Demônio começava a lamber seu pescoço, ignorando o demônio gemendo de dor abaixo deles.
— Você é tão protetor, Guy — Rimuru ronronou, soltando um gemido baixo quando os dentes de Guy encontraram um ponto sensível em sua clavícula. — Isso me deixa... relaxado.
— Eu sou o seu escudo e sua espada, Rimuru — Guy respondeu, a mão subindo para apertar o seio de Rimuru com uma firmeza que prometia mais tarde. — Ninguém toca no que é meu. Ninguém nem olha.
O nono mês chegou com uma tempestade de magículas que obscureceu o sol sobre o Continente de Gelo. O palácio estava em alerta máximo. Guy não saía do lado de Rimuru por um segundo sequer. Ele havia cancelado todas as reuniões, banido todos os visitantes e até mesmo Diablo foi impedido de cruzar o portal, o que resultou em uma breve luta que quase nivelou uma montanha próxima.
O parto começou em uma noite de lua carmesim. Rimuru estava deitado na imensa cama, suando, sua forma feminina brilhando com uma luz azulada.
— Guy... dói... eu vou matar você! — Rimuru gritava, apertando a mão de Guy com tanta força que os ossos do Lorde Demônio estalavam.
— Eu sei, eu sei — Guy dizia, pela primeira vez na eternidade parecendo genuinamente aterrorizado. — Misery! Traga mais água! Rain! Onde estão os curandeiros?
— Milorde, nós somos demônios, nós não usamos curandeiros humanos! — Rain exclamou, correndo com toalhas de seda.
— ENTÃO INVENTEM ALGO! — Guy rugiu, sua aura fazendo o castelo tremer.
Rimuru soltou um grito final, uma explosão de energia mágica que lançou todos os móveis do quarto contra as paredes. O silêncio que se seguiu foi cortado por um choro agudo, potente e carregado de uma autoridade inata.
Misery, com as mãos trêmulas, limpou a pequena criatura e a entregou a Rimuru. Era uma menina. Ela tinha a pele pálida e sedosa de Rimuru, mas os cabelos eram de um vermelho tão vibrante quanto o sangue de Guy. Quando ela abriu os olhos, eles não eram dourados nem vermelhos; eram de um roxo profundo, como o crepúsculo sobre um campo de batalha.
— Akane — Rimuru sussurrou, exausto mas com um sorriso radiante. — O nome dela será Akane.
Guy aproximou-se, olhando para a pequena bebê com uma expressão de choque absoluto. Quando ele estendeu o dedo, a pequena Akane o agarrou com uma força surpreendente e soltou um rosnado baixo, muito parecido com o de Guy.
— Ela tem o seu cheiro, Rimuru — Guy disse, sua voz falhando. — Mas ela tem a minha alma.
Algumas semanas depois, a rotina no palácio havia mudado drasticamente. Akane não era uma bebê comum. Com apenas um mês, ela já conseguia flutuar e sua aura era tão densa que os servos de baixo escalão desmaiavam ao entrar no berçário.
A possessividade de Guy havia atingido níveis astronômicos. Ele não permitia que nenhum general chegasse a menos de dez metros da criança. Mas o que ninguém esperava era que Akane herdasse não apenas a aparência de Guy, mas também o seu ciúme doentio por Rimuru.
Em uma tarde ensolarada no jardim de gelo, Rimuru estava sentado em um banco, amamentando Akane. Guy estava sentado ao lado, com o rosto enterrado no pescoço de Rimuru, tentando roubar um pouco de atenção.
— Guy, pare com isso — Rimuru riu. — Você está atrapalhando a Akane.
Guy ignorou e deu uma mordida leve no ombro de Rimuru, soltando um rosnado baixo de satisfação. No momento seguinte, a pequena Akane parou de mamar, virou o rosto e, com suas mãozinhas minúsculas, empurrou o rosto de Guy para longe com uma força mágica considerável, soltando um grito de fúria.
— Ela me empurrou? — Guy perguntou, chocado. — Rimuru, sua filha acabou de me agredir!
— Ela não quer dividir — Rimuru disse, caindo na gargalhada. — Viu só? Ela é exatamente como você. Ela quer a "mãe" só para ela.
Guy olhou para a filha, que agora o encarava com aqueles olhos roxos desafiadores, protegendo o peito de Rimuru com seus bracinhos gorduchos.
— Então é assim? — Guy sorriu de forma predatória. — Uma rival à altura dentro da minha própria casa.
Ele se inclinou e, em vez de se afastar, beijou Rimuru profundamente nos lábios, ignorando os protestos e os puxões de cabelo da pequena Akane.
— Você pode ter o dia, pequena — Guy murmurou contra os lábios de Rimuru —, mas a noite ainda pertence ao seu pai.
Rimuru suspirou, sentindo o peso de Akane em seus braços e o calor de Guy contra seu corpo. O ciúme ao redor dele era quase palpável — vinha de sua filha, de seu marido e dos servos que ainda observavam de longe com inveja. Mas, pela primeira vez em todas as suas vidas, Rimuru não se importava.
Ele era o centro do universo de Guy Crimson, e agora, o mundo inteiro teria que se ajoelhar diante da linhagem que eles criaram.
— Akane, Guy... — Rimuru sussurrou, enquanto a bebê finalmente adormecia e Guy o puxava para um abraço esmagador. — Vocês dois vão acabar comigo.
— Nós vamos — Guy prometeu, lambendo o rastro de uma lágrima de felicidade no rosto de Rimuru. — E você vai adorar cada segundo disso.
O Continente de Gelo nunca mais seria o mesmo. O trono de obsidiana agora tinha uma pequena herdeira ruiva que governava com punho de ferro e fofura, e um Lorde Demônio que, embora continuasse aterrorizando o mundo, era completamente devoto aos caprichos de um Slime azul-prateado que, mesmo preso em sua forma feminina, era o ser mais poderoso de todos — simplesmente por ser amado daquela maneira.