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As provocações

O Pacto Carmesim: Leite, Ciúme e o Trono de Safira

O Grande Salão do Palácio de Gelo estava, como de costume, mergulhado em uma tensão que faria o mais bravo dos heróis humanos desmaiar antes de cruzar o portal. Mas o motivo não era uma declaração de guerra ou a ameaça de uma aniquilação em massa. O motivo tinha apenas oitenta centímetros de altura, cabelos de um vermelho flamejante e olhos roxos que brilhavam com uma fúria real.

Akane, a pequena herdeira do caos, estava sentada sobre a mesa de reuniões estratégica, bem em cima de um mapa que detalhava as rotas de comércio entre o Império de Guy e a Federação Jura Tempest. Ela cruzava os bracinhos gorduchos e batia o pé pequeno contra a madeira de carvalho negro, encarando o pai com um biquinho que era a cópia exata do de Guy quando estava contrariado.

Guy Crimson, o Lorde Demônio Original, estava sentado em seu trono, massageando as têmporas. Ao seu redor, Misery, Rain e os generais demônios observavam a cena com o terror de quem sabe que qualquer palavra errada poderia resultar em uma explosão mágica.

— Eu já disse, Akane. Sua mãe foi para Tempest resolver a conferência dos Oito Lordes Demônios. Ela volta amanhã — Guy tentou explicar, sua voz soando estranhamente paciente para um ser que costumava incinerar pessoas por tédio.

— Não quelo amanhã! Quelo mama agora! — Akane protestou, sua voz aguda ecoando pelas colunas de cristal. — E o Papai é um mentiroso!

Guy arqueou uma sobrancelha, seus olhos vermelhos brilhando perigosamente.

— Mentiroso? Como ousa chamar seu pai de mentiroso na frente dos meus subordinados?

— É mentiroso sim! — Akane levantou-se, apontando um dedo pequeno e autoritário para Guy. — Ontem de noite, eu acordei e fui no quarto da Mamãe. O Papai estava lá. O Papai não deixou a Akane mamar porque disse que era a vez dele! Isso é injusto! Akane é o bebê! O Papai é grande, o Papai come carne! Por que o Papai quer o mama da Mamãe?

Um silêncio sepulcral caiu sobre o salão. Misery fechou os olhos, desejando ser apenas uma poeira mágica no vento. Rain, por outro lado, ficou tão vermelha que parecia prestes a entrar em combustão espontânea. Os generais demônios olharam para o teto, para o chão, para qualquer lugar que não fosse o rosto de seu mestre, cujas atividades noturnas acabavam de ser expostas pela própria filha de um ano.

Guy limpou a garganta, seu rosto adquirindo um tom de carmesim que combinava com seu cabelo.

— Akane... há certas coisas que são... privilégios de adultos — Guy tentou justificar, mas a lógica falhou miseravelmente diante do olhar de julgamento da criança.

— Não é privilégio! É egoísmo! — Akane gritou, e uma pequena faísca de magia carmesim saltou de seus dedos, queimando um pedaço do mapa de Tempest. — A Mamãe é macia e cheirosa. O Papai é duro e cheira a sangue. A Mamãe gosta de me dar mama. O Papai que fica empurrando a Akane para longe para ficar lambendo o pescoço dela!

— Milorde... — Misery sussurrou, incapaz de conter a agonia da situação —, talvez devêssemos adiar a discussão sobre os impostos de mineração?

— Saiam todos — Guy ordenou, sua voz baixa e carregada de uma promessa de morte para quem ousasse rir. — Agora.

Em menos de três segundos, o salão estava vazio, restando apenas o Lorde Demônio e sua pequena cópia. Guy levantou-se e caminhou até a mesa, pegando Akane no colo. A menina tentou puxar o cabelo dele, mas ele apenas suspirou.

— Escute aqui, sua pequena terrorista — Guy disse, sentando-se novamente com ela em seu colo. — Sua mãe é o ser mais precioso deste mundo. E sim, eu sou ciumento. Eu não gosto de compartilhar ela nem com você.

— Mas a Mamãe é minha! — Akane rebateu, mordendo o ombro de Guy.

— Ela é minha há muito mais tempo! — Guy retrucou, mordendo de volta a bochecha gordinha da filha, de forma leve, mas possessiva. — Mas... já que você está dificultando a minha vida diante dos meus servos, vamos fazer um acordo.

Akane parou de tentar chutar as costelas do pai e inclinou a cabeça, os olhos roxos curiosos.

— Que acordo?

— Quando a Rimuru voltar, nós vamos dividir — Guy propôs, sua mente maquiavélica trabalhando rápido. — Durante o dia, você pode ficar com ela. Eu deixo você sentar no colo dela, puxar o cabelo dela e até mamar o quanto quiser. Mas... no momento em que você fechar os olhos para dormir, ela é totalmente minha. Sem interrupções. Sem você aparecendo no meio da noite para chorar. Se você aceitar, eu te dou aquela joia de alma que o Dragão da Tempestade me deu.

Akane pareceu considerar a oferta. Ela herdara a inteligência de Rimuru e a ganância de Guy.

— E eu posso morder o Papai se você chegar perto dela de dia? — ela perguntou com um sorriso travesso.

— Pode — Guy bufou. — Mas eu posso te morder de noite se você acordar.

— Feito! — Akane estendeu a mãozinha, e Guy apertou o dedo dela com o seu, selando o pacto mais bizarro da história dos Lordes Demônios.

No dia seguinte, o portal de Tempest se abriu no pátio do castelo. Rimuru atravessou, ainda em sua forma feminina, vestindo um robe de seda azul que flutuava suavemente. Ele parecia exausto, mas seu rosto se iluminou ao ver as duas figuras ruivas esperando por ele.

— Rimuru! — Guy exclamou, movendo-se com uma velocidade que deixava um rastro de chamas para trás.

— Mamãaaaaae! — Akane gritou, flutuando no ar para se lançar contra o peito de Rimuru.

Rimuru mal teve tempo de se equilibrar antes de ser atingido por um abraço duplo esmagador. Guy envolveu a cintura de Rimuru com um braço, enquanto Akane se agarrava ao pescoço dele como um pequeno coala.

— Senti tanta falta de vocês — Rimuru disse, beijando o topo da cabeça de Akane e depois os lábios de Guy. — Como foram as coisas? Akane se comportou?

Guy e Akane trocaram um olhar cúmplice.

— Ela foi um anjo — Guy mentiu descaradamente, enquanto enterrava o rosto no ombro de Rimuru, aspirando o perfume de flores que ele tanto amava.

— O Papai foi legal! — Akane completou, começando a puxar a gola do robe de Rimuru. — Mama agora, Mamãe? Akane está com muita fome e o Papai disse que de dia é meu!

Rimuru corou, olhando para Guy com desconfiança.

— O que você andou ensinando para ela, Guy?

— Nada que ela já não soubesse por instinto — Guy respondeu, sua mão deslizando de forma possessiva pelas costas de Rimuru, descendo até a curva de seu quadril. — Mas ela tem razão. É dia. Ela tem prioridade... por enquanto.

Eles caminharam para dentro do palácio, uma imagem que seria adorável se não fosse pelo fato de que Guy lançava olhares assassinos para qualquer servo que ousasse olhar para o decote de Rimuru enquanto Akane se acomodava.

A tarde foi um festival de provocação. Akane, fiel ao acordo, não deixou Guy chegar perto. Sempre que Guy tentava abraçar Rimuru por trás ou roubar um beijo no pescoço, Akane surgia do nada, puxando o cabelo de Guy ou soltando um pequeno rugido mágico.

— Saia, Papai! Agora é minha vez! — Akane exclamou, sentada no colo de Rimuru, enquanto o Slime ria da frustração de Guy.

— Você criou um monstro, Rimuru — Guy resmungou, sentado no chão aos pés de Rimuru, observando a filha mamar com uma satisfação vitoriosa.

— Eu? Ela é a sua cara, Guy! — Rimuru acariciava os cabelos vermelhos da filha. — Ela tem o seu temperamento e a sua possessividade. Olhe como ela me segura.

De fato, as mãozinhas de Akane estavam firmemente cravadas na seda do vestido de Rimuru, como se temesse que ele pudesse desaparecer. Guy, incapaz de se conter, estendeu a mão e começou a acariciar a perna exposta de Rimuru, subindo pela coxa.

Akane parou de mamar por um segundo, olhou para a mão de Guy e soltou um tapa sonoro nela.

— Não! — ela ordenou.

— Akane! — Rimuru repreendeu, embora estivesse achando a situação hilária. — Não bata no seu pai.

— Ele está sendo ganancioso, Mamãe! — Akane reclamou, voltando ao seu banquete.

Guy rosnou, um som baixo e vibrante que fez Rimuru estremecer de prazer.

— Aproveite, pequena Akane — Guy sussurrou, seus olhos brilhando com uma promessa sombria. — O sol está se pondo.

Quando a noite finalmente caiu sobre o Continente de Gelo, o castelo mergulhou em um silêncio tenso. Akane foi colocada em seu berço de cristal, cercada por peles de monstros de classe S. Rimuru, exausto, retirou-se para os aposentos imperiais, preparando-se para dormir.

Ele estava apenas deitando na imensa cama quando as portas se abriram silenciosamente. Guy entrou, já sem a túnica superior, exibindo o peito musculoso e as marcas de batalha que Rimuru tanto gostava de traçar com os dedos.

— Finalmente — Guy disse, sua voz carregada de uma fome que não via a hora de ser saciada.

Ele se lançou sobre a cama, prendendo Rimuru sob seu corpo pesado.

— Guy... — Rimuru começou, mas foi interrompido por um beijo que roubou todo o seu fôlego.

As mãos de Guy eram urgentes, despindo Rimuru com uma eficiência brutal. Ele não perdeu tempo, enterrando o rosto no peito de Rimuru, lambendo e mordendo a pele sensível que Akane havia deixado marcada horas antes.

— Hnn... Guy... devagar... — Rimuru arqueou as costas, seus dedos se perdendo nos cabelos ruivos. — Alguém pode ouvir...

— Eu não me importo — Guy murmurou contra a pele dele. — Eu fiz um acordo com aquela pequena versão minha. O dia foi dela, mas a noite... a noite você é meu brinquedo, Rimuru.

Guy começou a sugar o mamilo de Rimuru com uma intensidade que fez o Slime soltar um grito agudo, que ele rapidamente tentou abafar com a mão.

— Ahhh... mmm... você é tão infantil... disputando com a própria filha... — Rimuru resmungou, mas suas pernas se envolveram na cintura de Guy, puxando-o para mais perto.

— Eu não disputo, eu venço — Guy retrucou, subindo os beijos para o pescoço de Rimuru, deixando marcas roxas que seriam impossíveis de esconder no dia seguinte. — E eu quero o que é meu.

A sessão de carícias estava ficando cada vez mais intensa, com Rimuru soltando gemidos altos e rítmicos, quando a porta do quarto se abriu com um estalo seco.

Lá estava Akane, flutuando a alguns centímetros do chão, segurando seu pequeno cobertor de seda. Seus olhos roxos estavam semicerrados de sono, mas ela parecia muito acordada ao ver a cena.

— Papai... você está roubando — Akane disse, sua voz embargada pelo sono, mas carregada de acusação.

Guy parou, o rosto ainda enterrado no peito de Rimuru, e soltou um rosnado de pura frustração que fez as janelas vibrarem.

— Akane! — Rimuru exclamou, tentando se cobrir com o lençol, o rosto queimando de vergonha. — O que você está fazendo aqui?

— Eu tive um sonho ruim — Akane mentiu descaradamente, flutuando até a cama e se enfiando entre os dois. — E eu ouvi a Mamãe gritando. Achei que o Papai estava machucando ela.

— Eu não estava machucando, eu estava... — Guy começou, mas Rimuru deu uma cotovelada nele.

— Akane, meu amor, volte para o berço — Rimuru pediu, acariciando o rosto da filha.

— Não. O acordo dizia que se eu dormisse, o Papai podia ficar com você. Mas eu acordei. Então o acordo está quebrado — Akane declarou, deitando-se sobre o peito de Rimuru e fechando os olhos com um sorriso vitorioso. — Agora todos dormimos juntos.

Guy olhou para a filha com um ódio que só um pai possessivo poderia sentir por uma prole igualmente possessiva. Ele olhou para Rimuru, que estava dando de ombros com um olhar de "o que eu posso fazer?".

— Você vai me pagar por isso, Akane — Guy sussurrou, deitando-se ao lado deles e puxando ambos para um abraço esmagador.

— Amanhã, Papai — Akane respondeu, já começando a ressonar.

Rimuru riu baixinho, sentindo o calor dos dois seres mais perigosos e ciumentos do mundo ao seu redor. Ele sabia que sua vida como "mãe" e "esposa" no Continente de Gelo seria um eterno campo de batalha de egos e possessividade, mas, enquanto sentia os beijos furtivos que Guy continuava a dar em seu ombro durante a noite, ele não trocaria aquele caos por nada.

No dia seguinte, durante a reunião com os generais, Guy e Akane estavam sentados lado a lado no trono. Ambos tinham a mesma expressão de tédio e o mesmo olhar de "não toque no que é meu" direcionado a Rimuru, que estava sentado em uma mesa próxima, lendo relatórios.

Quando um general novo, que não conhecia a dinâmica da família, tentou se aproximar de Rimuru para entregar um documento, Guy e Akane rosnaram ao mesmo tempo. A pressão mágica combinada foi tão forte que o general caiu de joelhos instantaneamente, quebrando o piso de mármore.

— Não chegue perto dela — Guy disse.

— É, não chegue perto da Mamãe! — Akane completou, soltando uma pequena chama carmesim que queimou a barra da capa do general.

Rimuru apenas suspirou, sem tirar os olhos do papel.

— Guy, Akane, parem de assustar os funcionários.

— Ele estava olhando para o seu decote, Rimuru — Guy justificou, seus olhos brilhando.

— É, ele é um tarado! — Akane concordou, embora provavelmente não soubesse o significado da palavra.

Os dois se olharam e deram um "high-five" mental. O caos havia encontrado o seu equilíbrio perfeito. O Lorde Demônio e sua herdeira podiam brigar entre si pela atenção de Rimuru, mas contra o resto do mundo, eles eram uma força de ciúme absoluta e imparável. E Rimuru, no centro de tudo, apenas sorria, sabendo que, no fim das contas, ele era o verdadeiro mestre daquele império de gelo e fogo.