As provocações
O Eclipse de Safira e o Triunfo das Pequenas Imperatrizes
— Guy, se você rosnar para o Benimaru mais uma vez, eu juro pela Ciel que você vai dormir no sofá de gelo pelos próximos cem anos! — Rimuru exclamou, cruzando os braços sobre o ventre já visivelmente arredondado.
— Eu não estava rosnando — Guy Crimson respondeu, embora sua voz ainda vibrasse com uma frequência perigosamente baixa. — Eu estava apenas informando a ele, através de intenção assassina, que a distância mínima permitida para se aproximar de você aumentou para cinco metros devido ao seu estado delicado.
Rimuru suspirou, sentindo o peso da segunda gravidez. Desta vez, ele decidira permanecer em Tempest. O clima era mais ameno, e a comida de Shuna era a única coisa que acalmava seus desejos peculiares — que ultimamente envolviam ervas medicinais raras banhadas em mel de abelhas rainhas da floresta.
Akane, agora com dois anos, estava sentada no tapete do escritório de Rimuru, brincando com uma miniatura de dragão feita de obsidiana. Seus cabelos vermelhos eram como chamas vivas, e seus olhos roxos brilhavam com uma inteligência precoce. Diferente de quando estava no castelo de gelo, em Tempest ela era um pouco mais tolerante com os cidadãos locais, agindo como uma pequena princesa benevolente — desde que ninguém tentasse tirar sua mãe de perto dela.
— Papai está com ciúmes de novo, Mamãe — comentou Akane, sem tirar os olhos de seu brinquedo. — Ele é muito bobo. Todo mundo sabe que você é nossa.
— Viu? Até a nossa filha concorda — Guy disse, aproximando-se de Rimuru e envolvendo-o em um abraço possessivo por trás. Suas mãos espalmaram-se sobre a barriga de Rimuru, sentindo o calor e a energia mágica pulsante ali dentro.
— Akane, não incentive seu pai — Rimuru pediu, mas acabou relaxando contra o peito de Guy. — E você, Guy, lembre-se do castigo. Nada de toques se você não se comportar.
Guy estremeceu. O "castigo" de Rimuru era a única coisa que realmente o amedrontava. Ficar sem sentir a pele de seda do Slime ou sem poder marcar território era uma tortura pior do que qualquer abismo infernal.
— Eu serei um santo — prometeu Guy, embora seus lábios estivessem traçando o caminho do pescoço de Rimuru. — Mas, Rimuru... eu estou com saudades de algo.
— De quê? — perguntou Rimuru, inclinando a cabeça para o lado.
— Do seu leite — sussurrou Guy, sua voz tornando-se subitamente rouca. — Faz semanas que você não me deixa provar.
Rimuru corou intensamente, olhando para Akane, que parecia distraída.
— Guy! A criança está na sala!
— Ela não está prestando atenção — Guy insistiu, seus dentes roçando a clavícula de Rimuru. — Só um pouco. Para acalmar meus nervos. Sabe como é difícil para um lorde demônio manter a compostura enquanto outros olham para a minha rainha grávida?
Rimuru, incapaz de resistir ao tom manhoso e predatório de Guy, acabou cedendo. Ele se afastou um pouco, abrindo a parte superior do vestido de seda que Shuna havia escolhido para ele naquele dia. Guy não perdeu tempo. Com uma reverência quase religiosa, ele provou do néctar doce e carregado de magículas de Rimuru.
— Hnn... — Rimuru soltou um gemido baixo, enterrando os dedos nos cabelos ruivos de Guy. — Você é... um bebê gigante, Guy.
— Sou o seu bebê gigante — Guy murmurou, limpando os lábios com o polegar, seus olhos vermelhos brilhando com uma satisfação absoluta.
A gravidez avançava, e com ela, um novo sistema de organização foi imposto em Tempest. Como Rimuru estava cansado demais para escolher suas próprias roupas e Guy, Shuna e Shion viviam brigando pela atenção dele, Rimuru estabeleceu um rodízio. Cada um teria um dia para escolher o traje da "Grande Mãe de Tempest".
Na segunda-feira, era o dia de Guy. Ele, claro, escolhia as roupas mais provocantes e possessivas possíveis. Geralmente eram vestidos de seda negra ou carmesim, com fendas laterais que subiam até o quadril e decotes profundos que deixavam as marcas de mordida que ele fazia questão de renovar todas as noites bem visíveis.
— Guy, isso é quase um insulto à decência pública — Rimuru reclamou, olhando-se no espelho enquanto Guy ajustava uma gargantilha de ouro com o brasão dos Crimson.
— Decência é para aqueles que não possuem o que eu possuo — rebateu Guy, dando um tapa leve e possessivo na curva do quadril de Rimuru. — Você está perfeito. Agora todos saberão que, mesmo grávida, você é a criatura mais desejável de todos os mundos.
Na terça-feira, era a vez de Shuna. Ela optava pela elegância e pelo conforto, escolhendo quimonos de seda fina com bordados de flores de cerejeira e safiras. Rimuru sentia-se um verdadeiro governante naqueles dias, embora Guy passasse o tempo todo rosnando para qualquer um que elogiasse a beleza de Rimuru de forma "excessiva".
Na quarta-feira, o caos reinava: era o dia de Shion. Ela escolhia roupas que eram, no mínimo, excêntricas. Uma vez, ela forçou Rimuru a usar um traje de "Rainha Guerreira", com uma armadura leve de prata que enfatizava sua barriga e uma capa de pele de dragão.
— Lorde Rimuru, o senhor parece uma deusa da guerra pronta para dar à luz a um mestre do mundo! — Shion exclamava, chorando de emoção.
— Shion, eu só vou para uma reunião de agricultura... — Rimuru suspirava, mas Akane adorava os dias de Shion, pois ela também ganhava uma mini-armadura combinando.
Guy e Akane tornaram-se uma dupla formidável durante esses meses. Eles se juntavam para criar o caos e garantir que a proteção de Rimuru fosse absoluta. Se Rimuru queria caminhar pelo jardim, Guy limpava o caminho de qualquer inseto ou poeira mágica, enquanto Akane flutuava ao redor, usando suas chamas carmesins para "aquecer" o ar se houvesse uma brisa um pouco mais fria.
— Akane, você não precisa queimar as flores só porque elas estão no caminho da Mamãe — Rimuru dizia, rindo.
— Elas não pediram licença, Mamãe! — respondia a pequena, com a mesma arrogância charmosa do pai.
A possessividade de Guy atingiu o ápice no oitavo mês. Ele não permitia que Diablo chegasse a menos de dez metros de Rimuru sem que uma barreira de gelo fosse erguida instantaneamente.
— Lorde Guy, sua interferência está dificultando meu serviço — Diablo dizia, com um sorriso tenso.
— Seu serviço é desnecessário quando eu estou aqui, demônio de preto — Guy respondia, abraçando Rimuru por trás e descansando o queixo em seu ombro. — Vá limpar as ruas ou algo assim.
O nascimento ocorreu em uma noite de luar dourado, sob as copas das árvores sagradas de Tempest. Diferente da primeira vez, Rimuru estava mais calmo, embora Guy parecesse prestes a colapsar o espaço-tempo de tanto nervosismo.
— Respira, Guy. Quem está tendo o bebê sou eu, não você — Rimuru brincou entre uma contração e outra.
— Eu estou respirando! — Guy rugiu, enquanto congelava acidentalmente a bacia de água que Shuna trazia.
Quando a pequena finalmente chegou, o silêncio em Tempest foi absoluto. Era uma menina, pequena e delicada. Ela tinha os cabelos ruivos vibrantes de Guy, mas quando abriu os olhos, o salão foi iluminado por um amarelo brilhante e puro, idêntico aos olhos de Rimuru.
— Luz — sussurrou Rimuru, segurando a bebê contra o peito. — O nome dela será Luz.
Diferente de Akane, que era uma explosão de energia e temperamento, Luz era estranhamente calma. Ela observava o mundo com uma curiosidade silenciosa, mas não se engane: a possessividade corria em suas veias.
Semanas depois, a dinâmica da família mudou novamente. Se Akane tinha ciúmes de Rimuru com o mundo, Luz desenvolveu um ciúme seletivo. Ela era calma com os cidadãos, mas ai de quem chegasse perto de sua irmã Akane ou de seu pai Guy.
— Luz, deixa o Papai trabalhar um pouco — Rimuru pedia, vendo a bebê agarrada à perna de Guy, emitindo um pequeno brilho amarelado sempre que Misery tentava entregar um relatório ao mestre.
— Não — a pequena Luz dizia, sua primeira palavra sendo uma proibição absoluta. Ela olhava para Misery com um olhar que, apesar de calmo, prometia uma aniquilação silenciosa.
— Ela é como você, Rimuru — Guy ria, pegando Luz no colo e sentando-se ao lado de Rimuru, que amamentava Akane — que ainda se recusava a largar o "mama" da mãe, mesmo sendo uma criança grande. — Ela observa tudo, mas só permite que os escolhidos se aproximem.
— Eu sinto que criei um exército de guardas de elite pessoais — Rimuru comentou, encostando a cabeça no ombro de Guy.
— Você criou uma dinastia, Rimuru — Guy corrigiu, beijando a testa de sua rainha. — Akane será a nossa espada, e Luz será o nosso escudo. E eu... eu serei aquele que destruirá qualquer um que ouse perturbar a nossa paz.
Naquela tarde, o jardim de Tempest presenciou uma cena que ficaria gravada na história. O Lorde Demônio Original estava deitado na grama, com Akane pulando em sua barriga e Luz sentada em seu peito, examinando seus chifres com dedos minúsculos. Rimuru observava tudo, sentindo o calor do sol e o amor avassalador que emanava de sua família.
— Mamãe, o Papai disse que quando a Luz crescer, nós vamos conquistar as nações estelares para você! — Akane exclamou, animada.
— Guy Crimson! — Rimuru repreendeu, olhando para o marido.
Guy deu de ombros, um sorriso vitorioso nos lábios.
— O que posso dizer? Elas precisam de objetivos à altura de sua linhagem. Mas não se preocupe, meu amor. Elas sabem que, no fim do dia, todas as conquistas são para você.
Rimuru sorriu, deixando-se levar pelo carinho de suas filhas e pela possessividade eterna de Guy. Ele percebeu que, entre tronos, guerras e magias, o maior poder que ele já possuíra era aquele: o de ser o centro absoluto de um universo tingido de carmesim e ouro.
E enquanto Luz brilhava suavemente em seus braços e Akane ria alto, Rimuru soube que, não importava a forma que assumisse, ele sempre seria o lar para onde aqueles demônios possessivos voltariam.