Voltar ao resumo

Bellingham

O Preço da Liberdade e o Gosto da Obsessão

O sol de Londres era pálido em comparação ao brilho ofuscante de Madri, mas para Harry Kane, aquele céu cinzento era o cenário perfeito para o seu plano de resgate — ou de captura. Desde a noite fatídica no Catar, Harry não conseguia fechar os olhos sem ver as marcas no corpo de Jude, sem ouvir os soluços que foram abafados pelos lençóis de seda. Ele se sentia culpado, mas, acima de tudo, sentia uma fome possessiva que rivalizava com a de Mbappé. Se Jude Bellingham era um troféu, Harry decidiu que ele deveria ser guardado em solo inglês.

Nas semanas que se seguiram, Harry tornou-se uma sombra constante na vida de Jude. Mensagens de texto a cada hora, ligações de vídeo durante a madrugada e uma pressão psicológica sutil, disfarçada de preocupação paternal.

— Jude, você não pode continuar lá — disse Harry, sua voz filtrada pelo alto-falante do celular enquanto Jude se recuperava de mais um treino exaustivo em Valdebebas. — Eles estão destruindo você. Eu vejo nos seus olhos. Eles te tratam como um brinquedo, não como o jogador que você é.

Jude, sentado no chão do vestiário vazio, sentia o corpo latejar. Mbappé o havia "marcado" novamente naquela manhã, um aperto forte demais no quadril que deixou hematomas em forma de dedos.

— Harry, é o Real Madrid... Eu não posso simplesmente sair — murmurou Jude, exausto.

— Você pode. Eu falei com a diretoria do Bayern e com meus contatos na Inglaterra. Se você pedir a transferência, eu garanto que você terá proteção. Venha jogar comigo. Eu vou te dar uma casa, segurança... ninguém vai encostar em você sem a minha permissão.

A palavra "permissão" ecoou de forma estranha, mas Jude estava desesperado demais para notar o sinal de alerta. Harry não queria apenas salvar Jude; ele queria ser o novo carcereiro, um que usasse luvas de pelica em vez de cintos de couro.

A situação escalou quando Harry viajou secretamente para Madri. Ele alugou uma villa isolada nos arredores da cidade e enviou um motorista buscar Jude após um evento de gala. Quando Jude chegou, encontrou Harry esperando com uma taça de vinho e um contrato de gaveta, algo que o ligaria a Harry pessoalmente antes mesmo de qualquer clube.

— Assine isso, Jude — disse Harry, aproximando-se e cercando o jovem contra a mesa de carvalho. — É um acordo de representação exclusiva. Eu cuido da sua carreira, eu tiro você das mãos do Kylian e do Erling. Eu compro a sua liberdade.

— Comprar? — Jude franziu a testa, sentindo um gosto amargo na boca. — Eu não sou uma mercadoria, Harry.

— Você é o que eles fizeram de você! — Harry explodiu, segurando os ombros de Jude com uma força que o inglês mais jovem nunca tinha visto no capitão. — Você está quebrado! E só eu posso consertar. Mas para isso, você tem que ser meu. Só meu.

O que Harry não sabia era que o "círculo" de Madri nunca perdia o rastro de sua propriedade. O GPS do carro de Jude já havia alertado Mbappé. O celular de Jude, grampeado por ordem de Ibrahimovic, havia transmitido cada palavra daquela "oferta de resgate".

A porta da villa não foi apenas aberta; ela foi praticamente arrancada dos eixos.

Zlatan Ibrahimovic entrou primeiro, sua silhueta imensa bloqueando a luz da lua. Logo atrás, Kylian Mbappé, com um olhar que prometia nada menos que derramamento de sangue, seguido por Erling Haaland e Luka Modric. O silêncio que se seguiu foi mais aterrorizante do que qualquer grito.

— Então o bom capitão decidiu virar um sequestrador? — a voz de Zlatan trovejou, calma e mortal. — Eu avisei a você no Catar, Harry. Eu disse que você era um amador.

Harry tentou manter a postura, colocando-se na frente de Jude.

— Ele quer sair! Ele me pediu ajuda! Vocês o tratam como um animal!

Mbappé soltou uma risada curta e sem humor, caminhando lentamente até eles. Ele ignorou Harry e fixou os olhos em Jude, que tremia visivelmente.

— Jude... — a voz de Kylian era um sussurro perigoso. — Eu disse a você o que aconteceria se você tentasse fugir de novo. Eu disse que a lição anterior seria apenas o começo.

— Ele não vai a lugar nenhum com você, Kylian! — gritou Harry, avançando.

Haaland foi mais rápido. Com um movimento fluido, o norueguês agarrou Harry pelo colarinho e o empurrou contra a parede com uma força sobre-humana.

— Fica quieto, inglês — rosnou Haaland. — Você acha que pode comprar o que nós conquistamos com suor e dor? Você acha que um contrato de papel vale mais do que as marcas que eu deixei nas costas dele?

Luka Modric aproximou-se de Jude, que havia caído de joelhos. O croata tocou o rosto do jovem com uma delicadeza que era mais cruel do que um tapa.

— Você nos decepcionou, Jude. Estávamos começando a confiar em você. Estávamos prontos para deixar você ser um de nós, e não apenas nosso brinquedo. Mas você preferiu a mentira desse... desse hipócrita.

— Eu só queria... eu só queria que parasse de doer — soluçou Jude, cobrindo o rosto com as mãos.

— Vai parar de doer — disse Mbappé, pegando Jude pelos cabelos e forçando-o a se levantar. — Mas primeiro, você vai ver o que acontece com quem tenta roubar o que pertence ao Real Madrid.

Zlatan e Haaland arrastaram Harry Kane para o centro da sala. O capitão da Inglaterra lutava, mas contra os dois gigantes, ele era impotente. Eles o forçaram a se ajoelhar, exatamente como Jude estava momentos antes.

— Você queria ver como cuidamos dele, Harry? — perguntou Mbappé, retirando o casaco caro. — Pois agora você vai ver o que acontece com o seu "protegido" quando ele é desobediente. E você vai assistir a cada segundo. Se fechar os olhos, o Erling vai quebrar os seus dedos.

— Não! Deixem ele ir! A culpa é minha! — gritou Jude, tentando alcançar Harry.

Modric o segurou por trás, prendendo seus braços.

— A culpa é de vocês dois — sentenciou Luka. — E a punição será compartilhada.

O que se seguiu naquelas horas de escuridão na villa foi uma sinfonia de humilhação. Mbappé forçou Jude a se despir na frente de um Harry horrorizado. Ele usou Jude ali mesmo, em cima da mesa onde o contrato de transferência estava estendido, rasgando o papel com os movimentos violentos de seu corpo.

— Olhe para ele, Harry! — gritava Mbappé enquanto Jude gemia de dor e prazer confuso sob ele. — Veja como ele abre as pernas para mim! Veja como ele esquece o seu nome no momento em que eu entro nele!

Harry era forçado a assistir, as lágrimas de ódio escorrendo por seu rosto enquanto Haaland o mantinha imobilizado, sussurrando insultos em seu ouvido sobre como ele era fraco, sobre como a Inglaterra nunca ganharia nada porque seu capitão não conseguia sequer proteger um garoto.

Depois que Mbappé terminou, Ibrahimovic deu um passo à frente.

— Minha vez de ensinar ao pônei por que ele nunca deve ouvir estranhos.

Zlatan não teve a "delicadeza" de Mbappé. Ele tratou Jude com a brutalidade de quem esmaga uma rebelião. Jude estava em transe, sua mente se desligando da realidade para sobreviver ao trauma. Ele olhava para Harry, mas seus olhos estavam vazios, as pupilas dilatadas pelo choque.

Quando todos terminaram, o salão cheirava a suor, sêmen e desespero. Harry Kane foi jogado para fora da villa, deixado no jardim escuro com a promessa de que, se ele mencionasse uma palavra sobre aquilo, sua carreira e sua reputação seriam destruídas em uma manhã.

Dentro da casa, Jude estava jogado no chão, o corpo coberto de fluidos e marcas roxas. Mbappé ajoelhou-se ao lado dele e pegou o vibrador que trouxera consigo — o mesmo daquela primeira noite em Madri.

— Você achou que Londres seria o seu refúgio, Jude? — perguntou Kylian, ligando o aparelho na potência máxima. O zumbido preencheu o silêncio pesado da sala. — Onde quer que você vá, o som disso vai te lembrar de quem você é.

Sem qualquer lubrificação, Mbappé empurrou o objeto para dentro do canal torturado de Jude. O jovem soltou um grito rouco, um som que parecia vir do fundo de sua alma.

— Você vai dormir aqui no chão hoje — ordenou Mbappé. — Como o animal que você provou ser ao tentar fugir. E amanhã, você vai pegar o primeiro voo de volta para Madri comigo. Se eu ver você olhando para um telefone ou para qualquer jogador inglês, eu vou deixar o Erling e o Zlatan cuidarem de você por uma semana inteira. Entendido?

Jude apenas assentiu, o corpo vibrando involuntariamente, as lágrimas escorrendo silenciosas pelo piso de mármore.

— Diga as palavras, Jude — pressionou Modric, chutando levemente o lado de seu corpo.

— Eu... eu pertenço a vocês — sussurrou Jude, a voz quase inaudível. — Eu sou de Madri. Eu sou de vocês.

— Bom garoto — disse Mbappé, apagando as luzes.

Eles saíram da villa, deixando Jude na escuridão, preso ao zumbido incessante de sua punição. Do lado de fora, Harry Kane chorava no asfalto, sabendo que tinha tentado salvar um anjo, mas que agora, Jude Bellingham era algo que ele não reconhecia mais. O garoto de ouro da Inglaterra havia se tornado a sombra de seus mestres, uma criatura moldada pela dor e pelo prazer proibido, destinada a brilhar nos campos do mundo enquanto carregava, em segredo, as correntes invisíveis daqueles que o possuíam.

A lição estava completa. O mercado de transferências para Jude Bellingham estava encerrado para sempre. Ele não era mais um jogador; era um legado de pecado, guardado a sete chaves pelos deuses de Madri.